Folhas Caídas é uma coletânea de poesia lírica de Almeida Garrett e foi publicado sob anonimato. Pensa-se que Garrett receava o escândalo pois grande parte do livro é a expressão literária do seu romance com a Viscondessa da Luz. O autor começa a obra por uma advertência ao leitor apresentando o poeta como um ser incompreendido e marginalizado. As Folhas Caídas representam o estado de alma do poeta.
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
In this work, confessional poetry observed a mixture of sincerity and pretense, exhibitionism and disillusionment. The work is innovative due to the way it is used, with the predominance of the larger and smaller round, the use of synesthesia, and a particular dramatic conception that underlies most of the poems and translates into the conversational tone of the language. This collection of poems is, without a doubt, Garrett's most exciting, and it is in it that most freely expanded the romantic individualism and the freshness of a loose and unfettered style.
Fallen leaves is an enjoyable read. There are two books of poems: the first book is a reflection on a disenchanted and spurned love; the second book is more of a mixed bag.
Love poems are always an interesting mix of pleasure and pain. With titles like “Farewell,” “That Night,” “Fallen Angel,” and “This Inferno of Love,” and “Pleasure and Pain,” you get the sense of what the poet is going through.
Como a abelha corre ao prado, Como no céu gira a estrela, Como a todo o ente o seu fado Por instinto se revela, Eu no teu seio divino Vim cumprir o meu destino... Vim, que em ti só sei viver, Só por ti posso morrer. (Destino)
Like a bee running through the meadow As the star shines in the sky Like everything, the entity and it’s destiny It reveals itself by instinct In your divine breast Come, accomplish my destiny… Come, through you I can only live, Because of you, I can only die. (Destiny)
Alas, love is wonderful and awful at the same time.
This was Garrett’s last work before he died in 1854. It was published the year before anonymously as he was involved in a scandal with Viscondessa da Luz. According to Britannica, “Folhas Caídas (1853), [is] a collection of short love poems whose formal elegance and sensual, melancholy tone make them the best Portuguese lyric poems of the Romantic period.” I have to admit they are quite enjoyable. The emphasis on lyrical is what makes them sing. If you are not a romantic, stay away.
Now the second book has a more varied approach. There are some fine love poems but they are more symbolic in tone. “The Two Roses” reflects on England and Portugal, “The Rose - A sigh” is dedicated to the birth of a blind girl, “Ai Helena” conjures up the legendary Helen of Troy, “Goodbye Mother” is Garrett’s farewell that he knew too well of his own mortal condition, “The Exiled” is a dire dirge to those persecuted by the government, and then a simple ode “To a friend.”
The curiosity is Os Lusíados, not the epic poem of Camões but rather a much shorter reflection on Portugal and it’s place in Europe.
Ingrata pátria, o engenho sublimado Digno de um capitólio em Roma antiga, Tu não o ergueste desse baixo estado Em que só por tua glória se afadiga!
Ungrateful homeland, a sublime ingenuity Dignified of the ancient capital of Rome You do not lift this low state In which only your glory fatigues you!
Perhaps this is Garrett’s last hurrah. He doesn’t hold back nor mince words. Another poem O Tejo (River Tagus) is equally strong. It seems that despite the love poems, his great love was for his country, and here it shows.
I know Almeida Garrett for his two works, the novel Viagens na Minha Terra and the play Frei Luís de Sousa. The man was well-rounded with this collection of poetry.
An interesting footnote. I searched Google for Folhas Caídas Almeida Garrett and discovered there is a wine, a Chardonnay that bears this name. I am not a Chardonnay fan but I would gladly like to try this wine (next time I am in Portugal). How poetic!
Ler Almeida Garret me lembra o Secundário.... Lembra-me as minhas aulas de literatura portuguesa.... Faz - me sentir nostálgica! Talvez seja por isso que " Folhas caídas " seja tão especial para mim. Por ter estudado alguns dos poemas dessa obra, isso dá -me uma perspetiva diferente dos outros leitores que não estudaram Garrett.
Estou rendida à poesia de Garrett. Li este livro três vezes: a primeira para me habituar à sua escrita, a segunda para analisar tudo aquilo que me cativou e a terceira para ler tudo aquilo que não tinha compreendido na primeira leitura. Cinco estrelas são poucas para avaliar tudo aquilo que esta obra nos apresenta.
