Jump to ratings and reviews
Rate this book

Maria Altamira

Rate this book
A narrativa é uma jornada pela América Latina e pelo interior do Brasil. Começa em 1970, com uma avalanche que soterra uma cidade nos Andes peruanos, e termina nos dias atuais, em Altamira, Pará, pouco depois da inauguração da Usina Hidroelétrica de Belo Monte. Uma catástrofe da natureza, a outra provocada pelo homem. Uma atinge a mãe; a outra atinge a filha. As duas são indígenas.

Por meio de suas protagonistas e outros personagens que sofrem a destruição de seu modo de vida, o romance lida com temas como a situação indígena no Brasil; a procura do pai e da mãe; a força das raízes e do acaso; o que é o bem, o que é o mal; quem sou eu, o que faço de minha vida? É um épico, um romance, um filme, uma série.

280 pages, Paperback

First published February 13, 2020

29 people are currently reading
442 people want to read

About the author

Maria José Silveira

43 books33 followers
Maria José Silveira nasceu em Jaraguá, Goiás, e mora em São Paulo. É formada em Comunicação e em Antropologia, e mestre em Ciências Políticas. Foi sócio-fundadora da Editora Marco Zero e trabalhou na Cosac&Naify Edições. Tem vários romances publicados, entre eles “A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas Filhas”, com o qual recebeu o Prêmio Revelação da APCA, 2002, “O Fantasma de Luís Buñuel” e “Guerra no Coração do Cerrado”. Escreve também para jovens e crianças.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
169 (51%)
4 stars
101 (30%)
3 stars
48 (14%)
2 stars
7 (2%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 55 reviews
Profile Image for Bebel Sader.
145 reviews16 followers
March 27, 2020
Leitura maravilhosa! Me trouxe uma nova perspectiva das expropriação das terras indígenas e das populações ribeirinhas do Xingu. A história de mãe e filha nos levam em uma viagem do Peru até Altamira, no Pará. Uma ótima obra para pessoas que como eu, desconheciam a violência e destruição que a construção da usina de Belo Monte trouxe para a região.

Sem dúvida, uma história que merece muitos holofotes, e alcançar muitos leitores.
Profile Image for Luciana.
522 reviews169 followers
January 29, 2022
Tem livros que são tão bons que a gente não lê, a gente come, mas come de pouquinho para que não termine depressa.

Maria Altamira é uma daquelas obras que já vimos sobre os olhos de Érico Veríssimo e Rachel de Queiroz, só que diferente do pampa e do sertão, estamos a volta do Rio Xingu, da aldeia indígena Juruna rio adentro até Altamira, no Pará. Saindo do Peru, passando pela Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai até desembocar na Amazônia, o leitor acompanha a vida de Aleli, uma menina peruana que vaga pela América levando consigo apenas a dor como bagagem; se a morte é a companheira mais próxima da menina, é se agarrando a ela que ela encontra na música e na empatia das pessoas um pouco de tranquilidade para seguir.

Se os países latinos tem como pano histórico a violência imperialista, a usurpação de suas riquezas, no Brasil não é diferente, continuamente explorado, alvo de interesse externo e da ambição interna, somos apresentados a toda barbarie que sabemos haver de forma mais extrema no norte do país, desde os embates por terra, os crimes deles decorrentes, até as explorações naturais de minérios, madeira e água, que destroem pouco a pouco a vida daqueles que ousam se contrapor a eles.

