Pressionado por uma dívida com seu editor, Dostoiévski usou sua experiência nas mesas de roleta para escrever, em pouco mais de vinte dias, este romance vertiginoso. Com uma trama em que todos os interesses giram em torno do dinheiro, esta é uma narrativa altamente satírica e que retrata de maneira insuperável a atmosfera dos cassinos e a psicologia profunda de um jogador.
Editora : Editora 34; 3ª edição (1 janeiro 2011) : PortuguêsCapa dura : 232 páginasISBN-10 : 8573263105ISBN-13 : 978-8573263107Dimensões : 20.8 x 14 x 1.6 cm
Works, such as the novels Crime and Punishment (1866), The Idiot (1869), and The Brothers Karamazov (1880), of Russian writer Feodor Mikhailovich Dostoyevsky or Dostoevski combine religious mysticism with profound psychological insight.
Fyodor Mikhailovich Dostoevsky composed short stories, essays, and journals. His literature explores humans in the troubled political, social, and spiritual atmospheres of 19th-century and engages with a variety of philosophies and themes. People most acclaimed his Demons(1872) .
Many literary critics rate him among the greatest authors of world literature and consider multiple books written by him to be highly influential masterpieces. They consider his Notes from Underground of the first existentialist literature. He is also well regarded as a philosopher and theologian.
A literatura russa consegue ser uma caixinha de boas surpresas! “Um jogador” é uma novela de Dostoiévski que já estava na minha lista há um tempo, já que era frequentemente indicada como uma obra que trazia humor junto da habilidade de escrita do autor. E é isso que ele entrega: uma boa história, sem deixar de lado a sua interessante análise sobre o psicológico dos personagens.
A obra se passa em Roletemburgo, uma cidade fictícia que se assemelha a uma pequena cidade alemã (confesso que pesquisei o nome da cidade para descobrir onde ficava). O protagonista é Aleksei Ivanovitch, um jovem russo que trabalha como professor e que esconde um vício em jogos e cassino. A trama vai se desenrolando nessa pequena cidade acompanhando a relação de Aleksei com personagens de diferentes nacionalidades (russos, alemães, franceses, ingleses), mas que compartilham um interesse em comum: o dinheiro. Na verdade, o dinheiro é o que conduz a vida dos que habitam Roletemburgo.
Para mim, o início da leitura foi um pouco lento e confuso, com tantos nomes de personagens. No entanto, aos poucos, a narrativa foi me prendendo e passei a sentir a aflição do personagem principal e daqueles que iam perdendo dinheiro - e toda a paz - no cassino. Também não há como negar que Dostoiévski conseguiu me arrancar boas risadas (minha personagem favorita foi a avó)!
É interessante mencionar que a novela foi escrita em um curto espaço de tempo, quando o autor estava afundando em dívidas e com a obrigação de entregar um novo livro para seu editor o quanto antes. Talvez toda essa atmosfera de pressão e desespero justifique uma obra que fuja um pouco da escrita e temática do autor. Inclusive, o próprio Dostoiévski também era um frequentador de cassinos, o que contribuiu para as suas dívidas.
Esta é uma ótima leitura e que pode ser uma opção para quem quer iniciar nas obras do autor russo!
Tenho dificuldade de engrenar narrativas que abordam jogos, foi assim com The Card Counter do Paul Schrader em que me vi inicialmente entediada com a coisa toda para até o final eu já estar considerando quase uma obra-prima. Aconteceu a mesmíssima coisa ao ler Um Jogador do Dostoievski, passei mais de cem páginas no mais absoluto tédio, me arrastando para conseguir prosseguir, até a narrativa nos levar à presença da Dercy Gonçalves russa, nossa baboulinka preferida e melhor personagem do livro. Acho que nas cem páginas finais que realmente se molda o cerne da compulsão por jogo, tanto da baboulinka, quanto do narrador e são nessas páginas que o Espírito de Dostoievski realmente se faz. Nos próximos dois anos estarei num clube de leitura do Dostoievski, esse é o primeiro da empreitada.
