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Capa Preta

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Nascido em 1964, Lourenço Mutarelli cursou a Faculdade de Belas Artes e, durante três anos, trabalhou nos Estúdios Maurício de Sousa. Em 1988, alguns colegas acharam que seria uma boa ideia simular um sequestro para levá-lo a uma festa surpresa. O trote desencadeou uma crise depressiva crônica. O autor encontrou nas histórias em quadrinhos o remédio para superar esse trauma e personificou, em seus heróis, os dramas por ele vividos. Durante essa fase, produziu quatro álbuns: Transubstanciação (1991), Desgraçados (1993), Eu Te Amo Lucimar (1994) e A Confluência da Forquilha (1997). Cada uma dessas publicações foi contemplada com um Troféu HQ Mix. Capa Preta reúne em volume único esses quatro álbuns, esgotados há anos e vendidos a preço de ouro. As pranchas originais foram redigitalizadas para amplificar a experiência gráfica do leitor.

306 pages, Hardcover

Published December 16, 2019

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About the author

Lourenço Mutarelli

42 books169 followers

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Community Reviews

5 stars
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1 star
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Displaying 1 - 11 of 11 reviews
Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
117 reviews15 followers
March 26, 2021
Partindo da literatura do Mutarelli, é curioso fazer o caminho inverso e voltar pro seu começo como escritor de quadrinhos. Capa preta junta o Mutarelli antes do ralo, imerso no preto do nanquim que consome as páginas e as histórias desses quatro álbuns.

Transubstanciação é o primeiro, uma espécie de anúncio do que viria nos anos seguintes, dos protagonistas decadentes e perdidos na sujeira, aqui mais no gráfico do que na palavra. É a história daqueles para quem o único que resta é o fim.

Desgraçados é um círculo, que vai e volta, remonta tudo como se Mutarelli anunciasse uma mitologia de personagens recorrentes, fragmentasse e unisse tudo em uma única desgraça.

A confluência da forquilha é filosófico, nesses limites do que a filosofia pode ser frente à arte. Algo, talvez, tão limitado.

Mas Eu te amo Lucimar é. Não consigo escrever nada a fazer jus à beleza dos desenhos e da história. Fico incrédulo em pensar como alguém conseguiu pensar em algo tão genuíno.

Capa Preta é o começo do caminho, trazido só agora, no final. Talvez seja o anúncio que chega tarde, tal qual aquele que Mutarelli deu a Ferréz: "Cuidado ao seguir os meus passos"
Profile Image for Vivian Matsui.
Author 3 books20 followers
May 8, 2020
O "Eu te amo, Lucimar" é bom, já os outros são um pouco ou muito pretensiosos. O desenho não me agrada (especialmente o corpo feminino), mas isso eu já conhecia de Diomedes (que é excelente, aliás), mas nestes aqui às vezes parece viagem de drogas, com pitadas superficiais de mitologia, ocultismo, religião para temperar a coisa, mas sempre superficial demais, como quem quer chocar mas - pelo menos a mim (talvez eu seja calejada demais) - não conseguiu causar mais que uma sobrancelha levantada.

Defendo Mutarelli: gosto bastante dos livros dele, e do Diomedes. Aliás li tudo o que está em catálogo dele, e lerei tudo o que vier a ser lançado ou republicado. Por isto me dou a permissão de dar um "it was ok" para esta coletânea.
Profile Image for Fernando Medeiros santos.
156 reviews8 followers
January 13, 2023
"Sabe jovem, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança... mas... o homem criou o dinheiro e isto os tornou diferentes."

Em 2021 eu li Mundo Pet e fiquei de queixo caído com a profundidade das histórias. Até incomodado porque muitas histórias bateram do jeito errado, mas isso é um papo para eu ter com o meu psicólogo. Então cheguei aqui no Capa Preta com muita sede ao pote e no final... sei lá... achei "ok".

Achei que o lance mais pessoal, quase introspectivo, que eu estava esperando foi substituído por uma bad trip que eu simplesmente não consegui interpretar. E aí quando o negócio fica abstrato demais, não acontece conexão (e olha que Noite e dia desconhecidos foi um dos meus favoritos de 2022, então o negócio tem que ser abstrato meeeeessmo).

Indo história a história:

"Transubstanciação": 3 de 5 braços
Me conectei muito com algumas partes, mas outras também me deixaram meio "Oi?". Planos de fundo extremamente detalhados e com imagens macabras o tempo inteiro. Vá com cuidado caso você tenha algum tipo de gatilho com suicídio.

"Desgraçados": 2 de 5 passagens bíblicas
Simbolismo louco e histórias conectadas. Foi a única coisa que consegui absorver. De resto, talvez se eu tivesse tomado um ayahuasca ou coisa do tipo. Achei que história ficou perdida dentro do tema da religião e do ocultismo. Realmente queria ser mais inteligente para entender esse tipo de coisa.

"Eu te amo Lucimar": 4 de 5 gêmeos sobrenaturalmente conectados
MARAVILHOSA. Doloridíssima e ao mesmo tempo muito delicada. Aqui achei as metáforas mais adequadas pro meu nível de QI hahahah. E toda a história foi tão bem amarrada! Os personagens são perturbadores e tudo funciona muito bem.

"A confluência da forquilha": 2 de 5 sociedades secretas
Ok. Esse aqui DEFINITIVAMENTE foi uma bad trip do Lourenço. Não tem outra explicação. Dá pra fazer uma esticada sobre questões da capitalização da arte e a transformação da mesma num produto de massa, mas olha... foi difícil terminar e minha cabeça doeu no final. A premissa é fantástica, mas achei que foi morrendo ao longo do desenvolvimento.