É deixando Aleli e partindo com a filha, Maria Altamira, que somos apresentados a toda violência citada acima, bem como da prevalência dos movimentos sociais que buscam enfrentar o extermínio natural e indígena, seja em São Paulo, seja a margem do Xingu, seja na construção da Usina de Belo Monte, seja pelas ruas de Altamira, a violência insurge, mas apesar dela, há muita vida, história e cultura por detrás e é tudo isso, toda essa riqueza, que a obra vem iluminar para o leitor. Foi, por conseguinte, uma ótima leitura a mim; a literatura brasileira nunca surpreende, pois já sabemos de antemão de sua beleza e qualidade, eis, mais um belo retrato dela.
Profile Image for Daniela Bach.
48 reviews6 followers
May 21, 2020
Que livro maravilhoso!
Se deliciar numa leitura para conhecer novas perspectivas e realidades de um país que vivo e pouco conheço é puro luxo literário.
Escrita leve e envolvente para uma temática forte e necessária.
Leiam.
Profile Image for Marina Tommasi.
166 reviews3 followers
October 11, 2022
Infelizmente é raro ler uma história centrada nos povos indígenas, e Maria Altamira tras o tema com maestria. Carrega junto a complexidade da construção da usina Belo Monte, desastres naturais, violência contra a mulher, luta por moradia.. O livro é excelente, e o sentimento de tristeza durante a leitura é inevitável.
Profile Image for DANIEL TOMAZ DE SOUSA.
43 reviews4 followers
May 28, 2021
A história começa com o evento histórico de um deslizamento causado por um terremoto em 1970, deixou a cidade de Yungay (Peru) com cerca de 400 sobreviventes. Aleli uma das personagens foi uma das sobreviventes e para lidar com o trauma de perder a família e sua filha, começou a viajar pela América-latina, passando por diversos países, até chegar ao Brasil. No Brasil conhece Manu Juruna, um indígena, e com ele tem uma filha. Por achar que carrega uma maldição, onde quem convive com ela, acaba por morrer, Aleli abandona sua filha com Manu, que foi batizada de Maria Altamira.
A partir daqui nos deparamos com o desenrolar da vida de Maria Altamira, uma história ambientada pelo Rio Xingu, pela usina de Belo Monte, por povos indígenas, pela migração pra São Paulo e seu posterior retorno.

Eu fiquei apaixonado pela escrita da autora e por essa história, me tocou em diversos pontos e fez perceber o quanto somos ignorantes das lutas dos povos indígenas e dos impactos dessas mega usinas hidrelétricas. Fiquei muito instigado a conhecer mais sobre o assunto e tb permear outras obras da autora.
Indico demais a leitura!
Profile Image for Renata Giacomini.
62 reviews
September 10, 2022
O livro começou um pouco devagar, mas logo me envolvi com a história e com as personagens. Que livro lindo! Quanta dor e quanto amor na historia de Alelí e Maria Altamira.
Profile Image for Heloisa Gama.
31 reviews2 followers
December 8, 2021
A narrativa da mãe me despiu de tudo. Me despiu de esperança, me despiu do amor, me despiu da felicidade. Com ela e por ela só senti empatia. E aí vem a narrativa da filha, que ao contrário de tudo o que a mãe pensou, transbordava vida. Em Maria Altamira fui do céu ao inferno, e meu coração gelado e cansado de militar por causas impossíveis tomou um belo solavanco. O livro é o ciclo perfeito e eu acho que ainda preciso absorver a história por alguns dias. Talvez eu até retorne aqui pra refazer a avaliação, mas sem dúvida uma coisa vai permanecer imutável: um dos maiores livros que já li na vida.

-----

Retornando aqui depois de dois meses pra dizer que ainda não consegui parar de pensar no livro, e que estou trabalhando um desenho com meu tatuador pra imortalizar a Aleli na minha pele, porque diferente do impacto inicial que tive de achar que ela me despiu, o que ela é, na verdade é o tudo. Ela é a tormenta e a calmaria. Ela é o mito e o real. Aleli é a mãe, o pai, a família e o abandono. É a música e o silêncio. É, especialmente, o medo e o conforto.

Eu achei que conseguiria absorver a história, mas acho que nunca vou, e estou em paz com isso. É daquelas que quanto a gente mais pensa, mais precisa pensar. Isso sem contar na forma BRILHANTE com a que Maria José trouxe o misticismo latino-americano e a brasilidade na vivência de mãe(s) e filha. Esse livro, minha gente... ESSE LIVRO.
Profile Image for Laura Regina indicalaura.
397 reviews4 followers
April 9, 2021
Na região da Volta Grande do rio Xingu, uma peruana e uma paraense se esbarram e mudam suas vidas.

Sei que vou dizer um clichê, mas pense um pouquinho comigo: a vida é feita de encontros, né não?! E esta é a base também deste filme: encontros que mudam as histórias dos personagens.

Nós acompanhamos principalmente a vida de três mulheres: a peruana nômade Alelí, a paraense Francisca e a indígena Maria Altamira - mulheres fortes nas suas falhas, guerreiras nas suas dúvidas, lindas nos seus defeitos. Sei que parece contraditório, mas quem não o é?! É na construção das personagens que o livro cresce muito, pois consegue fazer o leitor conhecer aquelas pessoas como se fossem amigas íntimas.

