Cassiopeia Lopes. Trinta anos. Enfarte do miocárdio. Coma induzido.
Presa no seu próprio corpo, mas consciente de tudo o que se passa à sua volta, Cassiopeia vagueia pelo labirinto da memória.
De forma crua, retoma episódios da sua vida, desde a dura separação dos pais à adolescência rebelde, aos primeiros amores, às descobertas do sexo, ao engano de todas as suas expectativas e convicções.
Achei a escrita da Joana Ferraz uma autêntica lufada de ar fresco. A escrita é muito bonita, revelando alguma maturidade e sem ser excessivamente formal, adequando-se na perfeição a esta história, toda ela contada na primeira pessoa. Estava mesmo a precisar de ler algo assim refrescante e ainda melhor vindo de uma autora portuguesa.
Cassiopeia Lopes tem 30 anos e sofreu um enfarte do miocárdio, encontrando-se em coma induzido. Ao longo dos vários dias, vamos acompanhando as suas lembranças, a sua percepção do estado actual. Uma narrativa com uma carga um pouco pesada, quer pelo tema, como também pela crueza das suas emoções, pois sentimos mais "intimamente" as emoções de Cassiopeia, o modo como se relacionou com os outros, com a sua própria família. Este livro, foi ainda uma espécie de "alerta", pois sei que levo uma vida pouco saudável e que poderei estar em risco. Senti também uma ligação a Cassiopeia pela sua "não relação" com o pai e, também eu, há vários anos deixei de ter contacto com o meu. No entanto, sinto que a altura em que li o livro não foi a mais adequada, pois estava já a sentir-me mais ansiosa por causa do Covid-19. E, o final tão aberto, deixou-me um pouco chateada pois, confesso, não percebi o desfecho.
Não é um livro cor de rosa. Não tem um final previsível. Será que está no forno o Cassiopeia II ? É uma escrita crua não aconselhável a pessoas fofinhas queridinhas lindinhas. As palavras estão todas lá, as emoções também e a história faz-se a cada parágrafo. 5 estrelas em Português de Portugal.