Se a servidão, o ultrapassado, a subserviência ao europeu e o melhor e o pior do homem russo foram tão excepcionalmente descritos em Almas mortas, em O Jogador, Dostoiévski, influenciado por Gógol, traz, uma vez mais ao seu texto a constante inadequação e despeito do russo czarista frente a um mundo invejável e quase inacessível a ele: a de um continente e de uma cultura que a todo instante escapa a esse homem.
Trazendo, portanto, um grupo familiar e de servos para a Alemanha e para a França, Dostoiévski utiliza-se de seus personagens para criar uma imagem caricaturesca de figuras sem propósitos que deslumbradas pelo 'velho mundo', não se portam e não sobrevivem aos vícios e prazeres ali encontrados. De modo que a todo instante, munido do narrador-personagem Aleksei Ivanovitch, professor e membro da comitiva de um general, se percorre os salões de apostas tanto quanto se esmiúça os desejos mais sórdidos dos demais personagens.
Com toques de luxúria, como Nastácia Filíppovna em O Idiota, ou com bufões como Fomá Fomítch em A Aldeia de Stepántchikovo e Seus Habitantes, os personagens são atraídos ou repelidos pelo conflito do jogo, que exerce, invariavelmente, atração a todos, destruindo-os mesmo quando se sobressaem, tornando, assim, a imagem do jogador patológico e também do escritor uma constante de perdas não apenas de ouro e rublos, mas também de toda e qualquer identidade que outrora possuíam. Sendo, portanto, representações do homem inadequado, ultrapassado e alvo de escárnio, que tem, como fim, a destruição, a miséria e o ridículo, sendo esses os sentimentos da época frente a servidão russa e modernização europeia. A mim, como sempre, sigo feliz lendo Dostoiévski.
Não é um dos meus favoritos do autor mas, como todas as obras do autor, este também nos ajuda a entender e entrar na cabeça do seu protagonista. Acompanhamos as paixões, sentimentos e sensações de um viciado em jogo, presenciamos sua decadência e mergulho no vício. Não há nada mais importante que as sensações e espectativas geradas pelo girar da roleta... Às vezes dava vontade de sacudir o personagem. O autor também sofria desse mal e foi capaz de apresentar ao leitor as motivações, ansiedades, esperanças, contradições, desespero e degeneração causados por esse vício.
4.5 (nossa o goodreads tinha q permitir as estrelas quebradas!)
A cada obra q leio do Dostoievski fico mais intrigada e apaixonada pela construção de mundo que ele nos apresenta. É uma sensação de estar numa mesa de restaurante cheia de figuras emblemáticas, cheias de personalidade, dramática e que falam muito alto. Não sei porque, mas sempre tenho essa impressão de que os diálogos sao sempre barulhentos no livro, e eu gosto disso. Dessa troca, da fala constante, do drama, das obsessões, das críticas ao capitalismo alemao, frances e tudo mais.
Então obviamente foi uma leitura muito prazerosa, me diverti demais com os personagens e me deliciei com a escrita do dostô!!
Mesmo apressado, acossado por dívidas e obrigado a escrever uma novela em tempo recorde, Dostoiévski “quebra a banca“ e "ganha a aposta“. Enredo galopante, que prende a atenção do leitor do início ao fim da narrativa.
Li o livro emprestado de um amigo e, segundo ele, foi o livro que o fez se interessar pela literatura quando era adolescente (até então, ele não gostava de ler). Até hoje é o livro favorito dele, então estava ansiosa pra ler, esperando me divertir horrores... mas isso não aconteceu... Não sei se não é o meu tipo de humor, mas não consegui me conectar com a história. São muitos personagens desde o começo e, mesmo que depois eu tenha me acostumado com cada uma etc, o começo é confusokklkk Não acho que isso seja necessariamente um problema, mas nesse caso foi, porque só me afastou mais da obra. Jogos de aposta e afins não são do meu interesse, então muita coisa não me prendia a atenção o suficiente. Passei a me interessar genuinamente quando a babooshka apareceu, porque até então eu não tinha nenhum personagem favorito (meu amigo admira muito a Polina mas... sinceramente, não vi nada de tão interessante nessa mona). Enrolei muito pra ler e só caminhei na leitura a partir do final... acho que nesse momento o Aleksiei passa a ter mais discussões internas ao invés de externas e prefiro isso. Gostei de ter lido o livro (mais pela amizade do que pela obra em si, na verdadekkkkk) mas fico triste que não foi tão agradável quanto eu esperava. Não sei quando experimentarei Dostoievski novamente.
