EXPLORAÇÃO SÓCIO-FILOSÓFICA DO CONCEITO DE CAPITAL MORAL A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA CRISTÃ
Este livro é uma contribuição sócio-filosófica fundamental para as discussões contemporâneas sobre a sociedade. O autor analisa o desenvolvimento do pensamento moderno e mostra o que uma abordagem cristã-filosófica pode oferecer para as questões prementes de hoje.
Uma perspectiva sociológica e cultural sobre o presente estado de "desconexão" da sociedade, ocasionado, dentre outras razões, pelo utopismo, entronização da técnica e deriva subjetiva e emocionalista do homem moderno. O Dr. Roel Kuiper, acadêmico e político, demonstra como a noção de contrato, que de certo modo é uma alternativa secularizada e reduzida do ideal de "pacto", necessariamente conduz ao esfacelamento das relações de uma sociedade e ao crescimento da suspeita entre seus membros (erodindo assim o capital moral, que é fundamental para todas as relações e instituições). Uma leitura que exige atenção e tempo, mas que, como já realizado por nomes como Daniel Strauss e Michael Walzer, apresenta uma aplicação dessa perspectiva e abordagem distintas sobre a presente situação das sociedades democráticas e liberais.
A obra “Capital Moral” do filósofo e membro do Senado holandês, Roel Kuiper, propõe uma abordagem sócio-filosófica da formação de Capital Moral a partir de uma perspectiva cristã reformacional. Na introdução do texto, o autor aponta que no mundo moderno, tem-se uma crescente perda dos vínculos comunitários e sociais. A atomização dos indivíduos leva à desconsideração da necessidade que o ser humano tem de uma vida em comunidade. Em contraponto a isso, é necessário mais do que Capital Social (Robert Putnan, Jeffrey Alexander) que busca criar vínculos comunitários, mas que são desprovidos de capacidades morais internas à estrutura social. Para Kuiper, é necessário o desenvolvimento de Capital Moral, a saber, “a capacidade (individual e coletiva) de estar junto ao próximo e ao mundo de uma forma preocupada” (p. 24). Por meio de amor e lealdade, é preciso estabelecer relações morais substanciais que capacitem à criação e fortalecimento de vínculos comunitários. Para tanto, o escritor se propõe a discutir, filosófica e socialmente, o porquê e a forma de criar capital moral na esteira do pensamento reformacional (Althusius, Kuyper e Dooyeweerd) a partir dos conceitos de simbiose social, soberania das esferas, e conjunto encáptico. A obra é dividida em três partes. Na primeira (cap. 1-4), faz-se um diagnóstico da modernidade quanto à fragmentação social. Na segunda parte (cap. 5-7), apresenta-se como o capital moral pode ser formado a partir da noção de pacto (não de contrato social). Na última parte (cap. 8-11), Kuiper expõe como o capital moral se estabelece.