É década de 90 em Pedra Bonita, uma pequena cidade no interior do Brasil. Júnior tem 11 anos e apesar de magrelo carrega dentro de si um pesado desconforto ainda incompreensível. A história dele começa com o sumiço de seu primeiro amor, um gato, a primeira de tantas perdas com que terá que lidar. Após a morte de outro ente querido, encontra uma carta com a frase que por anos o perseguirá: 'pare de tentar me fazer feliz'. Enquanto cresce, desviando-se das ausências prestes a engoli-lo, envereda-se numa jornada para encontrar o verdadeiro destinatário — e a carta pouco a pouco se revela uma pista para entender a si mesmo. Gael Rodrigues, paraibano, com PARE DE TENTAR ME FAZER FELIZ, entrega um romance sincero e comovente sobre a descoberta da sexualidade em meio a uma década sob a ressaca da epidemia da AIDS.
“Nisso os livros me ajudaram: a ter várias experiências mesmo nunca saindo de Pedra Bonita, e destilar um conhecimento coerente para os outros mesmo não conseguindo aplicar a mim mesmo. Nisso também os livros me atrapalharam: as vezes confundia o que eu sou, ou o que eu gostaria de ser ou pensei ter vivido.”
Em “Pare de tentar me fazer feliz”, Gael Rodrigues escreve sobre a vivência de uma criança que se sente diferente e deslocada em sua própria família. Como eu sempre me senti. Quantas vivências Júnior e eu compartilhamos? Quantas dores? Quantas experiências positivas? Aqui só posso agradecer ao Gael por falar de forma tão crua sobre a minha realidade. Esse livro tem o poder de ensinar a muitos como é a vida de uma minoria. Ler sempre me ensinou a ter mais empatia e a conhecer outras realidades, mas nunca a ter empatia cmg mesmo, sempre com o outro. Obrigado pelo livro, meu amigo!
Cheguei nesse livro pelo spotify, ouvindo o autor narrar os primeiros capítulo e me apaixonei pelo narrador, Júnior, por sua voz inocente de quem descobre o mundo através das palavras dos que o cercam e dos livros que dão sentido ou sobrevivência ao seu mundo. Tem a dor de crescer, descobrir-se diferente, tem remorsos e rancores entre irmãos, pais e filhos, mas tem muito afeto e beleza. Sua família não tem uma linguagem afetiva idealizada por ele mas em diversos momentos sentimos algo emanar dali., por vezes eles parecem a família de Vidas Secas, mas no lugar da Baleia tem o gato Fofinho.
Duas questões ficam desse livro: que "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira" como um dia escreveu Tolstói, e também que muitas vezes carregamos na vida histórias e dores que não são só nossas, o tio de Júnior funciona como esse espelho invertido e farol.
Talvez eu seja um pouco suspeito para avaliar o trabalho de um amigo. Mas este é o terceiro livro que leio do Gael e é também o mais maduro. Um romance de formação, a história de alguém que se descobre gay nos anos 90, uma época em que o preconceito era a regra e o mundo se encontrava diante da ressaca da explosão da Aids. Quem viveu tudo isso vai se identificar com as (muitas) dores e (poucos) prazeres de Júnior, e elementos nostálgicos como a coleção de livro Vagalumes (sempre presente na trama) contribuem para a viagem no tempo.