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Cartas de Amor
O livro reúne curiosas cartas de amor enviadas por Fernando Pessoa a Ophélia Queiroz. As cartas não vêm carregadas com arroubos de saudades – o que se espera de cartas de amor – porque Pessoa e Ophélia se viam quase todos os dias. Neste livro, o leitor vai ter acesso a autoanálises e sensações do escritor, a intromissões de Álvaro de Campos ― que não gostava de Ophélia ― e a um pouco da genialidade de Pessoa, um obsessivo criador.
- GenresPortuguese Literature
112 pages, Paperback
First published November 21, 2012
About the author
Fernando Pessoa
1,258 books6,627 followersFernando António Nogueira Pessoa was a poet and writer.
It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos were – their creator claimed – full-fledged individuals who wrote things that he himself would never or could never write. He dubbed them ‘heteronyms’ rather than pseudonyms, since they were not false names but “other names”, belonging to distinct literary personalities. Not only were their styles different; they thought differently, they had different religious and political views, different aesthetic sensibilities, different social temperaments. And each produced a large body of poetry. Álvaro de Campos and Ricardo Reis also signed dozens of pages of prose.
The critic Harold Bloom referred to him in the book The Western Canon as the most representative poet of the twentieth century, along with Pablo Neruda.
It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos were – their creator claimed – full-fledged individuals who wrote things that he himself would never or could never write. He dubbed them ‘heteronyms’ rather than pseudonyms, since they were not false names but “other names”, belonging to distinct literary personalities. Not only were their styles different; they thought differently, they had different religious and political views, different aesthetic sensibilities, different social temperaments. And each produced a large body of poetry. Álvaro de Campos and Ricardo Reis also signed dozens of pages of prose.
The critic Harold Bloom referred to him in the book The Western Canon as the most representative poet of the twentieth century, along with Pablo Neruda.
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Community Reviews
Displaying 1 - 25 of 25 reviews
August 27, 2025
"Estas coisas fazem sofrer, mas o sofrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão de passar o amor e a dor, e todas as mais coisas, que não são mais partes da vida?"
February 16, 2024
Sou absolutamente fã do Fernando Pessoa. Adoro o Pessoa melancólico, solitário, triste, mas aparentemente não gostei tanto do Fernando Pessoa apaixonado. Estas cartas demonstraram-me outra versão dele que não apreciei particularmente.
Esta edição em si está lindíssima, é um facto, mas acrescentaria muito mais valor se tivesse também as cartas da Ofélia e não apenas as 3 ou 4 cartas que nos apresentam no fim do livro.
Nestas cartas vê-se um Fernando Pessoa dramático, tanto está super romântico como depois dá uma de passivo-agressivo. E é um super pró a fugir a certas responsabilidades que a Ofélia tanto quer que ele tenha (com ela).
Tem momentos bonitos, outros quase cómicos, outros que não apreciei. Tenho pena de não ter adorado como achava que iria gostar.
Esta edição em si está lindíssima, é um facto, mas acrescentaria muito mais valor se tivesse também as cartas da Ofélia e não apenas as 3 ou 4 cartas que nos apresentam no fim do livro.
Nestas cartas vê-se um Fernando Pessoa dramático, tanto está super romântico como depois dá uma de passivo-agressivo. E é um super pró a fugir a certas responsabilidades que a Ofélia tanto quer que ele tenha (com ela).
Tem momentos bonitos, outros quase cómicos, outros que não apreciei. Tenho pena de não ter adorado como achava que iria gostar.
October 28, 2023
como va a ser asi de mono pessoa memueroo😭😭😭 escribiendole a ophelia que quiere besitos y que la necesita y mandandole abrazos todo el rato uf pessoa te quiero mandame tus cartas
leer sus cartitas a modo de desayuno estos días ha sido maravilloso y realmente me han dado ganas de levantarme de la cama, ganas de seguir 💗
"El Tiempo, que envejece las caras y los cabellos, envejece también, pero incluso más aprisa, los afectos violentos".
QUE VUELVAN LAS CARTAS, LAS POSTALES Y LOS MENSAJITOS!!!!!!
leer sus cartitas a modo de desayuno estos días ha sido maravilloso y realmente me han dado ganas de levantarme de la cama, ganas de seguir 💗
"El Tiempo, que envejece las caras y los cabellos, envejece también, pero incluso más aprisa, los afectos violentos".
