“Quando vi pela primeira vez na tevê o cidadão que se intitulava João de Deus, não hesitei em dizer para minha mulher, ao lado: é bandido.” A frase é do médico Drauzio Varella, no início de 2020. Poucos anos antes, porém, essa franqueza era rara no debate público. João de Deus desfrutava das bênçãos do establishment até que, no fim de 2018, veio a público uma onda de acusações de assédio sexual contra o líder espiritual. Este livro mergulha nessa história, mostrando que ela é ainda mais assustadora. Uma reportagem brilhante, capaz de revelar as entranhas de um líder à brasileira: corrupto e empreendedor, criminoso e carismático, sedutor e profundamente cruel.
Mestrando de escrita na Universidade Columbia, em Nova York. Trabalhou na Folha de S.Paulo, onde foi repórter, colunista e editor, por 10 anos. Colaborador da Piauí, da Galileu e da Revista Joyce Pascowitch, foi o autor do perfil de Ricardo Pereira, um artista de rua conhecido como Fofão da Augusta, publicado pelo Buzzfeed em 2017 e que deu origem ao livro “Ricardo e Vânia” (editora Todavia).
muito doido acompanhar essa história. parece coisa de filme!! chico escreve perfeitamente e com ctz esse livro é mto importante pra entender tudo que joao de deus fez nesse tempo todo
O que dizer sobre “A Casa” segundo livro-reportagem de Chico Felitti? Trata-se do segundo livro de Chico, logo, é impossível não compará-lo ao primeiro, por mais que eu mesmo deteste comparações (cada um é cada um: e tá tudo bem), porém, se o primeiro livro “Ricardo e Vânia” mais se parece com um romance escrito a partir de depoimentos, com um ar literário, de conhecer pessoas, momentos históricos e a sociedade, o segundo traz depoimentos como instrumento para fazer uma reportagem sobre um personagem emblemático e quase folclórico do Brasil: a imagem de um dos curandeiros mais conhecidos do Brasil, e talvez do mundo, João de Deus.
É essencial explicar que o livro não busca questionar a fé de ninguém, nem mesmo os milagres que podem ter ocorrido na Casa de Dom Inácio de Loyola, não é este o objetivo do livro. Chico aqui busca mostrar como a rede de relacionamentos poderosos, dinheiro, e supostos dons espirituais são capazes de mover não apenas montanhas, mas encobrir montes e montes de segredos.
A rede formada por João Teixeira de Faria engloba contatos das mais diversas áreas: de ministros do STF à Oprah, passando por artistas, velhas figuras da política brasileira, estrangeiros, milionários e todas as pessoas importantes (como prefeitos, vereadores e delegados) de uma pequena cidade, abandonada pelo poder público, no interior de Goiás – que já é, por si só, um grande interior.
Os olhos grossos do Estado fizeram aqui muitas vítimas. Denúncias e mais denúncias que não deram em nada. Por que nada atingia o João? Única e exclusivamente por ser de Deus? Ou por que o Estado se omitiu por muitos anos?
Tenho certeza que foi necessária muita coragem para escrever esse livro: por parte de Chico, por parte das pessoas da cidade que aceitaram dar entrevistas, mas principalmente para as mulheres que denunciaram os crimes que sofreram.
Muito mais complexo que os terríveis abusos sexuais de mulheres e meninas.
Muita gente ganhou com esse picareta. Políticos e autoridades, ajudantes da Casa, donos de negócio, estrangeiros que preparavam os grupos pra viagem, atores, emissoras de TV, escritores de livros e assim vai. O grande negócio da fé (e ignorância).
Aliás, em toda história da humanidade há vários desses, e como o livro em seu epílogo demonstra, o negócio dos milagres continua forte, com outros messias e sensitivos. Leitura e racionalidade fazem falta nessas horas.
Entendo que muita gente foi para lá no desespero por causa de doenças graves. Por isso acho que deveriam processar um número muito maior de pessoas que sabiam sim o que acontecia e usam a desculpa do respeito da fé como desculpa.
No fim, acho que a maioria mais se enganou que foi enganado/a pelo curador analfabeto e bronco. Queriam tanto acreditar naquilo que foram presas fáceis.
Que o livro e reportagens sirvam de aviso para evitar casos futuros. Pelo que andei lendo, nada mudará significamente.