Numa análise muito fria, eu daria 2 estrelas, mas a arte do Mutarelli é tão F*DA que é mais do que merecido render +1 estrelinha.

Leia se você:
- Estiver num bom momento. Mentalmente falando
- Curtir uns simbolismos loucos, blasfêmias, ocultismos
- Estiver sob o efeito de psicotrópicos

Profile Image for Joao Paulo.
83 reviews
November 22, 2020
Para Mutarelli, a terra parece somente um purgatório, onde estamos esperando para acabar no inferno. Todo seu mundo é claustrofóbico, com uma arte extremamente carregada, quase não deixando respiros (com única exceção do livro Eu Te Amo Lucimar, que possui algo um pouco mais limpo). Existe uma fascinação pelo grotesco do mundo, pela deformidade das pessoas, que quase parecem caveiras ou mortos ambulantes, pode-se até dizer que há uma devoção, já que existe um super detalhamento de tudo.

Lembro de ouvir Mutareli em uma entrevista, dizendo que o quadrinho é um trabalho muito árduo justamente por ter de se conceber um mundo todo, o que realmente faz muito sentido lendo um de seus quadrinhos. Existe uma obsessão no seu desenhar e em povoar os quadros com uma força quase demoníaca. Chega até a ser engraçado a forma como em qualquer abertura de céu se tem um avião, que ganha uma onipresença quase irônica, diante dessa obsessão.

Mas sua obsessão por preencher as páginas não está somente no desenho, também é presente na escrita dos balões, as vezes tão demorados quanto o observar dos desenhos. Existe uma relação bem pesada com o tempo, já que é necessário uma determinada atenção para entender suas páginas mais complexas, consequência do quão carregadas elas são. Essa relação com o tempo é destrinchado no último livro: A Confluência da forquilha.

Os personagens parecem não pertencer ao mundo pela sua estranheza mas, de alguma forma, tem seus corpos unos com ele. Existe uma relação de proximidade dos corpos que, ao mesmo tempo que repele, identifica.

Profile Image for Juliana Costa.
291 reviews10 followers
September 30, 2023
2,5 ⭐

Que HQ doida. Eu não entendi. É muito diferente. Eu estava esperando as histórias ficarem mais "pé no chão", mas isso definitivamente não aconteceu, é como se cada história fosse um pesadelo, mas não tem o acordar.

Sobre a arte, eu adorei, principalmente quando os desenhos mostram a cidade, o caos. Como paulista, eu vejo claramente uma São Paulo decadente nesses quadrinhos, a Augusta, a Sé, o centro da cidade, até o transporte público.

E o rosto cansado, esgotado, de cada personagem e figurante (não sei se esta palavra cabe) mostra o quão exaustivo e cruel é viver em uma cidade que não para nunca, afinal, as pessoas também não podem parar, precisam se manter em movimento constante.

Isso é cruel, principalmente quando se pensa em pessoas depressivas, por exemplo, como é o caso dos personagens da HQ, que não conseguem acompanhar o frenesi da vida, ou da pessoa ansiosa, que precisa acalmar os pensamentos, mas não consegue, e o mundo não permite.

Por fim, acho que essa não é uma HQ para ser entendida, é para ser pensada e refletida na realidade de cada leitor.
Profile Image for Adriano Tiegs.
202 reviews2 followers
January 16, 2023
Ao acompanharmos relatos de quem lê Mutarelli pela primeira vez, seja na literatura ou nos quadrinhos, podemos notar que essa é sempre uma experiência impactante e única. Comigo não foi diferente, e Capa Preta se mostrou uma obra diferente de qualquer coisa que eu havia consumido até então, em qualquer mídia.
Após viver uma situação traumática, e que lhe desencadeou uma depressão profunda, o autor produziu quatro álbuns entre 1991 e 1997, os quais estão reunidos nessa coletânea. Ler cada um desses álbuns, todos desenhados com o traço único, pesado, e detalhista de Mutarelli, é notar a complexidade de seus demônios ( e nas palavras do próprio autor, como é importante aprender a adestrá-los e negociar com eles).
Profile Image for Pedro Lira.
282 reviews
April 10, 2024
Que mundo desgraçado dessa HQ. E mais surpreendente é essa capacidade do Mutarelli de, apesar de todo esse grotesco, impressionar. Ou talvez seja questão de 'e com' em vez de 'apesar de'. O que mais me impactou, sem dúvida, foi a arte. Fico sem palavras ou sem saber como pensar em como algo assim pode ser feito.

A que mais me tocou foi 'a confluência da forquilha'. Não sei se entendi o final mas só o fato de ter o pensamento plástico destruído e substituído pela lógica, e se abraçar apesar da vontade de matá-la, vale o hq. Não lembro de ter absorvido outros elementos da história, apesar de haverem.

Enfim, vale a pena a leitura, à seu risco.
Profile Image for Clara.
39 reviews
November 2, 2022
Esse é um compilado de 4HQs do Mutarelli publicadas nos anos 90

É genial mas não é pra qualquer um até porque o trabalho do Mutarelli encontra beleza no que é horrendo e intragável e também dialoga muito com o bizarro do ser humano.

Achei uma leitura pesada e interessante! (Parece umas grande perturbação mental) Além disso os desenhos são um show a parte, você precisa olhar várias e várias vezes para entender por dentro das cenas confusas caóticas e perturbadoras


Destaque para DESGRAÇADOS (1993) e EU TE AMO LUCIMAR (1994) que foram as histórias que mais gostei!!
Profile Image for Igor Guimarães.
28 reviews4 followers
October 21, 2024
Obra que vai ao limite, passa, algumas vezes , recua, mas constantemente expõe o leitor a ler o que há de mais humano em nossas deteriorações
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