A cientista Rebecca Stone não celebrou a descoberta da viagem no tempo. Naquele dia, ela perdeu o melhor amigo em Nova Iorque, o ex-namorado desapareceu em São Paulo e ela recebeu uma missão perigosa. Tudo está conectado, só não sabe como. Ainda. Resolver o mistério e evitar mais mortes e desaparecimentos significa colocar a vida dela em jogo e arriscar o futuro da Terra.
I used to have a really long biography, then it stopped making sense. Bios are about the past and writing is a present thing.
Want to know me? Read my books and translations.
Want to reach out? Send a message here or use the contact form on my website. Twitter works best.
Want to be my agent? Dinner is on me!
That's it. Enjoy and, if you read my books, please rate and review. I reply to the ones (good or bad) that resonate with me.
If you insist on a traditional bio. Here it is:
Fábio M. Barreto was born in São Paulo, Brazil. After a prolific career as entertainment reporter and editor, he moved to Los Angeles as a correspondent, working for major Brazilian outlets.
After attending film school in 2011, he switched his focus to narrative storytelling and it's been working on it ever since. His debut novel "Filhos do Fim do Mundo" won the Best Novel of the Year Award by Argos Award in Brazil and sold thousands of copies.
He has translated novels by Neil Gaiman, George R.R. Martin, and others, plus dozens of Netflix movies and TV shows.
He currently teaches two writing courses for narrative and screenplay professionals. Barreto is also an Olympic Recurve medalist archer in Brazil and in the US.
Aqui temos um livro de viagem no tempo com um jeitão de trama investigativa. A prosa de Fábio M. Barreto está melhor do que nunca. Aqui ele chega a ousar nas descrições "pop", como eu gosto de chamar. Volta e meia ele usa referências de cultura pop para descrever algo ou alguém em cena. A trama em si funciona bem de forma geral. Os três personagens principais possuem o carisma necessário para carregar a história até o final, mas é nas ações de Becca que o texto brilha. O final traz dois tropos clássicos de ficção científica um após o outro, quase como se Barreto os tivesse colocado em rota de colisão em alta velocidade para ver qual dos dois seria o mais forte. O gosto que fica ao final da leitura é de um livro de viagem no tempo com jeitão de trama investigativa, que sabe tocar no lado afetivo.
Como sou suspeito para avaliar meu próprio romance, aí vão algumas curiosidades:
- Dois personagens são inspirados em gente de verdade. Elza foi minha avó. Erick, o nome, existe antes do Erik - meu filho - nascer. Então, Snowglobe é um encontro entre duas pessoas de dois tempos diferentes. :p
- Escrevi e publiquei o livro em 3 meses. Enquanto escrevia, Sol Coelho ia editando. Fizemos tudo simultaneamente.
- Peter Stanton seria brilhantemente interpretado por Robert Carlyle. Adoraria ver o Rodrigo Santoro como Erick. :D
- Por que mantive o nome em inglês? A história surgiu com esse nome e NADA parecia fazer sentido. Como hoje em dia usamos muitos termos americanos, resolvi apostar. Globo de Neve seria meio bizarro, sei lá. Ficou Snowglobe mesmo.
- Há vários autores nacionais e internacionais homenageados na história. Duvido que eles me mencionariam, mas esse tipo de referência não é feita para ser retribuída. Ela é feita por respeito e vontade do autor.
- Eu estava ouvindo o audiobook de Duna enquanto escrevia, daí algumas menções mais específicas. Mas a maior influência aí é dividida entre Mary Robinette (The Calculating Stars) e Chuck Wendig (The Wanderers).
- A música tema de Snowglobe seria "The Time is On My Side", dos Stones.
