Baseado em lembranças coletivas e individuais, na oralidade, e em contos e “causos” que são passados de geração em geração, Roseira, Medalha, Engenho e Outras Histórias é um relato emocionante sobre a luta de pessoas reais vivendo uma vida duramente real. Acompanhe a trajetória de duas famílias às voltas com suas diferenças, tragédias e comédias, sonhos e perspectivas, construindo a sua história no sertão nordestino durante o movimento retirante da década de 1970. Ao introduzir um Brasil bem diferente daquele que se vê nas áreas urbanas, permeado pelo cangaço e negligenciado pelos que detêm mais privilégios, este quadrinho pinta com cores fortes e exuberantes muitas das características nordestinas tradicionais, como o folclore, os engenhos de cana de açúcar, os “cabras machos”, a busca por rastros e pegadas de uma herança ancestral e as relações humanas que se desenvolveram em torno da cultura que ali se estabeleceu.
Esta é uma das primeiras publicações a integrar o selo Original Pipoca & Nanquim, cuja proposta é oferecer ao leitor o que há de melhor no quadrinho e na literatura nacional, sempre com a qualidade editorial e o acabamento gráfico à altura das obras e do desejo dos fãs. Uma edição de luxo completa, com 224 páginas em cores, papel pólen de alta gramatura, capa dura com acabamento de papel linho e extras sobre a produção da obra.
Uma das melhores leituras de 2020 até agora. É uma linda homenagem a ancestralidade da beleza nordestina. Nos envolve com seus causos típicos e engraçados e, principalmente, nos emociona com a dureza da vida no sertão, onde, apesar das intempéries, é possível ver beleza. Me senti particularmente tocado, pois tenho herança nordestina, e ler essas páginas foi um retorno a parte da minha alma um tanto quanto esquecida. Uma obra simplesmente sem igual.
muito bonito e muito importante, vou precisar reler muitas vezes pra absorver tudo que for possível. me emocionei em várias partes e o texto do autor no final é ainda mais importante.
Um retrato puro da face batalhadora do povo brasileiro. Jefferson aqui conta a história de seus antepassados, mas que se torna o passado de todos nós. As dificuldades, o trabalho duro, a fome, o estudo, a fé, a morte, e como tudo isso pode nos colocar no chão, mas dad um motivo para se levantar mais uma vez.
Suas cores escuras e amarronzadas, demonstram um sertão avassalador, terroso, desértico e ameaçador, onde pessoas tentar plantar raízes e cuidar de seus próximos.
Uma leitura incrível. Possivelmente, a obra mais brasileira que já li através da nona arte.
Que quadrinho lindo! Ele me pôs a pensar por que razão esses quadrinhos desse tipo, com um elemento que eu chamo de "brasilidade" costumam ser tão bons. Eu acho que a resposta é porque esses trabalhos contém outros dois elementos que são a autenticidade e a sinceridade, e com eles vêm a verdade e a simplicidade. Ao contar de forma romanceada a história da migração de seus antepassados do nordeste para São Paulo, Jefferson Costa põe em evidência uma verdade que é a de muitos migrantes: as dificuldades e a esperança por uma nova realidade. Os desenhos de Jefferson são incríveis e, se por um lado eles lembram o mestre brasileiro Flávio Colin, por outro eles lembram um dos mestres do terror americano Mike Mignola, por fim, ele tem elementos que são só seus, confluências de estilos que todos nós, brasileiros, absorvemos e projetamos de uma forma muito nossa. Roseira, Medalha, Engenho e Outras Histórias é um quadrinho muito bonito e encantador. Roseira, Medalha, Engenho e Outras Históriasé um quadrinho muito brasileiro, mas um quadrinho muito próprio. Enquanto diz a verdade sobre uma realidade brasileira, diz muitas verdades sobre seu autor.