O que não me deixou tão feliz foi a maneira como a história foi conduzida, porque houve momentos que eu queria detalhes, saber mais sobre os personagens secundários, e não tive respostas (ou foram bem rápidas). E o final... gostaria muito de conversar sobre ele!!

PS: parabéns para a editora Instante pelo projeto gráfico, trazendo um lindo mapa da região do Xingu! E obrigada, Thainá, pela indicação!

Mais indicações no Instagram @indicalaura
Profile Image for Carina Valença.
26 reviews2 followers
June 1, 2021
"Nunca estamos sozinho dentro da mata. Bicho e árvore o tempo todo tão observando a gente. E não pense que eles são bobo. Falam entre si. Quando um madeireiro derruba uma árvore grande, uma castanheira, por dizer assim, ela tem raízes entranhada terra abaixo, não morre sozinha. Leva junto as árvores do entorno, sua queda puxa as outra. A terra treme e ruge, e a árvore maior cai esperneando com as menor. A natureza solta um berro. É um alerta, um aviso: cês levaram essa, mas cuidado se quiserem levar mais. Posso tardar em vingar a morte dos meus, mas um dia vingo."
Profile Image for Mateus Bernardes.
9 reviews2 followers
February 8, 2022
Quanto sofrimento cabe num continente tão rico culturalmente quanto a América Latina?

Quanto ainda temos a aprender sobre nossas origens e nossa identidade?

A resposta é fácil: MUITO! E "Maria Altamira" é um ótimo ponto de partida. Obra-prima muito necessária se não quisermos seguir repetindo erros que nos custaram caro enquanto sociedade.

É sempre tempo de correr atrás e (re)conhecer é o primeiro passo.
Profile Image for JUCELIA.
5 reviews
April 20, 2021
Leitura bastante fluída. O livro relata a história fictícia de Maria Altamira, filha de Alelí, peruana sobrevivente de uma tragédia, um terremoto que matou mais de 67 mil pessoas em maio de 1970. Ao contar a história das protagonistas, a autora revela a miséria que atinge a América Latina.
O romance escancara a destruição causada pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, o prejuízo para a fauna e flora da região. O impacto sociocultural experimentado pelas das aldeias indígenas que margeavam o Rio Xingu.
O grande Xingu, cuja nascente fica localizada no estado do Mato Grosso, possui quase 2 mil km de extensão e era a fonte de renda e alimentação para a população ribeirinha em Altamira.
Com a chegada da usina, Altamira vivenciou uma explosão demográfica que trouxe a exploração sexual, o tráfico de pessoas, a escravidão, o tráfico de drogas, a violência e o medo. Desesperança para muitos.
O livro emociona, faz refletir sobre o paradoxo entre o progresso e o uso da terra, a importância do respeito à diversidade cultural e a imposição do homem branco sobre a comunidade indígena.

A edição da editora instante é belíssima (1ª). A capa muito bonita e a diagramação é excelente!
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Gabriel Padilha.
137 reviews62 followers
May 25, 2023
Escrita deliciosa, ótima forma de contar a história. muito interessante o pano de fundo politico e indigenista da obra.
O final pareceu um pouco corrido, para fechar as pontas soltas...
Profile Image for Dulcinea Silva.
215 reviews
February 7, 2026
Maria Altamira chegou até mim como leitura enviada pela TAG Experiências Literárias, na curadoria de fevereiro de 2026. O interesse da TAG está justamente nessa possibilidade de ler livros que não estavam no meu radar, abrindo espaço para encontros inesperados e deslocamentos de leitura.


É nesse desvio que surge Maria Altamira, romance de Maria José Silveira, que parte de uma tragédia real: o terremoto de 1970 que soterra a cidade de Yungay, no Peru. Uma das poucas sobreviventes é Alélí, que, em estado de choque, passa a vagar pela América do Sul até chegar à Volta Grande do Xingu, no Pará. Ali, ela conhece Manuel Jurun, com quem forma uma família. Dessa união nasce Maria Altamira.