Achei que a descrição e ambientação dos locais são bem feitas, quem lê consegue imaginar claramente o cenário onde as coisas se desenrolam. Mas a história toda fica um tanto "en passant". Tem-se uma ideia geral do que aconteceu, mas achei que alguns detalhes, como explicações sobre as "cirurgias" (são sentenciadas somente como truques de circo) poderiam ser melhor esclarecidos (visto que a posição do autor é que se trata mesmo de charlatanismo), mesmo que rapidamente. Outra coisa que não é detalhe, mas parte essencial da história, e que achei que podia ter sido melhor coberta, são as vítimas. Imagino que seja difícil obter depoimentos devido ao tema, mas achei que foram descritas de forma meio superficial, o que dificulta uma conexão maior. Um capítulo especificamente sobre "coisas estranhas" que aconteceriam com quem se metia a tratar do criminoso achei dispensável e completamente fora do tom.
Como sempre, o Chico faz um ótimo trabalho jornalístico de pesquisa e mostra toda a história envolvendo a Casa de Dom Inácio, desde sua concepção até atualmente, após a prisão de João de Deus. Recomendadíssimo.
Mais um livro maravilhoso do autor. Suscita reflexão sobre até que ponto nós, enquanto sociedade brasileira, somos cúmplices de muitos 'João de Deus' que existem, quando fechamos os olhos até mesmo para crimes em nome de uma suposta liberdade religiosa. Uma obra pesada, mas necessária.
Os meus principais pensamentos, no decorrer da leitura, foram:
O poder arrasador do dinheiro e da influência, que através do silêncio permitiram que décadas de crimes terríveis passassem incólumes.
O poder da fé num contexto de abandono do poder público, em comunidades em que os curandeiros são a principal e mais eficiente política pública.
Num outro prisma, temos a mercantilização da fé, que se operou tanto pela venda de artigos místicos, quanto pela própria imagem do João de Deus, rentável a um nível em que este passou a ser uma figura celebrada dentre nossas principais autoridades.
Impossível não fazer um paralelo entre o “João Curador” e a própria elite brasileira, que desde o período imperial nos transmitem a imagem de solidários benfeitores, humildes e trabalhadores. Mas a verdade é que na grande maioria das vezes demoramos a conhecer o seu lado obscuro.
Ao final do livro, concluímos que o Caso João de Deus passou longe de ser um “delírio coletivo” ou algo inerente à persona, e que charlatães como ele continuam a se multiplicar em qualquer lugar onde exista gente disposta a acreditar - e talvez até lucrar com isso.
Demorei muito para conseguir finalizar a leitura. Me causou enjoo, raiva, repulsa. Gosto da escrita do Chico e a forma como ele expõe os fatos, por mais que acredite que ele deixou a desejar em alguns pontos, a superficialidade ao falar sobre as vítimas, por exemplo. No mais, o livro é bem escrito e é possível acompanhar a história de uma forma cronológica. Não sei se recomendo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Mais um trabalho impecável do Chico Felitti. Rápido para devorar, mesmo conta uma história pesada. Uma investigação jornalística excelente. A alternância dos capítulos para marcar passado e futuro foi genial!
Rápido de devorar e muito impressionante. Quando o assunto é abuso , aliado a um abuso da fé do outro, tudo fica mais nebuloso e ainda mais profundo, no grau de terror psicológico.
Chico Felitti se consolida como um dos autores de não ficção mais interessantes de hoje, para mim ao lado de nomes como Daniela Arbex e Drauzio Varella. Desta vez Chico não é um personagem na história, como foi em seu famoso artigo para o Buzzfeed e depois em Ricardo e Vânia, e mesmo assim conduz a narrativa com maestria e ousa, intercalando a linha do tempo e conectando origem e passado com atualidade e presente. Um livrão, recomendo!
João de Deus é uma figura deplorável, não tenho palavras para descrever o quanto foi revoltante ler sobre seu charlatanismo e seus diversos crimes. Chico tem seu mérito de ter encarado uma cidade e mexer com gente que de fato mataria por muito pouco.
O autor tenta passar por milhares de situações que ocorriam na casa, mas em alguns pontos merecia um aprofundamento maior. Tanto que em alguns trechos há mudanças bruscas de assunto, sem aparentemente encerrar o anterior. Dá uma quebra estranha que merecia um novo capítulo.
