Quando uma criança não volta para casa, até os mais próximos se tornam suspeitos.
Numa pacata vila de província, uma criança desaparece misteriosamente a caminho da escola, deixando a mãe em estado de choque e os vizinhos incrédulos e alvoroçados. No início, todos se oferecem para ajudar Mariana a encontrar a filha, mas, como sempre acontece nos meios pequenos, as intrigas, os medos e as desconfianças acabam por desenterrar histórias do passado e segredos que se julgavam a salvo, desencantando um culpado em cada esquina. O caso torna-se ainda mais enigmático quando, na manhã em que Alice sumiu, quase todos os que lhe eram próximos tiveram, curiosamente, atitudes estranhas, pelo que, entre tantos rostos conhecidos, talvez ninguém esteja, afinal, completamente inocente. E o pior é que única pessoa que assistiu a tudo é também a única que não o poderá contar. Num romance trepidante que mantém o suspense até à última página, Susana Piedade – finalista do Prémio LeYa com o romance As Histórias Que não Se Contam– regressa ao tema da perda e da culpa, oferecendo-nos uma história profunda e surpreendente, na qual quase nada é o que parece.
Susana Piedade nasceu em 1972, no Porto. É mestre em Ciências da Comunicação, com especialização em marketing e publicidade. A paixão pela escrita veio para ficar. Estreou-se na literatura com o romance As Histórias Que Não Se Contam , finalista do Prémio Leya em 2015 e publicado no ano seguinte nesta mesma coleção, a que se seguiu O Lugar das Coisas Perdidas (2020). Três Mulheres no Beiral , finalista do Prémio Leya em 2021, é o seu terceiro livro de ficção.
Já conhecia a escrita da Susana e fiquei automaticamente rendida, assim que li a sua primeira obra. Este segundo livro conseguiu a proeza,ou não,de me conseguir prender ainda mais!! Que livro magnífico..desde a construção das personagens, até ao modo como se desenrola a trama e o final... inesperado qb.... adorei!
Mas que grande e agradável surpresa! Apesar da premissa parecer tão interessante, não esperava gostar tanto deste livro. Apreciei a escrita da autora, que depressa me deixou viciada na história. Os capítulos pequenos e sempre a terminar em momentos de tensão crescente não me permitiram largar o livro por muito tempo. Gostei muito das personagens, tão bem construídas e credíveis que me pareceram quase reais, nem boas, nem más, apenas humanas, abordando diversos assuntos da atualidade com extrema importância social. Foi mesmo muito interessante ler sobre este contexto de meio pequeno, onde todos acham que se conhecem, mas todos têm tanto a esconder. Só tive pena do final aberto, pois queria conhecer todos os detalhes do ocorrido, mas percebo que a autora tenha querido manter a onda de realidade no fim do livro pois, tal como na vida real, é impossível sabermos toda a verdade.
Alice desaparece a caminho da escola. A mãe, Mariana, os tios-avós e a vizinhança empreendem o possível para a descobrir. Naquela aldeia do norte, vamos descobrindo as personalidades dos habitantes e os seus segredos... Este livro é aquele nó na garganta que fica. Está muito bem escrito e bem construído. A teia de relações entre as personalidades que se vai levantando a pouco e pouco foi muito bem elaborada, bem como o relato do passado da maioria dos intervenientes. O tema é um dos que evito. Não gosto de pensar em horrores que parecem reais quando leio, um policial sangrento não é tão real quanto o desaparecimento de uma criança de 8 anos. Quero ler mais desta autora!
