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Luanda, Lisboa, Paraíso

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Em seu segundo romance, Djaimilia Pereira de Almeida narra a saga de Cartola e Aquiles, pai e filho que deixam Angola em busca de um tratamento médico em Portugal nos anos 1980. Um livro sobre descolonização e pertencimento, da mesma autora de Esse cabelo.

Luanda, Angola, anos 1970. Fruto de um parto com complicações graves, Aquiles nasce com uma má-formação que lhe dita o destino e o nome. A promessa de cura reside em uma cirurgia que somente pode ser realizada em Portugal, e até que ele complete quinze anos. Com o fatídico aniversário em vista, Aquiles e o pai, Cartola, partem para Lisboa, crentes de que será uma viagem passageira e de que eles serão recebidos como verdadeiros cidadãos portugueses. Na capital, sentem na pele o preconceito de serem imigrantes da ex-colônia enquanto o regresso a Angola torna-se cada vez mais distante.

Autora do aclamado Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida constrói com estilo e sensibilidade ímpares uma narrativa — ora triste, ora esperançosa — sobre a diáspora, as relações entre pais e filhos e a constante busca por afeto humano.

“Este romance o levará da angústia à melancolia, da esperança vã à desesperança, passando pelo desespero. Como é possível que este arco dramático do nada ao nada seja encantador comprova-se pelo talento indiscutível de Djaimilia Pereira de Almeida em amar seus personagens e nos fazer amá-los também, a despeito de seus contínuos defeitos, perdas e frustrações.” — O Estado de S. Paulo

200 pages, Paperback

First published October 1, 2018

44 people are currently reading
1424 people want to read

About the author

Djaimilia Pereira de Almeida

22 books193 followers
DJAIMILIA PEREIRA DE ALMEIDA nasceu em Luanda em 1982. É licenciada em Estudos Portugueses, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Mestre em Teoria da Literatura (2006) e Doutorada em Estudos Literários (Teoria da Literatura) (2012), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 2013, foi uma das vencedoras do Prémio de Ensaísmo serrote atribuído no Brasil pela revista serrote, do Instituto Moreira Salles. Fundou e dirige a Forma de Vida (www.formadevida.org). Trabalha na Fundação para a Ciência e a Tecnologia e é, desde março de 2021, consultora da Casa Civil do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

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10 (1%)
Displaying 1 - 30 of 150 reviews
Profile Image for Cláudia Azevedo.
395 reviews226 followers
October 17, 2021
Eis uma boa história sobre vidas comuns e suas esperanças desmesuradas em dias melhores que nunca chegam, mesmo mudando de país, ou melhor, de continente.
A alegria acaba por chegar através de amizades inesperadas, que se vão aconchegando dentro das rotinas, cabendo nelas.
Triste, triste, com um travo amargo a desilusão e a finitude. É assim este livro.
Profile Image for Ensaio Sobre o Desassossego.
430 reviews213 followers
February 18, 2024
"Se o entendimento entre duas almas não muda o mundo, nenhuma ínfima parte do mundo é exactamente a mesma depois de duas almas se entenderem."

Quem cuida de quem? É o pai que cuida do filho ou o filho que cuida do pai? Que Lisboa é esta que nada se parece com a Lisboa idílica descrita desde sempre pelo pai?

"Luanda, Lisboa, Paraíso" conta a história de uma família marcada pela doença, cada membro com os seus dilemas e a forma como cada um se sente em relação ao mundo. Trata sobretudo da relação entre pai e filho, Cartola e Aquiles, que vão viver para Lisboa em busca da cura da doença do filho.

Cartola e Aquiles têm uma relação complexa, dois seres que apenas estão a tentar encontrar o seu lugar no mundo e esta é uma história de gente comum, gente desconhecida que vai passando pela vida, nunca vivendo, apenas sobrevivendo.
Este é um livro sobre pertença, sobre o sentido de comunidade. É também um livro que retrata o sentimento de solidão, o viver na tentativa de pertencer a algo, a destruição de sonhos e ilusões. Retrata de uma forma tão bela a desesperança.

É um livro melancólico, triste, denso e esta foi uma experiência de leitura maravilhosa. Senti muita angústia e é mérito da autora ter conseguido transmitir tão bem toda a solidão e sentimento de abandono que atravessam as personagens.

A descolonização e a guerra civil de Angola são o pano de fundo desta história e há uma descrição do que é ser-se migrante, quando se é pobre e não se tem uma única esperança no amanhã. A resignação acompanha as personagens durante toda a vida, tendo todos os sonhos ficado fechados numa mala.

Djaimilia tem uma escrita muito poética, única e, sem dúvida, vou querer ler mais da autora. Este livro vale por tudo, mas só pela escrita deslumbrante da autora já merece ser lido.