É um livro ok, mas dá pra passar batido sem problemas. Tem trechos inteiros de transcrições de vídeos, como entrevistas com o próprio João de Deus e com as testemunhas, que facilmente a gente encontra na internet.
Thanks to some people of my family who visited Abadiânia and had spiritual treatment with João de Deus (also knowed as John of God for some of you), I already knew who the man was. When I heard about the allegations against him I did my best to avoid reading the news and the development of the case. I think it is normal. I always avoid news related to rape and sexual abuse because I feel sick and nervous by the events. It's a flaw that I have as a future journalist, but I think that is something justifiable for a woman: I hate to see women suffering any type of violence. Well, two years passed by and thanks to a interview that the author Chico Felitti gave to the podcast Modus Operandi, I saw myself interested to finally understand what happened in that place, so sacred for thousands of people, and to understand who João de Deus, the miraculous healer, exactly was. A Casa is a disturbing and dense book. I think that these are the only words that I can't find to describe it. Even though I'm not a religious person, I saw myself repeating "Oh My God" and "Jesus" dozens of times while I read the book. There's a lot of atrocity in this history, ranging from corruption, something that actually doesn't shock me anymore as it used to, goes through the exercise of inappropriate surgeries done with inappropriate material by someone without training, something that made me sick during the first half of the book, and finally they come to the accusations of harassment, sexual abuse and rapes of victims of the most varied ages, appearances and nationalities. The violence by itself is extremely shocking because João de Deus seemed not to be satisfied by just violating the bodies and minds of those women: by stating that the abuses and rapes were necessary for the personal and relatives' healing that they sought to carry out, he also violated their faith. The work that Chico Felitti did in exposing the facts is sensational. His writing is done in a way that makes it understandable by everyone, something fundamental for a journalist, and it is full of hints of irony and acidity that I didn’t expect to see in such a shocking narrative, but that fit well in the ambiance that he created. I believe it is an extremely important book for journalists, students, activists and to try to understand why Brazilians are always looking for new messiahs among the people.
Eu assisti ao documentário da Globoplay antes de ler o livro, então não houve nenhuma novidade na leitura, pois tudo o que está lá também está no livro. Mas o texto do Chico Felitti é tão envolvente e cheio de nuances nas entrelinhas que a leitura flui muito fácil. Ele coloca umas indiretas aqui e ali e uns comentários pessoais que deixam tudo como se fosse uma conversa. Tirando isso, essa história é tão absurda e tão surreal que fica difícil acreditar como isso demorou ANOS pra vir à tona.
“A Casa”, de Chico Felitti, é um livro-reportagem sobre João Teixeira de Faria, o “João de Deus”. Felitti realizou uma série de idas a Abadiânia (GO), na qual funcionava a Casa de Dom Inácio de Loyola, sede da seita cujo líder espiritual é acusado de ter cometido crimes sexuais contra, ao menos, 351 mulheres, incluindo menores. Contudo, sua investigação vai aos primórdios da organização e, também, da origem de João de Faria, incluindo as suas primeiras “curas”.
João de Faria realizava cirurgias e passes, sob a influência de diversas entidades: Dom Inácio de Loyola, dr. José Valdivino, dr. Augusto de Almeida e Oswaldo Cruz (coitado! Aliás, sou curioso com relação à opinião de quem se tratou com “Oswaldo Cruz” sobre vacinas). Chegou a incorporar até o dr. Fritz (um “habitué” espiritual de muitos médiuns). Foi elogiado por diversos pares, como Chico Xavier (isso me faz pensar: tantos médiuns homens, tantas entidades masculinas… nenhuma delas alertou as outras ou os médiuns sobre os estupros que estavam acontecendo? Pelo visto, os “parças” também se acobertam no plano espiritual).
