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Maria Altamira

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A narrativa é uma jornada pela América Latina e pelo interior do Brasil. Começa em 1970, com uma avalanche que soterra uma cidade nos Andes peruanos, e termina nos dias atuais, em Altamira, Pará, pouco depois da inauguração da Usina Hidroelétrica de Belo Monte. Uma catástrofe da natureza, a outra provocada pelo homem. Uma atinge a mãe; a outra atinge a filha. As duas são indígenas.

Por meio de suas protagonistas e outros personagens que sofrem a destruição de seu modo de vida, o romance lida com temas como a situação indígena no Brasil; a procura do pai e da mãe; a força das raízes e do acaso; o que é o bem, o que é o mal; quem sou eu, o que faço de minha vida? É um épico, um romance, um filme, uma série.

280 pages, Paperback

First published February 13, 2020

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About the author

Maria José Silveira

43 books34 followers
Maria José Silveira nasceu em Jaraguá, Goiás, e mora em São Paulo. É formada em Comunicação e em Antropologia, e mestre em Ciências Políticas. Foi sócio-fundadora da Editora Marco Zero e trabalhou na Cosac&Naify Edições. Tem vários romances publicados, entre eles “A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas Filhas”, com o qual recebeu o Prêmio Revelação da APCA, 2002, “O Fantasma de Luís Buñuel” e “Guerra no Coração do Cerrado”. Escreve também para jovens e crianças.

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126 (31%)
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10 (2%)
1 star
3 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 80 reviews
Profile Image for Bebel Sader.
149 reviews16 followers
March 27, 2020
Leitura maravilhosa! Me trouxe uma nova perspectiva das expropriação das terras indígenas e das populações ribeirinhas do Xingu. A história de mãe e filha nos levam em uma viagem do Peru até Altamira, no Pará. Uma ótima obra para pessoas que como eu, desconheciam a violência e destruição que a construção da usina de Belo Monte trouxe para a região.

Sem dúvida, uma história que merece muitos holofotes, e alcançar muitos leitores.
Profile Image for Luciana.
530 reviews171 followers
January 29, 2022
Tem livros que são tão bons que a gente não lê, a gente come, mas come de pouquinho para que não termine depressa.

Maria Altamira é uma daquelas obras que já vimos sobre os olhos de Érico Veríssimo e Rachel de Queiroz, só que diferente do pampa e do sertão, estamos a volta do Rio Xingu, da aldeia indígena Juruna rio adentro até Altamira, no Pará. Saindo do Peru, passando pela Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai até desembocar na Amazônia, o leitor acompanha a vida de Aleli, uma menina peruana que vaga pela América levando consigo apenas a dor como bagagem; se a morte é a companheira mais próxima da menina, é se agarrando a ela que ela encontra na música e na empatia das pessoas um pouco de tranquilidade para seguir.

Se os países latinos tem como pano histórico a violência imperialista, a usurpação de suas riquezas, no Brasil não é diferente, continuamente explorado, alvo de interesse externo e da ambição interna, somos apresentados a toda barbarie que sabemos haver de forma mais extrema no norte do país, desde os embates por terra, os crimes deles decorrentes, até as explorações naturais de minérios, madeira e água, que destroem pouco a pouco a vida daqueles que ousam se contrapor a eles.