💭 "Foi-lhe claro naquele instante que não viajam para Portugal, mas para sempre."
Profile Image for Rita da Nova.
Author 4 books4,663 followers
Read
June 2, 2024
“Este livro fez-me companhia numa viagem de autocarro entre Lisboa e Faro, pelo que podem perceber a voracidade com que o li. Estive sempre dividida entre a vontade de saber mais sobre estas personagens e demorar-me a ler várias passagens, já que a escrita de Djaimilia quase que nos exige isso. À primeira vista é simples e direta, mas rapidamente compreendemos que tem muitas camadas prontas a serem descobertas.”

Review completa em: https://ritadanova.blogs.sapo.pt/luan....
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
788 reviews146 followers
January 25, 2025
#50livrosparaabril
31/50
06/04

“Luanda, Lisboa, Paraíso”, de Djaimilia Pereira de Almeida, é um livro que nos leva a viajar intensamente para um outro olhar sobre o processo de mobilidade entre as “ex-colónias” e a “metrópole”. Vencedor do Prémio Oceanos de 2019, este romance, como outras obras da autora, cruza vivências de diversas territorialidades e géneros que a autora vai criando e que se passeiam pelo ensaio, a reflexão académica ou a presença de referências autobiográficas.
O livro conta a história de Cartola de Sousa, parteiro num hospital em Luanda, e Aquiles, seu filho, nascido com um calcanhar defeituoso. Pai e filho viajam para Lisboa, nos anos 1980, para que o rapaz possa receber tratamentos. Este livro é como refere o título: o percurso - entre o encanto e desencanto - que pai e filho fazem numa viagem que parte de Luanda para uma Lisboa mítica, e termina num “Paraíso” suburbano e ilegal.
Tal como refere a autora numa entrevista à Visão “é a história de uma viagem, o que de algum modo une todos os países que partilham a língua portuguesa. E cada trajeto tem as suas razões, nomeadamente as económicas, mas o que me interessou explorar foi a dimensão sentimental. Temos este homem, Cartola, angolano, que tece toda uma conjetura sobre Portugal antes de cá chegar. Tem uma relação afetiva com o país antes de o conhecer”, mas esta viagem acaba por se arrastar e se transformar numa mobilidade permanente, de habitação degradada, empregos desqualificados e um quotidiano de discriminação e racismo.
Este livro é, para mim, um texto imperdível sobre a continuidade colonial no tempo pós-colonial, sobre a fragmentação das identidades, sobre o caráter (des)territorializado das populações em processo de mobilidade. É, pois, através da estória de Cartola e Aquiles que pensamos o Portugal contemporâneo na sua relação com os anteriores espaços coloniais.
PJV

#livro #literatura #leitor #leitores #leitura #literaturaportuguesa #poscolonialismo #emigracao

https://www.instagram.com/p/C5bRXjZMy...
Profile Image for Ritinha.
712 reviews137 followers
December 9, 2018
Gosto muito de optar por títulos que não sejam de homens brancos ocidentais porque desses já tenho vasta percentagem do que leio e me influencia culturalmente.
Nada sabia deste livro ou da autora e não tinha elevadas expectativas. E talvez por isso a leitura haja sido ainda melhor.
A escrita é confiante e dirigida, dotada da abertura própria do calor do português fora de Portugal, ensaiando momentos de prosa poética e de aforismos sem cair nas típicas peneiras da "nova literatura portuguesa". Isto, só por si, é um feito notável.
A odisseia de um pai e seu filho, Aquiles, de destino traçado pela doença (a da mãe do Aquiles e a do calcanhar deste) é o fio que desenrolará uma latente exploração dos limites e factualidades do amor, família, amizade, da vida e do seu sentido. Bem como do Portugal dos excluídos pela origem, raça e, pecado supremo, pela pobreza.
Profile Image for Beatriz.
313 reviews99 followers
January 21, 2019
Luanda, Lisboa, Paraíso é um daqueles livros que parece ter sido escrito palavra a palavra, com todo o cuidado, nenhuma delas aleatória. Todas têm um sentido e um lugar. Cheguei a ler a mesma página várias vezes, para aproveitar todos os bocadinhos que poderia não ter saboreado à primeira, segunda ou terceira vez. Na minha opinião, é isto que faz um óptimo livro, seja qual for o género.


Os protagonistas desta história são pai e filho, Cartola e Aquiles, que vivem num mundo pouco justo e onde a desilusão é o prato do dia, acompanhados pelos seus amigos Pepe e Iuri. São homens que, embora não tenham aprendido a viver sem mulheres, têm de aprender a sobreviver sem elas. Claro que também há mulheres na história, mas as que existem estão bem longe, ou são figurantes das vidas dos homens que, por algum motivo, assombram. Os protagonistas são homens desorientados, as restantes são as mulheres que lhes dão norte ou que os denorteiam.

