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Rua de Paris em Dia de Chuva

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Na capital francesa, vivem-se tempos de profundas transformações, com a abertura dos grandes bulevares e o despertar de uma nova corrente artística, o Impressionismo, que irá alterar o olhar dos indivíduos sobre a arte e o mundo.

Mas que história de amor à distância poderão experimentar o protagonista deste romance - um diletante chamado Gustave Caillebotte, amigo e mecenas de pintores como Monet e Renoir e, afinal, ele próprio um artista de primeira linha - e a sua Autora, que há anos persegue a história deste milionário triste e decide agora escrever sobre ela? E que papel desempenha nessa relação a enigmática Helena, uma professora de História da Arte que parece saber tudo sobre Caillebotte?

Combinando o impulso histórico com a tentação do fantástico, Isabel Rio Novo - duas vezes finalista do Prémio LeYa - oferece-nos com Rua de Paris em Dia de Chuva uma peça literária fascinante acerca do poder da arte, que a confirma como uma das vozes mais relevantes da ficção portuguesa contemporânea.

232 pages, Paperback

Published March 24, 2020

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154 people want to read

About the author

Isabel Rio Novo

20 books88 followers
Isabel Rio Novo nasceu no Porto, onde se doutorou em Literatura Comparada. Leciona Escrita Criativa e outras disciplinas no âmbito da literatura, cinema e outras artes, sendo autora de diversas publicações académicas nessas áreas. Integrou os júris de prémios literários e de fotografia. Os seus textos de ficção estão presentes em várias antologias, com destaque para a primeira coletânea de contos do Centro Mário Cláudio (O País Escondido, 2016). É autora de O Diabo Tranquilo, a partir de poemas de Daniel Maia-Pinto Rodrigues, da novela A Caridade (2005, Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes), do livro de contos Histórias com Santos (2014) e dos romances Rio do Esquecimento (2016, finalista do Prémio LeYa e semifinalista do Prémio Oceanos), Madalena (inédito, Prémio Literário João Gaspar Simões) e A Febre das Almas Sensíveis (2018, finalista do Prémio LeYa).

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Displaying 1 - 30 of 38 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
944 reviews341 followers
June 10, 2025
Gustave Caillebotte foi um pintor talentoso, um velejador premiado, um engenheiro naval reputado, um filatelista distinto e um horticultor brilhante. Os meios financeiros de que dispunha, e que nada fez para obter, permitiram-lhe que o fosse. Mas o mérito de ter sido, esse, foi inteiramente dele.

Nunca tinha ouvido falar de Gustave Caillebotte, mas gostei de conhecer a sua vida, umas partes reais outras ficcionadas, pela mão de Isabel Rio Novo. Gosto muito da forma como escreve e como se consegue ligar a pessoas/personagens que viveram há mais de um século. Traz uma aura de misticismo e admiração que deveras aprecio.

Mas logo se interpôs nesse desígnio a lembrança de que viu Rua de Paris em Dia de Chuva pela primeira vez aos vinte e nove anos, a mesma idade de Gustave quando pintou o quadro. E distraiu-se a pensar que é por isso que vale a pena escrever livros, para poder conversar à distância com aqueles que amamos e que não são do nosso tempo. Que triste e pobre seria a vida se as nossas afeições estivessem limitadas àqueles com quem nos cruzamos realmente. Que longos nos pesariam os dias se aqueles que morreram antes de nós estivessem mesmo ausentes.
Profile Image for Nadezhda Ivv.
61 reviews40 followers
October 14, 2024
Истинско читателско гурме е тази книга!

Изабел Рио Ново представя по фин и деликатен начин картината на живот, преминал сякаш незабелязан от съвременниците и сподвижниците, но така пълноценно обрисуван за тези, които идваме стотици години по-късно - непознавали човека зад картините, и същевременно чувствайки се преки свидетели на неговия живот!

Гюстав Кайбот - милионер, меценат, художник, ветроходец, градинар, син, брат, приятел, спътник, човек! Завладяваща личност, безспорно, но не заради определенията след името, защото те са етикети, които някой друг дава. Заради деликатността и откровеността, с която изважда вътрешния си свят на показ, с четка и платно пред себе си, рисувайки реалността, която душата и тялото му обитават - тази наяве, и другата, в картините.