É deixando Aleli e partindo com a filha, Maria Altamira, que somos apresentados a toda violência citada acima, bem como da prevalência dos movimentos sociais que buscam enfrentar o extermínio natural e indígena, seja em São Paulo, seja a margem do Xingu, seja na construção da Usina de Belo Monte, seja pelas ruas de Altamira, a violência insurge, mas apesar dela, há muita vida, história e cultura por detrás e é tudo isso, toda essa riqueza, que a obra vem iluminar para o leitor. Foi, por conseguinte, uma ótima leitura a mim; a literatura brasileira nunca surpreende, pois já sabemos de antemão de sua beleza e qualidade, eis, mais um belo retrato dela.
Profile Image for Daniela Bach.
48 reviews8 followers
May 21, 2020
Que livro maravilhoso!
Se deliciar numa leitura para conhecer novas perspectivas e realidades de um país que vivo e pouco conheço é puro luxo literário.
Escrita leve e envolvente para uma temática forte e necessária.
Leiam.
Profile Image for Luiza Palma.
10 reviews
February 23, 2026
Um dos livros mais bonitos que já li, uma aula sobre as consequências da construção da usina Belo Monte. Muito triste e muito lindo.
Profile Image for Marina Tommasi.
169 reviews3 followers
October 11, 2022
Infelizmente é raro ler uma história centrada nos povos indígenas, e Maria Altamira tras o tema com maestria. Carrega junto a complexidade da construção da usina Belo Monte, desastres naturais, violência contra a mulher, luta por moradia.. O livro é excelente, e o sentimento de tristeza durante a leitura é inevitável.
Profile Image for Catarina Venancio.
171 reviews30 followers
March 18, 2026
Maria Altamira - Maria José Silveira 🌿

Quem conta a história de um país? Os grandes acontecimentos… ou as vidas que foram atravessadas por eles?

Uma mulher cuja vida se desenrola em meio a transformações profundas do Brasil. A narrativa costura experiência pessoal e contexto histórico, mostrando como decisões políticas, mudanças sociais e conflitos coletivos acabam moldando destinos individuais.

🌿 Minha experiência:
Foi uma leitura envolvente, especialmente pela forma como a história individual se mistura com o contexto político e social do Brasil. Gosto muito quando romances conseguem transformar grandes acontecimentos históricos em experiências humanas concretas. Em alguns momentos senti que o ritmo oscila, mas ainda assim a trajetória da personagem sustenta o interesse e provoca reflexão.

💭 Temas marcantes:
• Resistência e sobrevivência
• Memória e construção da identidade
• Poder, desigualdade e pertencimento

✨ Por que ler?
Porque o romance nos lembra que a História não acontece apenas nos livros ou nas datas oficiais. Ela se manifesta nas vidas comuns, nas decisões difíceis e nas pequenas resistências do dia a dia. Maria Altamira oferece justamente esse olhar: o de como uma trajetória feminina pode revelar as tensões e transformações de um país inteiro.

📖 Citação que me marcou:
“O tempo de algo tão intenso e extraordinário que só podia existir uma vez, e era ali que existia agora, naquele único momento.”

📚 TAG Curadoria - Fevereiro/26

⭐️ Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️

📚 Você também gosta quando romances usam personagens para revelar momentos da história do país? Alguma leitura já te fez olhar para o Brasil de outra forma? Me conta 💬

Um grande abraço! 💜

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Profile Image for DANIEL TOMAZ DE SOUSA.
43 reviews4 followers
May 28, 2021
A história começa com o evento histórico de um deslizamento causado por um terremoto em 1970, deixou a cidade de Yungay (Peru) com cerca de 400 sobreviventes. Aleli uma das personagens foi uma das sobreviventes e para lidar com o trauma de perder a família e sua filha, começou a viajar pela América-latina, passando por diversos países, até chegar ao Brasil. No Brasil conhece Manu Juruna, um indígena, e com ele tem uma filha. Por achar que carrega uma maldição, onde quem convive com ela, acaba por morrer, Aleli abandona sua filha com Manu, que foi batizada de Maria Altamira.
A partir daqui nos deparamos com o desenrolar da vida de Maria Altamira, uma história ambientada pelo Rio Xingu, pela usina de Belo Monte, por povos indígenas, pela migração pra São Paulo e seu posterior retorno.