Muito se sabe a respeito da compulsão que Dostoiévski tinha pelo jogo ou o quão foi veloz a redação do livro, premida pela necessidade de dinheiro, que lhe era tão escasso em razão das dívidas. Talvez nem seja necessário avançar nesses aspectos, principalmente em saber o quão autobiográfico é o livro. De qualquer, talvez baste dizer que o livro é, em muito, reflexo das suas experiências com a roleta ou com as mulheres – Polina, a protagonista feminina, foi muito provavelmente escrita a partir de uma de suas paixões. Mesmo que não seja um de seus melhores livros, o seu gênio está ali: o narrador febril e compulsivo, repleto de angústias e consumido pelas suas próprias vozes internas. Mas outros personagens também seguem esse padrão. Polina, é claro, mas me parece que o personagem mais perturbado interiormente é o da avó. Ela é tragada pela roleta. Perde milhares de rublos e mesmo assim continua a jogar e a jogar e a jogar. Destrói uma quantidade imensa de riqueza e só sai de mesa de apostas quando não tem mais nada para apostar. Vai embora, volta para a Rússia, um refúgio longe da loucura da Europa. Esse, aliás, é outro dos temas do livro: Rússia vs. Europa. Russos sempre perdidos fora de casa, cometendo loucuras, sentindo-se inferiorizados perante os europeus. Herege e bárbaro, como o personagem-narrador descreve a si mesmo. E essa distância entre Rússia e Europa também se exprime por meio do dinheiro. A roleta ou o jogo é para o russo a própria expressão da incerteza da vida. Em um momento se tem tudo, no outro só uma moeda para o almoço. Ganhar dinheiro na roleta ou de qualquer outra forma é, para o narrador, a mesma coisa. Isso não é para os europeus, representados no diálogo final pelo personagem inglês. Enfim, uma obra com muitas ideias que são recorrentes em Dostoievski. Mesmo que aqui não seja o melhor momento, ainda há muito o que admirar.
Não tinha programado ler nada do Dostô esse ano, mas O Jogador me foi emprestado com carinho e não tive como dispensar essa leitura. E na realidade, foi uma surpresa esse livro. Minhas duas últimas leituras desse grande escritor não foram tão satisfatórias quanto eu gostaria, então achei que encontraria nesse livro outra obra muito densa, profunda e complexa que eu não estava tão disposta a acompanhar no momento. Mas, ao contrário do que imaginei, esse é o livro mais sagaz, divertido e crítico que li do Dostô. A sua marca analítica ainda está presente, mas de forma menos marcante. Foi uma leitura muito mais proveitosa para mim do que foi Os Irmãos Karamazov (o último livro que li), e eu curti muito mais essa história do que a anterior. E vamos aos fatos.
Logo que se inicia a história, é possível perceber que o autor resolveu falar mal do burguês. Ora, me ganhou aí. Através de Aleksei e de sua rede de contato bastante duvidosa, o autor nos mostra uma sociedade elitista que vive de aparências e de interesses. Aleksei é um personagem muitas vezes inocente, outras completamente desapaixonado da vida, que se envolve com pessoas egoístas e manipuladores, cujas paixões são extremas. Todos ao seu redor me pareceram inescrupulosos e eu me apaguei imediatamente ao Aleksei por seu caráter, apesar da sua própria paixão por uma mulher ser das mais estúpidas, como as paixões costumam ser. A Paulina, a mulher por quem Aleksei nutre essa paixão, é uma personagem indecifrável para mim, das mais confusas que já li. E o final que foi corrido não me esclareceu mais sobre a mesma como eu esperava. Além da Paulina, outras personagens femininas tem maior espaço na obra do que eu esperava. A avó é uma personagem que traz à tona um lado cômico que eu não esperava encontrar. Mas ela também cimenta o tom da história e traz à tona o tema central: o vício. A outra personagem feminina importante é a ambiciosa francesa da qual não lembro o nome e que odiei, mas ela é a imagem perfeita da sociedade que o Dostô quis mostrar.