Изкуството е универсалният и същевременно неповторимо уникален език, който свързва хора през времеви и пространствени измерения, и прави възможни “срещи” и “познанства” отвъд представите ни за възможно. Четейки книгата, аз сякаш наблюдавах живота на Кайбот и усещах силната свързаност, която Авторката изпитва към него. С любопитство намирах всяка картина, за която ни разказваше Авторката, вглеждах се, изучавах я и се изненадвах от това, което откривах в нея. Още повече от това, което прочитах за нея, сякаш гледайки през очите на Авторката.

Колекцията от картини, която Кайбот оставя е своеобразна история на живота му и връзка с всички онези, които идват след него. За да минат през същите, макар и неминуемо променени места, но да усетят познатото присъствие на нещо, което някога е било, макар и никога невидяно или неизживяно.

Тази книга се чете бавно, на малки дози с внимание, с наслада, с отворено съзнание и будни сетива. Изкуство е да пишеш за изкуство, да рисуваш с думи чувства, които четката на някой е разнесла, разказвайки цял един живот!
Profile Image for Vera Sopa.
745 reviews72 followers
August 30, 2020
Rua de Paris em Dia de Chuva é uma delícia.

A autora, referida pelo narrador, identifica-se com o artista. Gustave Caillebotte é mais do que um mero interesse de uma romancista por uma personagem. A autora recorda coisas como se as visse porque sente que as viu. Uma ligação misteriosa que a leva a agarrar-se às fotos e documentos que Helena, uma professora de História de arte, lhe oferece.

A trama e a escrita não é nada fastidiosa, aliás, é bela, segura e fluida e com ela transporta o leitor para um tempo e um lugar remotos, com fascínio, numa narrativa vivaz que segue a família Caillebotte. Um retrato de época. Dos melhores que já li. Para mais, na companhia de jovens pintores como Monet, Degas, Pissarro, Renoir, entre outros. Os intransigentes. Impressionistas.

Gustave Caillebotte pintou mais de quinhentos quadros e à boleia de algumas dessas obras Isabel Rio Novo escreve este romance inspirado, com uma das telas como titulo e imagem de capa. O presente a fazer de ponte com o passado. "O quotidiano mais banal pode conter em si estranheza suficiente para abalar as nossas certezas." ( pag. 125)
Profile Image for Костадина Костова.
Author 2 books125 followers
Read
October 15, 2024
Много красива и атмосферна книга, съвсем в унисон с настъпващата есен и забавянето на дните. В нея има и уют, и размах, поглед и към общочовешкото, и навътре към безкрайния свят на човешката чувствителност и душа. Разказът утвърждава неопределимата и неподлежаща на времето и разстоянията сила на изкуството, способността му да вълнува и сближава. Картините на Кайбот оживяват за читателя през контекста, в който са създадени, а с тях оживява и Османовият Париж. Улиците, гледките, кръстовищата, пресичали с векове съдба след съдба увличат читателя, а погледът на импресионистите към този нов свят го предизвиква да търси още паралели, още необясними и неизбежни връзки между там и тук, сега и тогава.
Profile Image for Elisa Santos.
394 reviews1 follower
March 4, 2022
Uma espécie de biografia de um dos primeiros pintores impressionistas, desconhecido, um mecenas de Degas, Renoir Monet apoiado na vida real da Autora, personagem deste registo particular.
Fiquei fã da escrita, da delicadeza de sentimentos, da fluidez.
Profile Image for Catarina de Vasconcelos.
58 reviews12 followers
January 10, 2021
Com esta leitura iniciei este novo ano. E não poderia ter sido melhor.

Regressei a Isabel Rio Novo e à sua escrita sublime e regressei também a Paris, essa cidade que tomou de assalto o meu coração e que nele fez lugar cativo.

Acompanhando a história de Gustave Caillebotte - pintor impressionista, mecenas de tantos outros artistas, homem doce e com bom coração - somos convidados a percorrer uma Paris em reconstrução, o início do movimento impressionista, a arte que emerge das mãos e da alma de tantos artistas hoje reconhecidos, como Monet, Renoir, Pissarro ou Berthe Marissot.