Opinião completa em: https://fuiprocrastinar.blogs.sapo.pt...
Profile Image for Monica Cabral.
250 reviews50 followers
January 8, 2024
"...esmagado por ninguém saber que tinha partido de tão longe há tanto tempo,  chegado a uma praça onde era apenas um par de sapatos; rodeado de gente que não se interessaria por saber como se chamava, preocupado apenas com a aparência de saúde que lhe garantia passar despercebido..."

Neste romance de Djaimilia Pereira de Almeida acompanhamos a vinda para Lisboa de Cartola e Aquiles, pai e filho, que deixam Luanda para que Aquiles seja operado na capital a uma malformação num calcanhar. Chegados a Portugal nos anos 80 no período pós-colonização, pai e filho estão longe de imaginar que não voltarão à sua terra natal.
Cartola chega a Lisboa com a ilusão de que a sua vida vai ser "um conto de fadas" mas tem logo um choque de realidade,  o racismo e o desdém das pessoas com que convive o deixa cada vez mais deprimido e num estado catatónico. De parteiro em Luanda para homem das obras em Portugal para ganhar algum dinheiro para viver condignamente,  o caminho de pai e filho vai ser atribulado e duro na capital.
Luanda Lisboa Paraíso, o percurso feito por pai e filho, é um livro sobre pertença e identidade. Através da sua escrita irrepreensível, Djaimilia consegue transmitir-nos esta história de decadência e tristeza de duas pessoas  que viram o seu mundo transformar-se sem retorno possível.
Profile Image for Zé Filipe Melo.
75 reviews3 followers
April 30, 2024
Uma história que podia ter sido bonita e tocante foi "estragada" por uma escrita demasiado floreada, idílica, que acaba por contrastar em demasia com uma história crua e pesada. Comparações em quase todos os parágrafos, frases que perdem o sentido no meio das metáforas. Gostava mesmo de ter gostado mais desta história, infelizmente não foi possível.
Tenho de lhe dar 2,5 ⭐
Profile Image for Sofia.
1,039 reviews128 followers
December 13, 2019
Pensamento após ter terminado a leitura deste livro:
"According to astronomy, when you wish upon a star, you're actually a few million years late. That star is dead. Just like your dreams."
E música que acompanha "Oh, think twice
'Cause it's another day for you and me in paradise "

Ao contrário de "Esse cabelo", cuja ideia ficou aquém da execução, "Luanda, Lisboa, Paraíso" conseguiu angustiar-me e transmitir-me o ambiente de profunda solidão e abandono das personagens.

Bem escrito, onde nenhuma palavra parece ter sido escrita ao acaso, com personagens interessantes e cativantes. O ambiente do livro envolve-nos, a indiferença dos outros atinge-nos, fica uma tristeza profunda pelo luto dos sonhos de tantos milhões de pessoas, tantas expectativas, tantas ilusões, tanto - tudo! - que se desmorona como um castelo de cartas.

"(...)ninguém tinha torcido os seus sonhos de propósito."
Profile Image for Solange Cunha.
283 reviews44 followers
May 31, 2020
Que livro bonito, poético e difícil. Voltei várias vezes na mesma página para reler as palavras, as metáforas.

Nada aqui é por acaso. Os nomes, as simbologias (cartola, casa, calcanhar...), os substantivos. Que potente.

A escritora (mulher, angolana) cria personagens masculinos com proeza e sensibilidade, discute as ambivalência de ser pai, de ser filho, de ser amigo. Aborda questões sobre pertencimento, família, racismo, machismo.

Cartola, Aquiles, Glória, Pepe, Iuri e Justina vão ficar comigo por um bom tempo.
Profile Image for Marta Pinho.
41 reviews22 followers
February 4, 2024
3.5
Não gostei deste livro. Ela não escreve mal, não é um mau livro, simplesmente não é para mim. Não gostei da escrita nem do estilo de narrativa que a autora escolheu. Pode-se dizer que é uma escrita poética, mas parece-me mais forma do que substância. Ou melhor, a forma sobrepõe-se à substância. Cada frase é uma comparação, tudo é uma metáfora. Não é preciso. Acho que esta não será a melhor maneira de transmitir a pobreza, material e emocional, das personagens. Preferia uma linguagem mais crua, mais concreta. A linguagem poética contrasta com a esqualidez da vida dos 2 protagonistas. É uma opção, claro, mas que a mim não me agradou. Não consegui ter uma ideia muito definida do caráter das personagens, acho que a autora não faz uma boa caracterização delas. Sinto que o narrador é demasiado omnisciente, quase como se pairasse sobre as personagens e fosse dando uns flashes aqui e ali das suas vidas, em que o que sobressai é a sua interpretação do que vê. Só gostei do livro a partir da parte da reconstrução da casa, aí achei que havia mais narrativa concreta.

