DNF
queria saber mais sobre Lilith, talvez, sim, saber como ser um pouco mais como ela, corajosa, incontrita, profundamente por mim e por todas as mulheres, e tive de desistir. A dificuldade em entrar no livro, quando o tema me é tão querido deve-se essencialmente ao quão pouco o conteúdo e o tema se relacionam.
O sentimento anti-feminista é prevalecente, sinto até um sentimento anti-mulher no geral: as mulheres que casam e se dedicam à família estão erradas, as mulheres solteiras que se focam na carreira estão erradas, as pensadoras e filósofas e as domésticas e as prostitutas, para a autora, estão todas erradas então, pergunto, qual é a forma certa de ser mulher à imagem de Lilith?
Como mulher, e sim, como feminista, considero que todas temos o direito de escolher como vivemos, se mulheres domésticas e dedicadas a sua família, se mulheres de carreira, se mulheres que vivem da sua sexualidade, cishetero, lésbicas ou trans, sem julgamentos alheios, e não vejo porque Lilith será alguma vez tão “rígida” quanto a autora defende. O que nos é apresentado é basicamente Lilith como o Jesus branco dos conservadores racistas e homofóbicos. E não é tolerável.
Lilith, a primeira mulher, sempre consciente do seu valor e do seu lugar de direito, que se rebelou contra Deus e não aceitou mais o seu domínio ou a ser secundaria a Adão, seu igual, que perseguiu o conhecimento e não aceitou nunca a subjugação, ou alheamento, não julgará as nossas escolhas quando elas fazem sentido para nós, quando são as que nos são possíveis de fazer, não deixará de lado nenhuma mulher que a respeite.
Foi uma desilusão mas numa coisa a autora está certa, Lilith não se dará a conhecer a qualquer uma, e não duvido que teremos de estar profundamente conectadas connosco mesmas.