O tempo todo, Felitti faz questão de ressaltar a coragem daquelas e daqueles que lhe concederam entrevistas, posto que “a Casa” determinou (e, temem, que ainda determina) os rumos de Abadiânia. Conforme a reportagem revela, muito do poder de João de Faria se devia à propaganda de suas “cirurgias (não tão) espirituais” na mídia ao longo das décadas — propaganda, esta, que soube acompanhar as mudanças dos veículos de comunicação. Inicialmente, com aparições no programa de TV de Luiz Gasparetto (filho da autora best-seller Zíbia Gasparetto), João de Faria cercou-se, mais recentemente, de uma assessoria de imprensa e do boca-a-boca de famosos, “influencers” e poderosos. Uma lista rápida, partindo da minha memória, inclui: Juliana Paes, Camila Pitanga, Bárbara Paz, Cissa Guimarães, Luciana Gimenez, Naomi Campbell, Xuxa, Oprah Winfrey e até Luís Roberto Barroso (que compareceu ao aniversário do médium dois dias antes de assumir sua cadeira no STF). A maioria deles se conformou em apenas deletar fotos em seus perfis de redes sociais assim que as denúncias vieram à tona.
Tanta influência entre os poderosos explica a total inépcia do Judiciário com relação a João de Faria. Já havia ações por crimes sexuais anteriores à exibição do programa “Conversando com Bial” (a partir do qual as denúncias ganharam força) em 2019. João de Faria também aparece implicado em assassinatos, em ocultação de cadáveres, em atividades ilegais de garimpo e até em contrabando de material radioativo, objeto de segurança nacional. Não menos importante: décadas prometendo falsas curas, aproveitando-se do sofrimento alheio e realizando operações (como raspagem de superfície da córnea) com instrumentos cortantes sem qualquer preocupação com assepsia (caramba: tanta gente instruída e ninguém via problema em meter uma faca de pão suja no olho!?). Contudo — como não poderia deixar de ser — a dimensão das denúncias (e os detalhes dos depoimentos colhidos) de abuso sexual são o que há de mais estarrecedor no livro.
“A Casa” é um relato horripilante, mas necessário. Acima de tudo, é um alento: temos gente competente praticando o bom jornalismo! E, visto já estarem surgindo novos curandeiros e afins, é, também, um lembrete: não existe vácuo de poder; nem neste, nem no outro mundo.
A casa dos horrores, a humanidade carente de messias seja na fé ou na política, pobre do povo que precisa de salvadores.
Chico tece um retrato dos horrores que o 'médium' perpetrou abusando não apenas fisicamente mas emocional e psicologicamente de seus seguidores além de intimidar e assassinar que a ele se opunha. Como todo bom ditador da fé, não aceitava oposição e pagava de santo enquanto ficava mais e mais rico e mais e mais abusador.
Se há alguma falha na narrativa de Chico, doce, fluente, ritmada e boa de ler, é não ter desvendado mais do passado do falso profeta mas, é compreensível, ele focou mais no atual e em como John of God criou uma estrutura para legitimar seus abusos e instaurar um pequeno estado teocrático de outro lado de uma rodovia federal.
Pior é saber que muita gente famosa, daqui e de fora, caiu no conto do profeta e hoje, ou nega e ou foge as perguntas quando confrontados, mais falsos profetas, nunca ficaremos sem um ainda mais quando o profeta mór está na presidência da república...
Comecei a ler esse livro tem um tempo, mas na época acabei largando porque não estava na vibe de ler não-ficção. Esses dias, lembrei dele e pensei: 'Hm, dessa vez vai.' E, como eu sabia apenas o que a mídia relatou sobre o João de Deus, acabei ficando bem presa na obra.
Realmente, a história faz 100% jus à descrição que encontrei na Amazon: 'um relato aterrador sobre um líder espiritual à brasileira: corrupto e empreendedor, criminoso e carismático.' A escrita do Chico Felitti está como sempre: maravilhosa. Ele tem esse dom de transportar o leitor para as situações por meio das descrições. Muitas vezes, eu nem percebia que estava lendo; a sensação que ficava era como se eu estivesse na cena, observando.
Minha única questão com esse livro é que ele fica um pouco entediante e cansativo em alguns momentos. Não sei se é porque tem muita gente envolvida e você acaba ficando um pouco perdida sobre quem é quem, mas enfim. É um livro muito bom, e é revoltante saber que esse lazarento 🤬 #$%!& do 🤬 #$%!& ainda tá vivo.
Eu estou com tanta raiva e tão indignada! Como é possível que tanta gente tenha acreditado em João de Deus? Como esse cara conseguiu manipular tanta gente com tanta facilidade?