Abrir este livro, é como transpor o limiar de rubro oloroso roseiral, onde cada poema é uma pérola de virginal orvalho, que languidamente, penetra acariciando, as pétalas da flor que o acolheu...
É através da temática do amor que o poeta dá a conhecer os seus desejos e anseios. Garrett espelha nos seus versos, através do uso de analogias e descrição de certos paradoxos, a inspiração, — e também a inquietação, que o seu amor por D. Rosa Montufor lhe suscita.
"No Lumiar" "Era um dia de Abril; a Primavera Mostrava apenas seu virgíneo seio Entre a folhagem tenra; não vencera, De todo, o Sol o misterioso enleio Da névoa rara e fina que estendera A manhã sobre as flores; o gorjeio Das aves inda tímido e infantil... Era um dia de Abril. E nós íamos lentos passeando De vergel em vergel, no descuidado Sossego d'alma que se está lembrando Das lutas do passado, Das vagas incertezas do porvir. E eu não cansava de admirar, de ouvir, Porque era grande, um grande homem deveras Aquele duque - ali maior ainda, Ali no seu Lumiar, entre as sinceras Belezas desse parque, entre essas flores, A qual mais bela e de mais longe vinda Esmaltar de mil cores Bosque, jardim, e as relvas tão mimosas, Tão suaves ao pé - muito há cansado De pisar alcatifas ambiciosas, De tropeçar no perigoso estrado Das vaidades da Terra. E o velho duque, o velho homem de Estado, Ao falar dessa guerra Distante - e das paixões da humanidade, Sorria malicioso Daquele sorrir fino sem maldade, Que tão seu era, que, entre desdenhoso E benévolo, a quanto lhe saía Dos lábios dava um cunho de nobreza, De razão superior. E então como ele a amava e lhe queria A esta pobre terra portuguesa! Velha tinha a razão, velha a experiência, Jovem só esse amor.
Tão jovem, que inda cria, inda esperava, Inda tinha a fé viva da inocência!... Eu, na força da vida, Tristemente de mim me envergonhava.
- Passeávamos assim, e em reflectida Meditação tranquila descuidados Íamos sós, já sem falar, descendo Por entre os velhos olmos tão copados, Quando sentimos para nós crescendo Rumor de vozes finas que zumbia Como enxame de abelhas entre as flores, E vimos, qual Diana entre os menores Astros do céu, a forma que se erguia, Sobre todas gentil, dessa estrangeira Que se esperava ali. Perfeita, inteira No velho amável renasceu a vida E a graça fácil. Cuidei ver o antigo O nobre Portugal que ressurgia No venerando amigo; E na formosa dama que sorria, O génio da subida, Rara e fina elegância que a nobreza, O gosto, o amor do Belo, o instinto da Arte Reúne e faz irmãos em toda a parte; Que afere a grandeza Pela medida só dos pensamentos, Do 'stilo de viver, dos sentimentos, Tudo o mais como fútil desprezando.
Pensei que a saudar o velho ilustre Em seus últimos dias E a despedir-se, até Deus sabe quando, De nossas praias tristes e sombrias, Vinha esse génio... Tristes e sombrias, Que o sol lhe foge, lhe esmorece o lustre, E onde tudo que é alto vai baixando ...
O triste, o que não tem já sol que o aqueça Sou eu talvez - que, à míngua de fé, sinto O cérebro gelar-me na cabeça Porque no coração o fogo é extinto. Ele não era assim, Ou sabia fingir melhor do que eu!
- Como o nobre corcel que envelheceu Nas guerras, ao sentir o áureo telim E as armas sobre o dorso descarnado, Remoça o garbo, em juvenil meneio Franja de espuma o freio, E honra os brasões da casa em que foi nado.
Nunca me há-de esquecer aquele dia! Nem os olhos, as falas, e a sincera Admiração da bela dama inglesa Por tudo quanto via; O fruto, a flor, o aroma, o sol que os gera, E esta vivaz, veemente natureza, Toda de fogo e luz, Que ama incessante, que de amar não cansa, E contínua produz Nos frutos o prazer, na flor a esp'rança.