Vou ser sincero. É lindo. Mas eu não entendi. Quer dizer, eu sei que são as histórias de duas famílias no sertão nordestino, desde a década de 30 até os anos 70; temos família, temos amor, temos brincadeiras, temos trabalho, temos uma regionalidade que me lembrou de Vidas Secas e Grande Sertão Veredas, temos prejuízo, temos dificuldades, temos esperança, acima de tudo esperança. A arte é magnífica, as cores, os desenhos, as imagens. O texto é difícil por causa do regionalismo - sem o qual a obra não faria sentido -, aqui talvez resida o problema; falta-me referências, identificação, algo parecido. Mas aí eu "viro" a página e leio isto: "Meu lugar é junto de tu. E o teu é junto d'eu." A expressão correta é: me caiu o cu da bunda. A vida pode ser simples. Nem sempre, mas, de vez em quando, pode.
De tão bonito e genial, fico até sem ter o que falar sobre o livro. É de uma simplicidade tão grande, mas consegue demonstrar tanta coisa. No começo parece confuso, depois você se acostuma com o ritmo e quando termina você nem espera pelo fim, onde tudo se encaixa e ganha um sentido mais bonito ainda. Já quero reler.
Jefferson Costa, "Różanna, uprząż i młyn oraz inne historie"
Znacie ten typ literatury, gdy materia słów stawia Wam opór, czujecie, że bardzo dużo siły wymaga od Was wejście w świat przedstawiony i zrozumienie tego, co się dzieje na kartach? No więc się męczycie, pocicie, wzdychacie, odchodzicie, wracacie, tu herbatka, kawka, tam jakaś inna rozpraszajka, ale... wytrwale wracacie, bo coś Wam nie pozwala tego porzucić i wciąż magnetycznie przyzywa? W sumie miałam tak kiedyś w górach (kocham łazić po górach, jestem kozicą wysokogórską xD), jak drzewiej wykazywałam słabszą kondycję, zawsze tak sobie wtedy w myślach złorzeczyłam: "A po co mi było się tu pchać na te górskie szlaki, teraz się trzeba męczyć, żeby cos zobaczyć! Nie mogłam sobie nad morze jechać, na plaży poleżeć??!!!". No nie, na plaży bym nie wyrobiła zbyt długo, takie są fakty xD
I taki jest fakt, że jak początkowo doświadczałam wszystkich tych symptomów w pierwszym kontakcie z tym oto debiutanckim komiksem Jeffersona Costy, tak im bardziej się w niego zagłębiałam, dawałam mu swój czas i uwagę, tym bardziej się na niego otwierałam i dawałam zauroczyć. Finalnie uważam, że to wspaniała rzecz, niebanalna, świeża, bardzo autorska. Owszem wsobna, owszem nieco "hermetyczna" w pierwszym kontakcie. Owszem, nie dla każdego/-dej, ale naprawdę uważam, że warto dać temu komiksowi szansę!
To takie ułożenie niechronologiczne scenki z codziennego życia na brazylijskiej prowincji, głównie w latach 50 i 60. XX wieku. Pokazują ludzi wiodących proste, trudne życie. Wykonujących znojne prace na roli, przy oporządzaniu zwierząt. Mężczyzn z flaszką i przed domem, czasem próbujących polepszyć los swój i rodziny. Kobiety z zakasanymi rękawami (chciałoby się rzec, jak to kobiety! ;-) ), piorące nad rzeką, szyjące na maszynie w siermiężnej chałupie, doglądające chorujących dzieci, czasem na koniec żmudnego dnia kopcące fajeczkę.
Dzieci puszczone samopas, acz wesołe, które powinny uczęszczać do szkoły, ale szkoła bywa, że daleko, do tego bywa, że płatna, a poza tym ktoś musi pomóc w gospodarstwie. Bardzo zaradne to berbecie, szybko dojrzewające w tym oto dusznym i parnym brazylijskim klimacie.
Mimo, że życie doświadcza tych ludzi, poza beztroską dziecięcą zabawą (uwaga na węże!!! Brrrr!!!), jest tu też jednak miejsce na czułość, miłość niewyrażaną kwiecistymi słowami między mężczyzną i kobietą, widoczną w gestach, spojrzeniach i przyspieszonym kroku, by powitać powracającą ukochana osobę. dać wsparcie mimo porażek. Bardzo mnie to wzruszyło.