Eu fiquei apaixonado pela escrita da autora e por essa história, me tocou em diversos pontos e fez perceber o quanto somos ignorantes das lutas dos povos indígenas e dos impactos dessas mega usinas hidrelétricas. Fiquei muito instigado a conhecer mais sobre o assunto e tb permear outras obras da autora.
Indico demais a leitura!
Profile Image for Renata Giacomini.
62 reviews
September 10, 2022
O livro começou um pouco devagar, mas logo me envolvi com a história e com as personagens. Que livro lindo! Quanta dor e quanto amor na historia de Alelí e Maria Altamira.
Profile Image for Heloisa Gama.
31 reviews2 followers
December 8, 2021
A narrativa da mãe me despiu de tudo. Me despiu de esperança, me despiu do amor, me despiu da felicidade. Com ela e por ela só senti empatia. E aí vem a narrativa da filha, que ao contrário de tudo o que a mãe pensou, transbordava vida. Em Maria Altamira fui do céu ao inferno, e meu coração gelado e cansado de militar por causas impossíveis tomou um belo solavanco. O livro é o ciclo perfeito e eu acho que ainda preciso absorver a história por alguns dias. Talvez eu até retorne aqui pra refazer a avaliação, mas sem dúvida uma coisa vai permanecer imutável: um dos maiores livros que já li na vida.

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Retornando aqui depois de dois meses pra dizer que ainda não consegui parar de pensar no livro, e que estou trabalhando um desenho com meu tatuador pra imortalizar a Aleli na minha pele, porque diferente do impacto inicial que tive de achar que ela me despiu, o que ela é, na verdade é o tudo. Ela é a tormenta e a calmaria. Ela é o mito e o real. Aleli é a mãe, o pai, a família e o abandono. É a música e o silêncio. É, especialmente, o medo e o conforto.

Eu achei que conseguiria absorver a história, mas acho que nunca vou, e estou em paz com isso. É daquelas que quanto a gente mais pensa, mais precisa pensar. Isso sem contar na forma BRILHANTE com a que Maria José trouxe o misticismo latino-americano e a brasilidade na vivência de mãe(s) e filha. Esse livro, minha gente... ESSE LIVRO.
Profile Image for Laura Regina indicalaura.
397 reviews4 followers
April 9, 2021
Na região da Volta Grande do rio Xingu, uma peruana e uma paraense se esbarram e mudam suas vidas.

Sei que vou dizer um clichê, mas pense um pouquinho comigo: a vida é feita de encontros, né não?! E esta é a base também deste filme: encontros que mudam as histórias dos personagens.

Nós acompanhamos principalmente a vida de três mulheres: a peruana nômade Alelí, a paraense Francisca e a indígena Maria Altamira - mulheres fortes nas suas falhas, guerreiras nas suas dúvidas, lindas nos seus defeitos. Sei que parece contraditório, mas quem não o é?! É na construção das personagens que o livro cresce muito, pois consegue fazer o leitor conhecer aquelas pessoas como se fossem amigas íntimas.

O que não me deixou tão feliz foi a maneira como a história foi conduzida, porque houve momentos que eu queria detalhes, saber mais sobre os personagens secundários, e não tive respostas (ou foram bem rápidas). E o final... gostaria muito de conversar sobre ele!!

PS: parabéns para a editora Instante pelo projeto gráfico, trazendo um lindo mapa da região do Xingu! E obrigada, Thainá, pela indicação!

Mais indicações no Instagram @indicalaura
Profile Image for Carina Valença.
26 reviews2 followers
June 1, 2021
"Nunca estamos sozinho dentro da mata. Bicho e árvore o tempo todo tão observando a gente. E não pense que eles são bobo. Falam entre si. Quando um madeireiro derruba uma árvore grande, uma castanheira, por dizer assim, ela tem raízes entranhada terra abaixo, não morre sozinha. Leva junto as árvores do entorno, sua queda puxa as outra. A terra treme e ruge, e a árvore maior cai esperneando com as menor. A natureza solta um berro. É um alerta, um aviso: cês levaram essa, mas cuidado se quiserem levar mais. Posso tardar em vingar a morte dos meus, mas um dia vingo."
Profile Image for Mateus Bernardes.
11 reviews1 follower
February 8, 2022
Quanto sofrimento cabe num continente tão rico culturalmente quanto a América Latina?

Quanto ainda temos a aprender sobre nossas origens e nossa identidade?

A resposta é fácil: MUITO! E "Maria Altamira" é um ótimo ponto de partida. Obra-prima muito necessária se não quisermos seguir repetindo erros que nos custaram caro enquanto sociedade.