«O lugar das coisas perdidas» é o segundo livro da autora Susana Piedade, finalista do Prémio Leya com o romance «As histórias que não se contam». A forma como a Susana Piedade narra a história deste livro e o tema escolhido são, a meu ver, extraordinários. Este livro é de uma tamanha complexidade em todas as suas vertentes e personagens. Mariana é mãe solteira, de uma menina, a Alice. Um dia Alice quando se desloca para a escola desaparece, e a sociedade local entra num "colapso" total. Ao contrário do que se possa pensar este desaparecimento não é a temática principal, mas antes de mais uma forma que a escritora encontrou ( muito bem, a meu ver)de desenrolar uma narrativa mais complexa. Ao longo desta narrativa vamos conhecendo as mentiras das vidas de cada uma das personagens deste livro. Esta é uma história de mulheres comuns, com as quais nos podemos cruzar diariamente, ou até ao longo da leitura fazem-nos recordar alguém que faz parte das nossas vidas. Susana Piedade mostra neste seu segundo livro que não existem pessoas boas e pessoas más, acima de tudo existem pessoas que têm aspetos bons e maus. Temos aqui a Josefa que é esposa de António, são um casal que nos faz refletir sobre o amor entre marido e mulher e em especial o que o casal deixa transparecer para a sociedade, que não corresponde àquilo que se passa entre quatro paredes. A Isaura, uma mulher forte, eu até me atreveria a dizer que ela é uma força da natureza, está à frente da café da terra que é frequentado especialmente por homens, o que faz que ela seja, aparentemente, dura...contudo uma pessoa que tem também as suas fragilidades. Um professor que tem uma vida "destruída"...passando de ser respeitado por todo o povoado a ser quase que desprezado. Cremilde e Glória, duas mulheres fragilizadas pela vida, que estão na terceira idade. Cremilde foi vítima de um relacionamento abusivo, com um grande empresário da industria têxtil do Vale do Ave. Mas ao contrário de muitos casos de violência doméstica Cremilde conseguiu colocar um fim a este relacionamento, mas encontrou na sua amiga, Glória, o seu suporte para partilha da sua dor. Um livro brilhante, escrito de uma forma extraordinariamente cativante...que é tão mas tão real, que me fez estremecer em muitas partes da narrativa. Personagens criadas com uma enorme carga humana. Aconselho vivamente a leitura deste livro.
Este livro fala sobre o desaparecimento de Alice, uma menina com 8 anos que desaparece misteriosamente no caminho para a escola. Ao longo das suas páginas vamos conhecendo alguns dos habitantes da sua aldeia, os seus segredos, por vezes os seus "podres". É um livro muito bem escrito! Realmente a Susana Piedade escreve mesmo muito bem. É um gosto lê-la! Mas não gostei muito deste final em aberto. Eu sei que é assim que terminam a maioria dos desaparecimentos de crianças, em aberto, mas gostaria que este não tivesse sido assim.
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No ano passado li «As Histórias Que Não Se Contam» da mesma autora e gostei imenso. Prometi a mim própria que iria ler em 2021 «O Lugar das Coisas Perdidas». Promessa cumprida!
Gosto muito da escrita da Susana Piedade, com um estilo que nos transporta para dentro da narrativa de uma forma despretensiosa e tranquila, com muita fluidez e segurança nas palavras e expressões utilizadas.
Este livro é sobre o desaparecimento de uma criança, Alice, que lança a sua vila num alvoroço, onde todos dão o seu contributo, mas onde também ninguém é o que parece ser. A pouco e pouco, vamos percorrendo a narrativa e descobrindo pequenas subtilezas, como migalhas, que nos levarão a grandes segredos e ainda maiores revelações. Todos naquele sítio têm algo a esconder. Uma trama onde todos desconfiam uns dos outros, muito bem conseguida.
Achei a história um pouco previsível, embora o final me tenha conseguido surpreender, mas como não aprecio finais em aberto, acabo sempre por sentir que fica a faltar algo. As personagens compensam isso, porque estão extramente bem construídas. Uma leitura sobre um tema muito delicado, perturbador, que nos faz refletir na forma como educamos as nossas crianças.
