RUBEN ALFREDO ANDERSEN LEITÃO nasceu em Lisboa, a 26 de Maio de 1920. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Coimbra. Depois de ter ensinado em Lisboa e no Porto (1945-52), foi professor de Cultura Portuguesa na Universidade de Londres (1947-52). Em 1975 assumiu o cargo de Director-Geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura. Dedicou-se aos estudos históricos, tendo consagrado vários volumes a D. Pedro V e aos arquivos de Windsor. Ficcionista, cultivou o conto, o romance, o teatro, a novela, o ensaio, o diário e a autobiografia. Alheio a modas e escolas literárias, pode detectar-se na sua obra um surrealismo pessoal, apoiado numa grande riqueza vocabular e na sugestão fónica da linguagem (entre outras obras, Páginas, 1946-49, em seis volumes; Caranguejo, 1954; Júlia, 1963, peça de teatro; A Torre de Barbela, 1964, que lhe valeu o Prémio Ricardo Malheiros; O Mundo á Minha Procura, 1964-68, em três volumes; O Outro Que Era Eu, 1966; Kaos, 1981). Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 1973. Faleceu em Londres, a 23 de Setembro de 1975.
Um livro que reflecte exemplarmente um tipo de mentalidade que era muito corrente entre os intelectuais portugueses em meados do século passado. Uma mentalidade cujas raízes, aliás, podem ser encontradas em Eça de Queiroz e outros escritores portuguesas da mesma época. Desalentada, acerbamente crítica, sardónica, propensa à chalaça e, no fundo, pouco séria. Embora a escrita se pretenda e seja efectivamente de vanguarda, tudo o resto é vetusto, cheira a mofo. É verdade que o livro contem alguns "achados" dignos de nota, algumas frases que embora exijam atenção nos surpreendem e agradam; no entanto, é um exercício por demais longo e o desafio que coloca à concentração do leitor é quase insuperável. No seu conjunto, este romance está em perfeita sintonia com o título que o A. lhe atribuiu.