Segundo biógrafos, essa seria uma trama com forte teor autobiográfico e ainda por cima, escrito sob pressão, o que poderia tornar essa a obra mais inferior do Dostoiévski, mas pra mim não é o caso, não entre os livros que li. Apesar da pressa no final, eu gostei muito do livro. E depois do Raskólnikov, o Aleksei foi meu protagonista preferido. Certamente, uma surpresa.
Senti como se tivesse vivido uma montanha-russa emocional ao lado de um personagem em queda livre. É uma narrativa febril, escrita por Dostoiévski com uma urgência palpável — o que faz sentido, já que o autor escreveu essa obra em apenas 26 dias, pressionado por dívidas de jogo e prazos editoriais. O resultado é um romance tenso, caótico e incrivelmente humano.
A história gira em torno de Alexei Ivanovitch, um preceptor russo que trabalha para uma família aristocrática em uma cidade fictícia da Europa. Ele se vê envolvido com duas forças destrutivas: a paixão obsessiva por Polina, uma mulher fria e manipuladora, e a crescente compulsão pelas roletas dos cassinos.
Ao longo do livro, vemos Alexei tentando conquistar Polina, ora com gestos de devoção cega, ora com ações desesperadas. Mas ao mesmo tempo, ele mergulha cada vez mais no vício do jogo. A roleta se torna, para ele, não apenas uma forma de obter dinheiro, mas uma experiência existencial — um modo de sentir que está vivo, mesmo que isso signifique viver no limite.
Os personagens secundários também são marcantes: o General (endividado e vaidoso), a avó (que aparece de forma explosiva e decide ela mesma apostar na roleta), e os estrangeiros gananciosos e interesseiros que cercam a família. Cada um deles representa uma parte da decadência moral e financeira da elite russa do século XIX.
O mais angustiante é que Alexei não parece encontrar redenção. Mesmo quando ganha grandes somas de dinheiro, ele as perde rapidamente — como se o destino estivesse zombando dele. Ao fim, o protagonista está sozinho, ainda viciado, ainda esperando por Polina, ainda escravizado por seus impulsos.
Um livro que foi escrito em menos de um mês sob intensa pressão, por causa de dívidas e um contrato abusivo com um editor. E mesmo com todas essas adversidades, Dostoiévski entregou um livro ótimo!
Passado em uma cidade da Alemanha, retrata uma família e seus agregados, todos desesperados por dinheiro e dispostos a abrir mão da moral, da ética e do bom senso para consegui-lo. Boa parte da ação se passa dentro do cassino, na mesa de roleta, e é enervante e desesperador acompanhar os ganhos e perdas do jogo, a agitação e a perda de controle dos personagens. Sabendo que o autor lutou boa parte da vida com o vício em jogo torna a leitura ainda mais angustiante. A história é veloz e tem personagens de diversas nacionalidades, representando como eram essas cidades europeias de estações balneárias e cassinos do século XIX.
Esse livro é um dos meus favoritos do Dostoiévski e acho uma ótima opção para quem quer se iniciar nas obras do autor. Não é denso e nem apresenta muitas reflexões filosóficas, é fácil de ler, curto e divertido. Recomendo sempre as edições da Editora 34 e o posfácio do Boris Schnaiderman é muito bom como complemento.
Acho que se eu fosse recomendar um livro para começar a ler Dostoiévski, seria este. Ele é bem mais curto que os célebres Crime e Castigo, O Idiota ou Os Demônios; ele é também menos denso que o excelente Memórias do Subsolo. Mesmo sendo bem diferente desses outros livros mais populares, é muito fácil perceber como o autor exprime bem como o protagonista do livro pensa, e essa é uma característica marcante da escrita do Dosto no geral.