Ele brincou com a vida, com a doença e com a fé de milhares de pessoas. O mínimo que ele merecia é apedrejamento em praça pública. Mais de 40 anos enganando, abusando e ameaçando pessoas. Não tem como ler esse livro, saber de tudo isso e ficar de boa!
Tirando a raiva que eu estou desse lixo... A escrita do Chico é maravilhosa, parece que eu estava ouvindo um podcast dele, a estrutura é bem parecida, inclusive. Pretendo ler mais livros do Chico, de preferência um que eu passe menos raiva.
Biography of the Brazilian cult leader and faith healer that was arrested in 2018 and sentenced to prison in 2019 for raping hundreds of women and children.
This is a intriguing book about Brazilian folk religion, corruption, spirituality, desperation and absolute evil.
This is not just a biography of one man, but almost a micro-historical account of Brazilian culture, where Christianity and spiritism intermingle and how a faith healer of the poor transformed himself in a spiritual healer of rich Westerners and a mass rapist pedophile gangster.
Storytelling perfeito, adorei como o autor movimentou passado e presente, alternando os dois a cada capítulo, para criar uma tensão e curiosidade sobre a trama. A adoção de frases curtas em momentos oportunos é umas das coisas que mais gosto nas leituras. Também prefiro livros com capítulos curtos, o que esse livro também fez. Apesar de saber sobre a história, não pude deixar de ficar surpresa pelos fatos trazidos pelo autor, sempre de maneira responsável e muito bem fundamentada. Leitura obrigatória para os curiosos do tema, mas que também permite pensar e explicar o Brasil como um todo. Devorei o livro.
quero falar sério aqui nesse: eu tenho (muitas) críticas ao trabalho do chico no que diz respeito à espetacularização de sofrimento e em monetizar história de gente pobre, sofrida, marginalizada que depois de tanto caos as vezes só quer ser deixada em paz. mas essa aqui, e me arrisco a dizer que na sua era pré-reportagens em áudio, ele faz uma investigação jornalística excelente, fala com respeito sobre quem merece ser tratado com respeito e sinceramente apura as coisas de um jeito completíssimo. isso posto, surreal como o pior ser humano que já viveu é de goiás né?
o João de Deus é a pior pessoa do Brasil (depois do Jair Bolsonaro). Foi muito interessante ler a história de uma das maiores farsas da história do país, mas em alguns momentos foi bem pesado. O livro narra muito bem a história do João de Deus, mas apesar de a palavra "seita" estar no título, ele não aprofunda em demonstrar como a Casa era uma seita, o que foi algo que eu senti falta. Tirando isso achei que foi uma investigação muito bem feita, mas de fato o documentário da Globo sobre ele traz mais episodios que não são narrados no livro.
Trabalho investigativo do autor é impressionante. Não tinha noção do impacto e da vida das pessoas na cidade. As descrições dos eventos trágicos são breves o supra não parecer que o foco é no sofrimento mas o leitor também não é poupado do impacto das ações terríveis que aconteceram.
O livro deixa curiosidade sobre quantas mais histórias nunca virão a luz do dias pela influência de várias pessoas associadas a esse grupo e a cidade, e mesmo em respeito a fé de muitos.
Chico Felitti faz um trabalho fenomenal de jornalista, investiga não só tudo aqui que já veio a publico sobre João de Deus, mas também tudo que faz parte da sua história, principalmente a casa. É uma leitura fundamental pra conhecer todo esse caso e o seu "o curador". Não é nada de novo mas aprofunda aquilo que até então não teve tanto destaque midiático.
Mais um trabalho incrível do Chico como investigador, amo que amo! Conhecendo ele primeiro pelos podcasts, da pra ouvir a voz durante a narrativa, principalmente nas situações que o envolvem. Sobre a história: confesso que evitei muito saber sobre o caso, era nova na época que as polêmicas vieram a público e por isso fui totalmente surpreendida pelo andar da história. Parece coisa de filme mesmo.
um livro incrível e envolvente de um caso ABSURDO. mais do que contar história de João de Deus, Chico Felitti consegue descrever com maestria todo o impacto que esse homem teve em Abadiânia. é chocante, vale a pena ler.
um livro f*da! uma reportagem super extensa sobre João de Deus: a vida, a ascencao e a mitificacao da figura. é um aviso de gatilho bem grande mas muito importante entender como esse tipo de situação se constrói.