"Havia decerto um culpado. Um monstro. Só que os monstros têm muitas caras e nem sempre os conseguimos identificar. Cruzam-se connosco na rua, no trabalho, moram na casa ao lado, parecem pessoas iguais às outras. "
Alice com 8 anos desaparece de manhã a caminho da escola deixando uma pacata vila de província em alvoroço. Com o desenrolar da investigação por parte da Polícia Judiciária, vamos conhecendo o passado dos seus habitantes e os seus segredos mais obscuros e á medida que evoluímos na história, ficamos com mais dúvidas: Quem levou Alice? Alice estará viva? Mais uma vez a Susana Piedade consegue dar-nos a conhecer pessoas reais que sofrem como qualquer um de nós e traz à discussão temas muito importantes como a pedofilia, a violência doméstica, a gravidez na adolescência, o abandono dos filhos e a chamada "justiça " popular. Este é o terceiro livro que leio da Susana e mais uma vez sinto que ela se tornou, em muito pouco tempo, uma das minhas escritoras preferidas, a sua sensibilidade, a sua escrita fabulosa e o dom de criar personagens tão reais e ricas, faz-me querer ler tudo o que ela escrever no futuro. Uma Escritora que vale muito a pena conhecer.
Ainda estou meia aturdida com esta leitura! Sabem aquele livro que gostariam de ter conseguido escrever? Como assim, não conhecia a autora? Como me passou despercebida? Lembro-me da capa do seu livro anterior e de uma amiga mo ter recomendado. Mas são tantos os livros que nos entram cérebro adentro que este ficou esquecido. Não me lembro onde adquiri este último, nem tão pouco a razão porque chegou agora a vez dele... Te-lo-ia pegado pela capa? Pela sinopse? Só sei que quando dei por mim já estava embrenhada nas personagens desta obra, tão bem conseguida por sinal. Todas elas estão soberbamente desenhadas, com alguns apontamentos misteriosos que colocam o leitor de sobreaviso. São reais. Fazem-nos lembrar alguém.
O tema é pesadote mas que não seja por essa razão que o não leiam! Uma criança desaparece e toda uma vila, pacatamente instalada nos seus afazeres, se envolve na busca que esse desaparecimento despoleta.
E vai-se compondo a trama... desde as duas amigas, já com uma certa idade, que os desamores da vida juntou; ao casal com uma filha que veio da cidade para o campo por razões aparentemente confiáveis; ao professor enjeitado por todos que busca no lixo memórias de tempos mais felizes e comida também; ao talhante coxo e ao seu ajudante carrancudo; à Isaura, a dona da tasca onde os mexericos tinham lugar; do Jeremias, aquele ser esquisito que não se dava com ninguém; à história da Mariana, sua filha Alice e aos seus tios que a adoptaram e que escondem segredos escabrosos. Todos fazem parte deste enredo que nos agarra, que nos faz desconfiar deste ou daquele!
Mas o final, "Oh God"! Perfeito! Eu sou aquela leitora que deseja que tudo acabe bem mas se isso acontece diz: "Bah! O autor podia ter pensado em algo mais original"... Conseguir balancear entre um final feliz e um mais real sem cair na tragédia, não deve ser tarefa fácil! Parabéns Susana! Um final sublime, mesmo ao meu gosto! Ah, li-o TRÊS vezes por sinal para ter a certeza que não perdia nada e estou desejosa de comentar este livro com amigos livrólicos.
Este é um livro que toca em temas delicados e sensíveis, já que o tema principal é o desaparecimento de uma criança. Numa pequena vila, Alice, filha de Mariana, desaparece misteriosamente a caminho da escola. Algo que me agradou bastante é o modo como nos é contada a história, através de capítulos dedicados a vários personagens/habitantes da vila. Gosto sempre de ter vários pontos de vista pois permite-nos melhor melhor, quer o meio, quer a envolvente mas, principalmente as várias personagens. E, esta história, passada num meio mais pequeno, tipo vila/aldeia, onde todos se conhecem, e esta história, tipo puzzle, onde vamos percebendo que cada um tem os seus segredos, foi mesmo uma boa surpresa. A autora conseguiu também passarmos as sensação de medos e inseguranças, desconfianças. E numa história que me deixou sempre agarrada e sempre muito inquieta. Só o final é que não resultou tão bem comigo, esta sensação de ser tão "em aberto" e por resolver, mas também é, infelizmente, muito real.
Tive uma enorme dificuldade no início do livro porque a autora inicia o mesmo fazendo logo uma descrição de todas as personagens. Estamos a falar de muitas personagens. A dada altura dava por mim a voltar atrás, pois não conseguia decorar nomes e respectivas histórias. Para mim, teria funcionando melhor se as fosse apresentando durante o decorrer da narrativa.
