Nossa República pela ótica dos principais economistas, cientistas sociais e advogados do BrasilNo dia 15 de novembro de 1889, no Campo de Santana, no centro do Rio de Janeiro, o marechal Deodoro proclamava o início da nossa República. Éramos à época um país que havia abolido a escravidão recentemente, com a população de apenas 14 milhões de habitantes, dos quais 82% eram analfabetos e 90% viviam em áreas rurais. Agora, em 2019, com 208 milhões de habitantes, somos uma sociedade majoritariamente urbana, com 7% da população analfabeta, mas ainda repleta de contrastes sociais, com índices de desenvolvimento muitas vezes inferiores aos alcançados por países com trajetórias semelhantes à nossa.Para analisar essa história, 39 pensadores brasileiros identificam os desafios, avanços e retrocessos da nossa República em textos curtos que levantam as principais questões dos nossos últimos 130 anos. Cada capítulo do livro cobre uma década e é composto por três um sobre sociedade e política, outro sobre Estado e direito, e outro sobre governo e economia.Seguindo os pontos de vista particulares dos autores, diferentes e complementares entre si, cabe ao leitor juntar as peças do mosaico apresentado para entender o processo que culminou com a República como a conhecemos em 2019 e os desafios que se anunciam para o futuro.
130 Anos: em busca da República" é uma belíssima coletânea de avaliações da história político-social, jurídica e econômica dos 130 anos de nossa era republicana fundada em 1889.
Em sua forma, o livro traz uma divisão por décadas desde 1889 até hoje, cada uma delas analisada em textos curtos e informativos da lavra de 12 economistas, 14 advogados e 12 historiadores e cientistas sociais. Nas palavras dos organizadores, os autores abordam pontos de vista complementares em cada uma das décadas: o da sociedade e da política; o do Estado e do direito; e o do governo e da economia. O resultado final é ótimo, sobretudo em virtude do seleto grupo de autores e organizadores: todos grandes expoentes em suas respectivas áreas.
O resumo geral dos 130 anos de nossa República é muito bem iniciado com a demonstração de que seria impossível apagarmos o passado colonial e monárquico de 389 após o Descobrimento. Em outras palavras, seria impossível forjar do zero uma República formal e, além disso, seus ideais fundantes.
Ainda como resumo, incontestável é a síntese de Pedro Malan, com base em texto de Rogério Werneck: "Da Colônia à República, é com o governo que qusse sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado".
Impressiona, na leitura histórica, a imensa oportunidade de traçar paralelos quase perfeitos entre períodos diferentes de nossa história. No fundo - e conforme síntese de Armínio Fraga -, os sintomas atuais de nossas crises são muito parecidos com os sintomas do passado, com um Estado hoje quebrado, corrupto, injusto e ineficaz. Quebrado, pois vive no cheque especial; corrupto, pois virou um balcão de negócios; injusto, pois subsidia mais os ricos que os pobres; ineficaz, pois pouco faz pra dar à maioria das pessoas oportunidades de progresso.
Boa coletânea a respeito dos 130 anos da república no Brasil, completados em 2019. A respeito de cada década, especialistas – historiadores, sociólogos, cientistas políticos, economistas e advogados – se sucedem na tentativa de oferecer um painel a respeito da vida política, econômica e social brasileira. Os organizadores – todos estrelas de primeira grandeza da intelectualidade brasileira – conseguiram arregimentar outros tantos intelectuais de primeiro nível. Há, talvez um viés regional. A maioria são fluminenses. Uns poucos paulistas e apenas dois – um gaúcho e um americano – de fora do eixo Rio-São Paulo. Gostaria, realmente de ter visto mais gente de outras partes do Brasil. Menos do que um defeito, é uma carência, que bem poderia ser suprida em outra publicação que contemplasse uma maior diversidade geográfica. A preponderância intelectual do Rio durante a maior parte de nossa vida republicana (e mesmo antes disso) me parece um fato inconteste, mas, de qualquer modo, o país tem uma heterogeneidade que merece ser vista com mais atenção. Evidentemente, a proposta do livro envolve um desafio grande para cada autor: encapsular em poucas páginas uma síntese legível, mas capaz superar os comentários mais óbvios a respeito de um período de 10 anos. Alguns autores se saem muito bem. Outros nem tanto. Decepcionante talvez só o Luís Roberto Barroso, o ministro do Supremo. Se antes de se tornar ministro, ele me parecia um intelectual bastante sólido, agora – e não só em razão deste texto – me parece que ele se vê na armadilha de tentar não desagradar a todos ao mesmo tempo em que se arrisca a ter uma consistência intelectual. Parece-me que ele não é bem-sucedido em escapar da própria armadilha em que se meteu. De modo geral, parece-me que o livro foi bem-sucedido no objetivo de buscar uma reflexão a respeito do que tem sido a nossa república, sempre tão caótica, conturbada e desafiadora. Se houve sucessos nessa trajetória, sempre nos equilibramos à beira do abismo. Até agora, a despeito das muitas escorregadas, conseguimos evitar a queda. Como alguém já disse, o Brasil talvez seja apenas para amadores.
O livro é uma coletânea de artigos sobre vários períodos da história da República no Brasil. Para cada período há três ou quatro textos analisando a política, o sistema legal e a economia. Um livro sobre a construção de uma República no Brasil. Uma obra ainda inacabada.