QUE VUELVAN LAS CARTAS, LAS POSTALES Y LOS MENSAJITOS!!!!!!
July 5, 2024
Para começar eu gostaria de falar que é um sentimento maravilhoso saber que uma pessoa assim já existiu... Fernando Pessoa expressava o amor dele de uma forma linda, bela e pura, ele realmente expressava o amor sem orgulho e de uma forma que é lindo de se ver em cada carta que ele escrevia para Ofélia. Eu adorei saber a sua história de amor com a Ofélia mesmo que não tenha acabado da melhor forma e de ter sido um amor meio escondido e proibido, as discussões que eles às vezes tinham e a forma como as vezes ele se sentia rejeitado pela Ofélia... Saber que ele teve um outro amor 5 anos depois de terminar com Ofélia me deixou surpresa, foi uma curiosidade que gostei de saber. Não sei tanto sobre o Fernando como gostaria, mas esse livro me leva a querer saber mais. Eu simplesmente adorei a leitura de cada carta, é como viajar pela máquina do tempo, eu realmente achei fantástico. 🫶🏽💐
August 11, 2026
“A mi exilio, que soy yo mismo, tu carta ha llegado como una alegría familiar, y soy yo quien tiene que agradecer, pequeñita.
Aprovecho ya ahora la ocasión y te pido disculpas por tres cosas, que son la misma cosa, y de las que no he tenido yo la culpa. Por tres veces te he encontrado, y no te he saludado, porque no te vi bien o, mejor dicho, a tiempo. Una de ellas fue hace ya mucho, en la Rua do Ouro, y era de noche; iba Ophelinha con un joven que supuse era su novio, o prometido, mas realmente no sé si era lo que era justo que fuese. Las otras dos veces son más recientes, en el tranvía en que ambos viajábamos en dirección a la estación término de la Estrella. Te vi, una de las veces, sólo de soslayo, y los dedichados que usan gafas tienen el soslayo imperfecto.
Otra cosa... No, no es nada, dulce boca...
Fernando”
11/9/1929
Aprovecho ya ahora la ocasión y te pido disculpas por tres cosas, que son la misma cosa, y de las que no he tenido yo la culpa. Por tres veces te he encontrado, y no te he saludado, porque no te vi bien o, mejor dicho, a tiempo. Una de ellas fue hace ya mucho, en la Rua do Ouro, y era de noche; iba Ophelinha con un joven que supuse era su novio, o prometido, mas realmente no sé si era lo que era justo que fuese. Las otras dos veces son más recientes, en el tranvía en que ambos viajábamos en dirección a la estación término de la Estrella. Te vi, una de las veces, sólo de soslayo, y los dedichados que usan gafas tienen el soslayo imperfecto.
Otra cosa... No, no es nada, dulce boca...
Fernando”
11/9/1929
September 2, 2018
Pessoa es un gran poeta, con una gran calidad literaria que no se refleja en sus cartas íntimas. Él es un fingidor. Lo que vale la pena de estas cartas son las notas biográficas y las respuestas de Ophelia... No siempre hay que publicar todo lo que un autor escribe.
November 20, 2017
A ver, es Pessoa! Pero leerlo escribir como bebé a su novia, no es, para mi, algo que considero publicable, las editoriales a veces se pasan, de veras.
July 7, 2023
no me gustó
cringe
medio abusivo
cringe
medio abusivo
January 8, 2025
"Meu amor, dá-me 2 beijos
P'ra me dares um terceiro.
Que é só para haver um quarto
Antes do quinto e do primeiro."
P'ra me dares um terceiro.
Que é só para haver um quarto
Antes do quinto e do primeiro."