Ali as nações todas se juntaram, Ali as várias línguas se falaram; A Europa convidada Veio ao festim - não ao festim, ao preito. Vassalagem rendida foi prestada Ao talento, à beleza, A quanto n'alma infunde amor, respeito, Porque é deveras grande - que a grandeza Os homens não a dão; Põe-na por sua mão Naqueles que são seus, Nos que escolheu - só Deus.
Oh!, minha pobre terra, que saudades Daquele dia! Como se me aperta O coração no peito coas vaidades, Coas misérias que aí vejo andar alerta, À solta apregoando-se! Na intriga, Na traição, na calúnia é forte a liga, É fraca em tudo o mais...
Tu, sossegado Descansa no sepulcro; e cerra, cerra Bem os olhos, amigo venerado, Não vejas o que vai por nossa terra. Eu fecho os meus, para trazer mais viva Na memória a tua imagem E a dessa bela Inglesa que se esquiva De nós entre a folhagem Dos bosques de Parténope. Cansado, Fito nesta miragem Os olhos d'alma, enquanto que, arrastado, Vai o tardio pé Por este que inda é, Que cedo não será, bem cedo - em mal! O velho Portugal."
Almeida Garrett was yearning and we absolutely love it.
“BELA D'AMOR
Pois essa luz cintilante Que brilha no teu semblante Donde lhe vem o 'splendor? Não sentes no peito a chama Que aos meus suspiros se inflama E toda reluz de amor? Pois a celeste fragrância Que te sentes exalar, Pois, dize, a ingénua elegância Com que te vês ondular Como se baloiça a flor Na Primavera em verdor, Dize, dize: a natureza Pode dar tal gentileza? Quem ta deu senão amor? Vê-te a esse espelho, querida, Ai! vê-te por tua vida, E diz se há no céu estrela, Diz-me se há no prado flor Que Deus fizesse tão bela Como te faz meu amor.”
“BELEZA
Vem do amor a Beleza, Como a luz vem da chama. É lei da natureza: Queres ser bela? — ama. (…)”
“THE ROSE — A SIGH
If this delicious, grateful flower, Which blows but for a little hour, Should to the sight so lovely be, As from it's fragrance seems to me, A sigh must then it's colour show, For that is the softest joy I know. And sure the rose is like a sigh, Borne just to soothe and then — to die.”
Estes poemas dizem-me muito. Lembro-me de os ler repetidamente num livro velhinho que havia em casa dos meus avós. Quando me apaixonei pela primeira vez, lia alguns destes poemas e a minha tia escreveu-me um postal com a primeira quadra "Vem do amor a Beleza, / Como a luz vem da chama. / É lei da natureza: / Queres ser bela? - ama." do poema "Beleza". Guardo esse postal, essa memória e estes versos com muito carinho para sempre. Atualmente, o livro é meu e uma das minhas posses mais estimadas.
Esta coleção de poemas de Almeida Garrett, publicada ainda em vida do autor, é talvez melhor descrita pelo próprio, na advertência que nos recebe o livro:
“Não sei se são bons ou maus estes versos; sei que gosto mais deles do que nenhuns outros que fizesse. Porquê? É impossível dizê-lo, mas é verdade.” (GARRETT, 1853)
Se do alto da sua experiência literária, Garrett, já no fim da vida, elege estes como sendo dos seus os poemas que mais gosta, que seja esta a recomendação que baste para que nos sintamos tentados a lhes atenção e voz.
Verdade é que, distantes no tempo e do espaço do autor, talvez não nos seja possível dar o mesmo valor a estes versos. Como ele bem previra, “como nada são por ele nem para ele, é provável que o público sinta bem diversamente do autor” (IDEM).
Verdade é que talvez não estejam estes poemas ao nível de outras produções poéticas em língua portuguesa; talvez. Seja como for, e não obstante possíveis falências, quaisquer que estas sejam, estes versos garrettianos ainda hoje possuem um tanto de encanto e de graça para com graça encantar seus leitores.
As folhas, depois de caídas, seguem os seus próprios rumos. Algumas se perdem; outras se desfazem; mas as mais afortunadas por vezes encontram abrigo por entre as páginas de algum livro—onde ficam para sempre guardadas.