Repito: não será talvez um defeito do livro, o meu gosto é que não vai para aqui. Foi uma grande desilusão. Estava mesmo à espera de gostar.
Profile Image for Tânia Dias.
168 reviews13 followers
March 9, 2025
"Se o entendimento entre duas almas não muda o mundo, nenhuma ínfima parte do mundo é exatamente a mesma depois de duas almas se entenderem." 🤍
Profile Image for Maluquinha dos livros.
321 reviews137 followers
February 8, 2024
Luanda, Lisboa, Paraíso. A sequência do título não é mais do que sucessão dos espaços da obra.
Luanda. Cartola e família: a mãe que ficou de cama quando teve o filho, Aquiles, que nasceu com um problema no calcanhar. Nos anos 80, pai e filho viajam para Lisboa à procura da operação que pode resolver o problema de saúde de Aquiles.
Lisboa. A chegada a um país desconhecido, as saudades de casa… os tempos no hospital e numa pensão enquanto esperam uma cura ou a oportunidade de reunir toda a família. Cartola acredita que Portugal será a mudança de que precisam. Mas é com esta viagem que tudo começa a perder-se: deixa de ser o pai e marido, o homem alegre, o homem que é reconhecido e passa a ser apenas mais um que trabalha nas obras para se sustentar.
Paraíso. Bairro de lata na margem sul onde acabam por ficar a viver, longe de regressar à sua Angola e aos tempos felizes. Pai e filho vivem agora sem esperança, marginalizados, num estado de apatia e desilusão.
À medida que avançamos na narrativa, os espaços parece que se afunilam e sentimos a angústia das personagens. É um livro triste, uma história que começa cheia de esperança e termina num cenário de exclusão e marginalização. Restam os contactos com Angola, cada vez menos frequentes, como memória de tempos felizes. Gostei da escrita e da forma como a solidão se vai tornando cada vez mais evidente, mas acabou por ser uma leitura um pouco angustiante.
Profile Image for António.
121 reviews6 followers
March 26, 2024
Fiquei extremamente desconfortável ao ler este "Luanda Lisboa Paraíso" de Djaimilia Pereira de Almeida. Desconfortável e deprimido, sem encontrar uma explicação cabal para tal. Mas já lá vamos...

"LLP" conta a demanda de Cartola e Aquiles, pai e filho que deixam Angola e família para trás, e viajam para Lisboa, embalados na esperança de uma cirurgia curadora de uma malformação do jovem. Chegados a Portugal, não encontram o que esperavam, enfrentando dificuldade atrás de dificuldade, numa espiral de desesperança. Acabam por ir parar ao ironicamente chamado bairro Paraíso.

Um livro sobre descolonização, imigração e família que acabou por se tornar um enigma para mim. Não me lembro de uma leitura que me deixasse tão vazio e triste. É uma história forte, bem contada e com uma escrita irrepreensível. Então porquê esta árvore despida de empatia?

Um primeiro vislumbre foi dado pelo facto de ser um livro com uma escrita aparentemente muito pensada pode resultar numa leitura mais "fria" e criar uma barreira entre o leitor e as personagens. Outro saiu de uma conversa com alguém natural de Luanda. A cultura africana aceita o sofrimento como parte da vida. Terá Djaimilia escalpelizado tão bem essa forma de estar que entrou em rota de colisão com a minha maneira de ser ocidental, profundamente inconformada com a tristeza e sofrimento? Será essa a razão do meu desconforto?

A verdade é que no Ocidente vivemos sob uma ditadura da felicidade. O nosso objetivo de vida é sermos felizes. Na prática, somos o ratinho na roda em busca de algo inatingível.. felicidade permanente, quando o facto é que a felicidade só nos sorri a breves trechos. Talvez se aceitassemos a triste realidade fôssemos mais.. felizes. Irónico, não?
Profile Image for Cátia Vieira.
Author 1 book854 followers
August 7, 2019
Luanda Lisboa Paraíso é o segundo romance da escritora Djaimilia Pereira de Almeida e estou completamente rendida. Quero ler bem em breve o seu primeiro livro, Esse Cabelo! Neste romance, Cartola e Aquiles abandonam Luanda e partem para a Lisboa dos anos 80, deixando a restante família para trás. Lisboa, mais do que se afigurar como uma terra de oportunidades, simboliza a possibilidade de tratamento de um problema no calcanhar que Aquiles tem desde nascença. Porém, todos os sonhos e ilusões rapidamente se dissipam. A vida em Portugal, para este pai e filho, acaba por se revelar bastante precária, o que culmina na mudança das duas personagens para o bairro de lata fictício, chamado Paraíso.

