No verão de 1700, a negra Páscoa é presa no Brasil e embarca rumo a Lisboa para ser julgada pelo Tribunal do Santo Ofício. Enfrenta a acusação de bigamia, de ter casado uma segunda vez quando o primeiro marido estava vivo em Angola. A investigação percorreu três continentes e revelar-se-á implacável.
Numa sociedade dominada pelos valores tradicionais, o processo de Páscoa Vieira assume contornos de escândalo. Primeiro escravizada em África e depois na América do Sul, esta mulher vai ser julgada pela sociedade lisboeta, à época religiosa e conservadora, mas paradoxalmente ela tem no julgamento movido contra si uma rara oportunidade de fazer valer a sua voz.
Páscoa enfrentara com valentia a violência imposta pela sua condição e, mesmo presa nos porões inquisitoriais, submetida ao medo e a repetidas sessões de interrogatório, não se dobra perante os juízes da Inquisição.
Uma apaixonante história de vida que releva a condição feminina durante o Império português setecentista, Páscoa e Seus Dois Maridos resulta de uma pesquisa histórica baseada no processo inquisitorial de Páscoa Vieira - conservado há trezentos anos nos arquivos eclesiásticos portugueses.
A historiadora francesa Charlotte de Castelnau-L’Estoile narra, antes de mais, o destino desta africana, e traz-nos um relato fascinante e rigoroso sobre o longo período da Inquisição em Portugal e as sociedades esclavagistas do Atlântico Sul.
Estava à procura de uma história mais envolvente sobre Páscoa Vieira, mas Charlotte de Castelnau-L’Estoile focou-se na pesquisa histórica e nos detalhes do processo inquisitório de Páscoa Vieira, o que resultou num texto mais denso e académico.
Reconheço que o livro pode ser bom, mas neste momento não estou com vontade de ler algo neste estilo.
Um livro essencial para entender a época esclavagista do nosso país! Charlotte teve a capacidade de fazer uma pesquisa detalhadíssima e passar isso para papel de forma a que qualquer um entendesse o que ela pretendia transmitir.
A história de Páscoa, uma escrava nascida em Angola, enviada para o Brasil como punição, julgada em Portugal por bigamia...
Embora o palco central da história seja Páscoa, através do que lhe aconteceu sentimos os reflexos da sociedade da época. Gostei que autora procurasse explicar como as coisas decorriam e porquê de decorrem assim!
Muitas vezes fiquei de estômago revirado, temos que aprender com a história.
Recomendo este livro a quem tenha interesse de saber mais sobre e época esclavagista, como funcionava a inquisição e as legislações da época.
Não recomendo a quem não goste de livros sem diálogo e linha orientadora de história, pois o livro é uma contextualização e explicação ao que se passou na época.
eu li o pdf em português... a escrita da charlotte é muito potente, a pesquisa histórica é super bem feita e informa sobre muitas coisas que foram novas
Magnífico livro escrito com base sobretudo no processo da inquisição arquivado na torre do Tombo. A partir daí a autora e investigadora escreve um precioso retrato de Páscoa, humanizando assim uma escrava que deixa de ser apenas mais um número do tráfico transatlântico. Para além desse retrato o livro é rico em informações e discussões sobre o poder do tribunal da inquisição, a relação do cristianismo com a escravatura e como a religião imposta aos escravos conseguia ser também uma forma dos mesmos acederem a mais direitos e reconhecimento. Aprendemos ainda sobre a intensa relação entre o Brasil e Angola daquele tempo. Aprender é o verbo certo, é um livro em que se aprende muito.
De lamentar apenas a capa escolhida pela Porto Editora, uma ilustração que lembra Marge Simpson em vez da ilustração escolhida pelas edições francesa e brasileira, que é de resto comentada no livro sem sequer uma nota de rodapé a esclarecer que não se trata da ilustração da capa portuguesa. Pior ainda descrição "um romance inspirado na história", quando este não é, absolutamente, um livro de ficção. É uma investigação histórica onde qualquer suposição ou especulação é claramente indicada.