O romance acompanha as trajetórias entrelaçadas de mãe e filha, marcadas por deslocamentos, separações e reencontros, enquanto o Brasil avança sobre seus territórios. Ao longo da narrativa, surgem a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a resistência de povos ribeirinhos e indígenas do Xingu e, em outro eixo, a luta pelo direito à moradia em São Paulo. A história conecta destruição ambiental, violência social e sobrevivência feminina, mostrando como grandes projetos e decisões políticas moldam e ferem vidas comuns. É um livro sobre mulheres forjadas pela perda, pelo deslocamento e pela insistência em permanecer.


A grande força do romance é a narrativa que se desloca para o Norte do país, uma região que, para muitos leitores, permanece distante, quase abstrata, apesar de constantemente explorada. Maria José Silveira faz desse deslocamento um gesto político: o romance se ancora na Volta Grande do Xingu e obriga o olhar a permanecer ali, onde o Brasil costuma passar rápido demais.


A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte atravessa o livro como uma tragédia anunciada. Não aparece apenas como obra de infraestrutura, mas como força de ruptura: desorganiza vidas, fragmenta comunidades ribeirinhas e indígenas, impõe um progresso que chega como violência. O rio deixa de ser apenas paisagem e passa a ser personagem ferido, testemunha de um projeto que transforma território em estatística.


Nesse cenário, o romance expõe o custo humano de decisões tomadas à distância. O Norte não surge como exótico ou mítico, mas como espaço concreto de conflito, onde desenvolvimento e destruição caminham juntos. Ao trazer essa região para o centro da narrativa, Maria Altamira desloca também o leitor, convidando-o a encarar um Brasil que existe, insiste e sofre, mesmo quando preferimos não olhar.


Há, também, no centro do romance, o peso das grandes tragédias sobre o humano. O terremoto que destrói Yungay não termina quando a terra se aquieta: ele se prolonga no corpo e na errância de Alélí, que perde o chão no sentido mais literal e simbólico. O desastre rompe a possibilidade de uma vida contínua, empurrando-a para um estado permanente de deslocamento, como se o tempo tivesse ficado fraturado naquele instante.


Esse mesmo movimento reaparece, em outra escala, na vida de Maria Altamira. A construção da hidrelétrica opera como um terremoto prolongado, não súbito, mas igualmente devastador. O que em Alélí foi ruína imediata, na filha se manifesta como desgaste contínuo: o território que desaparece, a comunidade que se desfaz, a sensação de viver sob uma ameaça constante, travestida de progresso.


O romance sugere que certas tragédias não são episódios isolados, mas condições de existência. Elas não apenas interrompem vidas, como redefinem o que é possível desejar, planejar ou chamar de futuro. Em Maria Altamira, mãe e filha carregam marcas diferentes de uma mesma lógica destrutiva, e o livro pergunta, sem responder, quanto de uma vida ainda é escolha quando o mundo insiste em ruir ao redor.


Outro ponto central do romance é a questão indígena, apresentada a partir da vida dos Juruna, mas nunca reduzida a um único povo ou a um retrato folclórico. Maria José Silveira constrói personagens indígenas inseridos em conflitos concretos, atravessados por decisões políticas, perdas territoriais e negociações forçadas com um mundo que avança sem pedir licença.


A presença indígena no livro amplia o entendimento do que está em jogo na Volta Grande do Xingu. Não se trata apenas de impacto ambiental, mas de modos de vida ameaçados, de línguas, rituais e formas de organização que resistem apesar da violência histórica. Os Juruna aparecem como sujeitos da narrativa, com desejos, contradições e estratégias de sobrevivência, não como símbolos abstratos.


Há também, para o leitor, um efeito claro de deslocamento: conhecer um pouco mais dessas histórias escancara o quanto sabemos pouco sobre os povos indígenas do Brasil e o quanto essa ignorância é conveniente para projetos de apagamento. O romance ensina sem didatismo e aproxima sem idealização, deixando a sensação incômoda e necessária de que esse desconhecimento também é parte do problema.


Contudo, o romance não me atravessou sem incômodos. O primeiro deles está na linguagem. Em muitos momentos, a escrita de Maria José Silveira me pareceu excessivamente objetiva, quase seca demais para uma história tão carregada de dor, deslocamento e perda. Falta, às vezes, uma respiração maior, um trabalho mais sensível da frase, que permita ao leitor permanecer no acontecimento em vez de apenas atravessá-lo.


