O que é necessário para educar uma criança em nosso tempo, com suas contradições e velocidades alucinantes? Neste livro, a psicanalista Vera Iaconelli se dirige de modo franco a mães, pais, educadores e curiosos que estejam às voltas com a criação de filhos em um período de grandes incertezas. A autora toca em temas fundamentais, como época, gênero, sexualidade, família, sofrimento, limites, escolhas, garantias, e mostra como não existem fórmulas que deem conta de assunto tão complexo. Esta obra, concisa e ao mesmo tempo profunda, é acima de tudo um convite essencial à reflexão sobre criar filhos.
Vera Iaconelli é psicanalista especializada em psicologia parental. Graduada pela em Psicologia pela Universidade São Marcos (UNIMARCO), é mestre e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisa temas como a depressão pós-parto, o infanticídio e o período perinatal.
É conhecida do público por debater de forma aberta e livre de tabus os principais desafios enfrentados pelas mães na sociedade contemporânea. Vera denuncia as pressões para que as mães sejam infalíveis em seu papel e questiona como os filhos são afetados por uma educação cada vez menos comunitária, em que toda a responsabilidade recai sobre pais que muitas vezes não estão devidamente preparados para cumprir esse papel.
Em suas colunas para o jornal Folha de São Paulo, debate angústias e enfermidades psíquicas típicas de nosso tempo, partindo de assuntos do cotidiano para investigar como a vida em uma sociedade marcada pela aceleração e pelo enfraquecimento de muitos laços sociais pode afetar a saúde e o bem-estar dos indivíduos. Também é autora de livros como Manifesto antimaternalista, no qual desconstrói o lugar-comum segundo o qual as mulheres nascem prontas para a maternidade, como Criar filhos no século XXI e Felicidade ordinária.
Vera é diretora do Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal e Parental, o Gerar, e integra o Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, além de participar dos Fóruns do Campo Lacaniano de São Paulo.
Já conhecia a autora pela TV e pelas suas colocações bastante sóbrias sobre a relação entre pais e filhos.
Resolvi me aventurar um pouco sobre seu trabalho e encontro este livro que, mais do que ser uma proposta a inquietação na relação entre pais e filhos e sua criação, é um convite ao questionamento e à inquietude como postula a autora no começo do livro.
Imprescindível para entendermos melhor nossos papéis e funções não só como pais mas também como agentes ativos e passivos na criação dos nossos - e dos outros - filhos nesse século XXI que já começou bem difícil.
Uma antiga fã da autora, achei esse livro uma promessa linda e bem escrita do que ele poderia ser. Ela aborda assuntos essenciais, com uma perspectiva sempre muito interessante, mas talvez com alma de artigo, não de livro. Poderíamos ter o dobro de páginas, o que lhe daria possibilidade de desenvolver várias das ótimas ideas presentes. De mais, ele possibilita a reflexão por vários temas da maternidade em tempos atuais que valem a pena pensar sobre.
Um bom apanhado de ideias sobre parentalidade na modernidade. Eu esperava um pouco mais de base teórica e discussões mais aprofundadas, mas foi uma leitura interessante apesar de um pouco superficial.
Muito bom para quem tem ou não filhos. O livro não pretende esgotar ou elaborar com profundidade os temas, já que são capítulos curtos, mas já me trouxe reflexões e debates interessantes.
Obs: cortaria uns três capítulos do livro que me pareceram deslocados ou inseridos mais para dar check no discurso politicamente correto.
Seguem trechos que gostei e geraram discussões aqui em casa:
“Abrir mão do que teria sido - ou, na realidade, da fantasia do que teria sido - nos ajuda a pensar o que de fato poderá vir a ser. Melancolia de um passado que não foi e ansiedade por um futuro que não virá criam impasse e imobilidade. Fora desse jogo, as escolhas voltam a se tornar possíveis, ainda que não sejam as do passado, mas as de agora.” (P. 18)
“A cultura da imagem e das postagens de imagens de cada atividade do dia a dia dá a falsa impressão de que todo mundo está se divertindo menos você, o que tem incrementado os quadros depressivos já epidêmicos. Nessa lógica, acredita-se também que todas as outras pessoas estão muito mais felizes com os filhos e conseguindo se sair perfeitamente bem, o que, apesar de ser mentira, costuma abalar pais/mães já habitualmente culpados. É difícil assumir uma tarefa que envolve tanta dedicação ao outro, diante do culto ao individualismo e à realização pessoal. A abnegação requerida na parentalidade - qualidade rara nos dias de hoje - pode levar décadas para ser reconhecida pelos filhos, quando ocorre.” (P. 23)
Livro que tenta ajudar os pais a lidarem com as novas demandas que o século XXI impõe. Como falar com filhos sobre questões de gênero, uma nova maneira dos homens exercerem a paternidade, o mundo virtual, dentre outras questões polêmicas que essa nova era nos faz pensar.
Péssimo livro, fala muito pouco sobre filhos. Os primeiros capítulos são excelentes, mas depois a autora se perde quando aborda excessivamente sobre os pais e sobre questões sociais controvérsias tais como orientação sexual, igualdade de género, feminismo e machismo.