Nie od początku zdałam sobie sprawę, że te scenki rodzajowe to de facto dwie linie narracyjne, splatające się w pewnym momencie i dające szerszy obraz. Obraz rodzinny. Costa utkał go z odgrzebanych z zamierzchłej przeszłości, wysłuchanych historii swoich przodków, dziadków i rodziców, zapamiętanych powiedzonek, swojskiej i "nieuczonej" wiejskiej gwary, fragmentów popularnych piosenek i wierszy. Taki familijny palimpsest wydarty zapomnieniu. Pewne wspomnienia migają i przelatują szybko jak wiatr hulający po polu, inne wciąż obsesyjnie są co jakiś czas przywoływane, rozgrzebywane na nowo. Jak w każdej subiektywnej i wewnętrznej hierarchii wspomnień...
Przekład był tu dużym wyzwaniem, o czym ciekawie napisał tłumacz Jakub Jankowski we słowie wstępnym.
Rysunki i kolory podbiły mnie zaś od razu, tworząc niesamowity, niespieszny klimat tej opowieści o szorstkości i trudach, ale tez kruchości i czułości wpisanej w zwykłe, ludzkie życie. Życie toczące się powoli blisko natury, bujnej zieleni drzew i na polach, czasem dającej ukojenie i wytchnienie, czasem stawiającej opór, wymagającej ciężkiej pracy i będącej zagrożeniem. Te wszystkie niezwykłe odcienie zieleni, żółcieni, fioletów i pomarańczy! Uczta dla (moich) oczu!
4,5 Não foi por querer, até porque já tinha comprado essa HQ ano passado e como 90% dos outros livros eu já tinha esquecido a sinopse (eu faço isso sempre, nenhum problema), mas acabei pegando esse na mesma época em que peguei "Menino de engenho". Esse é um livro recente, enquanto o outro é um clássico e se passa um pouco antes dessa história. Aqui temos uma HQ muito bonita e com uma história com muitas camadas, que podem até ser um pouco mais difíceis de pegar se você não for um leitor muito atento. Porque a linha narrativa aqui não tem uma ordem correta e alguns fatos tem um caminho lúdico. Não é nada muito complexo, mas sei que pode ser um problema para algumas pessoas. Se não for um problema para você, vale a pena pegar essa HQ. A história é bem contada e emocionante. Tudo é bem fechadinho. E em fins de comparação com o exemplo que dei lá no início, esse aqui foi bem onde eu queria que o outro tivesse ido. Falou sobre o racismo e lidou com os personagens sem todos aqueles comentários preconceituosos do outro livro. Como falei, prefiro muito mais quando você deixa claro a crítica e aqui isso foi feito. Também acho que explicou bem mais o momento histórico. (Não estou dizendo nada que você não possa ler o outro, mas acho interessante pegar esse aqui também). No mais, foi uma ótima leitura que me pegou de surpresa.
Bardziej mnie ten komiks zaintrygował, niż zachwycił. Forma z pewnością ciekawa. Z jednej strony chaotyczna fabuła, bo zrywająca z linearnością i w dużej mierze operująca skojarzeniem czy jakąś odmianą strumienia świadomości, a z drugiej twór językowy, mający oddać charakter dialektu, w jakim całość w oryginale stworzono. Czy się udało? Myślę, że jeśli nie odpadłeś po pierwszych pięćdziesięciu stronach to jest szansa na poczucie czegoś, co przyświecało autorowi, a więc nostalgii, sentymentu i ukłonu w kierunku przodków i ich trudnej historii.
Lindo demais, com certeza uma das HQs com a arte mais bonita que já vi. Pretendo reler, pois é o tipo de narrativa não linear que faz você se perder na história e nos personagens, mas eu não encarei isso de uma maneira negativa. Me pareceu uma coleção de memórias que se misturam e que a cada leitura se aprende algo novo. A obra se desenvolve na busca da ancestralidade e expõe a importância de se ter consciência do passado.
eu adoro o trabalho do jeff, e com esse não foi diferente. a história é linda, por várias p��ginas senti como se fosse meus avós contando histórias para mim quando era criança. o roteiro está impecável, aliado com a narrativa visual, as cores, tudo se entrelaça de uma maneira perfeita. super recomendo.