Ler este livro fez-me perceber que tenho muitas saudades de ler literatura angolana. Há uma inocência, humor e simplicidade na literatura contemporânea dos autores com raízes angolanas que adoro e o estilo de Djaimilia enquadra-se nessa vaga de autores. ✍️ Ainda relativamente à escrita, sublinho que este livro tem passagens lindíssimas e inesquecíveis.

Além da escrita incrível, Luanda Lisboa Paraíso centra-se e denuncia temas prementes, permitindo-nos olhar criticamente a migração angolana e a precariedade e desilusão que Portugal oferece a esses mesmos migrantes.

Gostaria de agradecer à Gosto de Ler por me enviar um exemplar gratuitamente.
Para mais reviews, sigam-me no Instagram: @booksturnyouon
Profile Image for Alysson Oliveira.
386 reviews47 followers
December 18, 2019
A cada nova leitura, tenho mais certeza de que o melhor da literatura em língua portuguesa atualmente vem das antigas colônias. Com Luanda, Lisboa, Paraíso, a angolana Djaimilia Pereira de Almeida investiga a diáspora pós-colonial com precisão e segurança, uma mão firme e, ao mesmo tempo, sensível. Ao centro do romance, um pai e seu filho que precisam abandonar Angola rumo a Lisboa nos anos de 1980, para que o garoto possa realizar um tratamento médico no tornozelo.

Não sei se por causa da troca de cartas, ou os personagens mesmo, mas o livro me remeteu a Pedro Costa, pode nem ser uma referência consciente, mas há um diálogo da romancista com o cineasta português em seu olhar generoso a personagens à margem da sociedade com um passado histórico pesando sobre seus ombros.

É, obviamente, um romance melancólico, mas extremamente poético, que encontra sua beleza na força e determinação das figuras que o habitam. A escritora, no entanto, nunca é exibicionista, nunca chama atenção para sua prosa tão bem elaborada. Sua criação é forte exatamente por isso, por lançar uma luz, e dar voz a pessoas que, mais do que nunca, precisam gritar para o mundo as ouvir.
Profile Image for Sónia Carvalho.
196 reviews17 followers
August 28, 2019
Um livro sobre a solidão, sobre o sentirmo-nos sozinhos, mesmo na companhia uns dos outros. Muitas vezes, o sentido da vida destas pessoas, é o "calvário" de cuidarem umas das outras. É um livro sobre a doença, o afastamento, a desesperança, a pobreza, a saudade mas também sobre a amizade, a reconstrução, o reencontro.

"Todos os Cartola de Sousa se viram adiados pela doença. Cartola pôs -se entre parêntesis por Glória e mudou de vida por causa do calcanhar do filho. Justina deixou os sonhos pela mãe, tornada dona de casa quando o pai e o irmão partiram para Lisboa. Aquiles foi atravessado pelo calcanhar malformado, que deixou Cartola às suas costas. Não eram vítimas uns dos outros, nem ninguém tinha torcido os seus sonhos de propósito."
Profile Image for Cayo Candido.
80 reviews9 followers
April 10, 2022
Incrível como um mesmo idioma pode guardar tantas línguas. Foi meio assim que me senti lendo esse livro repleto de camadas. A primeira camada da narrativa é bem clara: pai e filho saem de Angola e vão para Portugal para um tratamento médico e, conforme o tempo passa, a possibilidade de retorno vai ficando cada vez mais remota. Uma segunda leitura revela a tensão entre ex-colônia e ex-metrópole que se dá nas relações das personagens, ora amigáveis, ora conflituosas. Um poesia melancólica perpassa as palavras desse curto livro, e foi isso que me demandou mais atenção. Por vezes eu me deparava com passagens cujo léxico do português angolano me faltava, levando-me a um exercício constante de releitura e pesquisa para entender essa esfera poética. Se perdi na poesia, ganhei no encontro com o texto escrito no mesmo idioma, mas expresso de modo distinto.
Profile Image for Cat .classics.
285 reviews122 followers
August 4, 2025
Uma surpresa agradável conhecer esta autora e este livro em particular. Temos tanta literatura ocidental e contemporânea, tantas letras, tanta tinta gasta com histórias sobre os nossos umbigos, que não deixo de sentir esta narrativa como uma lufada de ar fresco no cenário literário português.

Djaimilia tem dois trunfos que me conquistaram em Luanda Lisboa Paraíso: a escrita primorosa que nos transporta para um narrador imparcial, mas com uma pitada de ironia e beleza; o enredo que nos mostra a vida de algumas personagens invisíveis, ainda hoje desprezadas na nossa sociedade, Cartola e Aquiles, pai e filho, em busca de soluções para um calcanhar doente, e para uma vida miserável, que a foi em Luanda como continuou a ser em Lisboa.

