Teología del siglo XX. Está mejor la hermenéutica en clave patrística que la sociología de la historia contemporánea. Aplastante erudición. Prosa altiva.
Um livro muito bom, que descreve o homem fruto da civilização moderna, citando diversos autores, como Ortega y Gasset.
Esse homem é só exterior, não tem interior. Critica a cultura da televisão, que realmente é tóxica, e também a urbanização extrema, o que acho um pouco controverso, no sentido em que eventualmente a população crescerá a tal ponto que será necessário se utilizar de mais e mais edifícios verticais, ainda que tire um pouco da sociedade mais rural, que se conhece melhor.
Faz críticas razoáveis ao "homem tecnificado", citando São João Paulo II, que disse que a difusão da mentalidade cientificista parece não encontrar limites. Citando Solzheintsyn, lembra que Marx concluiu que a história nos levaria à justiça sem a ajuda de Deus.
Sobre o "economicismo", o padre se confunde, tem uma visão errada, amplamente difundida, mais protecionista e "protetora" do trabalhador. Esses erros são refutados pelos livros de economia austríaca, e também por católicos fervorosos, como Tom Woods em seu "The Church and the Market", visto que essa suposta proteção vai trazer uma condição ainda pior pro protegido no médio prazo e pra sociedade no curto prazo.
Critica muito bem o consumismo, hedonismo e relativismo. Como não há verdade absoluta para o homem moderno, não há diálogo sério, "já que não há pontos comuns de referência, não há uma realidade exterior na qual coincidir.". Com isso, há um homem medíocre, que segue a correnteza, não se posiciona em nada, e acha a moral cristã um exagero.
Quanto ao naturalismo, diz que há duas vertentes, o racionalismo, com a idolatria da deusa razão, como na antifilosofia iluminista, e o liberalismo, que a pretexto de trazer liberdade, trouxe o "contrato social", com o estado supremo, de onde supostamente emana a soma das vontades individuais.
Lembra que o homem moderno perdeu o sentido da existência, algo que eu compararia com a adaptação hedônica. Ele comenta que Viktor Frankl analisou a "neurose doningueira", onde as pessoas quando não estão na sua rotina de trabalho, se sentem vazias. Sendo necessário para combater isso, que o homem mire para cima de si, no transcendente.
Comenta sobre as loucuras das falsas espiritualidades, como a New Age, que se opina ser a religião da Nova Ordem Mundial, misturando Cristo, Maomé, Buda, espiritismo, etc, com o fim de endeusar o homem.
No livro há um apêndice sobre Antonio Gramsci, muito bem escrito pelo autor. Gramsci tem como um dos temas centrais do seu pensamento a distinção entre sociedade civil e sociedade política. Quer a revolução cultural para conquistar o "mundo das ideias", até que elas cheguem a ser "as ideias do mundo", e isso passa primariamente por garantir a hegemonia dos "intelectuais".
A última parte, sobre guerra social, introduzindo Antonio Negri, por Rafael Breide Obeide, já é um pouco mais infeliz, além de não trazer muita coisa de importante para esse revolucionário, tem-se uma mentalidade de estado forte, apegado ao monopólio estatal da força e violência, como se disso pudesse sair coisa boa para o conservadorismo, em sua análise sobre o "estado anômico" e "estado falido", dando a entender que a sociedade civil legitima o estado (talvez por algum contrato social fictício?).
No geral, bom livro, provavelmente vou ler no futuro mais alguma obra do culto padre Alfredo Saenz.