Assim como as histórias de nossas famílias, nunca as conhecemos na ordem como elas aconteceram. São sempre fatos que puxam ideias e acontecimentos que se sucederam ao longo de várias décadas. Como um bom contador de histórias, Jefferson Costa nos apresenta à história de sua família que viveu no interior do nordeste em Várzea da roça. Ali somos apresentados a todo um elenco de personagens como Zeca, Vaninha, Cotia e tantos outros. Em suas histórias veremos a busca diária pela felicidade e pela sobrevivência diante de todos os obstáculos que a vida pode apresentar. Encarar a fome, a falta de oportunidades, a frustração de um negócio que não deu certo ou até acidentes que podem tomar uma vida jovem. Tudo isso está presente nas histórias apresentadas por Jefferson Costa onde ele irá nos presentear com os relatos íntimos de uma família que sempre buscou perseverar e seguir em frente mesmo quando os obstáculos eram enormes.
Para aqueles que conhecem Jeremias - Pele e Jeremias - Alma a arte do Jefferson é bastante particular. Sua apresentação de personagens bebe de uma conexão com a realidade que é incrível. Ao mesmo tempo, ele sempre consegue inserir algum elemento insólito em seus quadros, seja com uma deformação ou uma refração da luz diferente que torna o que está sendo visto no quadro diferente do que deveria ser. É como se a arte do Jefferson fosse a arte do Jefferson. Não há outra pessoa capaz de fazer o que ele faz porque seus traços, formas e angulações são particulares. Mais do que nas histórias do Jeremias pela Graphic MSP, aqui suas páginas são muito livres, o que dá uma impressão maior a respeito do que ele consegue fazer artisticamente. Não parece um cenário inspirado em alguma, parece uma informação das memórias do artista. Tudo é mais verdadeiro porque existe uma aura de afetividade que permeia o que está sendo desenhado. Para mim, a arte específica do Jefferson casou perfeitamente com a história que ele queria contar. Não consigo imaginar outra pessoa desenhando esse quadrinho. Jefferson dosou bem os momentos em que ele deveria ser prolixo e os que a arte precisava brilhar mais. Tem um momento mais para o final em que os balões de fala são bem escassos. É um momento em que devemos observar os quadros (que são grandes, por vezes de página inteira) falarem por si sós.
Ao que ficou claro no posfácio, essa foi a primeira vez em que Jefferson Costa fez o roteiro e a arte de um quadrinho sozinho. Sem companheiros. Isso pode ter ajudado no sentido de que essa é uma história que precisava ser contada por quem a ouviu ou a experienciou. Temos um caleidoscópio de histórias que se alternam uma após a outra. Elas não seguem exatamente uma linearidade, mas é possível compreendê-las numa boa seja a partir do jogo de cores, da mudança de tema ou com um simples recordatório. Não fica complicado para o leitor entender o que está acontecendo. As narrativas vão ganhando mais e mais detalhes à medida em que vão se sucedendo. Algumas delas são bem pequenas e acabam rápido enquanto outras seguem conosco até o final. Todas são bem amarradas e algumas tem um final mais aberto, deixando para a interpretação do leitor. Há uma progressão e desenvolvimento dos personagens que é bem nítida, principalmente nas três histórias principais: a de Vaninha, que busca o sonho de poder estudar e se tornar professora; ou a do jovem menino que foi para a cidade estudar em um colégio interno, mas que a vida acabou lhe dando um revés; e Zeca e Cotia, a mãe e o pai que precisam superar todas as adversidades que lhes apresentam.
Adorei que o Jefferson manteve a forma de falar das pessoas que viviam na região. Até porque ninguém fala de forma erudita o tempo todo. Quando reproduzimos a forma de falar autêntica das pessoas, damos ao leitor um grau de verdade maior ao que está sendo narrado. Existe a forma de falar, os sentidos secretos escondidos nas frases, a familiaridade do tratamento. Tudo embutido numa simples frase emitida através da sonoridade. Jefferson também insere trechos de cordéis que servem para oferecer pistas do que vai acontecer a seguir, oferecem um clima para podermos acompanhar a vida dessas pessoas ou mais para oferecer um espectro de abstração e imaterialidade ao que está acontecendo na história. Até porque a escrita de cordel brinca com nossa percepção e nossa capacidade de compreender elementos simbólicos. Vale destacar também a presença de alguns trechos do Adinkra de origem africana. Isso porque o autor vai trabalhar bastante a questão da ancestralidade.