Li Snowglobe duas vezes. A primeira, meramente como leitor; a segunda, com olhar crítico de quem aprendeu com o Barreto técnicas de escrita criativa. Na analise abaixo misturo esses dois momentos. Snowglobe me envolveu desde as primeiras linhas. Apesar de ser um fã de FC, minha bagagem é basicamente audiovisual — 2001, SW, Metrópolis, Blade Runner, Enigma do Outro Mundo, Alien, Interstellar, Contatos Imediatos, De Volta para o Futuro, E.T. etc —, li poucas obras do gênero. Mas as que li anteriormente — 2001 e A Fundação — somando-se à minha bagagem audiovisual, me nortearam um pouco do que esperar da obra do Barreto. Snowglobe é uma obra dinâmica, de ritmo intenso e com uma narrativa paralela não-linear extremamente bem estruturada: resultado de um trabalho árduo de longa data, que acompanhei um pouco em uma das oficinas que realizei com o autor. A história me colocou desde o começo junto aos personagens, criando-me uma conexão imediata com seus dramas e angústias. A ambientação e a trama também me impressionaram. A sensação foi a que elas permearam os dramas pessoais de maneira bastante eficaz, e esses elementos avançaram harmonia numa tensão crescente, que me envolveu a cada página lida. Além disso, a cada fim de capítulo, a história me instigou. Plantou-me dúvidas sobre o caminho que ela iria tomar no capítulo seguinte, como se eu tivesse sido colocado em frente à uma bifurcação no meio da mata, sem saber qual dos caminhos seguir e, principalmente, aonde cada caminho nos levará. Esse dilema a cada fim de capítulo, me lembrou as antigas coleções “Escolha sua Aventura” e “E Agora Você Decide”, da Ediouro; mas sem a opção de decidir qual o caminho a seguir. A história iria me “empurrar” para cada um deles. Em Snowglobe enxerguei o Barreto, sua experiência, seu comprometimento e sua luta — com excelência — em estabelecer um novo patamar na literatura brasileira de gênero, principalmente na de Ficção-Científica. Uma leitura que valeu muito a pena. Recomendo!
A minha relação com o autor vem de anos. É de fã e de artista? Não, é de mestre e professor. No Rapadura Cast, Fabio Barreto sempre era um dos primeiros a aprofundar o assunto ou tentar enxergar em um filme algo muito além do que é mostrado na tela. No Gente que Escreve me ensinou a importância do conhecimento técnico, nunca mais coloquei dois "que" em uma frase, graças a ele sempre repito "O personagem é o coração do livro" e comecei a lidar com o medo de ser e de assumir escritor. Através dele fiz os meus começos se tornaram um pouco mais fodas e o último aprendizado veio através de uma observação:
Acompanho escritores e enquanto muitos deles chamam atenção para si; para uma causa ou para a sua opinião, o Fabio quer mais escritores fazendo sucesso.
As lições acabaram? Não, ainda bem que não.
Sou alguém complicado, demorei para pegar o livro dele para ler. E, através da insistência do próprio autor, comprei o meu Snowglobe.
Queria tentar me controlar, mas era impossível. Expectativa, teve muita expectativa:
Pensei em algo mais divertido que De Volta para o Futuro, com mais ação que o Exterminador do Futuro e com ideias revolucionárias estilo Isaac Asimov.
Percebi que a expectativa foi alta demais. Porém, também notei que o Barreto é um mestre quando se trata de ritmo. A história sempre avança, a sensação de que algo importante vai acontecer é constante e isso é feito com os cortes de um bom editor de cinema e a sensibilidade de um poeta. Para falar do livro é preciso falar de quem o narra. O narrador de Snowglobe cola nos protagonistas Erick e Beca. Parece que ele não só leu os diário deles, como também foi o melhor amigo desses dois nerds. Esse narrador gosta de contar as coisas, quer conversar com o leitor e também quer dar muitos conselhos... ele quer uma “amizade sincera” com você.
Esperei por conceitos complexos, por descrições de máquinas ou engenhocas, por tiros e aventuras por locais saídos da mente de um gênio. O que encontrei? Um ótimo autor que sabe mostrar a arte, a convivência humana. A relação entre Erick e sua família, sua paixão e o seu trabalho pulsa no livro. Essas relações tornam os personagens vivos. Terminei o livro e não fiquei imaginando o futuro de cada pessoa que compõe a história. Muito pelo contrário. Até agora estou imaginando a infância do Erick, a juventude junto com a sua avó, ele assistindo uma partida de futebol com o seu pai e conversando com a mãe. Fico imaginando Beca estudando, se ferrando para conseguir dinheiro e puta da vida com alguns idiotas da internet. Não sei se lembrarei dos detalhes da história, mas sei que os personagens não serão esquecidos.