Sou um pouco suspeito para falar do livro, admito. Eu odeio as "bets" e casas de aposta contemporâneas, mas ao mesmo tempo adoro o tema de apostas, jogos de cartas e jogos de azar. Pra quem já teve contato com esse universo, é interessantíssimo acompanhar como o nosso herói Jogador é habilidoso, e ao mesmo tempo que demonstra estar sempre no controle da situação, acaba arruinando a própria vida no final das contas. Achei muito forte ver em poucas páginas o desenvolvimento de um personagem carismático e profundo que por conta do vício é reduzido à miséria absoluta - financeira, amorosa, espiritual e moral.
Vale muito a leitura. É sem dúvida um dos meus livros favoritos.
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Ler Dostoiévski é realmente uma aventura, uma montanha russa de sentimentos desagradáveis, mas ainda assim esse homem é o meu favorito. Vejo que ele escreve bastante sobre emoções, e esse livro é obviamente um representação da impulsividade (acredito). Enfim, foi bom, não me prendeu tanto quanto memórias do subsolo, mas não é totalmente ruim. No final quando Mister Astley, encontra Alexiei, a parte da conversa sobre Polina, eu dei uma chorada de leve KKKKKK, foi bem doloroso o choro de Alexiei, deu para perceber que ele a amava muito, e me entristece demais saber que o jogo o corrompeu.
é um livro legal. não me interessei tanto pelos dramas pessoais, mas AMEI as cenas do cassino, principalmente aquelas com a avó. foram cenas muito divertidas de ler!! acho que o livro funcionaria melhor como um conto, mas entendo que ele só é o que é por causa da pressão que colocaram no dostoévski pedindo pra ele escrever um livro em menos de um mês e ele foi lá e fez... então ele meio que divou aqui
a flutuação entre os ritmos monótono e frenéticos me fazem lembrar da movimentação de uma roleta. e que diferença entre o amor retratado em “noites brancas” e o daqui. a obsessão amorosa naquele se transforma em obsessão por jogos neste e deixa o amor de lado, apesar de neste ser correspondido. muito angustiante observar o personagem definhar e perder tudo sem fazer nada, mas de uma genialidade impressionante. eu amei.
Se esse livro fosse um carro, com certeza seria um Toyota Supra Mark IV. Mas não o de fábrica, seria uma daqueles de 1000 cavalos, modificado, que todo mundo vê nos reels do Instagram dando pau em todo mundo. Isso por que ele não só é rápido, ele também é intenso. Ele te pega pela gola da camisa e te joga em múltiplas cenas de intriga cruzada e drama 'eurocultural' para no fim te dar os frutos últimos desse trem-bala emocional.
Super recomendo. Já tem residência no meu coração.
Apesar de não ser um tema que gosto muito, Dostoiévski consegue abordá-lo de uma forma profunda, mostrando a psicologia de um viciado, ao mesmo tempo criticando fortemente o capitalismo. Gostei muito dos dramas pessoais, principalmente o romance entre Polina e Aleksei, um amor “recíproco” e mesmo assim, sem correspondência.
Dostoiévski escrevendo com pressa e sob pressão (ver posfácio) resulta em um livro para ser devorado com a mesma fome que o acaso produz nos jogadores, através dos caminhos sinuosos (e por vezes espantosamente retilíneos) da roleta. Curioso o fato de Dostoiévski ter evitado descrições da própria roleta - assim evitando o naturalismo corrente (ver posfácio) -indo direto aos efeitos desta no espírito (no sentido francês, agora aprendi) e no destino dos jogadores. Basta ver como a roleta apresenta os resultados de modo seco abrupto, sejam estes milagrosamente favoráveis ou desgraçados. O personagem da avó protagoniza os melhores momentos cômicos. Sua impetuosidade matriarcal rui drasticamente diante da atração exercida pela roleta. Até mesmo os preconceitos de D. resultam cômicos: os polaquinhos trapaceiros que cercam a avó e conduzem espalhafatosamente a derrocada da matriarca. Embusteiros dos quais dostoiévski extrai efeitos cômicos consistentes. Já as mulheres ocupam espaço nebuloso. em momento nenhum acessamos algo que possa ser confundido com suas motivações. O acesso é sempre indireto. Polina é um mistério. Alexsandrier está sempre à margem de suas manifestações. O ataque de histeria de sua amada é incapturável a nós leitores, não se pode saber NUNCA o que elas sentem. Pelo menos não diretamente. Penso que seu desejo seja tão desconhecido e, simultaneamente, opaco quanto os caprichos da sorte na roleta. Madmoseille Blanche faz um contraponto, pois é muito clara e direta - pragmática, até. Quando juntos em Paris, parece que o próprio narrador é que é prisioneiro de veleidades desconhecidas. envolto em névoas de insatisfação.