É sempre tempo de correr atrás e (re)conhecer é o primeiro passo.
Profile Image for Amanda.
188 reviews2 followers
March 15, 2026
A linda obra nos apresenta histórias reais, não no sentido jornalístico dos fatos, mas no sentido de que, apesar de se tratar de uma ficção, certamente são vivências de violência, conscientização e/ou alienação, dores e traumas, experimentados pelos contemporâneos desse momento histórico do Brasil marcado pela construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu.

As páginas nos contam do impacto da decisão de construir a hidrelétrica no meio ambiente, na vida dos indígena e ribeirinhos, dos próprios moradores da cidade de Altamira, em um Brasil tão desconhecido da maioria de nós, que figura essencialmente em manchetes horrendas, eventualmente noticiadas e repercutidas, como a do assassinato da irmã Dorothy Stang, dentre outras lembradas no decorrer da narrativa.

Tudo magnificamente inserido num contexto de busca de reconhecimento de existência numa América Latina, ainda tão cheia de veias abertas, escorrendo sangue de povos originários, massacrados por ditaduras e explorados por gananciosos, porém contado de forma doce e poética na medida certa.

O livro me trouxe muitas reminiscências de O Banzeiro Okoto, da Eliana Brum, que foi minha leitura favorita de 2024. Quem gostou de Maria Altamira e quiser continuar se aprofundando nesse tema, tão urgente e importante até os nossos dias, fica aqui a recomendação.

Aleli, Maria Altamira, Jurandir, Dona Chica… São o tipo de personagens que a gente carrega no coração por tempos, que ressoam e que trazem em si o grande poder da literatura, de instigar em nós indignação e amor pelas causas que empunham!
Profile Image for JUCELIA.
5 reviews
April 20, 2021
Leitura bastante fluída. O livro relata a história fictícia de Maria Altamira, filha de Alelí, peruana sobrevivente de uma tragédia, um terremoto que matou mais de 67 mil pessoas em maio de 1970. Ao contar a história das protagonistas, a autora revela a miséria que atinge a América Latina.
O romance escancara a destruição causada pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, o prejuízo para a fauna e flora da região. O impacto sociocultural experimentado pelas das aldeias indígenas que margeavam o Rio Xingu.
O grande Xingu, cuja nascente fica localizada no estado do Mato Grosso, possui quase 2 mil km de extensão e era a fonte de renda e alimentação para a população ribeirinha em Altamira.
Com a chegada da usina, Altamira vivenciou uma explosão demográfica que trouxe a exploração sexual, o tráfico de pessoas, a escravidão, o tráfico de drogas, a violência e o medo. Desesperança para muitos.
O livro emociona, faz refletir sobre o paradoxo entre o progresso e o uso da terra, a importância do respeito à diversidade cultural e a imposição do homem branco sobre a comunidade indígena.

A edição da editora instante é belíssima (1ª). A capa muito bonita e a diagramação é excelente!
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Marcelle.
563 reviews10 followers
April 18, 2026
4.5

Que história bem escrita, e necessária. Tem várias repetições que não são chatas porque são usadas pra reforçar certos "karmas", como o do desastre ambiental causado pela natureza e por pessoas, situação de moradia que é causada pela especulação imobiliária e drogas, um atirador que ao matar uma pessoa inicia um ciclo, e ao matar a outra, encerra. Alelí e Maria Altamira são mãe e filha que vivem paralelamente dentro desses ciclos, e as duas são sobreviventes e fortes à sua maneira. É uma leitura fluida, mas não é fácil. Dá pra lerem um dia, mas recomendo fazer pausas para absorver melhor.
Profile Image for Luna Mayura.
69 reviews2 followers
March 29, 2026
Que coisa mais linda! Apesar de ser uma história sofrida, a autora contou com uma beleza indescritível (e sensibilidade também).

Foi gostoso demais poder ler mais sobre meu país e me aprofundar na cultura indígena!

É um livro muito necessário e cada vez mais atual, explicitando todas as atrocidades cometidas e os crimes ambientais e sexuais que assolam muitas cidades do Brasil.

