Em Tornar-se Palestina, Lina Meruane conta a trajetória dela de retorno. Retorno à Palestina que seus avós e pais deixaram e nunca mais puderam voltar. Retorno a um lugar que ela jamais conheceu, mas que vive em seu sangue, nem necessariamente vivenciou culturalmente a Palestina, mas acredito que espiritualmente, ao menos, temos nossos ancestrais. Retorno a uma casa que foi destruída, no macro e no micro. Mas não é um processo fácil, ela sabe bem disso e expõe todas as dúvidas, todas as contradições, se podemos chamar de retorno, se esse lugar nos pertence, um questionamento que não cessa, nem quando ela chega lá. Ah, que sensação a de estar desesperada por uma família, ainda que você tenha a sua, se apegar com todas as forças a uma única história que seu pai conta, a um sobrenome, e que insegurança é a incerteza disso tudo. No fim, acho que o acaso nos protege, e ela inicia a travessia, o caminho contrário das últimas gerações. Acho que essa primeira viagem é uma sensação indescritível. Como esse livro me tocou, nas mais diversas formas! Não sei explicar direito. É ser filha e neta de imigrante. A condição da Palestina é ainda mais específica, é descender de refugiados, é ser para sempre uma refugiada no mundo. Vamos nos confrontando com isso junto à Lina.
Em Tornar-nos Outros, Lina embarca em uma jornada de pesquisa sobre a Palestina e o conflito com Israel. Esse livro, surpreendentemente, tem 10 anos que foi escrito, mas parece ser de agora. Lina não tem medo de parecer radical. E é capaz de fazer uma revolução nas nossas mentes. Ela pensa sobre as palavras e o lugar da literatura, enfrenta autores renomados e nos desafia a pensar além.