Desde o início do período democrático tem existido um consenso em torno do essencial da política externa portuguesa. Porém, esse consenso foi construído em torno de uma realidade de distribuição de poder na Europa que foi profundamente alterada em 1989/1990 com a queda do muro de Berlim e a reunificação alemã e, posteriormente, com uma tentativa de hegemonia da Alemanha, assumida com a crise do Euro de 2010/2011.
Este ensaio tem como principal objectivo suscitar o debate acerca da política externa portuguesa e pensar qual é a melhor estratégia de inserção internacional do país nos dias de hoje.
A proposta aqui defendida é a de um regresso à fórmula clássica da dupla aliança: com a maior potência europeia, a Alemanha, e com a maior potência marítima e atlântica, os Estados Unidos. Esta dupla aliança deve ter como mecanismo de compensação a Lusofonia, sobretudo se entendida numa nova concepção de um Atlântico unido, agregando duas potências ascendentes de língua portuguesa: Angola e o Brasil.
TIAGO MOREIRA DE SÁ nasceu a 12 de Janeiro de 1971. É licenciado em Ciências da Comunicação - variante de Jornalismo, pela Universidade Autónoma de Lisboa (1995); mestre em Relações Internacionais - variante de Ciências Políticas, pela Universidade Lusíada de Lisboa (2002) e doutorado em História Moderna e Contemporânea, especialidade de História das Relações Internacionais no Período Contemporâneo, pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (2008). Actualmente, é Professor Associado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Investigador no Instituto Português de Relações Internacionais, desde 2003. Foi Deputado da Assembleia da República, pelo PSD, na XV Legislatura (2022–2024) e é Eurodeputado no Parlamento Europeu, pelo CHEGA, desde 2024. É Membro da Associação Portuguesa da Ciência Política e da Comissão Portuguesa do Atlântico. Tem sobretudo desenvolvido actividades de investigação sobre as Relações Transatlânticas, as Relações Luso-Americanas e a Política Externa Norte-Americana. Comentador de política internacional em vários órgãos de comunicação social. É autor de vários livros, entre os quais, Os Estados Unidos e a Descolonização de Angola, Lisboa, Dom Quixote, 2011; Os Estados Unidos da América e a Democracia Portuguesa, Lisboa, Instituto Diplomático, 2009; Carlucci vs. Kissinger – Os EUA e a Revolução Portuguesa, Lisboa, Dom Quixote, 2008 (em co-autoria com Bernardino Gomes).
Leitura acessível, clara e concisa. O autor articula de forma formidável os conceitos de Relações Internacionais com a Política Externa Portuguesa. Gostei particularmente da evolução histórica, sempre acompanhada de justificações e resultados, e da conclusão, na qual o autor reflete sobre qual seria a melhor aposta de Portugal para a sua PE (spoiler: é a Alemanha no eixo europeu, os EUA no eixo Atlântico e, no eixo estratégico da lusofonia, o triângulo estratégico do Atlântico Sul, Brasil e Angola). Em suma, é um bom livro para quem sonha ser diplomata.
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Has 3 parts. The first is theoretical; the second tells us the priorities of the portuguese foreign affairs from the 1860; the third comments the options Portugal have in Europe and the world. The first is frankly boring and somehow ideologic (but good to show where the writter gets his model). The second historical part is for me the best. Resumes very well our foreign orientation. The third is totally the author´s personal view - good point to start thinking our priorities (and not just look to the guy who waves more money)
Uma boa síntese daquelas que são as linhas orientadoras gerais da política externa portuguesa, que se têm mantido constantes ao longo do tempo. Recomendado a estudantes mas, também, adequado a qualquer leitor que queira ganhar noções sobre esta matéria.
“Foreign policy is not built in a day, but shaped by decades of choices and circumstances.”
Gostei bastante de ler este livro, até porque faz todo o sentido agora que me preparo para começar o mestrado em Diplomacia e Relações Internacionais.
A obra oferece uma visão clara da política externa portuguesa, dos seus principais marcos e estratégias, mas não deixa de se sentir um pouco datada em algumas análises — sobretudo tendo em conta as mudanças mais recentes no panorama europeu e internacional.
Ainda assim, achei uma leitura útil e enriquecedora, especialmente como ponto de partida para refletir sobre a forma como Portugal se posiciona no mundo.
De todo o livro, realço o segundo capítulo, que faz uma boa abordagem à evolução da Política Externa Portuguesa ao longo da história, focando-se nos pontos mais relevantes e na forma como os diferentes regimes a moldaram. O último, tendo sido escrito em 2015 e dedicado à atualidade da altura, acaba por deixar muito em aberto e por fazer especulações que sabemos que não se tornaram realidade. O primeiro dá um enquadramento teórico à PEP, introduzindo várias Teorias das Relações Internacionais, bem explicadas mas que não acrescentam muito ao entendimento da PE portuguesa, a meu ver.
Introdução clara e concisa, estruturada em torno dos três eixos fundamentais da política externa lusa: europeu, Atlântico e lusófono. É feito um breve intróito às relações exteriores portuguesas, porém sem entrar em detalhe. A partir dos acontecimentos, Moreira de Sá tece algumas recomendações para o futuro e para parceiros estratégicos que fortalecem os eixos: Alemanha, Estados Unidos, China, Angola e Brasil.
Ensaio aprazível, com uma forte fundamentação teórica que nos prepara e alinha em termos de expectativas para os restantes conteúdos. A explicação das linhas orientadoras ao longo dos últimos séculos é bastante rica, ligando vários eventos que o nosso senso comum toma como actos isolados. Recomendo.
O segundo capítulo fornece um enquadramento histórico importante para se perceber melhor a política externa portuguesa. Infelizmente, o resto do ensaio está bastante datado considerando os recentes desenvolvimentos internacionais (Brexit, invasão da Ucrânia pela Rússia,...)
Poderá valer a pena, ainda assim, para quem queira um livro introdutório sobre a política externa portuguesa.
Apesar de bem escrito, fiquei foi mais desapontada com a perspectiva do próprio autor na nossa Política Externa. Apesar do conteúdo estar, suponho, factualmente correcto, é algo triste que, em sintese a posição de Moreira de Sá quase que se resuma em "Portugal deve alinhar com Merkel". Certamente que é o trabalho de um analista de encontrar mais "papa" que isso.