«Ao lermos as obras escritas por viajantes, importa ter em conta a “Weltanschauung”, um termo inventado pelo filósofo alemão W. Dilthey para designar a visão do mundo que, consciente ou inconscientemente, está presente em cada um de nós. Desde meados do século XVIII que a literatura de viagens se tornara um género apreciado, mas a maneira como os estrangeiros olharam o meu país tem de ser vista criticamente: não basta escolher as citações que se adequam às nossas teses. Na selecção dos testemunhos que a seguir apresento, escolhi não apenas os escritos com maior qualidade literária, mas ainda aqueles sobre cujos autores dispunha dos elementos biográficos que me permitissem entender o quadro mental que os levara a deixar os retratos que nos legaram.» [Da Introdução]
Giuseppe Marc’Antonio Baretti • Giuseppe Gorani • Charles François Dumouriez • Joseph Barthélemy François Carrère • W. Costigan • Marquês de Bombelles • William Beckford • Robert Southey • Carl Israel Ruders • Heinrich Friedrich Link • John, Charles e Roxanna Dabney • Laure Saint-Martin Permon • Lord Byron • William Morgan Kinsey • Lord Porchester (Carnarvon) • Joseph James Forrester • Edward Boid • Joseph Bullar • Sir William Robert Wilde • Felix Maria Vincenz Andreas von Lichnowsky • Dora Wordsworth Quillinan • Isabella de França • Oswald Crawfurd • Hans Christian Andersen • Mark Twain • Lady Jackson • Marie Rattazzi • Miguel de Unamuno • John Gibbons • Ralph Fox • Alfred Döblin • Antoine de Saint-Exupéry • Arthur Koestler • Mircea Eliade • Simone de Beauvoir • Roy Campbell • Mary McCarthy • Sybille Bedford • Christopher Hitchens • Jean-Paul Sartre • Gabriel García Márquez • Hans Magnus Enzensberger
MARIA FILOMENA MÓNICA nasceu em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1943. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Lisboa, em 1969, e doutorou-se em Sociologia na Universidade de Oxford, em 1978. Colabora regularmente na imprensa. Entre outros livros publicados, é autora de «Eça de Queirós» (Quetzal, 2001), «Bilhete de Identidade» (Alêtheia, 2005) e «Cesário Verde» (Alêtheia, 2007). É investigadora-coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Trata-se de uma síntese de relatos/textos mais do que propriamente uma livro com prosa própria. Basta ler a conclusão para se ter um resumo de todas as observações mais importantes dos viajantes. Infelizmente verifica-se que passados estes anos todos, os mesmos problemas permanecem na sociedade portuguesa: a corrupção na justiça, excesso de impostos, falta de industrialização, falta de bens para exportação, governação demasiadamente centralizada, excesso de dívida pública etc...
Portugal visto pelos olhos de estrangeiros, entre meados do século XVIII e o século XX. Dos relatos referidos, apenas conhecia a obra de Maria Ratazzi. Os relatos são muito diversificados, com algumas críticas muito motivadas pela própria nacionalidade de quem as escreveu. Algumas críticas, no entanto, permanecem muito atuais e mais uma vez refletem que aprendemos pouco com a nossa história. Não gostei da mesma forma de todos os relatos, como é óbvio. Gostei de forma particular dos já situados no século XX e, de entre estes, do relativo a Mary McCarthy.
Bom livro. Creio que a autora podia recuar mais no tempo, pois só analisa relatos a partir do período pombalino. Algumas descrições são, confesso, redundantes ou pouco interessantes do ponto de vista histórico.
Eu li este livro quando saiu e reli agora no seguimento da minha leitura do livro do Pamuk sobre Istambul, que se farta de se preocupar com precisamente isto, o "olhar do outro", concretamente a visão de estrangeiros europeus. Há observações bem esgalhadas que ainda são relevantes, é interessante numa perspectiva histórica. Um bom trabalho, bem estruturado e muito bem escrito. Ainda não li um livro de Maria Filomensa Mónica de que não gostasse, não deve haver.