July 25, 2025
Terrivel Bébé:
Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e tam-bem gosto de si, que é meiguinha tambem. E é bon-bon, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e o Bébé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é sem-pre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguem gosta de mim, e tambem porque é que havia de gostar, e isso mesmo, e torna tudo ao principio, e parece-me que ainda lhe telephono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na bocca, com exactidão e gulodice e comer-lhe a bocca e comer os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu hombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e porque é que a Ophelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um individuo com ventas de contador de gaz e expressão geral de não estar alli mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bébé fôsse uma boneca minha, e eu fazia como uma creança, despia-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossivel ser escripto por um ente hu-mano, mas é escripto por mim
Fernando
el trozo más febril, de los únicos decentes. como dijo alguien de por aquí: a veces no es necesario publicar todo lo escrito…
Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e tam-bem gosto de si, que é meiguinha tambem. E é bon-bon, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e o Bébé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é sem-pre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguem gosta de mim, e tambem porque é que havia de gostar, e isso mesmo, e torna tudo ao principio, e parece-me que ainda lhe telephono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na bocca, com exactidão e gulodice e comer-lhe a bocca e comer os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu hombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e porque é que a Ophelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um individuo com ventas de contador de gaz e expressão geral de não estar alli mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bébé fôsse uma boneca minha, e eu fazia como uma creança, despia-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossivel ser escripto por um ente hu-mano, mas é escripto por mim
Fernando
el trozo más febril, de los únicos decentes. como dijo alguien de por aquí: a veces no es necesario publicar todo lo escrito…
December 27, 2023
Este livro — e esta nova edição aumentada em particular — foram a melhor experiência de sempre!! É mais um daqueles livros a que, se pudesse, teria dado 6 estrelas. E para além de se ter tornado no meu novo livro de conforto, é agora o meu bem mais precioso da coleção literária :)
Mesmo sabendo agora da Madge, nunca vou superar a relação de Pessoa com Ofélia 🥹. E ler correspondência entre eles só me tornou ainda mais apegada.
É curioso descobrir o lado romântico de Fernando Pessoa, especialmente quando estou habituada a ler as suas outras “facetas” literárias. É, no entanto, inevitável que os poemas e a sua linguagem ao longo das cartas continuem a surpreender e a ser extraordinárias.
Foi bastante interessante ter os textos acompanhados de imagens reais da correspondência, bem como alguns detalhes entre a troca de objetos e lembranças entre Pessoa e Ofélia.
Quando à parte de Madge, conseguiu surpreender-me e saciar a minha curiosidade simultaneamente. Não estava à espera de muito mais, porque sabia que não tinha sido algo tão intenso como com a Ofélia, mas a forma como a abordou foi curiosa de se ler.
No fim das contas, a nova edição fez o que tinha a fazer 🤍🤍 (Estou prestes a reler este livro 300 mil vezes, e não me vou arrepender em nenhuma delas).
Mesmo sabendo agora da Madge, nunca vou superar a relação de Pessoa com Ofélia 🥹. E ler correspondência entre eles só me tornou ainda mais apegada.
É curioso descobrir o lado romântico de Fernando Pessoa, especialmente quando estou habituada a ler as suas outras “facetas” literárias. É, no entanto, inevitável que os poemas e a sua linguagem ao longo das cartas continuem a surpreender e a ser extraordinárias.
Foi bastante interessante ter os textos acompanhados de imagens reais da correspondência, bem como alguns detalhes entre a troca de objetos e lembranças entre Pessoa e Ofélia.
Quando à parte de Madge, conseguiu surpreender-me e saciar a minha curiosidade simultaneamente. Não estava à espera de muito mais, porque sabia que não tinha sido algo tão intenso como com a Ofélia, mas a forma como a abordou foi curiosa de se ler.
No fim das contas, a nova edição fez o que tinha a fazer 🤍🤍 (Estou prestes a reler este livro 300 mil vezes, e não me vou arrepender em nenhuma delas).
Read
November 4, 2023En extremo doloroso.
Me gusta la poesía de Pessoa. No es mi favorita, pero me gusta bastante.
Por ese motivo me regalaron este libro y, tras terminarlo, lo agradezco porque me ha dado perspectiva sobre el personaje o, mejor dicho, la persona que hay detrás de los poemas.
Dicho esto, me ha resultado desagradable su lectura, que no pretendía ser agradable, de eso estoy segura. Tampoco me gustan especialmente las observaciones de la persona encargada de comentarlo, pero debo reconocer que algunas de las ocurrencias de FP y de OQ me han resultado interesantes, así como conocer, a través de las cartas, un poco más del día a día de Fernando y de su voluntad para dedicarse a su obra.
Nada más. No puedo puntuar.
Me gusta la poesía de Pessoa. No es mi favorita, pero me gusta bastante.
Por ese motivo me regalaron este libro y, tras terminarlo, lo agradezco porque me ha dado perspectiva sobre el personaje o, mejor dicho, la persona que hay detrás de los poemas.