Djaimilia traz-nos esse incómodo que é o exercício da empatia para com quem tem vidas tão diferentes das nossas, duras e irredutíveis.

Gostei muito de que tivesse intercalado a narrativa em 3a pessoa com o recurso epistolar.
Profile Image for Eli Entrenebras.
Author 4 books71 followers
April 17, 2025
Sin ser yo súper fan de la prosa poética, la forma en que este libro describe los estados emocionales de sus personajes (y eso es prácticamente lo único que hace a lo largo sus 200 páginas) es brillantísima, y es bonito y melancólico y no sé por qué no está traducido al castellano ni por qué la gente española insiste en no saber portugués
Profile Image for Rute Durão.
210 reviews12 followers
December 6, 2025
A escrita de Djaimilia Pereira de Almeida parece simples, mas é cheia de camadas. Neste livro, mais do que nos outros que li da autora, pareceu-me demasiado rebuscada, cheia de metáforas e comparações. Numa história tão pesada, sinceramente achei demasido. Ainda assim, também acho que não foi por acaso, porque nada neste livro me pareceu ao acaso, tampouco os finais impetuosos, severos.

Da leitura de Esse Cabelo, fiquei com a ideia que a história contada em Luanda, Lisboa, Paraíso teve inspiração na vivência do tio de Djaimilia. Ainda assim, esta é mais do que a história de Cartola, Aquiles, Pepe, Iuri. É mais do que tudo a história de tantas pessoas que procuram sonhos e se vêem enredadas na miséria e na desilusão.
Profile Image for Marta Mesquita.
39 reviews5 followers
December 31, 2021
É um livro belo, tão triste e tão humano. Três vidas que ficaram por se cumprir, ou que, afinal, se cumpriram na repulsa que se esconde no âmago dos homens. Os sonhos que ficam encerrados em palavras nunca ditas, as desilusões do que nunca chegará a ser, um passado que se enche de memórias reconstruídas, único alimento de um presente que se faz de pobreza, doença e histórias que se querem esconder na periferia, onde todos passam à margem. É daqueles livros que não queremos ler e que, no final, agradecemos por nos terem vindo parar às mãos.
Profile Image for Miguel Duarte.
132 reviews55 followers
November 12, 2018
Em 2015, Djaimilia Pereira de Almeida entrou no panorama literário português com uma das mais arrebatadoras estreias de que há memória recente. "Esse Cabelo" era reflexão de base autobiográfica ao mais alto nível, juntando romance e ensaio numa busca por um espaço e uma identidade que não renegasse nenhuma das componentes da sua vida. Alguma expectativa marcava, portanto, o regresso da escritora. Mas, se havia algum receio, "Luanda, Lisboa, Paraíso" é a clara confirmação da qualidade da autora. O novo livro de Djaimilia em nada fica atrás do primeiro.

Tal como "Esse Cabelo", é também um livro acerca da diáspora. Mas, enquanto esse era história na primeira pessoa, em "Luanda, Lisboa, Paraíso" a autora abandona a sua biografia para nos dar a história de Cartola de Sousa e seu filho, Aquiles.

Abandonando Angola, pai e filho rumam à Lisboa dos anos 80 para que Aquiles, a completar 14 anos, possa finalmente ter os tratamentos recomendados pelo médico. Afinal, nascera com um defeito no calcanhar (razão pela qual o pai escolhera para ele esse nome) e só em Lisboa lhe era possível ser submetido à operação adequada. Como muitos dos que vieram das ex-colónias portuguesas por questões de saúde, não sabiam que a viagem não iria ter regresso.

A sequência do título da obra é, portanto, a sucessão de locais e espaços na vida de pai e filho, desde a Luanda onde viviam até ao Paraíso, um bairro de lata fictício na Margem Sul, passando por Lisboa, onde habitam numa pensão enquanto Aquiles mantém os tratamentos.

O parto que marcara o calcanhar de Aquiles fora também o mesmo que deixara Glória, sua mãe, imobilizada na cama onde passa os anos seguintes. É esse estado de doença que a impede de viajar com o marido e o filho para Lisboa, deixando-se ficar em Luanda ao cuidado da filha, Justina. Antes de partirem para Lisboa, era Cartola quem cuidava da esposa, com uma devoção enternecedora, mas era “para ele um calvário tomar conta da mulher, prova que tinha aprendido a superar desejando tanto a morte dela como desejava as melhoras.” Vidas abortadas pelos defeitos de cada um. Mas “não eram vítimas uns dos outros, nem ninguém tinha torcido os seus sonhos de propósito.”