E por falar nela, a ancestralidade está na própria razão de ser daquilo que está sendo contado aqui. Um dos propósitos da existência de um griot, ou seja, de um contador de histórias é manter a memória viva daquilo que já aconteceu na história de um grupo de pessoas. O que Jefferson faz aqui é justamente isso. Lembrando que um griot é alguém que conta histórias a um público que precisa ser mantido cativo em suas descrições e narrativas. Ou seja, o griot pode exagerar nas histórias ou inserir elementos insólitos ao que está contando. Não se trata de uma mentira necessariamente, mas de um exagero para que o público fique surpreso, tenso, consternado ou atento. Na fala de um griot, existe uma preocupação com o ritmo, a entonação, a cadência. As frases parecem estar sempre certas, como se o propósito de existir delas é estar uma após a outra. Essa busca pela ancestralidade leva o narrador a mergulhar fundo nas histórias de seus familiares que podem ser situações do cotidiano, dramas familiares ou até narrativas insólitas como quando o menino vai a floresta catar um caju em uma árvore que se diz ser amaldiçoada por fantasmas.
Acompanhamos toda a dificuldade de vida dessas pessoas. Como Zeca e Cotia que sempre tiveram problemas para se casar já que o pai de Cotia entendia Zeca como um malandro e alguém que não merecia ter a mão de sua filha. Zeca procurou investir sua vida para melhorar a vida de seu povoado, fazendo negócios que eram arriscados e o colocou em situações bem complicadas. Ele buscava a todo custo conseguir o respeito e a admiração de seus pares. Só que a vida provoca acidentes e para alguém que arrisca tanto, as perdas podem ser incomensuráveis. Já Cotia é uma mulher endurecida pelo sol do nordeste, precisando cuidar de seus filhos enquanto espera o marido retornar de seu trabalho. Essa espera pode ser árdua e levar a momentos difíceis onde ela precisa de toda a sua força para poder continuar vivendo. Mesmo asssim, ela consegue criar seus filhos e passar valores a eles. Gosto de pensar em Zeca e Cotia como uma família de verdade, não dessas famílias de margarina que vemos em outras histórias. Afinal, nem tudo na vida são flores e em vários momentos passamos por situações difíceis que nos tiram o chão. O importante é nunca nos deixarmos abalar pelas rasteiras que a vida nos dá.
E por falar em dificuldades precisamos falar de Vaninha que é uma menina que vai em busca de estudos. Mas, a falta de oportunidades em educação no lugar onde vive se coloca como um enorme obstáculo a ela. Graças à sua dedicação algumas portas se abrem, mas para alcançar seus objetivos ela precisará fazer alguns sacrifícios. Ou o menino que pensava estar com a vida encaminhada ao seguir para uma cidade onde oferecia mais opções, mas que se vê retornando ao seu lugar de origem em uma situação pior. Para precisar sobreviver, vai ter que deixar de lado o mundo mágico das palavras que lhe foi apresentado outrora. São duas vidas que são colocadas lado a lado e que cujo desenvolvimento oposto é bastante interessante porque mostra que a vida real é muito mais dura do que parece. Nem sempre é possível alcançarmos aquilo que desejamos e nos tornamos reféns daquilo que nos é apresentado. Resta a nós lidar com dignidade com o que nos é dado.
Roseira, Medalha, Engenho e outras Histórias conquistou o meu coração pelo sentimento e pela verdade que é apresentada em suas páginas. Seus personagens são tão reais que eu poderia imaginar cruzar com eles na rua, embora eles morem longe demais de mim. Suas narrativas de vida podem ser associadas às dificuldades de pessoas que já passaram por esses momentos em suas vidas. Quando buscamos nossos antepassados, seguimos em busca dos pequenos tijolos que constituem as fundações de nossas existências. Ao entrarmos em contato com suas vidas, não parecemos tão sozinhos no mundo e compreendemos que nossas vidas estão entrelaçados por fios que se estendem por décadas e mais décadas de esforço, suor e sangue que foram derramados na Mãe Terra. Se vale a pena leitura? Com certeza.