Foi doído ler tudo isso, mas também foi gostoso demais ser lembrada de que mesmo com esse tanto de coisa ruim acontecendo, ainda tem muita gente nadando contra a maré e lutando pelo o que é certo.

Me emocionei lendo. Me senti esperançosa.
Profile Image for Beatriz.
116 reviews
March 18, 2026
3.5 ⭐️. Li esse livro por conta do clube do livro da Tag Curadoria. Achei a escrita bonita e agradável, especialmente sendo narrada na voz da autora no audiobook. A história em si não me pegou muito, achei um pouco fantasiosa e sem muito rumo. Acho que é preferência pessoal mesmo
Profile Image for Gabriel Padilha.
139 reviews62 followers
May 25, 2023
Escrita deliciosa, ótima forma de contar a história. muito interessante o pano de fundo politico e indigenista da obra.
O final pareceu um pouco corrido, para fechar as pontas soltas...
Profile Image for ALINE SHIRAZI.
84 reviews1 follower
April 6, 2026
Adorei o livro, mas detestei o final. rs
de qualquer forma, valeu muito a leitura e eu leria mais 200/300 páginas dessa narrativa tranquilamente!
Profile Image for Vanessa Pinheiro Drusian.
2 reviews
March 27, 2026
As histórias de uma mãe peruana e de uma filha paraense, ambas de origem indígena, contadas em paralelo e de forma entrelaçada em alguns momentos do livro. Amei!
Profile Image for Dulcinea Silva.
249 reviews
February 7, 2026
Maria Altamira chegou até mim como leitura enviada pela TAG Experiências Literárias, na curadoria de fevereiro de 2026. O interesse da TAG está justamente nessa possibilidade de ler livros que não estavam no meu radar, abrindo espaço para encontros inesperados e deslocamentos de leitura.


É nesse desvio que surge Maria Altamira, romance de Maria José Silveira, que parte de uma tragédia real: o terremoto de 1970 que soterra a cidade de Yungay, no Peru. Uma das poucas sobreviventes é Alélí, que, em estado de choque, passa a vagar pela América do Sul até chegar à Volta Grande do Xingu, no Pará. Ali, ela conhece Manuel Jurun, com quem forma uma família. Dessa união nasce Maria Altamira.


O romance acompanha as trajetórias entrelaçadas de mãe e filha, marcadas por deslocamentos, separações e reencontros, enquanto o Brasil avança sobre seus territórios. Ao longo da narrativa, surgem a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a resistência de povos ribeirinhos e indígenas do Xingu e, em outro eixo, a luta pelo direito à moradia em São Paulo. A história conecta destruição ambiental, violência social e sobrevivência feminina, mostrando como grandes projetos e decisões políticas moldam e ferem vidas comuns. É um livro sobre mulheres forjadas pela perda, pelo deslocamento e pela insistência em permanecer.


A grande força do romance é a narrativa que se desloca para o Norte do país, uma região que, para muitos leitores, permanece distante, quase abstrata, apesar de constantemente explorada. Maria José Silveira faz desse deslocamento um gesto político: o romance se ancora na Volta Grande do Xingu e obriga o olhar a permanecer ali, onde o Brasil costuma passar rápido demais.


A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte atravessa o livro como uma tragédia anunciada. Não aparece apenas como obra de infraestrutura, mas como força de ruptura: desorganiza vidas, fragmenta comunidades ribeirinhas e indígenas, impõe um progresso que chega como violência. O rio deixa de ser apenas paisagem e passa a ser personagem ferido, testemunha de um projeto que transforma território em estatística.


Nesse cenário, o romance expõe o custo humano de decisões tomadas à distância. O Norte não surge como exótico ou mítico, mas como espaço concreto de conflito, onde desenvolvimento e destruição caminham juntos. Ao trazer essa região para o centro da narrativa, Maria Altamira desloca também o leitor, convidando-o a encarar um Brasil que existe, insiste e sofre, mesmo quando preferimos não olhar.


Há, também, no centro do romance, o peso das grandes tragédias sobre o humano. O terremoto que destrói Yungay não termina quando a terra se aquieta: ele se prolonga no corpo e na errância de Alélí, que perde o chão no sentido mais literal e simbólico. O desastre rompe a possibilidade de uma vida contínua, empurrando-a para um estado permanente de deslocamento, como se o tempo tivesse ficado fraturado naquele instante.