Dicho esto, me ha resultado desagradable su lectura, que no pretendía ser agradable, de eso estoy segura. Tampoco me gustan especialmente las observaciones de la persona encargada de comentarlo, pero debo reconocer que algunas de las ocurrencias de FP y de OQ me han resultado interesantes, así como conocer, a través de las cartas, un poco más del día a día de Fernando y de su voluntad para dedicarse a su obra.
Nada más. No puedo puntuar.
January 23, 2025
Não li a nova edição ampliada, e deve ter sido por isso que me faltou à experiencia.
Gostei da introdutória sobre a própria Ophélia. Senti falta das cartas dela ali.
Gostei muito da linha do tempo da vida de Pessoa ao final do livro.
Entrei na intimidade de Fernando Pessoa e fui comovida pela sua doçura, candice e melosidade com a moça (afinal, "todas as cartas de amor são ridículas": opinião de Álvaro de Campos, que neste livro descobri que foi firmado como o homossexual do grupo de heterônimos).
As cartas dele não tem nada de imperdível, mas foi interessante ter acesso a essa faceta do universo pessoano.
Gostei da introdutória sobre a própria Ophélia. Senti falta das cartas dela ali.
Gostei muito da linha do tempo da vida de Pessoa ao final do livro.
Entrei na intimidade de Fernando Pessoa e fui comovida pela sua doçura, candice e melosidade com a moça (afinal, "todas as cartas de amor são ridículas": opinião de Álvaro de Campos, que neste livro descobri que foi firmado como o homossexual do grupo de heterônimos).
As cartas dele não tem nada de imperdível, mas foi interessante ter acesso a essa faceta do universo pessoano.
January 22, 2024
Adorei!!!! A organização deste livro está mesmo bem conseguida: com início na descrição da relação de Pessoa com Ophélia (pelas palavras da mesma!), seguida das duas fases das cartas e, por fim, com a análise destas por David Mourão-Ferreira.
Foi mesmo engraçado conhecer melhor o que foi a relação de Pessoa com Ophélia, de que a minha professora de português tanto falava na escola! E, ainda, perceber a evolução do estado de Pessoa ao longo que o tempo vai passando…. é mesmo revelador!
Há cartas tão boas, a 36°, por exemplo, das minhas favoritas!!
Foi mesmo engraçado conhecer melhor o que foi a relação de Pessoa com Ophélia, de que a minha professora de português tanto falava na escola! E, ainda, perceber a evolução do estado de Pessoa ao longo que o tempo vai passando…. é mesmo revelador!
Há cartas tão boas, a 36°, por exemplo, das minhas favoritas!!
January 25, 2019
Pessoa é Pessoa, não importa que heteronimo use, a sua escrita é sempre mágica.
March 13, 2021
"... e isto parece impossível ser escrito por um ente humano, mas é escrito por mim, Fernando".
October 3, 2023
“todas as cartas de amor são ridículas”
December 28, 2023
Leitura interessante, embora esperasse mais das cartas de amor de um dos maiores poetas portugueses.
January 18, 2024
fernando pessoa e sua escrita induzida pelo vinho do porto
October 1, 2024
3⭐️
nada de especial tbh, desiludiu me um bocado
nada de especial tbh, desiludiu me um bocado
August 13, 2025
Pensa num cara carente
July 12, 2024
Fernando Pessoa sempre me deixou perplexa.
Em adolescente lia-o e sentia-me retratada, era mesmo aquilo que eu sentia, aquela multiplicidade, aquela sensibilidade, só não sabia exprimi-lo daquela forma.
Durante muitos anos Pessoa ficou lá atrás, presente como memória, mas não leitura.
Mas uma recente visita guiada ao Cemitério dos Prazeres, aos túmulos de familiares e amigos do autor, e mesmo ao jazigo onde inicialmente foi posto, trouxe-o, ironia!, novamente à minha vida. Aprendi muito nessa visita, factos que nunca tinha ouvido. E visitei o túmulo de Ofélia, seu mais conhecido amor, se bem que não o único. No fim da sua vida, Pessoa estaria apaixonado por Madge, uma inglesa, divorciada, cunhada dum irmão seu que vivia em Inglaterra.