Resolvi ler essa graphic novel depois de assistir um vídeo de recomendações do PH Santos (YouTuber) e só tenho elogios pela experiência dessa história tão diferente de tudo que já li. O autor conseguiu um equilíbrio perfeito entre os momentos que só a arte é necessária e os que utiliza diálogos (sempre carregados de sotaque e características próprias para cada personagem). Recomendo demais e aconselho a ler bem devagar, observando bem cada ilustração. Elas são cheias de detalhes que enriquecem e muito a narrativa.
tem como dar 6 estrelas? Arte e escrita conversam aqui de um jeito mágico. Admito que a experiência ficou ainda melhor porque li o livro em voz alta, com a assessoria do meu baiano favorito hehehe afinal, várias expressões regionais eu não conhecia e foi engraçado me sentir estrangeira dentro do próprio país, tropeçando em palavras que, pra ele, são memória afetiva.
Alerta: foi incrível ler sem lembrar do que se tratava a história, sem sinopse, sem resenha. Se você gosta de surpresa boa, pode parar de ler aqui pq esse livro entrou na minha lista de favoritos!
Com o aconchego da oralidade de avó, o autor nos guia pela história de sua família no interior do Nordeste, em Várzea da Roça. Ele bebe da realidade e das lembranças, mostrando que tudo tem uma afetividade e cuidado imensos. Além de ser um livro sobre ancestralidade, é também sobre a luta constante para se desafogar dos desafios de uma região que sofre com as secas: reais e metafóricas. Tive a sensação de que uma das intenções do autor era nos fazer voltar, folhear, pegar de novo e encaixar as peças. Quando termina, dá vontade de começar de novo. Voltar e pegar, o que nos exige pausa e atenção.
Por isso eu AMO quando uma narrativa quebra a expectativa e nos lembra que nada é linear. Quando o assunto é território, amor e sobrevivência, tudo ganha camadas sobrepostas. Aprendi a jamais ter medo de um pé de caju, descobri que quem se afoga quase atravessa para outro mundo, entendi mais uma faceta do trabalho infantil, a importância das políticas públicas de educação e acesso à água, a tragédia do álcool… e também pensei muito no sangue, suor e lágrimas que me trouxeram até aqui.
Não lembro quando nem por que comprei esse livro, só sei que ele ficou ali, quietinho, me esperando. E depois de ver tantas HQs na última Motim, pensei: por que não pegar uma pra ler, né?
A montagem da narrativa e todos os seus momentos "herméticos" me tiraram muito da obra, fazendo com que em diversos momentos eu me afastasse de certas partes da historia, as esquecendo, e fazendo com que muitos personagens aqui presentes se tornassem irrelevantes. É uma pena, pois, ao se montar o quebra cabeça, e tornando a narrativa linear, é possível enxergar boas historias, nada ótimo a meu ver, porém muito boas. Um problema, que talvez seja só meu, é a voz de alguns personagens, por se passar pelas bandas de cá do nordeste, a voz de alguns personagens ganham uma forte indicação de sua origem a ponto de soar, como posso dizer, "forçada", entendo que, essa minha percepção possa vir do fato de que em outras obras é muito claro que os autores não tem domínio do dialeto que ele quer usar e acaba criando essa coisa estranha, o que parece não ser o caso aqui, visto que o autor tem conhecimento da fala que utiliza, e mesmo assim, em muitos momentos ele perde a mão, criando algo não natural, criando assim uma caricatura do povo que vive naquela região.
Minha primeira impressão com esta HQ é que se tratava de uma colcha de retalhos das mais belas, trechos diversos costurados entre si. Conforme fui lendo, fui dando maior atenção à costura: como era bela! Jefferson Costa homenageia seus ancestrais e a importância de se olhar para o passado para poder pensar no presente e no futuro. É necessário prestar atenção a todos os detalhes para entender a história tecida, e com isso Costa nos convoca a olhar de verdade. Quando nosso olhar tende a ser superficial e flutuar por apenas mais uma história, essa história prende a vista na raiz, no chão. Mostra um Brasil que é nosso, e que me lembrou de muito, apesar de não ser a minha história. Sigamos nos lembrando sempre.
