Uma seleção de poemas de Primo Levi no ano de seu centenário. Com uma poesia bissexta, escrita em períodos fervorosos de criatividade, a lírica de Primo Levi atravessou diversas fases. Em todas, temas como a sobrevivência em meio às catástrofes e a desumanização se unem a um registro delicado que parece buscar a claridade, a comunhão e o amor por todos os seres vivos. Nesta antologia, preparada por Maurício Santana Dias, o leitor brasileiro conhecerá a poesia de um escritor que transformou o compromisso moral em alta literatura, e a força da memória, num verdadeiro ofício.
Primo Levi was an Italian Jewish chemist, writer, and Holocaust survivor whose literary work has had a profound impact on how the world understands the Holocaust and its aftermath. Born in Turin in 1919, he studied chemistry at the University of Turin and graduated in 1941. During World War II, Levi joined the Italian resistance, but was captured by Fascist forces in 1943. Because he was Jewish, he was deported to the Auschwitz concentration camp in 1944, where he endured ten harrowing months before being liberated by the Red army.
After the war, Levi returned to Turin and resumed work as a chemist, but also began writing about his experiences. His first book, If This Is a Man (published in the U.S. as Survival in Auschwitz), is widely regarded as one of the most important Holocaust memoirs ever written. Known for its clarity, restraint, and moral depth, the book offers a powerful testimony of life inside the concentration camp. Levi went on to write several more works, including The Truce, a sequel recounting his long journey home after liberation, and The Periodic Table, a unique blend of memoir and scientific reflection, in which each chapter is named after a chemical element.
Throughout his writing, Levi combined scientific precision with literary grace, reflecting on human dignity, morality, and survival. His later works included fiction, essays, and poetry, all characterized by his lucid style and philosophical insight. Levi also addressed broader issues of science, ethics, and memory, positioning himself as a key voice in post-war European literature.
Despite his success, Levi struggled with depression in his later years, and in 1987 he died after falling from the stairwell of his apartment building in Turin. While officially ruled a suicide, the exact circumstances of his death remain a subject of debate. Nevertheless, his legacy endures. Primo Levi’s body of work remains essential reading for its deep humanity, intellectual rigor, and unwavering commitment to bearing witness.
Primo Levi era um tremendo escritor em todas as frentes possíveis, dos contos à autobiografia. Aqui foquemos na sua grande poesia, ao contrário da maioria que gosta mais de seus poemas quando escritos na juventude e recém saído de Auschwitz (talvez pelo seu teor mais emotivo)., gosto mais de sua poesia de maturidade, as dos anos 70 e 80. Não sei, elas me parecem mais pungentes como um todo na descrição da vida por metáforas, enquanto as da juventude são esperadamente menos polidas.
“Mil sóis. Poemas escolhidos” de Primo Levi foi publicado no Brasil pela editora @todavialivros e me acompanhou por muitas manhãs no projeto #cafécompoesia
Primo Levi é mais conhecido por sua prosa, onde ele ajudou a fixar o gênero “literatura de testemunho”. Eu tive meu primeiro contato com sua escrita pelo livro “É isto um homem?” que entrou para a lista de favoritos da vida e se você ainda não o leu, corre! Sua produção poética foi inconstante, sem qualquer método, nascida entre arroubos de inspiração em meio à prosa. Os poemas são datados e foram agrupados em ordem cronológica nesse livro, o que deixa a sensação de diário poético. Não se engane pela foto, o café em formato de coração e o brigadeiro não vão ser capazes de adoçar sua experiência. Ela vai ser dura, triste e amarga. Os temas mais frequentes são desumanização, deportação, solidão, a necessidade de se lembrar dos horrores vistos e vividos. Primo Levi traduz em palavras a experiência da destruição e degradação humana de uma forma tão simples e brutal, que temos a necessidade de tentar desviar o olhar para não nos ferir. Mas é claro que não conseguimos olhar para o outro lado, muito pelo contrário, nos aproximamos na tentativa de desvendar e compreender tamanho horror. Essa foi uma leitura muito sensorial, em momentos precisei parar a leitura e respirar porque ao me colocar no lugar do outro, a dor dominava meus sentidos só de imaginar no que aconteceu com pessoas inocentes. O que elas sentiram de fato, nunca conseguirei pensar em mensurar. Shemà é de 10 de janeiro de 1946 e me tirou o ar, reli tantas vezes que perdi a conta. O mesmo aconteceu com Para Adolf Eichmann de 20 de julho de 1960 e Canto dos mortos em vão, de 14 de janeiro de 1985. Outras poesias que merecem destaque são: Espera, Eram Cem, A menina de Pompeia, 12 de julho de 1980, Vozes, A obra, Um Ofício e Um vale. Leitura mais que recomendada! Se você gosta de ler sobre o tema Segunda Guerra Mundial e quer se aproximar da poesia, esse é o livro ideal para você.
Maravilhosa compilação dos "poemas bissextos" de Primo Levi, selecionados e traduzidos por Maurício Santana Dias. Tenho preferência pelos textos das décadas de 40 e 50, ainda muito influenciados pelos horrores da guerra, e gosto um pouco menos dos poemas sobre os animais, já nos anos 80, mas reconheço o valor destes também. A poesia de Primo Levi é simples, mas muito profunda e emocionante; acho que essas qualidades deixam a porta sempre aberta para novas leituras. Adorei.
3,5 ⭐ Leitura fácil apesar do uso de linguagem formal. Alguns poemas chocam bastante com uma mensagem bem clara, outros são abertos para interpretação.