O que foi construído pode ser perdido? Se não há algo para perder, então não há conflito. Se não há conflito, então não há uma história.
A perda nesta obra sempre está relacionado a MASE. Não se trata de uma empresa com um diretor de rosto ossudo, com uma sede faraônica e com um plano sem pé nem cabeça para conquistar o mundo. Na MASE existe o mesmo veneno/intenção contida no sorriso de políticos e nas marcas de refrigerantes. A MASE usa o seu poder para... ops, leia o livro para descobrir. Ainda falando sobre essa empresa, ela me ensinou muito a respeito da vilania. Vi/aprendi um artifício que torna tudo mais verossímil, real.
Pois é Barreto, você me ensinou mais uma vez: relação, família e vilania. Se eu tiver poucas cartas na mão, já sei no que apostar.
Mas, pera aí!Tudo é perfeito?
Graças a Deus que não. Não gostei da forma como o personagem Tom foi introduzido e ele tenta ser engraçado. Tenta a ponto de ser meio chato.
Referências nerds são legais? Tem gente que gosta, mas elas me tiram da história (Snowglobe tem um monte delas).
Dá para perceber que o autor gosta das suas piadas e das suas referências. Somos diferentes, e que bom que nós somos. Esse orgulho pelas escolhas, por ser quem ele é, está evidente. Aliás, quero destacar uma escolha em especial: é muito legal ver alguém que possui as raízes no cinema e não as esconde com floreios literários.
Ainda tenho que te convencer a ler este livro? Você é exigente, o Barreto iria adorar te conhecer!
Se imagine sentado na frente da TV. Não há internet, não há trabalho ou contas para pagar. Você já foi na escola, já fez o seu dever de casa e é sexta-feira. Está chovendo, não dá para sair na rua. A sua mãe conversa com algumas amigas na mesa da cozinha cheia de revistas da Avon. Não muito longe, lá no quintal, o seu pai tenta concertar, mais uma vez, aquele rádio velho que o seu avô adora. Está faltando alguém? Não se preocupe, a sua irmã está na casa de uma amiga. O controle com a tecla do volume quebrada está nas suas mãos e você liga a TV.
Já passou do horário do almoço, você limpou o prato e pode assistir o que quiser. Será que vai passar Star Wars? Quem sabe Conan? Loucademia de Polícia é legal demais. Não, hoje vai passar Snowglobe. Mas esse filme... não dá tempo para reclamar porque os seus olhos estão grudados na tela.
Terminou. Você sente que conhece o Erick ou se considera amigo da Beca. Sente que conhece os dois, melhor dizendo. Só fica se perguntando quando vão reprisar o filme. Uma semana passa, duas...meses...anos. Não reprisam. Tudo vira lembrança.
Você cresceu. Em um dia qualquer resolve passar por um sebo recém aberto próximo do local onde trabalha. Entra só para procurar algo raro e encontra um livro de lombada surrada, bem baratinho. Pega, limpa um pouco da poeira e olha para a capa. É o Snowglobe. Foi essa sensação que eu senti quando terminei de ler.
No começo, bem no começo, pensei: "Hum... eu já vi isso aqui em Jogador Número 1". Foi aí que baixei a guarda e minha expectativa caiu. E foi aí que Snowglobe veio como um belo soco na minha fuça, para mostrar que nem tudo é o que parece. Snowglobe é um livro independente, novo, original, embora tenha elementos e referências de muitas outras obras. O melhor dos livros do Barreto =D
Uma das coisas que mais me agradam na ficção científica é quando ela trata de um assunto atual. Trabalhos como Fahrenheit 451 (de Ray Bradbury), Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas (de Philip K. Dick) ou A Curva do Sonho (de Úrsula K. Le Guin) por mais que extrapolem futuros intrigantes com tecnologias ainda não existentes, conseguem ecoar temas contemporâneos. Sejam governos totalitários ou o transumanismo, ocupam apenas um cenário de fumaça e espelhos. Fábio M. Barreto faz o mesmo aqui ao nos colocar em um cenário futurista, mas falando de algo tão atual que deve ocupar o jornal de amanhã de alguma forma: manipulação da informação.
