Você sabia que o carisma não é um dom ou um favor divino, como acreditavam os gregos? Apesar de ter sido usado para descrever os "dons carismáticos" do Espírito Santo, a ciência contemporânea prova que este poder de atrair e influenciar é, na verdade, aprendido e pode ser desenvolvido por qualquer pessoa.
Neste livro, o cientista político Heni Ozi Cukier faz um retrato fascinante sobre a história do carisma: desde os nossos antepassados que seguiam o líder nas caçadas (e nem sempre o líder era o mais forte fisicamente), passando pela Grécia Antiga, o Império Romano, as cartas de São Paulo durante a expansão da Igreja Católica, o Renascimento até dos dias de hoje. Ao se voltar para a evolução do mundo, Cukier mostra como ter carisma é fundamental nas relações de poder. Mas também é instrumento facilitador para o sucesso na vida pessoal e profissional.
A partir do desenvolvimento da inteligência emocional, social e contextual, qualquer pessoa pode se tornar carismática. Tudo depende de treinar habilidades e competências, segundo ensina o autor. No nível pessoal, por exemplo, significa conhecer a si mesmo, saber gerir emoções e instintos e definir propósitos de vida. Já no nível social, é preciso treinar ferramentas de comunicação e dominar técnicas de influência e persuasão. E, no nível contextual, ter foco, visão estratégica e curiosidade para se adaptar aos diferentes meios, culturas e padrões de comportamento.
O desenvolvimento e o treino dessas inteligências vão proporcionar brilho, presença e visão – o que toda pessoa com poder de carisma tem.
O poder está para a política como a gravidade está para a física. O carisma nada mais é do que um dos tipos de poder. Na política, o carisma parece ser uma peça ainda mais primordial do que em outros campos da vida.
“Uma das lições com as quais cresci foi sempre permanecer fiel a você mesma e nunca deixar o que dizem distraí- la de seus objetivos. Então, quando eu ouço sobre ataques negativos e falsos, eu realmente não invisto nenhuma energia neles, porque eu sei quem eu sou.”
o único limite para a altura de suas conquistas é o alcance de seus sonhos e sua vontade de trabalhar duro para eles
Uma das marcas de um grande chefe é a capacidade de manter unidos todos os setores de seu povo: os tradicionalistas e reformadores, os conservadores e liberais. Entretanto, em questões importantes, há, por vezes, diferenças acentuadas de opinião
Se você falar com um homem numa língua que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria língua, você atinge seu coração
O carisma é, assim, uma das ferramentas mais estratégicas de poder que herdamos dos séculos de evolução da espécie. Apesar dos avanços tecnológicos e sociais, nossa estrutura interna de emoções e instintos funciona de modo muito semelhante ao que era na pré-história. Ou seja, por mais que nos consideremos a última geração no quesito racionalidade, ainda somos muito suscetíveis à influência dos carismáticos.
Eu nunca temeria um grupo de leões conduzidos por uma ovelha, mas eu temeria um bando de ovelhas conduzidos por um leão. Alexandre, o Grande
o maior exemplo de carisma para o cristianismo é a figura de Jesus Cristo
Fortuna diz respeito às circunstâncias, ao tempo presente e às necessidades do contexto: a sorte individual
A virtù é a capacidade do príncipe de controlar as ocasiões e acontecimentos do seu governo, das questões políticas.
o carisma funciona de maneira relacional, ou seja, que só existe em uma relação e só é válido quando reconhecido por aqueles sujeitos a ele.
Poder significa conseguir o que se deseja (os fins), não significa dispor de recursos para tal (os meios). Segundo qualquer dicionário, poder é a capacidade de fazer coisas, habilidade de alcançar metas e desejos, de afetar o comportamento dos outros para obter os resultados desejados.
Cada recurso tem um papel na conquista de nossos objetivos e, dependendo do contexto, os recursos perdem utilidade ou até mesmo os objetivos precisam ser readequados ao novo ambiente. Confundir meios (recursos ou ferramentas) com fins (alcançar determinado objetivo) é perigoso para aqueles que desejam conquistar e manter o poder.
Estratégia pressupõe uma capacidade contextual de perceber a mudança do tabuleiro e as limitações de certos recursos ou habilidades em cada ambiente.
Há mais de quatrocentos anos, Nicolau Maquiavel já recomendava ao príncipe que era mais importante ser temido do que ser amado. Mas é possível imaginar milhões de situações e contextos nos quais somente o medo não trará os resultados desejados. Ganhar corações e mentes sempre foi muito importante, e ainda mais na Era da Informação.
não há pessoas que são ou não são inteligentes. Há pessoas que se tornam mais ou menos inteligentes conforme são expostas aos fatores do contexto em que vivem, ao ambiente cultural e às relações sociais.
Em uma guerra, como em outros fenômenos sociais complexos, encontramos uma tríade relacional de sustentação, os três níveis de qualquer batalha: operacional, tático e estratégico. A inteligência carismática também depende de uma tríade – o fenômeno é equilibrado pelas inteligências pessoal, social e contextual. Esta é a forma básica de todo fenômeno social: o eu, o outro e o ambiente.
conhecimento nos traz confiança ao estabelecer limites – e dá concretude para o que antes era desconhecido.
Hoje a sociedade faz de tudo para mascarar a realidade. O mundo nos priva de descrições reais e honestas sobre os desafios e complexidades da vida. Desde o politicamente correto exagerado que tenta politizar e maliciar todas as interações humanas até as ferramentas modernas e tecnológicas que encobrem o dia a dia com uma aura de perfeição e alegria irreais e inexistentes. O policiamento do discurso com o suposto intuito de proteger grupos ou pessoas passou dos limites e está cerceando a capacidade de descrever a realidade. Ao mesmo tempo, mídias sociais constroem realidades fantasiosas compostas somente de alegria, viagens, festas, experiências maravilhosas – e nos distanciam dos desafios reais.