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Depois do meu primeiro contato com o autor, em “Noites Brancas”, “Um Jogador” foi o primeiro romance que li do Dostoiévski. Não sei explicar, mas os livros dele me causaram certo estranhamento, não que isso tenha sido ruim. Na verdade, foram leituras diferentes das habituais, mas ainda assim foram muito divertidas e produtivas. Em ambos os casos, o autor conseguiu fazer muito com histórias ordinárias (no sentido mais literal da palavra). Quanto mais leio Dostoiévski, mais eu gosto. Há aqui diversas reflexões interessantes que dizem respeito à psicologia de um jogador e à filosofia do jogo. Em alguns momentos eu até me identifiquei com algumas dessas reflexões. Confesso também que eu desconhecia a maioria dos jogos aqui citados e foi muito legal conhecê-los. A narrativa durante as jogatinas é muito dinâmica e tensa. Vale salientar também que “Um Jogador” não se resume a jogos. Além de tudo, temos aqui uma diversidade cultural muito bem explorada e desenvolvida. Esse livro só me motivou a continuar lendo Dostoiévski. Preciso, agora, decidir se minha próxima leitura do autor será “Duas Narrativas Fantásticas”, “O Eterno Marido” ou “Gente Pobre”.
Dostoevsky's The gambler (1866) is a satirical novel about the environment of casino games and the easy way to make/lose money. It has autobiographical traces of the author, who was a gambling passionate, but mainly exposes in a fiction, sometimes prejudiced and generalized, the thoughts of the narrator Aleksié Ivanovich about the different customs of certain nationalities (Russian, French, German, English, Polish). It satirically shows the addictive atmosphere of the casino and the interest and falseness behind the winnings, inheritances and titles of nobility. There are also romantic elements involving Polina, whose behavior is explained from the narrator's point of view and therefore does not necessarily reproduce the facts of the story. Regardless the depth of various characters, the amount of events and reflections, including cultural and political-economic, "The gambler", of just over 200 pages, was written in less than a month, under pressure from the publisher. Yet, it remains as a complete, well written and fun novel.
Particularmente, eu demorei a pegar no tranco com esse livro até me acostumar com a escrita, que é bem fluida na verdade, mas uma vez que o cenário é montado e personagens apresentados tudo vira uma experiência bem intensa num rompante! Me peguei em vários momentos ansioso e catapultado pro frenesi emocional dos participantes da trama.
Fazendo referência à cultura pop, é a mistura daquele filme Quebrando a Banca do começo do final dos anos 2000 misturado com elementos Freudianos de como se consolida um vício, e o Alexis podia ser facilmente um personagem do Jesse Eisenberg. Eu gosto muito como a loucura e o pessimismo foram trabalhados.
É uma leitura que vale muito a pena ainda hoje. Da pra fazer vários comparativos porque a ideia de se fazer a análise da psique de um jogador não é datada e é muito bem feita! Começa lentinho mas o ritmo subsequente compensa por demais!
Me diverti demais lendo esse livro, os personagens e os diálogos são muito bons, e a forma como ele descreve o cassino, os jogos e a maneira 'fácil' de ganhar dinheiro, assim como todas as relações entre os personagens girando em torno de dinheiro são incríveis. É o retrato de uma sociedade baseada em aparências e interesses. Também há menções aos estereótipos de cada país europeu:
"Perdão! – repliquei. – Mas realmente não sei o que é mais repulsivo, se a desordem dos russos ou a capacidade dos alemães de juntar dinheiro trabalhando honestamente."