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180 pages, Kindle Edition
First published January 1, 1884
Pararam na Rue Jacob, em frente de uma residência de estudantes. Quatro andares para subirem [...]. «Quer que a leve?...», disse ele, rindo, mas baixinho, por causa da casa adormecida. Ela envolveu-o num olhar lento, desdenhoso e terno, um olhar de experiência que o avaliava [...].
Então ele, com um bonito impulso, bem da sua idade e do seu Midi, pegou nela, levantou-a como a uma criança [...], e subiu o primeiro piso de um fôlego, feliz de sentir aquele peso que dois braços, frescos e nus, lhe penduravam do pescoço.
Chegados ao segundo andar, subiu mais lentamente, sem prazer. A mulher abandonava-se, fazia-se cada vez mais pesada. O metal dos brincos dela, que começara por acariciá-lo com uma espécie de cócega, pouco a pouco penetrava-lhe cruelmente na carne.
No terceiro andar, arquejava como o carregador que faz a mudança de um piano. […] E os últimos degraus, que escalou um a um, pareciam-lhe os de uma escada gigante cujos muros, corrimão e janelas estreitas se enrolavam numa espiral interminável. Já não era uma mulher que transportava, mas uma coisa qualquer, pesada, horrível, que o asfixiava e que, a todo o momento, se sentia tentado a largar, a arremessar com cólera, ainda que correndo o risco de a esmagar brutalmente.
Ao chegarem ao patamar acanhado: «Já...», disse ela, abrindo os olhos. Ele pensava: «Até que enfim!...», mas não teria sido capaz de o dizer […].
Era a história completa deles: aquele subir das escadas na tristeza cinzenta da manhã.