A trama gira em torno de dois personagens: Erick Ciritelli e Rebecca Stone. Erick é um pesquisador da M.A.S.E., uma poderosa organização que, após alguma catástrofes que aconteceram na Terra, se tornou uma empresa de vanguarda na pesquisa espacial e em outros projetos mais exóticos. Quando ele estava indo visitar os pais, após anos de isolamento que rendeu o afastamento e o ressentimento deles, uma revelação de um membro do alto escalão da empresa faz com que ele se veja obrigado a cortar sua visita e retornar o seu auto-isolamento. Enquanto isso, Rebecca Stone descobre que seu amigo Andrew McMab, um jornalista investigativo, desapareceu deixando pistas de que a M.A.S.E. estaria envolvida de alguma forma. Ela vai tentar encontrar seu amigo, mas acabará se tornando alvo de uma terrível conspiração. E, nos bastidores do poder, Peter Stanton revela ao mundo que a M.A.S.E. descobriu a tecnologia da viagem no tempo e se revela o Porta-Voz do Amanhã.
Snowglobe possui uma escrita bem redondinha e tranquila de ser compreendida. Mesmo que você não esteja familiarizado com os termos e gírias normalmente empregadas pelo gênero, o leitor não vai ter nenhuma dificuldade. Mais do que isso, Snowglobe é aquele tipo de romance que não fica restrito ao gênero scifi. A narrativa é contada em terceira pessoa a partir de dois pontos de vistas primários, Erick e Rebecca, e dois secundários, Stanton e Blake. Fábio optou pela estrutura cinematográfica de roteiro em três atos, sendo o primeiro até o momento da revelação, o segundo se passando entre isso e uma espécie de confronto final e o clímax per se é o terceiro ato. Essa estrutura também combina bem com a história que possui uma dinâmica bem fluida. Uma vez que o leitor absorve a maneira como o Fábio apresenta os personagens, a narrativa e distribui os capítulos, tudo passa com bastante velocidade.
O que me incomodou um pouco é algo que o Fábio usa de forma recorrente na história. E é engraçado porque é algo que eu emprego nas minhas explicações em sala de aula... mas, vendo de fora me causou esse estranhamento. Assim como eu, o autor é bastante metafórico. Para construir uma situação, algumas vezes ele precisa associar o que se passa com outra coisa. O emprego de uma linguagem figurada teoricamente é voltado para fazer o leitor compreender de forma mais intrínseca aquilo que o autor deseja passar. Mesmo que se trate de uma situação pela qual o leitor nunca passou... recorrer a uma experiência comum para superar a barreira do desconhecido. Só que quando empregada demais, essa maneira de exemplificar cria uma barriga no texto (cria uma barriga na própria fala, levando em consideração que as minhas aulas são longas). Em alguns capítulos acaba não havendo desenvolvimentos relevantes porque o autor ficou preso a uma ou mais metáforas. Entendo que a intenção era criar uma informalidade e uma aproximação com o leitor, mas qualquer coisa quando feita com uma frequência grande acaba mais incomodando do que auxiliando.
Os personagens são o ponto alto da narrativa. Isso demonstra o quanto o autor gastou para desenvolvê-los. Começando por um dos protagonistas, Erick é aquele tipo de personagem que possui pouca experiência em se relacionar com outras pessoas. O fato de ter dedicado sua vida à realização de um projeto científico prejudicou a maneira como ele enxerga o mundo. Ter se separado de Rebecca contribuiu para esse senso de isolamento grande dele. Quando ele se vê colocado em uma situação da qual não consegue escapar, ele perde um pouco o rumo. Fábio vai construir uma narrativa em que ele tira progressivamente as bases que fundamentam a própria vida do protagonista. Talvez o melhor exemplo sobre por que o título do livro é Snowglobe é a vida de Erick. Mas, não vou comentar sobre isso ou do contrário eu darei spoilers.
