No ano de 1710, no litoral de Pernambuco, um navio português é capturado pelo pirata Jean-François Duclerc. Os marujos prisioneiros revelam ao corsário que todo o ouro das meninas está desprotegido no Rio de Janeiro, pois a tropa de soldados fora enviada a São Paulo, para lutar na Guerra dos Emboabas.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro, os amigos Jorge e André voltam do Colégio dos Jesuítas, juntam-se a Leonor e planejam uma viagem até a Ilha Grande, lugar onde vivem o capitão Esteves e dona Diva, pais de jorge. Mal sabiam eles que essa viagem os levaria para a maior aventura de suas vidas.
Duclerc está determinado e nada pode impedi-lo. Com a ajuda do chevalier de Valcke - O Homem do Olho de Ouro -, ele captura Leonor e dona Diva, que são levados a bordo do Auriflama, a imponente nau capitânia. Lá, Duclerc as chantageia para que lhe façam um mapa do Rio de Janeiro, indicando o caminho exato para a Casa da Moeda.
Em meio a balas de canhões, tesouros escondidos, insetos peçonhentos, um governador atrapalhado e uma papagaia destemida, os três amigos terão que agir rápido para deter os piratas e proteger a cidade dos terríveis assaltantes.
Ao costuar fatos históricos e ficção, Samir Machado cria uma narrativa de piratas diferente de todas que você leu: uma aventura inspirada nos clássicos, mas com elementos da cultura e tradição brasileiras. As ilustrações de Rafael Coutinho adicionam ainda mais beleza a essa incrível trama dos piratas que são forçados a invadir o Rio de Janeiro por terra e dos três jovens que, revelando-se bravos e inesquecíveis heróis, precisam evitar que o plano dos estrangeiros se concretize.
Samir Machado de Machado nasceu em Porto Alegre, em 1981. É escritor, tradutor e mestre em escrita-criativa pela PUC-RS. É autor, dentre outros, dos romances Quatro Soldados, Homens Elegantes (Prêmio Açorianos de Literatura 2017), e Tupinilândia (Prêmio Minuano de Literatura 2019), Ganhou duas vezes o prêmio Jabuti de Melhor Romance de Entretenimento, em 2021 por Corpos Secos, co-escrito com Luísa Geisler, Natália Borges Polesso e Marcelo Ferroni, e em 2024 por O crime do bom nazista. Sua obra já foi traduzida para o francês, o italiano e o inglês.
Finalmente acabei de ler este livro, a primeira empreitada do Samir no mundo do livros infanto-juvenis. E ele se sai muito bem trazendo um livro que pode agradar tanto aos infantes como aos adultos, graças às referências que ele coloca, que passarão despercebida para as novas gerações, mas não para os mais velhos. Essas referências acabam criando uma gamificação de ironias no livro em que o leitor põe-se a procurar também outros significados escondidos e contemporâneos dentro de uma história que trata do século XVIII. As ilustrações de Rafael Coutinho e belo projeto gráfico dão ao livro um peso de retorno a um tempo que não se viveu muito mais imponente, mais uma vez deixando a publicação com uma cara para todos os públicos. Além disso, o livro vem recheado de extras, como mapas, glossários e depoimentos de historiadores. Só o que senti um pouco de falta era um mapa para me localizar no Rio de Janeiro da época comparado com a "cidade maravilhosa" de hoje. Os personagens são encantadores e bem desenvolvidos, ficando de lição para os desenvolvedores de blockbusters com piratas. Quem sabe um dia veremos um filme deste livro? Só espero que não com este título! =)