É uma obra que nos pega pela mão e nos leva a viajar, no espaço e no tempo, mostrando-nos que é possível atravessar portas e séculos, solidões e limites, quando o nosso coração se abre à beleza da Arte, também ela imortal.
Profile Image for Mady.
1,391 reviews29 followers
May 13, 2025
Demorei 3 meses a terminar este livro porque no início me custou a concentrar e a tentar ultrapassar todas as referências à ‘Autora’. Mesmo após sermos finalmente esclarecidos sobre a Autora, não percebo o motivo de ter esta ‘personagem’ sido incluída na narrativa.

O que mais apreciei neste livro foi ter-me levado a conhecer um pouco mais da obra e vida do Caillebotte, pintor e mecenas impressionista.
Profile Image for Débora Sofia.
222 reviews20 followers
March 18, 2023
Que escrita belíssima! Definitivamente passou a ser mais uma autora favorita 🤍

Participação no projecto Lusiteratura 2023 Mês de Marco - Livro escrito por uma mulher.
Profile Image for Kristiana Cankowa.
310 reviews54 followers
July 4, 2025
Прочетох анотацията и интереса ми се събуди, но признавам си, по-голям интерес имах към картината на корицата и исках да разбера повече за нея. Чувала съм за Винсент Ван Гог, Салвадор Дали, Моне, Мане и т.н. но нищо повече, признавам си. Всички сме учили за Натюрморт, пейзажи в уличище, но наистина знанията ми приключваха до там.
Само, че Изабел Рио Ново, определено ми обогати знанията за Импресионизма, чрез историята, която разказва за Гюстав Кайбот. Стилът на писане, изказа, любовта, уважението и меланхолията която с която описва всичко.

Разказа започва през 1877г. Гюстав е малко момче и в стечение на историята виждаме неговото израстване, различните интереси, които го вълнуват, приятелствата, които намира, таланта с каквото се захване просто до му се получава, любовта, но и сдържаността му, тревогите, загубите, които претърпява. И водещото в целия му живот е рисуването и то от перспектива, която никой друг ве притежава и отличава Кайбот от приятелите му инпресионисти и все пак, нито веднъж не дръзва да се самоизтъкне. И всичко това се случва във времена, когато Париж тепърва зап��чва да се променя - нова канализация, тръпопроводи, булеварди, сгради и вообще развитие и промяна във всеки един аспект.

Кайбот държи много на семейството си, на братята си, приятелите си и не на последно място на Шарлот и кучето му Бержер.

В тази книга усетих любовта и уважението на авторката към един художник, меценат, приятел и роднина на който е отдала нужното внимание. Усетих една меланхолия към хубавият, но бързо отминал момент, усетих, че Гюстав Кайбот е бил един обикновен и земен човек с много различни интереси и е давал от себе си без да иска нещо в замяна, без да парадира с положението си и определено е дал много на Инпресионизма, ветроходството и не на последно място на приятелите си.
Profile Image for Isabel.
207 reviews14 followers
January 3, 2026
Este livro tem muita coisa boa: escrita cuidada, reflexão psicológica, ambiente envolvente, atmosfera melancólica, tema com enorme interesse, personagens maravilhosos, excelentes observações sobre a Arte, em particular sobre o movimento impressionista. No entanto há um elemento nesta narrativa que a asfixia um pouco, que é o facto de a narradora se referir a si própria, exaustivamente, como “a autora deste livro”. Esta personagem, quanto a mim, arruina o romance. Não entendi a necessidade dessa escolha. Metaficcão? Quanto a mim, resulta apenas num artifício narrativo que, enquanto leitora, não consegui apreciar.
Profile Image for Maria.
318 reviews33 followers
April 4, 2023
Estou na página 94, mas, não obstante o tema me interessar muito, A Autora conseguiu tornar a leitura deste livro muito "secante"; demasiadas "interrupções" estilo "ó pra mim... ". Não fosse estar interessada no pintor e na sua história, já tinha desistido de continuar a ler. :-(