De certa maneira, Cartola viera para Lisboa para recomeçar, imaginando sempre que, em Portugal, seria reconhecido como português. Mas cedo se apercebe que aquele que era em Angola ficara para trás. Parteiro em Luanda, em Lisboa vira homem das obras e vai gradualmente perdendo a mão do seu destino. As condições em que vive com Aquiles são precárias, no mínimo, e o choque de realidades deixa Cartola letárgico. Não era o mesmo que deixara Luanda e, quando comunicava com Glória por telefone ou lhe enviava cartas, aquele que falava não era mais que uma personagem mantida na memória.

“Parecia pensar que um dia lhe bateriam à porta e lhe diriam que estava tudo tratado, que era enfim português, direito que julgava pertencer-lhe. Não sabia ele conjugar o gerundivo e a origem etimológica da palavra “Tejo”? Não achava, inspecionando-se ao espelho, que não se geravam a norte do Alentejo, “e muito menos em África”, maçãs-de-adão como a de Aníbal Cavaco Silva? Não era dócil e cordato contando que não estivesse bebido? Não engraxava os sapatos do filho aos domingos sentindo-se sempre mortificado? Não escolhera já o seu talhão no Cemitério dos Prazeres, para onde se esquivava a entoar cânticos fúnebres em kikongo enquanto admirava os jazigos de família? Não se arrepiava ao ouvir o hino de Portugal e sabia de cor a primeira estrofe dos Lusíadas? Não abafara o seu desejo ao ponto de ter esquecido de como era o corpo de Glória e decorado os afluentes do Mondego? Não estava curvado e musculado como uma atracção de circo a quem se pagaria para ver recitar a dinastia de Bragança enquanto equilibrava um banco na cabeça? Como não havia um secretário engravatado de lhe bater à porta um dia, saudando-o e estendendo-lhe um diploma comprovativo, enquanto um conjunto tocava concertina, bombo e tuba à graça do mais recente português?”

Mas Cartola não era olhado enquanto português, e é omnipresente o olhar reprovador que recebe de fora, tanto pela sua etnia como pela sua condição. Fora do seu local quotidiano, tanto ele como Aquiles são constantemente olhados de lado, tidos como pedintes, carcaças, lixo humano. Quando Iuri, um rapaz negro do Paraíso, vai para a escola, tudo aquilo que era felicidade naquela pequena localidade é, aos olhos de quem o vê na escola, sinal da mais profunda escória. “As fatiotas novas [que tinha recebido para ir para a escola] não tinham impressionado fosse quem fosse no recreio e parecia mal aos outros encarregados de educação que ninguém o viesse buscar à escola. Passado o entusiasmo inicial, sentia-se estúpido.”

É uma vida duríssima, a que marca pai e filho, sucessão de trabalho nas obras (Aquiles junta-se ao pai nessa função), viagens de autocarro e convívio com o taberneiro com quem travam uma amizade, num dos poucos raios de esperança a atravessar o livro. Nisto se vai a vida arrastando, praticamente não concebendo já nem o regresso a Angola nem o regresso da família angolana para junto deles. Por um lado, Cartola deseja que Glória recupere, mas, por outro, a sua vida está já tão diferente que não concebe, sequer, a hipótese de a ver juntar-se a si em Lisboa. Glória é a sua única ligação a um passado que ficara definitivamente para trás, e, mesmo que este novo presente seja mais duro que o que vivia em Angola, prefere-o a cuidar de Glória para o resto da sua vida.

“Acostumara-se à falta de independência da mulher a ponto de desejar que ela fosse para sempre a sua doente. Tinham passado tantos anos que o regresso dela à vida se assemelhava ao regresso de um parente desaparecido que em vez de trazer consigo recordações boas não consegue entender que já ninguém o reconhece. [...] E queria Glória morta na cama, não por maldade, mas porque essa era a condição de ele continuar a ser uma pessoa.”

Mas tanto quisera escapar à sua antiga condição que, por vergonha, se coibira de ser íntimo de Aquiles. Não querendo assustá-lo com a sua origem, “tinha condenado o filho a não ter história por medo de que ele não se conseguisse erguer se a conhecesse.” E Aquiles, agora tornado cuidador do pai, dava por si, tragicamente,  “a ansiar pelo calor da carrinha de Mota, dos piropos obscenos, da chispalhada fria, dos arrotos, do desprezo, [para] tornar-se enfim um homem vindo de algum lado a caminho de alguma parte, “o Aquiles, aquele preto coxo”.” Era a única forma que tinha de ser alguém. Ao menos nisso pai e filho estavam juntos.
Profile Image for João Mendes.
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September 17, 2023
Este livro tem tantas camadas que não sei se apanhei todas.

É um livro triste sobre a miséria, a pobreza e a amizade que é a luz no meio de uma vida tão escura.