Já Rebecca é a ex de Erick e se separou dele por conta da obsessão dele com seu trabalho. Ao descobrir alguns podres da M.A.S.E., ela decide se dedicar à exploração espacial. Ao se afastar de toda a confusão, Becca conseguiu construir sua própria carreira. Quando ela se vê envolvida em uma investigação de desaparecimento, sua vida é colocada em risco. Não só isso como ela vai precisar rever seus sentimentos em relação a si e à sua vida amorosa. Por causa do seu jeitão impulsivo, o perigo vai bater à sua porta. A narrativa da Becca é a que mais me agrada da narrativa e ela é responsável por alguns momentos bem tensos.
O fascínio pelas redes sociais e pelos influenciadores digitais está presente na figura de Blake Manners. Uma espécie de celebridade digital, ela é a recordista em um game de tiro chamado Camper. Becca vai precisar buscar a ajuda de Blake quando se vê sem pistas sobre quem sequestrou Andy. É aí que vamos conhecer o mundo de aparências dela. Apesar de ser uma pessoa que é seguida por milhões de fãs, Blake é uma pessoa solitária. Sem ter em quem confiar o seu eu real, ela precisa ser protegida de tudo e todos. Como ter intimidade em uma vida exposta ao mundo 24 horas por dias?
Por fim, temos Peter Stanton, a face pública da M.A.S.E.. Aqui não posso revelar muito, só dizendo que manipular informações é o que ele faz melhor. Decidir o quanto informação representa poder, quem vai ser afetado por uma palavra ou duas. Isso dá um alto sentido de ego àquele que detém o poder da informação.
Curti a narrativa até meados da terceira parte. O Fábio me enganou direitinho. Criei a expectativa de que ele estaria montando um tecnothriller onde a narrativa iria girar em um confronto de tensões entre os personagens e a M.A.S.E. Sendo esta última a "vilã" da história e os personagens seriam responsáveis por desmascarar aqueles que estariam envolvidos na trama. E isso deu um baita gás na história, tornando-a interessante, fluida. Me lembrou bastante os romances do Cory Doctorow como Pequeno Irmão ou Piratas de Dados. Só que entrou a trama da viagem no tempo no final. Para mim, essa foi a parte onde a história perdeu o ritmo com elementos que não teriam feito falta. Se a trama tivesse apenas ficado na investigação, na perseguição e no complô da M.A.S.E., teria sido perfeito. Mas, toda aquela trama da quarta parte acabou me soando desconectada com a narrativa principal. A ideia de brincar com manipulação de informações e sua interferência em políticas e governos é muito atual e gera uma associação imediata.
Outra coisa que acabou me decepcionando um pouco foi o personagem que atua como antagonista, Stanton. Ele tinha muito potencial para oferecer à trama e acaba apagado no último trecho da história. Até acho que no geral o autor soube desenvolver bem seus personagens e dar bons arcos narrativos (uns mais interessantes e outros menos interessantes). O problema acabou sendo a ruptura que acontece quando Stanton e Blake são colocados no clímax narrativo. A gente acaba não tendo um bom payoff de suas trajetórias. Aqui eu não posso entrar em detalhes, mas os protagonistas secundários acabaram não tendo um desfecho adequado aos seus papéis na narrativa como um todo.
