TW: Transfobia, homofobia, violência doméstica, bullying, tentativa de suicídio, ansiedade, agressão física e verbal.
Foi uma experiência e tanto poder ler Descolorindo Eloáh. O livro logo se inicia com uma cena hostil e pouco confortável a protagonista, logo dando o tom a história. É um drama que retrata as dificuldades de uma sociedade heteronormativa e binarista, na pele de uma pessoa trans que não pode se vestir, chamar ou agir da forma como mais se sente como si própria. Dando espaço também para críticas envolvendo desigualdade, racismo, privilégios, abuso de poder e religião como meio de impor vontades pessoais e no mínimo, desrespeitosas a liberdade humana.
Em minha opinião, só faltou um pouco mais de aprofundamento nesta descoberta de Eloáh como uma pessoa trans. Entendo que a mesma tenha passado por situações extremamente maléficas a seu bem-estar e que afetaram seu desenvolvimento como uma pessoa dona de si, mas gostaria de ter visto a personagem lidando com seus pronomes, por exemplo. Seria ótimo ler uma resenha de uma pessoa trans que também tenha lido o livro para entender o ponto de vista de um leitor sensível e com local de fala.
Acredito que o autor tenha feito um trabalho excepcional em construir seus personagens. Cada um foi tão bem executado, sabemos exatamente quais os seus gostos pessoas, personalidade, o que os difere, medos, sonhos e vontades. A parte mais envolvente de todo o livro. Foi impossível não se aproximar e sentir empatia por Eloáh, Sam, Luís e Rosa, mãe de Eloáh, que recebeu também uma ótima atenção e redenção ao longo da trama.
O epílogo talvez seja pouco verossímil, mas entrega bem o sentido de "você planta o que colhe".
Acompanhamos Eloáh aprendendo sobre si, encarando medos, se desprendendo de seus próprios preconceitos internos e recebendo finalmente cor em sua vida antes cinza.