A história prende, queremos muito saber o que aconteceu à Alice, e por isso li o livro muito rápido, na esperança de chegar a alguma conclusão. Termina com um final em aberto, o que pessoalmente me deixou algo desiludida.
Foi o primeiro livro que li da autora. Quero muito ler três mulheres no beiral.
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Mais justo 4,5⭐️ na verdade! Minha estreia nesta escritora! Muito simpático o livro, a escrita e o enredo, embora com um tema difícil! Tudo à volta, ou melhor, tudo se desencadeia à volta do desaparecimento da Alice, filha de Mariana, que perdeu a família na queda de uma ponte (depreendemos que se refere à tragédia de Entre-os-rios)! Conta com um série de personagens, todos habitantes da vila em que acontece o desaparecimento, cujos segredos e fragilidades surgem ao longo da leitura! Talvez muito semelhantes a muitas outras vilas por esse país… Queremos todos que no final a Alice apareça para amenizar a angústia da mãe e de todos, inclusive do leitor….
Gostei tanto deste livro! Numa escrita muito boa, Susana cruza ficção e acontecimentos reais, sempre de forma a captar o leitor e a mantê-lo preso à história. Cada capítulo se foca em determinadas personagens da pacata vila onde decorre a ação e termina sempre quando mais queríamos continuar a ler, num momento-chave, partindo para um novo capítulo a morrer de curiosidade em saber como continua o anterior. Por isso mesmo, é quase impossível largá-lo. Se não o li no mesmo dia, foi porque outros afazeres inadiáveis me obrigaram a pousá-lo. Confesso, sempre numa ânsia de retomar! Adorei as personagens, muito bem construídas, muito credíveis. A história é feita de vários dramas, dramas que são mais comuns do que possamos pensar, mas em que não queremos sequer pensar. Tudo começa com a queda da ponte Entre Rios. Num dos autocarros, seguia mãe e filhos. Em casa tinham ficado o pai e a filha, Mariana. Quando se deu o acidente, era imperioso encontrar quem tomasse conta da pequena Mariana, uma vez que o pai bebia muito e era de uma grande violência. Mariana vai então viver com a tia. A partir daqui, desenrolam-se muitos acontecimentos, todos interligados, histórias de gentes da terra, de gentes que têm por hábito julgar os demais, que têm os seus problemas (muitos vindos da infância), os seus pecados, os seus crimes. Muitos são os temas abordados: a desestruturação da família, após a morte de familiares, a violência doméstica, a traição, a desistência da vida, o alcoolismo, a amizade, a doença de alzheimer, o rapto de crianças e outros. Temas muito bem estruturados, numa linguagem direta, simples, mas, ao mesmo tempo, cativante e bela, pelos recursos utilizados na dose adequada. Poderia exemplificar com muitas frases, mas cito apenas algumas: “A infância nunca foi um sítio tranquilo.” “Mas o medo arranjou um esconderijo dentro dela.” “Ninguém sabe ao certo o que se passa na cabeça de quem se vai desligando do mundo.” “Algumas pessoas são tempestades. Trazem consigo uma carga enorme e acabam sempre por desabar.” “As palavras adormeceram-lhe na boca.” “Trazia o passado como um cadáver às costas, pesado e pestilento, na esperança de um dia o largar num buraco e nunca mais lhe sentir o cheiro.'' Recomendo muito a leitura deste livro!
Primeiro que tudo, adorei o estilo de escrita da Susana Piedade, a escolha das palavras; as metáforas; a forma como cada capítulo termina, ficamos como que à beira do precipício sem saber se vamos cair ou não! Frases como ''Trazia o passado como um cadáver às costas , pesado e pestilento, na esperança de um dia o largar num buraco e nunca mais lhe sentir o cheiro.'' são para mim uma iguaria divinal. Adoro mesmo! ''O presumível rapto da Alice deixara as pessoas mais desconfortáveis do que o sopro gélido que vinha do mar e a tensão estalava à superfície: sobressaltavam-se por tudo e por nada; davam voltas às fechaduras; corriam as persianas até não sobrar uma frincha por onde escapasse um fio de luz.'' Uma criança desaparece e toda a vila entra em alvoroço. Enquanto as buscas decorrem, vão-nos sendo dadas a conhecer as vidas e o passado dos habitantes e ao mesmo tempo vamos notando aqui e ali pequenos comportamentos que podem ser considerados suspeitos e relacionados com o desaparecimento da pequena Alice. ''As hipóteses estavam todas em aberto.'' A Alice tanto pode ter sido raptada por um estranho, como por alguém muito próximo da vila. A única certeza que temos ao ler este livro fantástico é que ninguém é o que parece e que há segredos que mais vale ficarem esquecidos.
