Na apresentação do livro Contos Indígenas Brasileiros, publicado em 2004, o autor, Daniel Munduruku, afirmou: O Brasil é o país da diversidade cultural e linguística. Aqui, em nossas terras, convivem mais de 250 povos diferentes, falando 180 línguas e dialetos, morando em todos os estados desse imenso país. São mais de 750 mil pessoas, segundo os últimos dados do IBGE, que buscam manter acesas as chamas de sua tradição e o equilíbrio de suas próprias vidas. Os oitos contos selecionados pelo autor, a partir de um critério linguístico, têm a intenção de retratar, através de seus mitos – o roubo do fogo, a origem do fumo, depois do dilúvio, entre outros –,a caminhada de alguns de nossos povos indígenas do norte ao sul do país – Guarani, Karajá, Munduruku, Tukano, entre outros. A leitura dessas histórias dá às crianças uma rica visão de nossa herança cultural, mostrando que é muito mais valiosa do que possa imaginar.
Escritor indígena, graduado em Filosofia, tem licenciatura em História e Psicologia. Doutor em Educação pela USP. É pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Diretor presidente do Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais. Autor de 52 livros para crianças, jovens e educadores é Comendador da Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República desde 2008. Em 2013 recebeu a mesma honraria na categoria da Grã-Cruz, a mais importante honraria oficial a um cidadão brasileiro na área da cultura. Membro Fundador da Academia de Letras de Lorena. Recebeu diversos prêmios no Brasil e Exterior entre eles o Prêmio Jabuti, Prêmio da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Érico Vanucci Mendes (outorgado pelo CNPq); Prêmio Tolerância (outorgado pela UNESCO). Muitos de seus livros receberam o selo Altamente Recomendável outorgado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Em 2017 foi contemplado com o Prêmio Jabuti na categoria Juvenil. Ganhador do Prêmio da Fundação Bunge pelo conjunto de sua obra e atuação cultural, em 2018. Reside em Lorena, interior de SP.
It's nice to read some other mithology tales than the average greek and nordic ones.
Indigenous people have such a rich culture that people don't know about or show interest in, and this book proves it.
Pros:
-The stories aren't all from the same group. There's stories from the Guarani, the Tucanos, and it also tells us where they're originated from and where they live nowadays.
-The prose is simple to follow, no purple prose at all, it's just a tale being told in the most simplest way.
-The glossary present helps a lot with terms you're not familiar with!
A obra literária de Daniel Munduruku, publicada em 2004 e voltada ao público infantojuvenil, atua como um importante registro da herança mítica e oral de diversos povos originários do Brasil. O autor não se limita a explorar as narrativas de sua própria etnia, a Munduruku, mas amplia o escopo de seu trabalho para representar o imaginário e a cultura de múltiplas nações indígenas. Por meio da literatura, os saberes que tradicionalmente são repassados de geração em geração ganham uma forma escrita, preservando a identidade e a visão de mundo dessas comunidades. O livro é estruturado a partir de oito narrativas míticas pertencentes a diferentes povos, incluindo os Tupi, Guarani, Nambikwara, Karajá, Terena, Kaingang, Tucano e Taulipang. A função central dessas histórias é explicar a origem dos seres humanos, dos animais e dos fenômenos da natureza a partir de uma cosmologia própria, distanciando-se de relatos factuais ou históricos. Um exemplo abordado no livro é o mito Kaingang, que narra o período após um dilúvio, no qual os ancestrais moldavam animais a partir de cinzas durante a noite. Ao serem surpreendidos pelo amanhecer enquanto criavam um novo bicho, tiveram que finalizá-lo às pressas, sem dentes ou língua, colocando apenas varinhas em sua boca. Essa narrativa fantástica explica a origem anatômica e os hábitos alimentares do tamanduá. A essência do trabalho de Munduruku reside na perspectiva da autoria e da narração. Diferentemente de produções literárias de séculos passados, nas quais o indígena era frequentemente retratado sob a ótica e a idealização do homem branco, esta obra traz o protagonismo dos próprios povos originários contando suas histórias de dentro de seu universo. A preservação e a propagação desses mitos cumprem a função vital de prover os membros das comunidades de autoconhecimento e de orientar a relação harmoniosa que estabelecem com o meio ambiente, consolidando o livro como um espaço de valorização cultural a partir do olhar interno.
Livro curto, super fácil de ler e com desenhos lindos. Me chamou a atenção como os animais e entidades estão em pé de igualdade com o ser humano. Gostei bastante do conto “a pele da mulher nova” e “a proeza do caçador contra o curupira”.
Maravilhoso livro de contos indígenas que nos fazem mergulhar no mundo da mitologia de diferentes povos, levando-nos a entender como são variadas e muitas as culturas de nossos povos originários. Feliz por ter lido este livro, cujo autor eu muito admiro.
Ótimo livro para leitores de todas as idades interessadas em mitologia indígena ou que simplesmente gostem de fantasia. Por ser um livro infantojuvenil, a sua linguagem é acessível e fluida. Traz ainda informações sobre alguns dos povos originários que ainda vivem no Brasil e lindas ilustrações do artista Rogério Borges.
Contos legais e pequenos. Gostei de aprender sobre os diferentes mitos, e foi legal comparar com mitos de outras culturas e ver como todos temos certos temas que abordamos, como o dilúvio.