Esse mesmo movimento reaparece, em outra escala, na vida de Maria Altamira. A construção da hidrelétrica opera como um terremoto prolongado, não súbito, mas igualmente devastador. O que em Alélí foi ruína imediata, na filha se manifesta como desgaste contínuo: o território que desaparece, a comunidade que se desfaz, a sensação de viver sob uma ameaça constante, travestida de progresso.


O romance sugere que certas tragédias não são episódios isolados, mas condições de existência. Elas não apenas interrompem vidas, como redefinem o que é possível desejar, planejar ou chamar de futuro. Em Maria Altamira, mãe e filha carregam marcas diferentes de uma mesma lógica destrutiva, e o livro pergunta, sem responder, quanto de uma vida ainda é escolha quando o mundo insiste em ruir ao redor.


Outro ponto central do romance é a questão indígena, apresentada a partir da vida dos Juruna, mas nunca reduzida a um único povo ou a um retrato folclórico. Maria José Silveira constrói personagens indígenas inseridos em conflitos concretos, atravessados por decisões políticas, perdas territoriais e negociações forçadas com um mundo que avança sem pedir licença.


A presença indígena no livro amplia o entendimento do que está em jogo na Volta Grande do Xingu. Não se trata apenas de impacto ambiental, mas de modos de vida ameaçados, de línguas, rituais e formas de organização que resistem apesar da violência histórica. Os Juruna aparecem como sujeitos da narrativa, com desejos, contradições e estratégias de sobrevivência, não como símbolos abstratos.


Há também, para o leitor, um efeito claro de deslocamento: conhecer um pouco mais dessas histórias escancara o quanto sabemos pouco sobre os povos indígenas do Brasil e o quanto essa ignorância é conveniente para projetos de apagamento. O romance ensina sem didatismo e aproxima sem idealização, deixando a sensação incômoda e necessária de que esse desconhecimento também é parte do problema.


Contudo, o romance não me atravessou sem incômodos. O primeiro deles está na linguagem. Em muitos momentos, a escrita de Maria José Silveira me pareceu excessivamente objetiva, quase seca demais para uma história tão carregada de dor, deslocamento e perda. Falta, às vezes, uma respiração maior, um trabalho mais sensível da frase, que permita ao leitor permanecer no acontecimento em vez de apenas atravessá-lo.


Essa escolha estilística torna a leitura clara e direta, mas também pode produzir uma certa rigidez. Em vez de ornamento gratuito, senti falta de fluidez, de uma linguagem que se deixasse contaminar um pouco mais pelo rio, pelo trauma, pelo tempo lento daquelas vidas. O resultado é um romance potente no que conta, mas que nem sempre encontra, na forma, a mesma intensidade do que narra.


O segundo ponto que me incomodou foi o desfecho. Acompanhamos por quase todo o romance as trajetórias paralelas dessas duas mulheres, mãe e filha, em suas andanças, perdas e encontros que nunca se concretizam. Há uma expectativa silenciosa sendo construída, quase inevitável: a de que essas histórias, tão próximas e tão afastadas, finalmente se toquem com mais densidade.


No entanto, o final chega de forma abrupta. O reencontro, ou aquilo que poderia funcionar como desfecho emocional e simbólico, acontece rápido demais, sem o tempo necessário para amadurecer tudo o que foi acumulado ao longo da narrativa. Fica a sensação de que o livro encerra quando ainda havia fôlego para aprofundar, elaborar, deixar o impacto assentar.


Talvez essa escolha dialogue com a própria lógica do romance, marcada por interrupções e perdas. Ainda assim, como leitora, senti falta de um fechamento mais espesso, que fizesse jus ao percurso longo e doloroso dessas duas vidas que atravessamos quase em silêncio.


Claro que esses pontos não apagam o impacto da leitura, nem tudo aquilo que destaquei no início. Maria Altamira me fez entrar em contextos que estavam fora do meu foco como leitora brasileira, aproximou territórios, conflitos e histórias que muitas vezes permanecem à margem do nosso próprio imaginário nacional. Há valor incontestável nesse deslocamento e nesse aprendizado.