Terminei a leitura deste livro, e gostei muito de saber mais sobre Gustave Caillebotte e a sua relação com outros pintores da época.
A leitura tornou-se menos penosa, porque comecei a saltar todos os parágrafos relativos à Autora e à Helena, que me estavam a irritar muito, porque vinham sempre quebrar a história de Caillebotte.
Só na última parte do livro é que li as páginas relativas à Autora, e, essas sim, achei bastante interessantes :-)
Profile Image for Isabel Rute.
167 reviews2 followers
December 15, 2020
Não conhecia a autora e este livro foi comprado num daqueles impulsos na Feira do Livro de Lisboa, em que a capa e o título se tornaram irresistíveis. Obviamente, não serão os melhores critérios na escolha de um livro, mas, por vezes, o acaso acerta!
O romance está muito bem escrito e eu não resisto a Paris e ao Impressionismo.
O livro é acerca do pintor Gustave Caillebotte por quem a narradora, que vive no século XXI, nutre uma forte paixão. E eu, que não conhecia este pintor, dei por mim a estudar as suas obras e a percorrer mentalmente as novas ruas de Paris de Haussmann.
Recomendo a leitura e uma visita ao Museu d'Orsay, onde pretendo regressar assim que possível.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
July 19, 2020
Na sua página do facebook, Isabel Rio Novo recordava-nos, há uns dias atrás, o filme “Midnight in Paris”, de Woody Allen. Neste, Gil (Owen Wilson), um bem sucedido escritor de Hollywood, sempre que passeia pela capital francesa à meia noite, é transportado para a Paris de 1920 onde convive com escritores, pintores e outros artistas. “Nada como ter bebido uns copos na véspera com Picasso e Modigliani para se saber exatamente as circunstâncias em que nasceu um quadro”, refere a autora de forma bem humorada, para de seguida nos deixar com a seguinte interrogação: “Terá isto alguma a coisa a ver com o romance que escrevi?”. Lendo “Rua de Paris em Dia de Chuva”, sabemos que é a si própria que a autora dirige a pergunta, da mesma forma que o faz, directa ou indirectamente, ao longo deste seu romance. Um romance com um forte cunho autobiográfico, ao mesmo tempo exercício de escrita e veículo de reflexão sobre o acto da criação artística e, de um modo mais vasto, sobre a vida, no que ela tem de misterioso e belo, mas também de irónico e efémero.

Recuperando o tom do anterior “O Poço e a Estrada” – visão intensa, densa e sensível sobre a vida e a obra de Agustina Bessa-Luís –, “Rua de Paris em Dia de Chuva” oferece-nos um olhar profundamente humano e sensível de Gustave Caillebotte, mecenas dos impressionistas e artista-pintor, nascido em Paris em 1848 e que viria a falecer em Petit Gennevilliers, aos 45 anos, vítima de acidente vascular cerebral. Saltitando entre a Paris oitocentista e o Porto dos dias de hoje, Isabel Rio Novo faz dos pontos de contacto entre a vida do pintor e a sua própria vida o leitmotiv deste seu livro. Para tal, introduz na acção, a par de Caillebotte, duas outras figuras que mais não são do que dois traços vincados do seu próprio “eu”, enquanto mulher e escritora, ser duplicado, razão e coração em permanente diálogo, os caminhos da criação trilhados ao sabor dos caprichos.

