"VIM PORQUE ME PAGAVAM, e eu queria comprar o futuro a prestações.
Vim porque me falaram de apanhar cerejas ou de armas de destruição em massa. Mas só encontrei cucos e mexericos de feira, metralhadoras de plástico, coelhinhos de Páscoa e pulseiras de lata.
A bordo, alguém falou de justiça (não, não era o Marx). A bordo, falavam também de liberdade. Quanto mais morríamos, mais liberdade tínhamos para matar. Matava porque estavas perto, porque os outros ficaram na esquina do supermercado a falar, a debater o assunto.
Com estas mãos levantei a poeira com que agora cubro os nossos corpos.
Com estas pernas subi dez andares para assim te poder olhar de frente.
Alguém se atreve ainda a falar de posteridade? Eu só penso em como regressar a casa; e que bonito me fica a esperança enquanto apresento em directo a autópsia da minha glória".
Es muy rápido de leer, y tiene pensamientos muy padres que siento se relacionaba mucho con mi idea de poesía. Las cuatro estrellas es porque lo leí en español, y siento que se pierde mucho en la adaptación del portugués al español.
Na sala de leitura da insónia, quando o carro do lixo é a única resposta ao silêncio e cada instante é um amante que matamos num abrir e fechar de pernas, acompanho em eco, até à estação, os passos apressados das empregadas de limpeza. Para elas, não há inferno. Simplesmente, evitam sonhar. Para nós, o autocarro 738 irá sempre ao Calvário, mesmo se pago o bilhete.
No horizonte lento mas seguro de uma utopia light, passo o dia a vender o meu terceiro mundo em colóquios e palestras internacionais. Mostro a toda a gente o canino de ouro, a minha pele de girafa, a bibliografia em francês.
Escrevo a palavra vazio depois da palavra espera.
Pouso as mãos sobre os joelhos cansados.
Limpa mas mal vestida - olhai - sou o novo modelo para o fracasso.
La existencia se desgrana en la rutina como un reloj de arena que consume las oportunidades; y es en ese singular callejeo personal donde los sueños se mueren entre estertores de pesadilla.