Atravessando três décadas de luta revolucionária na África, os artigos desta antologia permitem uma visão não apenas de diversas experiências políticas, mas de toda a riqueza e variedade do pensamento marxista africano – apresentado pelos textos e discursos de seus representantes mais radicais. Entre os autores estão Frantz Fanon, Kwame Nkrumah, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane, Samora Machel, Agostinho Neto, Thomas Sankara e Samir Amin. Os textos abordam temas como o racismo na sociedade de classes, a mentalidade colonial, a idealização do passado africano e a opressão patriarcal no continente, além de questões de tática e organização política; essa antologia oferece ao público algumas perspectivas teóricas que dizem respeito não apenas à Revolução Africana, mas também à própria luta contra o racismo no Brasil capitalista de nossos tempos.
Excelente antologia organizada por Jones Manoel (inclusive a introdução escrita por ele é simplesmente incrível) & Gabriel Landi com textos de autores de países africanos e as experiências de revoluções populares e anticoloniais no século XX inspiradas pelo marxismo e pela Revolução de Outubro.
O traz incríveis pensadores não só da ideologia revolucionária marxista, mas da vida como um todo.
Das análises sobre o racismo, passando pelo fino entendimento do funcionamento do processo colonial e neocolonial, além da destruição de valores e da cultura levada pelo imperialismo até questões de libertação feminina, embora todos os autores sejam homens.
É curioso notar como quando alguns autores falam sobre a educação, forma de atuação e racismo das forças armadas, polícia e da lei, além da subserviência neocolonial das elites locais, é impossível não pensar no Brasil.
Quando Sankara fala da burocracia inchada, das escolas excessivamente teóricas e alienantes, e nas propostas de ensino de conteúdos básicos, como a importância da higiene e da organização, não deixo de pensar no ideal de muitos para a educação brasileira, bacharelesca, distante da realidade e avessa ao trabalho manual.
Este é o primeiro livro de viés marxista que leio, o fim trágico de quase todos os autores talvez demonstre que esse tipo de ideólogo revolucionário é quase sempre suplantado por tiranetes fisiológicas, o atual estado de países como Burkina Faso nos mostra isso.
Não me convenceu do marxismo, mas com certeza me abriu o apetite para futuras leituras de pensadores do mundo periférico sobre o tema.
Muito interessante ler sobre o pensamento e experiências revolucionárias fora do espaço europeu. Ainda mais porque aqui, nos espaços colonizados, o buraco sempre foi mais embaixo: não é só uma luta de classes mas uma luta contra o colonialismo e imperalismo.
Tudo organizado por uma grande referência minha, Jones Manoel.
Vou deixar alguns trechos que eu destaquei:
"O racismo não é,pois, uma constante do espírito humano. É, como vimos, uma disposição inscrita num sistema determinado...Não existem graus de racismo. Não se deve diizer que tal país é racista,, mas que não há nele linchamentos ou campos de extermínio. A verdade é que tudo isso, e muito mais, existe no horionte". - Frantz Fanon
"Para não trair esses objetivos, a pequena burguesia só tem um caminho: reforçar sua consciência revolucionária, repudiar as tentações de emburguesamento e as solicitações naturais da sua mentalidade de classe, identificar-se com as classes trabalhadoras, não se opor ao desenvolvimento normal do processo de revolução. Isso significa que, para desempenhar cabalmente o papel que lhe cabe na luta de libertação nacional, a pequena burguesia revolucionária deve ser capaz de suicidar-se como classe" - Amílcar Cabral
Excelente. Não tenho certeza se o objetivo do livro é ser uma introdução ao pensamento marxista a partir da periferia global, mas se encaixa perfeitamente nesse espaço. A leitura me apresentou a um novo continente africano pois não tinha ideia de como as revoluções se desenrolaram por lá, além de ter sanado muita das minhas dúvidas acerca de como pensar uma luta antirracista através do marxismo. Destaque para o prefácio, os escritos de Amílcar Cabral e Samora Machel. Foram os textos que mais me impactaram.
Who would toutght that a collection of speeches from revolutinary Marxist leafers would be so boring. Most of the text are speeches about the Marxist future or the conduct of the vanguard party and their are steeped in very dence and boring Marxist jargon. There is almost nothing to learn from this book.
The only text that was interesting was a interview with Tomas Sankara, where he speaks about the books that he read. Other than that most speeches where generic Marxist toast speches almost undistingusable from one another
Nessa antologia temos um tracejado histórico de grandes marxistas africanos (ou que fizeram seu nome em África): De Frantz Fanon a Samir Amin, o livro reúne grandes escritos desses gigantes da luta anticolonial mundial. A introdução feita pelo Jones é muito interessante também. Jones é um ótimo Youtuber, mas é ainda melhor como escritor.