O livro centra-se no desaparecimento de uma criança, mas descreve os segredos, o passado e o presente de vários personagens de uma pacata vila do Norte de Portugal. Quanto ao final, inicialmente pareceu-me demasiado aberto e com falta de sal. Contudo, depois de uma reflexão pareceu-me que não podia terminar de outra forma pois, assim, faz-nos sentir um bocadinho o sofrimento e as dúvidas da Mariana. Parabéns à autora. Deixo a sugestão de um novo livro que dê continuação a esta história.
Numa pacata vila portuguesa, Alice desaparece inesperadamente a caminho da escola, deixando toda a vila num alvoroço, mas sobretudo a sua mãe... Depressa, todos se unem em esforços conjuntos para encontrar Alice, mas rapidamente começam as desconfianças ao virar de cada esquina. E, como em qualquer vila tipicamente portuguesa, os boatos vão-se espalhando. Vão surgindo dúvidas e receios nos seus habitantes, e são desenterrados segredos do passado de cada um. Foi a minha estreia com a escritora, e posso dizer que gostei muito deste livro. Susana Piedade tem uma narrativa deliciosa, que nos agarra, e é um livro tão, tão nosso... Tão tipicamente português! Desde a construção das personagens, em aspecto, em feitio, em postura e comportamento... Aos trajes, aos gestos e expressões tão lusos... A descrição das nossas aldeias portuguesas maravilhosas como pano de fundo... Colocando em debate temáticas tão importantes hoje em dia, como a pedofilia. Gostei muito!
Gostei muito deste livro onde quase todas as personagens têm segredos. Logo no início da narrativa, Alice desaparece quando ia para a escola. Ninguém viu a menina e por isso não se sabe o que poderá ter acontecido. O leitor vai acompanhando o dia a dia daquela aldeia onde este acontecimento trágico teve lugar enquanto são desvendados os segredos ocultos daquela gente que parecia levar uma vida simples e tranquila. As personagens e a narrativa é credível e reconheci muitas vezes o drama da mãe do Rui Pedro, um menino que também desapareceu há muitos anos e que até hoje não se sabe o que aconteceu. Tive algumas suspeitas relativamente a algumas personagens que se concretizaram. Senti empatia por todas as personagens. Até aquelas que poderiam causar repulsa pelos seus atos. O final é inesperado e deixou-me satisfeita, porque também ele poderia corresponder à realidade.
Com Três Mulheres no Beiral, a Susana Piedade tornou-se uma das minhas autoras favoritas. Neste O Lugar das Coisas Perdidas esta preferência afirmou-se.
Comecei este livro porque estava numa sala de espera sem nada para ler, tinha acabado o último ebook recentemente e não tinha ainda iniciado nenhum e, como os livros publicados da Susana estão na minha lista de prioridade máxima, lá me aventurei nesta história de uma criança desaparecida. Estas histórias são sempre difíceis para qualquer mãe e, ainda para mais, com a capacidade descritiva da Susana....
Este livro conta-nos a história de Alice, filha de Mariana, que desaparece a caminho da escola. Contudo, naquele dia na vila todos fizeram algo fora do normal. Foram-se passando os dias e desenrolando segredos, um atrás do outro.
Cada capítulo é praticamente dedicado a uma personagem, sendo que no decorrer do livro, este vai-nos inquietando, colocando suspeitas sobre as atitudes de diversas pessoas. Vamos acompanhando as angústias de Mariana e a sua forma de viver a dor do desaparecimento da filha. É uma história que aborda temas como a pedofilia, a violência doméstica, o amor, o desamor, a perda, a dor, o sofrimento, ...