Nunca tinha lido as cartas de amor, publicadas em 1978, por iniciativa de Ofélia e sobrinhos de ambos os lados. No entanto, quando vi a nova edição da Tinta da China, de Jerónimo Pizarro, não mais me saiu da cabeça. Tinha de ler, ainda que me surgisse um pouco a ideia de estar a ser intrusa numa história pessoal, ainda que elevada à grandeza de interesse plural.
Antes de falar das cartas propriamente ditas, há que fazer um reparo. É necessário integrarmo-nos em 1920/30, onde não havia telemóveis, sms, emails, e mesmo o telefone fixo não era ainda muito vulgar. Esses factos convergem na importância das cartas. Devido a isto, as cartas estão pejadas de notas relativamente à marcação de encontros, referências geográficas e horárias, algo como: passarei pela rua tal entre as 9 e as 11, espere por mim.
Algo que me levantou uma extrema curiosidade era o sabido tom infantil – diria mesmo infantilóide – das mesmas. Foi-me algo difícil, confesso, aceitar este tom vindo de um homem que considero um deus literário, ainda que naturalmente uma coisa não comprometa a outra. Mas conhecer a intimidade de quem admiramos é um risco, e temi que essa ideia me transtornasse a ideia genial que dele tenho.
Ofélia e Pessoa namoraram em 1919/ 1920 e também em 1929/1930.
No livro em questão as cartas são, numa larga maioria, de Pessoa, se bem que o enquadramento permita perceber o que teriam sido as cartas de Ofélia, havendo a espaços pequenas transcrições das mesmas. Na verdade, no entanto, as de Ofélia foram muito mais numerosas, arriscaria 80, muitas das vezes, na parte final do 2º namoro, sendo ignoradas.
Fui confrontada com a humanidade de Pessoa. Com as características menos boas desta, quero dizer. Ofélia era uma mulher apaixonada e ansiosa pelo compromisso, pelo casamento. Já Pessoa não o desejava, surgia-lhe como estorvo a uma vida criativa na escrita. Não era, contudo, expresso nas suas vontades, servindo-se de subterfúgios, como simular contactos, cartas e mesmo poemas do seu heterónimo Álvaro de Campos, mesmo posteriores ao namoro, onde era óbvia a sua fuga ao compromisso e às vivências convencionais. Entre esses escritos há as celebres << Todas as cartas de amor são ridículas>> mas sobretudo o poema << Lisbon Revisited de 1923, onde declara expressamente: <>.
A multiplicidade de personalidades que habitavam a escrita de Pessoa permitia assim a expressão das suas dúvidas e dualidades pensantes. Se por um lado era um homem apaixonado, por outro preservava muito sua autonomia e a sua obra, que foram sempre prioritárias face aos amores.
Usando da análise que a inteligência emocional permite, os sinais para o eterno desencontro de vontades sempre estiveram presentes. Fácil de ver para um personagem externo, mas não para os protagonistas, a quem o desejo e a emotividade retiraram a racionalidade, como aliás é próprio do amor.
Outro ponto a destacar será a grafia das cartas, transcrita sem qualquer edição ou atualização. Naturalmente a língua escrita nos anos 20 e 30 do século passado era muito distinta da atual. E se hoje há quem discorde do Acordo Ortográfico de 1990, Pessoa discordava da reforma ortográfica de 1911, recusando-se a escrever conforme era então norma.
O que temia, deixar que esta fragilidade emocional de Pessoa constituísse uma deceção, não aconteceu. Pelo contrário.
Aos deuses é fácil ser deuses, está-lhes na natureza. Os homens serem deuses é que é um feito grandioso. E Pessoa continua a ser, para mim, um deus, apesar da sua humanidade.
Em adolescente lia-o e sentia-me retratada, era mesmo aquilo que eu sentia, aquela multiplicidade, aquela sensibilidade, só não sabia exprimi-lo daquela forma.
Durante muitos anos Pessoa ficou lá atrás, presente como memória, mas não leitura.
Mas uma recente visita guiada ao Cemitério dos Prazeres, aos túmulos de familiares e amigos do autor, e mesmo ao jazigo onde inicialmente foi posto, trouxe-o, ironia!, novamente à minha vida. Aprendi muito nessa visita, factos que nunca tinha ouvido. E visitei o túmulo de Ofélia, seu mais conhecido amor, se bem que não o único. No fim da sua vida, Pessoa estaria apaixonado por Madge, uma inglesa, divorciada, cunhada dum irmão seu que vivia em Inglaterra.