Enfim, eu adorei vários aspectos do desenvolvimento dos personagens e a maneira como eles reagiam ao mundo que os cercava. Não só isso como todos eles ganharam ímpeto e evoluíram com o passar da trama e a gente salivava por ver aonde tudo ia dar. Mas, uma escrita que me incomodou em diversos momentos por empregar muitas metáforas e uma quarta parte que esfriou as minhas expectativas fizeram com que eu repensasse algumas coisas sobre a história. No entanto, Fábio nos dá uma aula de roteiro, escrita fluida e construção/motivação de personagens. Fora que, graças a Deus, o autor sai daquela "bendita" (para não usar o antônimo) fórmula do mito do herói. Snowglobe é atual, é envolvente e merece estar na sua lista de leituras.
Tá aqui um livro que eu anseei muito para ler. É um livro sobre viagem no tempo? Sim, mas em termos de ficção científica, a gente acha muito mais que isso. Novas tecnologias, sociedade de consumo, essa estrutura midiática avassaladora, conflitos éticos e morais... E isso só falando do macrouniverso construído.
Indo para o o micro, logo nas primeiras páginas o Erik já traz dilemas pessoais que — infelizmente para nós— estão cada vez mais comuns. E também acompanhamos o arco da Rebecca. Já vi o Barreto elogiar o desenvolvimento de personagem do Neil Gaiman com suas" jornadas de amadurecimento". Não conheço a obra do Gaiman o suficiente para fazer comparações, mas acompanhar o desenvolvimento dos dois personagens e como eles amadureceram ao longo da trama foi incrível. E, embora a literatura não tenha esta pretensão, Snowglobe demonstrou um belo exemplo de como estas histórias podem nos ajudar a amadurecer também.
A pegada é bem diferente do que estou acostumado a ler na ficção científica e fantasia. Parece um thriller policial New York Times Best Seller, algo como Sidney Sheldon ou Harlen Coben. Enquanto acompanhamos os personagens (principalmente a Becca) para resolver um mistério intrigante, também ficamos com aquele senso de urgência e aquele temor pela vida deles. É um livro que reflexivo e emocionante ao mesmo tempo e valeu cada palavra lida.
O que dizer sobre um livro que você leu em 3 dias e já está passando por um processo de ressaca literária?
Assim foi Snowglobe para mim. Uma ficção científica deliciosa que envolve tecnologias fantásticas (daquelas que você tem certeza que vão ser lançadas em alguns poucos anos) e viagem no tempo. Um prato cheio para você aproveitar enquanto faz a curta viagem entre São Paulo e Nova York ou ainda aproveitar a realidade expandida do iReality para dar tom e cores a trama (e fãs, por que não?).
Com ganchos bem encaixados, Barreto nos leva a lona, ou deveria dizer à leitura imediata do próximo capítulo, com uma narrativa instigante e um desejo profundo de mergulhar em seu Universo.
Snowglobe, um nome simples, curioso, digno de uma lembrança de férias bem aproveitadas. É... Uma história para ser lembrada, vivida e relida.
Alright, so this review I am gonna write in pt-br.
Em resumo: Esse é o melhor livro do Barreto, e também o melhor livro de ficção-científica que li o ano inteiro.
A plot não só é bem amarrada como é envolvente. O mundo criado é tão originalmente familiar (existe isso?) que já nas primeiras páginas você ja se sente dentro da história com os personagens.
As referências a outras obras do gênero são tão elegantemente feitas que me senti quase como um caçador de sutilezas, voltando algumas vezes alguns capítulos só pra confirmar o tesouro escondido que eu achava que tinha encontrado.
Enfim, sei que a história é redonda mas fiquei com vontade de ler mais sobre os personagens. Quem sabe. Por enquanto fico aqui especulando mais sobre o passado e futuro deles.
Um livro maravilhoso. Usando a ficção científica como base, Fabio M. Barreto aborda o eterno desafio das escolhas e consequências feitas pelo ser humano todos dias, o excesso de interatividade e a banalização da vida em sociedade. Tudo isso amarrado em uma narrativa de tirar o fôlego que te faz engolir página atrás de página sem conseguir parar até que sua curiosidade sobre o que está acontecendo se satisfaça completamente.
Ficção científica para quem ainda não sabe que gosta de FC
Como eu disse no título, Snowglobe é um livro de FC para quem não sabe ainda que gosta de FC. Por trás de cenas intensas e personagens complexas, o Fábio aborda temas como família e legado, numa história muito pessoal e cheia de reviravoltas. Uma excelente experiência de leitura, vale a pena!