Essa escolha estilística torna a leitura clara e direta, mas também pode produzir uma certa rigidez. Em vez de ornamento gratuito, senti falta de fluidez, de uma linguagem que se deixasse contaminar um pouco mais pelo rio, pelo trauma, pelo tempo lento daquelas vidas. O resultado é um romance potente no que conta, mas que nem sempre encontra, na forma, a mesma intensidade do que narra.


O segundo ponto que me incomodou foi o desfecho. Acompanhamos por quase todo o romance as trajetórias paralelas dessas duas mulheres, mãe e filha, em suas andanças, perdas e encontros que nunca se concretizam. Há uma expectativa silenciosa sendo construída, quase inevitável: a de que essas histórias, tão próximas e tão afastadas, finalmente se toquem com mais densidade.


No entanto, o final chega de forma abrupta. O reencontro, ou aquilo que poderia funcionar como desfecho emocional e simbólico, acontece rápido demais, sem o tempo necessário para amadurecer tudo o que foi acumulado ao longo da narrativa. Fica a sensação de que o livro encerra quando ainda havia fôlego para aprofundar, elaborar, deixar o impacto assentar.


Talvez essa escolha dialogue com a própria lógica do romance, marcada por interrupções e perdas. Ainda assim, como leitora, senti falta de um fechamento mais espesso, que fizesse jus ao percurso longo e doloroso dessas duas vidas que atravessamos quase em silêncio.


Claro que esses pontos não apagam o impacto da leitura, nem tudo aquilo que destaquei no início. Maria Altamira me fez entrar em contextos que estavam fora do meu foco como leitora brasileira, aproximou territórios, conflitos e histórias que muitas vezes permanecem à margem do nosso próprio imaginário nacional. Há valor incontestável nesse deslocamento e nesse aprendizado.


Mas é justamente por ser um romance, e não apenas um retrato de país, que a narrativa pede mais. O conhecimento adquirido, o contexto histórico e social, tudo isso é potente, mas senti que a forma literária poderia ter sido mais bem trabalhada nesse final para sustentar o peso do que é contado.


Ainda assim, Maria Altamira foi uma muito boa leitura. Um livro que amplia o mapa, desloca certezas e nos força a encarar um Brasil, e uma América Latina, que preferimos manter à distância. A força do romance está menos na lapidação da linguagem e mais no que ele convoca: memória, território, pertencimento, sobrevivência.


Saio da leitura com a sensação de ter caminhado por lugares que não conhecia, acompanhado vidas que importam e conflitos que continuam em aberto. O livro cumpre algo essencial: incomoda, informa e permanece ecoando depois da última página. E, às vezes, isso é exatamente o que uma leitura precisa fazer.



Maria Altamira de Maria José Silveira. São Paulo: Editora Instante, 2026. 180p. Leitura de Fevereiro 2026.
1 review
March 9, 2022
Maria Altamira possui um enredo muito cativante, e é acompanhado por um gosto amargo de impotência. Política por natureza, essa história faz o leitor vislumbrar os desastres que acometem a população indígena e ribeirinha, e que muitas vezes ficam à margem dos noticiários. O livro permite visualizar a tragédia da destruição da floresta e do modo de vida das populações indígenas no longo prazo, não como uma característica de um governo, mas como um pilar das estruturas econômicas e sociais do Brasil. Com certeza, poderia se tornar um paradidático poderoso, uma vez que suscita inúmeras discussões relevantes sobre gênero, classe, raça, ecologia e geografia.
Mas 3 estrelas e não 4 ou 5?
A execução da narrativa e a construção superficial de alguns personagens dificulta a criação de uma experiência literária imersiva. A autora escolhe não explorar de forma mais detalhada psicologia e personalidade dos seus coadjuvantes, e essa falta se reflete em Maria e a torna menos real.
Além disso, a escritora decide muitas vezes contar a história, ao invés de mostrar a história, nos fazer mergulhar nela. Ela perde muitas oportunidades de engajar o leitor, optando por uma sucessão de diálogos em que personagens relatam fatos invés de uma descrição mais substantiva do que aconteceu.
Consequentemente, o leitor fica com a sensação de que não está vivendo a jornada dos personagens, mas observando-a à distância, como um relato que é mais sociológico e menos literário. Por isso, é difícil se apegar aos personagens, com exceção possivelmente de Alelí, cuja jornada é extremamente poética. De modo geral, o livro é muito bom, mas me desapontou.
Profile Image for Mairton Rodrigues .
15 reviews
June 24, 2021
Que livro aprazível, encheu-me de júbilo. As mulheres dessa obra são representação de força. Alelí e toda a sua trajetória de dor, desde a tragédia em sua cidade natal; Chica mais uma mãe da pobreza, uma vida dedicada a suas crias e Maria Altamira filha de índio que sempre abraçou suas origens.