Mas é justamente por ser um romance, e não apenas um retrato de país, que a narrativa pede mais. O conhecimento adquirido, o contexto histórico e social, tudo isso é potente, mas senti que a forma literária poderia ter sido mais bem trabalhada nesse final para sustentar o peso do que é contado.


Ainda assim, Maria Altamira foi uma muito boa leitura. Um livro que amplia o mapa, desloca certezas e nos força a encarar um Brasil, e uma América Latina, que preferimos manter à distância. A força do romance está menos na lapidação da linguagem e mais no que ele convoca: memória, território, pertencimento, sobrevivência.


Saio da leitura com a sensação de ter caminhado por lugares que não conhecia, acompanhado vidas que importam e conflitos que continuam em aberto. O livro cumpre algo essencial: incomoda, informa e permanece ecoando depois da última página. E, às vezes, isso é exatamente o que uma leitura precisa fazer.



Maria Altamira de Maria José Silveira. São Paulo: Editora Instante, 2026. 180p. Leitura de Fevereiro 2026.
1 review
March 9, 2022
Maria Altamira possui um enredo muito cativante, e é acompanhado por um gosto amargo de impotência. Política por natureza, essa história faz o leitor vislumbrar os desastres que acometem a população indígena e ribeirinha, e que muitas vezes ficam à margem dos noticiários. O livro permite visualizar a tragédia da destruição da floresta e do modo de vida das populações indígenas no longo prazo, não como uma característica de um governo, mas como um pilar das estruturas econômicas e sociais do Brasil. Com certeza, poderia se tornar um paradidático poderoso, uma vez que suscita inúmeras discussões relevantes sobre gênero, classe, raça, ecologia e geografia.
Mas 3 estrelas e não 4 ou 5?
A execução da narrativa e a construção superficial de alguns personagens dificulta a criação de uma experiência literária imersiva. A autora escolhe não explorar de forma mais detalhada psicologia e personalidade dos seus coadjuvantes, e essa falta se reflete em Maria e a torna menos real.
Além disso, a escritora decide muitas vezes contar a história, ao invés de mostrar a história, nos fazer mergulhar nela. Ela perde muitas oportunidades de engajar o leitor, optando por uma sucessão de diálogos em que personagens relatam fatos invés de uma descrição mais substantiva do que aconteceu.
Consequentemente, o leitor fica com a sensação de que não está vivendo a jornada dos personagens, mas observando-a à distância, como um relato que é mais sociológico e menos literário. Por isso, é difícil se apegar aos personagens, com exceção possivelmente de Alelí, cuja jornada é extremamente poética. De modo geral, o livro é muito bom, mas me desapontou.
Profile Image for Mairton Rodrigues .
15 reviews
June 24, 2021
Que livro aprazível, encheu-me de júbilo. As mulheres dessa obra são representação de força. Alelí e toda a sua trajetória de dor, desde a tragédia em sua cidade natal; Chica mais uma mãe da pobreza, uma vida dedicada a suas crias e Maria Altamira filha de índio que sempre abraçou suas origens.

A autora faz um livro muito crítico, com temáticas como: causa indígena, violência contra mulher e desigualdades sociais. Nos leva a comparar a construção de Belo Monte com a tragédia de Yungay. Ainda traz informações relevantes acerca dos governos ditatoriais na América Latina.  Um verdadeiro mergulho na história de Altamira e do povo indígena afetada com a construção da usina.

Livro extremamente cadenciado, na minha opinião falha apenas na reta final com alguns caminhos trilhados por Altamira que repetinamente muda de postura frente o “amor" e algumas coincidências pouco plausíveis.
Profile Image for Imperfect Rebel.
50 reviews
May 28, 2021
Lágrimas

Fazia tempo que um livro não me levava a chorar de tristeza, emoção, raiva e amor! Maria Altamira é uma facada no peito a cada pagina. Leiam!
Displaying 1 - 30 of 80 reviews