Confiança não é a crença de que não existem obstáculos na vida ou que você sempre sairá sempre vitorioso das situações. É a capacidade de compreender melhor os desafios e, somente assim, desenvolver habilidades necessárias para confrontá-los.
Principais competências da inteligência emocional: foco interno, autoconhecimento, autoconsciência e autogestão das emoções e sentimentos.
Metacognição implica em reconhecer que, para qualquer tipo de operação cognitiva, existe uma monitorização ativa e uma consequente regulação e orquestração dos processos cognitivos envolvidos.
ninguém se constrói sozinho, pois somos construídos e construtores da nossa personalidade. Somos construídos pela carga genética, mas também pelo sistema social, pelo ambiente e por diferentes contextos.
Para conseguir manter o foco no outro, pare de olhar para o seu umbigo, de pensar somente em si e nos seus problemas. E mantenha sua atenção no interlocutor. Não faça silêncio apenas para aguardar sua vez de falar. Fique atento ao que está sendo dito, concentre-se na respiração e ritmo de fala do interlocutor, e perceba suas expressões faciais e as escolhas de palavras.
a empatia, e sua tentativa de defender e beneficiar aqueles que estão próximos a nós, como familiares e amigos, pode ser um dos pilares que sustentam a corrupção.
Saia da zona de conforto: Tente se aventurar em uma parte desconhecida da cidade ou conversar com o passageiro da poltrona ao lado. Expor-se a pessoas e estilos de vidas diferentes expandirá sua visão de mundo e ampliará sua consciência social.
Quanto melhor você respirar, melhor vai falar.
Vozes mais baixas passam confiança e convicção, são sentidas como mais dignas de credibilidade.
O silêncio causado por uma pausa enfática é o que comprovadamente mais retém a atenção da plateia.
Somos hipersensíveis aos sons que nos rodeiam.
Silêncio não é somente um som, mas é o contexto de todos os sons. Ele permite que os diversos sons possam ter brilho e sentido. Imagine uma frase onde não existisse separação (silêncio) entre o som de cada palavra. Estaríamos lidando com um ruído ininteligível. Os sons só têm sentido porque existe o silêncio entre cada pronúncia. É absolutamente necessário experimentarmos o silêncio para recalibrar a capacidade de ouvir conscientemente. Sugiro que vocês busquem alguns minutos de silêncio por dia e busquem visitar lugares com maior nível de silêncio possível. Só assim escutamos e falamos coisas mais profundas que nossos sons e palavras. Saber escutar começa com a capacidade de perceber a ausência de som, o silêncio.
Costuma-se dizer que se buscam três coisas em um relacionamento: ser ouvido, entendido e valorizado. A audição empática oferece os dois primeiros e ainda indica o terceiro.
Uma das razões para a eficácia da reciprocidade é que ela é capaz de produzir uma resposta positiva a um pedido que, não fosse a sensação de gratidão, com certeza seria recusado.
o elogio pode ser a grande estratégia para começar a aumentar seu raio de influência.
a antecipação à incerteza do futuro é o fundamento do pensamento estratégico.
Inteligência contextual é a capacidade de entender um ambiente em evolução, se adaptar e interagir com situações e pessoas em diferentes contextos e culturas.
Um bom líder deve desenvolver a visão para que consiga enxergar além dos horizontes fixos e previsíveis, a partir de formas inovadoras de identificar os problemas e apresentar soluções. É preciso ser um pouco lunático, neste sentido – e se aproximar da experiência dos astronautas para se afastar da própria referência de ancoragem no mundo. E dar lugar a uma nova visão do mundo.
A crise gera incerteza e angústia, e as pessoas – fragilizadas – ficam suscetíveis a qualquer tipo de crença para reduzir essa sensação. A fé e a autoridade ganham mais poder em tempos de crise.
cultura é o padrão recorrente de comportamento pelo qual grupos transmitem conhecimentos e valores.
Ao prestarmos atenção no outro e no que ocorre ao nosso redor, em vez de nos deixarmos levar por nossos próprios sentimentos, estabelecemos uma relação de confiança e credibilidade, base fundamental dos principais vínculos e interações sociais.
a arte da política: como se relacionar com todos os tipos de pessoas, como persuadir e seduzir, como transformar seus carcereiros em dependentes e como se tornar mestre da sua própria prisão
na comunicação interpessoal, aquele que diz alguma coisa – o emissor – só pode ser compreendido por aquele que escuta – o receptor – se ambos dividirem o mesmo contexto e os mesmos códigos.
As mídias digitais colocam um filtro ilusório na realidade. Reforçam percepções e sensações que nos distanciam da nossa capacidade de diálogo interno. Distraídos por falsas realidades, perdemos a sensibilidade de lidar com as próprias emoções. Quanto mais mascarada for nossa vida, mais distante estaremos da possibilidade de gerenciar emoções e, portanto, desenvolver a tão necessária inteligência emocional que nos traz confiança e brilho imprescindíveis para a ativação do carisma.
Estive por muito tempo esperando este livro porque adoro o professor Hoc. O livro não te vai tornar carismático. Trata se de uma abordagem dos aspectos pessoais, sociais e de contexto do carisma, do que deve ser trabalhado em cada um desses elementos e de alguns personagens históricos com essas características. É muito importante perceber que isso não é um dom, mas um processo.
Excellent approach on the idea of Charisma. Intrapersonal, Interpersonal and Contextual skills are greatly explained and the examples that are provided by the author really help the complete understanding of these concepts. It's a must for anyone that is interested in human interactions.