I loved Almeida Garrett's poetry. It's so mature and it shows that he had at the time very knowledge of the way things are in life and is a very human discourse and it's a book that shows a man in the Autumn of his life.
Confirma-se. Garrett é um dos nossos melhores artistas. Todos os portugueses o leêm nas escola, mas duvido que algum o aprecie. Esta colectânea de poemas, dos sentimentos mais profundos do autor, talvez fosse mais fácil de nos identificarmos que o Frei Luís de Sousa. Dito isto, não leio esse livro desde essa altura e, talvez, depois de o reler, mude de opinião.
Fico com curiosidade para ler mais de Garrett (não há muito mais para ler de realce, apenas o supramencionado e Viagens na Minha Terra) mas está longe de ser um dos meus preferidos.
Já sabia que estava à espera de um certo tipo de poesia, vindo de Garrett. De qualquer forma, consegue sempre inovar e surpreender, por muito pouco que seja.
Ele torna os seus sentimentos bastante explícitos e expressa-os através de poemas tipicamente seus.
(Nota: apaixonei-me particularmente pelos poemas “Este inferno de amar”, “Rosa sem espinhos”, “Seus olhos” e “A um amigo”)
Poesia sincera e apaixonada, é a memória tenho desta leitura. A Barca Bela vem muitas vezes à minha memória (p.95),e faz lembrar as cantigas de amigo, com certeza propositadamente.
Nada melhor do que ler as confissões do Almeida Garrett como fuckboy. A segunda parte é menos coerente, o que acabou por reduzir o meu interesse no livro em geral
Garrett conhecera a baronesa da Luz em 1846 e neste cenário bravio de mar, serra e pinhais viveu e consumou esse amor. Quando se publicaram os poemas respeitantes a esta relação, um ano antes da morte do poeta, já tudo não passava de recordação agridoce. Ele fora o «Pescador da barca bela» enredado na rede da sereia da qual não quis fugir. Por isso, nesse ano de 1853, a Lisboa mundana tomara conhecimento, pelas referências directas a «rosa» e «luz», recorrentes no livro. «Cascais» ao evocar o êxtase duma poderosa relação carnal – era disso, essencialmente, que se tratava, enunciado noutro poema, «Não te amo» –, dá também nota do seu declínio. Ao «Céu na Terra», à consumação fragorosa da pulsão erótica num meio intocado – remetendo para a natureza primitiva e máscula da posse e da cópula –, sucede a prostração, remorso, desalento do fim: fim do prazer, fim do gozo do amor, fim da vida que se anuncia: «Inda ali acaba a Terra, / Mas já o céu não começa;». O arrebatamento de «Cascais» faz deste poema um dos grandes fragmentos da sinestesia romântica portuguesa e, com ela, da civilização europeia, que teve no Romantismo a possibilidade de o Homem confrontar e alardear a sua, ao mesmo tempo frágil e sublime, condição humana.
I was always intrigued by Garrett as a figure - so I decided to pick this up and read his last poems. Needless to say - I loved it. Very rarely do I love almost every poem in a collection - but I guess this has to be the exception. I was absolutely taken away by the sheer modernity of some of the verse, as well as the elements of Romanticism that can be found in almost every poem.
Absolutes favorites were 'Destino' and 'Os cincos sentidos', which I liked so much that I decided I would use for my Portuguese Language and Translation in University.
Though I am much more of a prose reader, and I will make sure to read Viagens na minha terra, I completely adored this collection and would most certainly reccomend.
O que dizer deste livro? Eu até sou uma "apreciadora moderada" da obra de Almeida Garrett, no entanto, este livro... falando na maior das sinceridades foi um verdadeiro sacrifício de se ler. Não gostei do tipo de poesia, da forma escrita, dos temas. Ainda que o enquadre na época em que se insere, aprecio a obra de vários autores desta época mas este não foi definitivamente o caso. Não recomendo de todo.
É constituída a obra por uma série de poemas, marcadamente românticos, na aceção mais sentimental, tanto pelo lado da paixão romântica (“Rosa – um suspiro”) ou fatal (“Víbora”). Ler todo este livro, que nem é uma antologia tão grande quanto isso, leva-nos a conhecer toda a obra, em detrimento daqueles poemas que normalmente conhecemos da escola, como “A Débil” ou “Este Inferno de Amar”