Em Chama e cinzas, Carolina Nabuco mais uma vez faz um retrato da posição da mulher burguesa, agora no final da primeira metade do século XX, apresentando os valores e os tabus que orientavam o lugar social da mulher, mas trazendo também uma nova voz feminina que parece emergir desse contexto. Há, com isso, um distanciamento significativo de A sucessora, seu romance anterior, uma vez que naquela obra a protagonista Marina teme não ser a mulher ideal, enquanto Nica, a nova protagonista, deseja compreender por que tem sido essa mulher.
O livro conta a história de Nica Galhardo, a mais despachada das quatro filhas de Álvaro, viúvo falido, com um fraco para jogos de azar, que organiza noites de carteado em seu casarão na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Os eventos são disputadíssimos e frequentados por personalidades da sociedade carioca dos anos 1940, como ministros de Estado e o poderoso banqueiro Nestor Rabelo, o amigo que de fato sustenta a casa. O patriarca da família mantém um diálogo aberto com as jovens, que não o chamam de pai, mas de Álvaro, algo incomum naqueles tempos.
Após uma profunda decepção amorosa, Nica, em atitude bastante ousada para uma jovem da época, decide casar-se com Rabelo, o homem que ela tanto admira. Mas um casamento bem-sucedido bastará para fazê-la sentir-se completa?
Publicado originalmente em 1947, treze anos após o sucesso de A sucessora, Chama e cinzas está fora das livrarias desde o início dos anos 1980. Recebeu o Prêmio de Romance da Academia Brasileira de Letras e anos depois inspirou a telenovela Bambolê, exibida pela Rede Globo entre 1987 e 1988.
Maria Carolina Nabuco de Araújo (or Carolina Nabuco) was a Brazilian writer.
Carolina Nabuco nasceu no Rio de Janeiro, em 1890. Passou a adolescência nos Estados Unidos, onde o pai, o estadista e abolicionista Joaquim Nabuco, era embaixador do Brasil. Tornou-se importante escritora já ao publicar seu primeiro livro: a biografia de seu pai, em 1928, obra que no ano seguinte receberia o Prêmio de Ensaio da Academia Brasileira de Letras.
Apesar da educação recebida no exterior, possuía um espírito altamente brasileiro. Atuou como escritora e tradutora e levou uma vida discreta. Não se casou nem teve filhos.
Além de A vida de Joaquim Nabuco e de A sucessora, é também autora, entre outros livros, de Chamas e cinzas (romance, 1947), Visão dos Estados Unidos (viagem, 1953), Santa Catarina de Sena (biografia, 1957), A vida de Virgílio de Melo Franco (biografia, 1962), Retrato dos Estados Unidos à luz da sua literatura (crítica literária, 1967), O ladrão de guarda-chuva e dez outras histórias (coletânea de contos, 1969) e Oito décadas (memórias, 1973).
Em 1978, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Quatro anos depois, em agosto de 1981, faleceu em decorrência de um ataque cardíaco, aos 91 anos, em sua casa na rua Marquês de Olinda, no Rio de Janeiro
"O ministro perguntou-lhe o motivo do aumento de brilho dos seus olhos. Ela respondeu: - É porque estive brigando. Gosto de brigar quando tenho razão."
"- É porque estive brigando. Gosto de brigar quando tenho razão." Essa frase me define! Livro com gosto de novela das 18:00. Amo os livros ambientados no Brasil, ver costumes de certas épocas me traz um ar de nostalgia do que eu não vivi.
É bem frustrante ver a protagonista insatisfeita com o seu lugar como mulher e não fazer muito à respeito por conta própria, mas pela época que foi escrito acho um marco no início da revolução do pensamento feminista, tudo começa em algum lugar não é mesmo?
Muito bom. Li no ano passado, mas ainda hoje, quando vou recomendar algum livro a alguém, esse está sempre na minha lista. Personagens bem construídos e a história é muito interessante (apesar de eu achar muito esquisito o Rabelo querer se casar com uma menina que ele viu crescer). Mas eu gostei da abordagem que é feita sobre o papel da mulher na sociedade e como Nica lida com isso. E por ser um livro mais antigo — se trata de uma sociedade que tem pensamentos muito diferentes dos atuais —, é claro que ela não vai ser dona de uma super empresa ou algo do tipo. Mas a posição de poder que ela recebe após o casamento e como ela usufrui dela é, para a época, algo super bacana. Apesar de hoje talvez não parecer grande coisa para muitos, eu vejo como uma "evolução" da visão sobre o papel da mulher, considerando as circunstâncias da época em que foi escrito — e gosto muito de como a autora aborda isso. O livro é maravilhoso, super justo ter sido adaptado para a televisão, porque merece todo o reconhecimento. No mais, é isso.
obrigada a biblioteca do if que tem esse livro lá e a minha irmã querida que teve a paciência de ver se eu queria algum livro e pegar esse pra mim!!! gostei bem mais desse que de a sucessora, provavelmente por ser uma trama mais moderna. ainda leria mais umas 200 páginas
3.5. Gostei mais do que de A Sucessora. O enredo não é a coisa mais empolgante do mundo, mas mais uma vez adorei a escrita da autora, é de uma elegância que não se vê mais.