Neste olhar sobre o pintor, descobrimos, ainda, o enorme trabalho de pesquisa que se esconde por detrás do livro. A escrita cuidada de Isabel Rio Novo transporta o leitor para os espaços da acção, onde, com enorme realismo, se desvendam as pulsões e matizes da vida e obra de Gustave Caillebotte e se apresentam, com enlevo, os quadros um a um. Convidado a atentar nas cambiantes delicadas, nas perspectivas arrojadas e nos mais ínfimos detalhes, o leitor tenderá a sentir-se levado numa visita guiada, aqui residindo, quiçá, a maior fraqueza do livro. Mas Isabel Rio Novo aceitou correr esse risco. Só assim poderia incitar-nos a raspar ao de leve, com a unha, a superfície de cada tela, pondo a nu as muitas histórias que se escondem sob o dúbio manto das aparências. Só assim a poderíamos descobrir entre a multidão ao longo das ruas de Paris, assistindo a uma regata no porto de Argenteuil ou observando o pintor no meio das dálias no jardim de Petit Gennevilliers. E, reparando com atenção, ao lado de Isabel Rio Novo, estaremos nós, também.
Profile Image for Ana.
581 reviews11 followers
June 3, 2021
Gostei tanto deste livro! Uma escrita bonita e harmoniosa em torno da vida e obra de Gustave Caillebotte. Conhecia muitas pinturas que tive o prazer de ver "ao vivo" mas não sabia os contornos da sua história e do seu percurso, animados pela imaginação da Autora 😊 Adorei pausar a leitura para observar determinado quadro num livro que tenho ou na Internet. (Re)descobri belas pinturas dos Impressionistas e de Caillebotte fiquei particularmente fascinada com o quadro que dá o título ao livro e outro chamado "Yerres, efeito de chuva".
Amanhã será o mote da sessão da Comunidade de Leitores da Biblioteca das Galveias 📚
Profile Image for Renatita_dama.
60 reviews1 follower
December 26, 2021
Fiquei mais aberta e curiosa acerca da vida por detrás de cada quadro e com uma vontade enorme de voltar a Paris e ao Museu de Orsay. Gosto de livros que me fazem viajar!
Profile Image for Maria Elisabete.
40 reviews2 followers
August 23, 2020
"Rua de Paris em dia de chuva", de Isabel Rio Novo - impressões
Neste seu novo livro (2020), Isabel Rio Novo volta a percorrer “corredores do tempo” (p.89). Leva-nos à cidade de Paris quando esta “deixava de ser uma cidade francesa para se tornar capital do mundo, o mundo dos ousados, dos felizes, dos privilegiados” (p.51).
Caillebotte é um desses. Um ousado e privilegiado, mas nem sempre feliz, visto que a sua obra, em vida, nunca foi devidamente reconhecida e nem irá ocupar muito espaço nos manuais de história da arte sobre o impressionismo . Caillebotte ficará conhecido como o “milionário excêntrico”, “mecenas dos impressionistas”, “colecionador de arte”, “indivíduo multifacetado que também fora pintor” (p.214).
Isabel Rio Novo regressa ao passado para nos fazer conhecer o milionário, o mecenas, o colecionador, o homem multifacetado, mas sobretudo o Caillebotte pintor, iluminando, com as suas palavras, os seus quadros que desfilam pelas páginas do livro, como se estivessem dispostos em mais uma “exposição impressionista”. E, escrevendo como quem desenha, “buscando beleza nas ideias, nas construções, nas melodias das palavras” (p.73), a Autora/autora, reinventa a vida de Caillebotte a partir da descrição desses quadros : imagina as suas motivações, discorre sobre o antes e o depois da sua execução, dá vida aos momentos fixos em cada tela…
É ténue a linha que separa a “Autora” (narradora) da autora, que, numa espécie de registo diarístico, vai abrindo janelas do que pode ser a sua existência (do que foi, do que é, do que será…) : “Cerca de um século e meio depois, também a Autora recebeu nas mãos o peso de um documento que convocava a sua mortalidade.” (p.64); “A viagem foi decidida num impulso, e, de repente, a Autora já está em Paris.” (p.212); “a Autora, em quem as coincidências do acaso assumem por vezes a condição de sinais” (p.147); “Se percorrermos a ala impressionista do Instituto de Arte de Chicago, é provável que nos encontremos com uma mulher velha, de longos cabelos grisalhos” (p.11).
Aliás, a “outra”, a Helena, professora de História da Arte, surge como uma espécie de “duplo” da Autora, e parece estar lá para revelar ao leitor a arquitetura do romance: os documentos de Helena não serão os documentos consultados pela própria autora?
Neste romance, como diz Camões, “transforma-se o amador na cousa amada /por virtude do muito imaginar”: a admiração de Isabel Rio Novo por Caillebotte é contagiante e o leitor não estranhe o impulso de procurar no Google, ou noutro motor de pesquisa, os quadros que vão sendo referidos, para poder ver neles os detalhes descritos pela autora ou outros que queiramos descobrir!
Isabel Rio Novo dá-nos, de facro, uma “perspetiva insólita” da escrita, tornando-se uma escritora impressionista, visto que consegue produzir sensações a partir das suas palavras. De acordo com a definição primeira do movimento que nasce em Paris no último quartel do século XIX, “são impressionistas no sentido em que transmitem não a paisagem, mas a sensação produzida pela paisagem” (p.97).
A ironia e o humor também se fazem notar, fortalecendo a ligação do leitor com narradora/autora: “No meio dos títulos extravagantes, descobriram, por exemplo La fièvre des âmes sensibles ou Rivière de l’oubli ”(p.128), “(…) percebeu que tinha uma forma mais cruel de a castigar. Gustave amaria Charlotte (…)” (p.163); “A imagem valeria pelo menos um esquisso. Que ele não fez.” (p.190).
Um livro para quem gosta de ler e também para gosta de pintura e queira saber mais sobre o movimento impressionista.
Profile Image for Graciosa Reis.
542 reviews52 followers
Read
April 16, 2023
Parti para a leitura deste livro com enormes expectativas. São muitos e convidativos os ingredientes que o compõem: a escrita da autora que muito aprecio; Paris (a “minha” cidade); Arte; Impressionismo… é uma viagem no tempo, é o regresso ao passado, mas sempre com um pé no presente.
Adorei conhecer Gustave Caillebotte. Fiquei fascinada. O leitor é conduzido magistralmente pela vida e obra deste milionário, mecenas dos pintores impressionistas, seus contemporâneos, pintor vanguardista, colecionador de selos e de obras de arte, floricultor, velejador de regatas premiado, engenheiro e construtor naval.