It has been long since a book kept me awake at night out of enthusiasm. I just couldn't put it down. I love the style of the author. It's awesome to know that such great Sci-Fi is being written in Brazil
A história de Erick me fez pensar diversas vezes em quando o iReality se tornará realidade. Ou será que já se tornou? Envolvente e cheia de reviravoltas, a história tem alguns personagens bastante cativantes como Becca, Blake e Tom. É uma leitura obrigatória da ficção nacional!
O conceito de uma grande organização superpoderosa é atual e geralmente funciona bem. Os diálogos são até bons, mas seriam melhores se mostrassem trejeitos, expressões e reações dos personagens. As cenas de ação deveria ser mais descritivas e impactantes. Em alguns momentos tem umas escolhas estranhas de palavras como "acachapante", "acintosamente", dentre outras que poderiam ser trocadas por seus sinônimos e serem compreendidas por 100% das pessoas, mas invés disso, apenas quebram o fluxo do texto e afastam pessoas com vocabulário mais limitado. O personagem do faxineiro funciona muito bem e é o ponto alto da história, as outras partes de humor não conseguem funcionar da mesma forma e apenas deixam o tom da história estranho. O texto é repleto de comparações metafóricas e pequenas frases poéticas meio filosóficas, algumas vezes funcionam e outras não, acredito que poderia dosar um pouco melhor, o que deixaria o texto mais leve e com mais fluidez. O uso constante de frases prontas também tiram um pouco a originalidade do texto.
Eu adorei como eu comecei a ler esse livro achando que era uma coisa e lá pela metade o livro me deu um tapa na cara e me moatrou que tudo que eu sabia, na verdade eu não sabia.
Preciso de mais livros de ficção científicas de autores brasileiros que sejam nesse nível. Só isso.
Fabio Barreto cria um universo interessante, bem escrito, com um mistério cativante, mas fiquei meio decepcionado com o final.
O livro conta a história de Erick (um cientista que está pesquisando sobre viagens no tempo para uma empresa de moral duvidosa - MASE) e Rebecca (sua ex que acaba envolvida na aventura para salvar o Erick e acabar com os planos da MASE). Nessa trama futurística, o universo é bem interessante, tem uma pegada "Jogador nº1", com Black Mirror. Mas fiquei esperando quando iria explicar o porquê de tudo que estava acontecendo, o que aconteceu mais ou menos no final, de uma forma meio Scooby Doo.
O ponto negativo pra mim foi o final e alguns diálogos abrasileirados demais que não combinaram com a situação.
O que isso tem a ver com Samurais de Fukushima? Não tem muito a ver.
Eu sempre tenho um *pé atrás* (ou dois) quando se trata de um plot de viagem ao tempo. Talvez eu tenha lido muitas obras do Professor Hawking para aceitar algumas ideias sem sentido.
Mas em Snowglobe, o Fábio não desaponta não.
Com uma escrita impecável (e bem mais madura se comparado com as obras anteriores), Snowglobe entrega um plot de tirar o fôlego, personagens muito bem desenvolvidos e um ritmo que não te deixa fechar o livro uma vez que você começa a ler. A trama é muito bem amarrada, tem personagem feminina liderando a história (thank you very much) e momentos de alívio cômico para te deixar se perguntando: "Como raios o autor vai resolver esse rolê todo?"
Eu simplesmente adorei o livro e é meu segundo favorito na lista de livros escritos pelo Fábio (o meu amorzinho, segue sendo O céu de Lilly).
Decepcionado. Acho que na ânsia de demonstrar todas as sua referências e inspirações, o autor acaba por colocar muitas citações diretas de outros autores, obras, bandas e músicas, fazendo com que a imersão seja prejudicada. As reflexões são bacanas mas os personagens parecem uma cópia um dos outros, em certo ponto todos eles encarnam o perfil engraçado/descontraído.