Primeiro trabalho que Jefferson Costa escreve e desenha, para isso quis contar partes da história de seus antepassados, na Bahia dos anos 50/60/70.
Apesar de notar a qualidade da obra duas coisas me afastaram dela: a ordem temporal que muda com frequência e a oralidade das falas que são reproduzidas fielmente com os regionalismos e 'erros'. Acrescente algumas partes de fantasia e não conseguia me aproximar daqueles personagens. Algumas histórias poderiam se alongar e serem mais exploradas, outras menos.
Li por aí que a narrativa lembra O Som E A Fúria do Faulkner tanto pela ordem temporal quanto por não identificar claramente quem está narrando em cada parte. Talvez por isso até hoje não tenha encarado o livro com receio de não gostar ou nem mesmo entender direito.
Nessa HQ Jefferson Costa faz um trabalho emocionante, onde ele explora toda a individualidade do ser humano, sua identidade e principalmente suas origens. Entender o passado é imprescindível para a construção de um presente e futuro melhor.
Assim, Jeff faz um relato pessoal sobre sua ancestralidade, sobre suas raízes e de onde vieram e de como ele se tornou quem é hoje, isso, graças à todas essas pessoas que existiram em sua história de vida. Ele conta com uma arte maravilhosa e viva.
O Brasil é uma imensidão de riqueza cultural, são diversos povos que deram origem ao país que é hoje, saber apreciar essa diversidade é parte do cuidado de nossas heranças históricas.
Ótima HQ, mas eu tinha mais expectativa. Senti que podia ter um pouquinho mais de corpo e densidade no roteiro, mas talvez com isso perderia o lado "lúdico" da visão das crianças. De toda forma, é uma bela história. Para quem vem do interior do país provavelmente tem pais ou no máximo avós que contam histórias que lembram casos parecidos.
Primeira obra de Jefferson Costa que eu leio. E que coisa linda.
Os traços dele são bem expressivos, retratando lindamente o sertão do Brasil. E a história são como diversos contos que se amarram em uma narrativa da vida dos seus antepassados.
Uma hq verdadeiramente brasileira. Recomendo demais.
Queria dar uma nota 3,5 pois não me atraiu pela a história e sim por conta do desenho. Achei um pouco confuso o decorrer dsa histórias e me perdia quando ia para outra, demorei uns 6 meses para continuar lendo. Achei que seria algo que prende-se mais, algumas das histórias achei legal e outras não entendi nada.
que quadrinho maravilho! a gente saboreia cada página, cada transição de quadro, momentos e cores. jeff costa conseguiu trazer a ancestralidade de sua família mas que tem o rosto de muita das nossas. a gente vê a nossa história ali também, dos nossos pais e avós. a história poderosa do nosso povo!
Eu não tenho palavras para esse livro. É LINDO É PROFUNDO É SINGELO É ANCESTRAL É PRESENTE É FUTURO Chorei com a história, a homenagem e o resgate do que somos. Obrigada por essa obra de arte, Jefferson!
lindo e emocionante. uma homenagem incrível ao nordeste e nossa ancestralidade. arte com movimento e trilha sonora com direito a Mestre Ambrósio e Cordel do Fogo Encantado. todo brasileiro deveria ler. nordestino é resistência.
Esse quadrinho chegou até mim como presente de gente querida. Com jeito sensível e ilustrações de encher os olhos, Jefferson confere historicidade à pessoas, espaços, momentos e eventos. Um mergulho bonito e de coração na ancestralidade, nas nossas raízes. E sementes.
A poesia, a narrativa e o traço do Jeff nos levam a uma história única. Sem exageros, a melhor HQ que já li - incluindo Maus e Gen, pés descalços - e todas as outras de diversas nacionalidades. Incrível mesmo. Parabéns Jeff. Vou procurar todos os seus trabalhos. Virei fã