“Estamos, pois, em Paris, no inverno. Novembro ou início de dezembro [de 1877]. Gustave é um homem de estatura mediana, magro, de cabelo castanho-claro. (…). A Autora recorda estas coisas assim, como se as visse, porque na realidade as viu ou sente que as viu.” (p.12)

A Autora, personagem do livro, vai cruzando a vida do biografado, inscrita nos factos históricos, sociais e culturais parisienses da época (Paris está em plena modernização sob o comando de Haussmann), com as suas recordações, pensamentos e intenções.

“(…) a Autora tomou rapidamente uma decisão. Nada do que Helena afirmava [sobre Caillebotte] seria verdade. Ela, a Autora decidiria. “ (p.159)

A intersecção das histórias recriadas é feita de forma sublime, com sensibilidade e paixão. “Era assim entre ela e Gustave Caillebotte” (p.16). Mas, não ficamos por aqui, para além desta intersecção constante ao longo da narrativa, há, ainda, uma outra ponta, uma outra personagem que também se cruza, com a Autora e de forma (in)directa com Caillebotte. Trata-se de Helena, a professora de História de Arte, especialista na vida e obra do pintor. Encontram-se várias vezes, num café em Paris. E apesar de ambas nutrirem uma paixão por Caillebotte, a relação entre as duas é tensa porque Helena enfrenta uma forte depressão.

Ao longo do livro, a narradora revela-nos tudo sobre Gustave Caillebotte, apresenta-nos a sua família, elenca títulos de quadros pintados pelos artistas da época, descreve detalhadamente alguns dos quadros mais importantes do pintor e relata, ainda, as dificuldades pelas quais passaram os impressionistas e a incompreensão da sociedade perante esta nova maneira de representar a realidade.

“Tentei, no fundo, mostrar-te o que vi. O que me tocava. O que me emocionava. Que pode ser a nossa passagem pelo mundo senão isso?” (p. 220). Refere Caillebotte sobre a sua pintura.