Nunca tinha lido as cartas de amor, publicadas em 1978, por iniciativa de Ofélia e sobrinhos de ambos os lados. No entanto, quando vi a nova edição da Tinta da China, de Jerónimo Pizarro, não mais me saiu da cabeça. Tinha de ler, ainda que me surgisse um pouco a ideia de estar a ser intrusa numa história pessoal, ainda que elevada à grandeza de interesse plural.
Antes de falar das cartas propriamente ditas, há que fazer um reparo. É necessário integrarmo-nos em 1920/30, onde não havia telemóveis, sms, emails, e mesmo o telefone fixo não era ainda muito vulgar. Esses factos convergem na importância das cartas. Devido a isto, as cartas estão pejadas de notas relativamente à marcação de encontros, referências geográficas e horárias, algo como: passarei pela rua tal entre as 9 e as 11, espere por mim.
Algo que me levantou uma extrema curiosidade era o sabido tom infantil – diria mesmo infantilóide – das mesmas. Foi-me algo difícil, confesso, aceitar este tom vindo de um homem que considero um deus literário, ainda que naturalmente uma coisa não comprometa a outra. Mas conhecer a intimidade de quem admiramos é um risco, e temi que essa ideia me transtornasse a ideia genial que dele tenho.
Ofélia e Pessoa namoraram em 1919/ 1920 e também em 1929/1930.
No livro em questão as cartas são, numa larga maioria, de Pessoa, se bem que o enquadramento permita perceber o que teriam sido as cartas de Ofélia, havendo a espaços pequenas transcrições das mesmas. Na verdade, no entanto, as de Ofélia foram muito mais numerosas, arriscaria 80, muitas das vezes, na parte final do 2º namoro, sendo ignoradas.
Fui confrontada com a humanidade de Pessoa. Com as características menos boas desta, quero dizer. Ofélia era uma mulher apaixonada e ansiosa pelo compromisso, pelo casamento. Já Pessoa não o desejava, surgia-lhe como estorvo a uma vida criativa na escrita. Não era, contudo, expresso nas suas vontades, servindo-se de subterfúgios, como simular contactos, cartas e mesmo poemas do seu heterónimo Álvaro de Campos, mesmo posteriores ao namoro, onde era óbvia a sua fuga ao compromisso e às vivências convencionais. Entre esses escritos há as celebres << Todas as cartas de amor são ridículas>> mas sobretudo o poema << Lisbon Revisited de 1923, onde declara expressamente: <>.
A multiplicidade de personalidades que habitavam a escrita de Pessoa permitia assim a expressão das suas dúvidas e dualidades pensantes. Se por um lado era um homem apaixonado, por outro preservava muito sua autonomia e a sua obra, que foram sempre prioritárias face aos amores.
Usando da análise que a inteligência emocional permite, os sinais para o eterno desencontro de vontades sempre estiveram presentes. Fácil de ver para um personagem externo, mas não para os protagonistas, a quem o desejo e a emotividade retiraram a racionalidade, como aliás é próprio do amor.
Outro ponto a destacar será a grafia das cartas, transcrita sem qualquer edição ou atualização. Naturalmente a língua escrita nos anos 20 e 30 do século passado era muito distinta da atual. E se hoje há quem discorde do Acordo Ortográfico de 1990, Pessoa discordava da reforma ortográfica de 1911, recusando-se a escrever conforme era então norma.
O que temia, deixar que esta fragilidade emocional de Pessoa constituísse uma deceção, não aconteceu. Pelo contrário.
Aos deuses é fácil ser deuses, está-lhes na natureza. Os homens serem deuses é que é um feito grandioso. E Pessoa continua a ser, para mim, um deus, apesar da sua humanidade.
February 9, 2021
“Aí fica o “documento escrito” que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva”
June 5, 2025
Bonitinho e voyeurista
December 28, 2025
Tenho pena que não tenham incluído as cartas de Ofélia… é interessante ver a duplicidade de Pessoa, ora está indubitavelmente apaixonado ou numa depressão sem fim
Displaying 1 - 25 of 25 reviews

