Em processo de descolonização, pai e filho procuram em Lisboa uma vida melhor. Sem a mãe que, doente, não os pode acompanhar, encontram-se perdidos, pobres e tristes numa Lisboa que está longe de ser a que sonharam.

Vale muito a pena e a escrita é maravilhosa.
Profile Image for Joaquim Margarido.
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October 25, 2020
Impõe-se começar esta recensão crítica a “Luanda, Lisboa, Paraíso”, dizendo que a sua leitura é de tal forma absorvente e dela se retira tanto prazer que o livro entra directamente para a restrita galeria dos livros da minha vida. Desde logo, pela ternura duma história que trata, com enorme pudor e delicadeza, a vida simples de pessoas simples. Depois, pela prosa visualmente rica, intensa e muito bela, realçando as emoções que se desprendem de cada gesto, de cada frase. E finalmente pela generosidade e sensibilidade do olhar de Djaimilia Pereira de Almeida, compondo personagens duma enorme riqueza interior, contrastando ironicamente com a miséria extrema em que vivem.

O livro conta a história de Cartola e do seu filho, Aquiles, nascido com uma malformação no calcanhar. Confiados na ajuda de um ortopedista, ambos deixam Luanda assim que o rapaz atinge os quinze anos, tendo Lisboa como a “terra prometida”, onde Aquiles encontrará certamente a cura. As coisas, contudo, não irão correr conforme esperado, e a cidade branca é também aquela onde Cartola e Aquiles irão descobrir-se pai e filho na desventura. Até que num vale emoldurado por um pinhal, nas margens da cidade mil vezes sonhada pelo velho Cartola, encontram abrigo e fazem um amigo.

Parábola intemporal duma sociedade polarizada entre “feios, porcos e maus” e “lindos, limpos e bonzinhos”, este é um livro que, de forma poética, evoca o quanto de conformismo e de fatalismo pode haver na condição do ser pobre. Num país com dois milhões de pobres a convocarem a nossa vergonha colectiva, “Luanda, Lisboa, Paraíso” revela-nos de que matéria são feitos os sonhos dos que tão pouco têm, ao mesmo tempo que pesa a coragem que é necessária para levantar tudo em volta uma e outra vez e nos diz, de forma palpável, o quão relativo o tempo se faz, na felicidade ou na dor. Hino à amizade, vibrante e comovente, o livro é sobretudo uma admirável evocação daquilo que, distinguindo-nos, nos torna mais próximos e solidários.
Profile Image for Sofia Belchiorinho.
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November 5, 2024
Seduzida por uma recomendação, por uma capa bonita e por um prémio literário, fui cheia de espectativas para esta leitura. Mas se a premissa me convenceu, depressa a escrita complexa me distanciou da mesma. É tão trabalhada que surte o efeito contrário ao pretendido, falhando em ser lírica e poética e despindo a narrativa de sentido. Não me importo de reler frases ou parágrafos mais do que uma vez - a forma como cada autor brinca com a língua portuguesa é o que torna único - mas quando isso acontece página sim, página também distancio-me completamente da história. Ainda assim, consegui empatizar com as personagens, que são complexas e bem desenvolvidas, e viver um pouco do pós-colonialismo através das mesmas e das cartas e telefonemas trocados entre Lisboa e Angola, momentos de leveza que aliviaram um pouco a tristeza da história.
Profile Image for Plano Nacional de Leitura 2027.
345 reviews555 followers
July 1, 2020
Luanda, Lisboa, Paraíso é uma dura viagem da miséria humana, de cruzamentos geográficos, da metamorfose humana. Palavras poderosas, elegantes e de grande sensibilidade narram a história de Cartola de Sousa, parteiro num hospital em Luanda, e Aquiles, seu filho, nascido com um calcanhar defeituoso. Ambos viajam para Lisboa, nos anos 1980, para que o rapaz possa ser submetido a tratamentos médicos. A experiência do desenraizamento, a existência silenciosa, a condição social do homem, a diáspora, o amor, amizade e o amor à família são temas que atravessam esta magnífica narrativa.

CDU:
821.134.3(673)-31

Livro recomendado PNL2027 - 2019 2.º Sem. - Literatura - dos 15-18 anos - maiores 18 anos

http://pnl2027.gov.pt/np4/livrospnl?c...
Profile Image for Cláudia Pereira.
1 review4 followers
June 3, 2020
Uma escrita magnífica, um tema incontornável e imprescindível para a história da humanidade desdobrado num enredo vivido por personagens tão reais e, por isso, com tanta dignidade. Obra que toma parte sem agenda panfletária, que faz do pensamento crítico um lugar onde o belo tem um espaço central. Angolano, sem deixar de ser do Mundo, e onde Portugal se apresenta no seu todo - o melhor e o pior - a falar por si.
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