Gostei imenso deste livro, apesar de esperar um final diferente para a Alice e a Mariana.
Muitíssimo bem escrito, um ritmo de tirar o fôlego, personagens credíveis, muito reais e muito "nossas", que vamos descobrindo ao longo da narrativa e que nos fazem pensar em alguém que conhecemos, lugares que podiam ser na nossa cidade ou numa qualquer vila portuguesa onde já passámos férias... A história contada de forma a deixar-nos na expectativa, a dar voltas à cabeça, pensando em quem terá sido e "não pode ser... mas talvez..." Vou estar atenta a outros livros desta autora!
Com uma escrita fantástica e uma história que nos absorve por completo e nos faz querer sempre ler mais. Uma história trágica e agonizante, que estamos habituados a ver na televisão e que, ao ler, sentimos na pele.
Incrível. Inquietante. Gostei tanto deste livro! Foi a primeira vez que li um livro de Susana Piedade, mas certamente que vou repetir. Recomendo muito, prendeu-me desde o primeiro momento 🔖
Inquietante… De forma muito resumida: numa aldeia pequena, uma mãe solteira despede-se da filha num dia normal da escola e, ao fim do dia, a criança não regressa a casa. Começam as buscas e vamos conhecendo todos os que vivem na pequena vila e os segredos que escondem. A história está muito bem construída e prende até ao fim, já que a construção das várias personagens e a interligação entre elas deixa pistas sobre o destino de Alice. O final, inesperado e irresolvido, é inquietante mas faz sentido… Gostei da escrita, gostei da narrativa quase típica de um policial. Ainda que o livro aborde temas como o desaparecimento de crianças e a pedofilia, é um livro que me prendeu e que gostei de ler.
Inquietante, intrigante e absorvente! A história é sobre o desaparecimento de uma criança, Alice, filha da Mariana, numa pequena vila no norte. Porém, todas as histórias paralelas dos habitantes daquela vila, dão uma profundidade à trama brutal. Todos os personagens têm passado e peripécias que nos despertam o interesse, que nos levam a especular e desenhar uma série de possíveis cenários. A história está maravilhosamente construída, não se foca única e exclusivamente no desaparecimento da menina, mas sim em toda a envolvente sinistra daquela vila. Um final que nos deixa a gritar interiormente "Como??"!! Adorei, que surpresa maravilhosa!
Um livro apaixonante que não se consegue parar de ler... Personagens que se identificam com pessoas, locais e acontecimentos do nosso dia a dia... História que nos faz reflectir sobre quem somos e do que seremos capazes...Será que conhecemos verdadeiramente alguém? Incluindo nós próprios?
A não perder, tal como o primeiro livro da mesma autora "As histórias que não se contam"
Pensava que ia ser o meu livro para férias e foi... só que o "devorei" em 3 dias... Não se consegue parar de ler (aconteceu-me o mesmo ao ler o 1º livro da autora). História cativante, que prende o leitor até ao fim. Livro muito bem escrito, com personagens muito ricas emocionalmente e um final que me fez parar para pensar... e mais não digo... recomendo vivamente a sua leitura
TW: Morte, Alcoolismo, Violência, Negligência, Cenas e Linguagem Explícita
A escrita da autora consegue ser poética e relacionável, por isso é que nos sentimos como parte daquele todo, por isso é que sentimos as dores, o desnorte e o medo. Naquele fatídico dia, todos tiveram comportamentos estranhos, questionáveis e compreendemos que, apesar de as personagens acharem que se conhecem bem, cada uma delas tem muito a esconder. É através do desaparecimento de Alice que se explora esta ideia.
O Lugar das Coisas Perdidas deu-me vários murros no estômago, porque não sabemos até onde as pessoas estão dispostas a ir, porque não conhecemos as suas trevas, nem os segredos que guardam e que nos fragmentam, quando descobertos. Além disso, tem personagens credíveis. Por norma, não sou a maior entusiasta de finais em aberto, mas fez sentido. É a arte a imitar a vida, que nem sempre une as pontas soltas.