Recomendo vivamente.
Profile Image for Manuela.
173 reviews
August 8, 2020
Um quadro, um pintor, uma Autora em processo de escrita, uma professora de história profunda conhecedora da vida e obra do pintor, são o ponto de partida para uma história que atravessa épocas distintas, cruza-as, revela a "arte e o amor como a única forma possível de iludir a morte". E dei por mim a pesquisar os quadros do Gustave Caillebotte e a rever minuciosamente a visita a Giverny, onde também eu me cruzei com Monet na sua cozinha em tons de amarelo.
Não somos a mulher de cabelos grisalhos que olha aquele quadro específico todos os dias, mas saberemos encontrar na arte algo que nos devolve um certo sentido de existência.
Profile Image for Rita De sousa.
102 reviews6 followers
October 7, 2020
A história tem dois tempos: a Autora no presente e o pintor Gustave Caillebotte no século IXX. A Autora pretende escrever um livro sobre a vida do pintor e leva-nos a mergulhar na vida da epoca, nos impressioinistas que foram tão rejeitados e ignorados e no importante papel de Caillebotte, Conheço as obras de alguns impressionistas, e nunca deixei de ver uma exposição deles ao meu alcance, mas não conhecia Caillebotte. Acabei o livro a adorar esta figura e a querer voltar ao Quay dÓRSAY. Mas as duas histórias vão-se tocando e a vida da Autora também é alterada.
Isabel Rio Novo escreve brilhantenemente.
Profile Image for Rui Ferreira.
Author 2 books49 followers
April 21, 2021
A Isabel Rio Novo é uma das minhas escritoras contemporâneas favoritas. Seja pelo virtuosismo da escrita – que me recorda autores mais clássicos -, seja pelo ritmo da narrativa, mais pausado e introspetivo.
Neste Rua de Paris em Dia de Chuva acompanhamos a vida de Gustave Caillebotte, uma personagem multifacetada de grande importância na pintura impressionista parisiense. A autora combina de forma magistral os tempos biográficos e autobiográficos, ensaiando a premissa de que a arte é intemporal e uma forma de todos viajarmos no tempo.
Recomendo, sobretudo o maravilhoso olhar da Autora sobre as pinturas de Caillebotte, que confesso, desconhecia, mas que espero um dia vir a contemplar.
Profile Image for Ana Sofia Filipe.
274 reviews2 followers
August 27, 2023
Na sequência da leitura de “Madalena” e das altíssimas expectativas, foi um livro que não me apaixonou.

Narra a vida e obra de um pintor impressionista da segunda metade do século XIX, ao mesmo tempo que estamos a acompanhar uma escritora, no momento presente, apaixonada pela sua história.

Num tom quase de fantasia, os momentos de passado e presente misturam-se.
Torna-se, em certas passagens, muito descritivo e até aborrecido. Uma exaustiva análise das obras de arte do pintor e da sua corrente e ambiente artísticos.
Ainda que com uma concretização interessante e competente, não consegui acompanhar a ideia do livro.
Profile Image for Bookmaniac70.
609 reviews114 followers
March 16, 2025
Нежен, леко меланхоличен разказ за един непознат за мен художник и меценат. Беше ми много интересно да си припомня историята около зараждането на импресионизма, този път от гледната точка на Гюстав Кайбот. Разбира се, след прочитането на романа веднага потърсих негови картини в Интернет. Стилът му много ми допадна, смятам, че незаслужено е изпаднал в забвение като художник.

Ето тук можете да разгледате
едноименната картина, дала заглавие на книгата, и още други негови творби.
Profile Image for Mihaela.
145 reviews12 followers
March 5, 2025
Разказва за живота на Гюстав Кайбот, много интересен човек, част от импресионистите, но с по-различен стил. Запомнен като техен меценат, а не художник, но всъщност картините му се отличават с използваната перспектива и един вид фотографска точност.
По принцип много ми хареса.
Още повече щеше да ми хареса, ако ги нямаше моментите с Елена и ако авторката не говореше за себе си като "Авторката", в 3 лице единствено число. Ама все пак 5 звезди, защото книгата е много приятна за четене.
Profile Image for António Ganhão.
Author 2 books28 followers
Read
June 25, 2020
Pode a autora romancear-se na sua obra enquanto Autora? Invocar António Gedeão em sua defesa? O que subsiste de verdade sobre Gustave Caillebotte? A verdade da nossa escrita são as palavras que nos pertencem e como nos recorda a autora: o que temos nós de nosso senão o que inventamos?

Ler mais aqui
Profile Image for Margarita Tumbeva-Shlyukarski.
36 reviews
June 27, 2025
Цялостно книгата е интересна, но не мога да кажа, че е сред най-големите ми фаворити. Бих я препоръчала на хора, които се интересуват от изкуство и по-конкретно от творчеството и живота на Гюстав Кайбот.
За жалост дори и към края не успях да разбера каква е връзката на "авторката" с художника, но въпреки това книгата ми беше приятна.
Profile Image for Cris Félix.
209 reviews
June 21, 2020
O tema, o local, a escrita, tudo me agradou neste livro!
Uma leitura que se percorre com uma fluidez deliciosa; descrições que nos transportam para a intimidade de um quadro impressionista.
Fica uma grande vontade de conhecer melhor a obra de Gustave Caillebotte.
Aconselho vivamente!
Displaying 1 - 30 of 38 reviews

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