A autora faz um livro muito crítico, com temáticas como: causa indígena, violência contra mulher e desigualdades sociais. Nos leva a comparar a construção de Belo Monte com a tragédia de Yungay. Ainda traz informações relevantes acerca dos governos ditatoriais na América Latina.  Um verdadeiro mergulho na história de Altamira e do povo indígena afetada com a construção da usina.

Livro extremamente cadenciado, na minha opinião falha apenas na reta final com alguns caminhos trilhados por Altamira que repetinamente muda de postura frente o “amor" e algumas coincidências pouco plausíveis.
Profile Image for Imperfect  Rebel.
45 reviews
May 28, 2021
Lágrimas

Fazia tempo que um livro não me levava a chorar de tristeza, emoção, raiva e amor! Maria Altamira é uma facada no peito a cada pagina. Leiam!
Profile Image for Elton Furlanetto.
143 reviews2 followers
December 8, 2021
Tava gostando muito. Mas da metade para o final, principalmente depois que ela volta de São Paulo, não sei, a narrativa não me agradou tanto. Os capítulos finais ficaram meio novela mexicana.
Profile Image for Harvey Hênio.
644 reviews2 followers
February 16, 2026
“Maria Altamira” é um ótimo romance que conta a conturbada história de Aleli uma jovem peruana de 16 anos que vivia uma vida pacífica e “comum” na pequena cidade de Iungay junto aos seus pais e sua filhinha Illa. Num determinado dia do ano de 1970 ela foi se encontrar com um namorado no cemitério da cidade ignorando a custo os lamentos da filha que queria ir ao circo. Eis que a fúria da natureza se abate sobre Iungay. Um terremoto de 7.9 de intensidade desloca uma quantidade descomunal de neve, lama e detritos que soterra a cidade provocando aproximadamente 30 mil óbitos (essa tragédia realmente ocorreu). “Ironicamente” o cemitério, onde estava Aleli, localizado num local elevado, foi poupado e também a área do circo onde já estavam várias crianças.
Chocada, traumatizada e com a consciência pesando toneladas devido à morte da filha, Aleli se desloca por uma América Latina marcada por regimes autoritários e sanguinários e acaba conhecendo Manuel Juruna que a ela se afeiçoa e a leva para a aldeia do Paquiçamba, na Volta Grande do Xingu. “Adotada” pela tribo e maravilhada pela força da natureza Aleli alcança uma espécie de paz que é destruída pela trágica morte de Manuel Juruna assassinado a mando de um madeireiro que se incomodava com o ativismo de Manuel contra a extração ilegal de madeira, grilagem e garimpo. Mais uma vez traumatizada e certa de que a morte a acompanhava Aleli volta às suas perambulações mesmo estando grávida de Manuel Juruna. Ela então encontra abrigo junto a “Mãe Chica” na de cidade Altamira (PA). Certa de que sua filha seria bem cuidada por “Mãe Chica”, Aleli vai embora e inicia um novo périplo sem destino. A filha de Aleli é adotada por “Mãe Chica” que a batiza como Maria Altamira.
Nesse ponto a história passa a ser contada a partir de uma “dupla perspectiva”. Observamos o crescimento de Maria Altamira, que se insurge cada vez mais com as violências provocadas pela exploração predatória da Amazônia e com os desrespeitos cada vez mais flagrantes aos direitos dos indígenas e dos povos ribeirinhos e ao mesmo tempo o sofrido périplo de Aleli em busca de um sentido para a existência e de si mesma.
A autora desse excelente romance é Maria José Silveira, escritora, tradutora e editora brasileira. Goiana, nascida em 1947, Maria José é escritora premiada tendo recebido o “Prêmio Revelação” da APCA em 2019 por seu livro “A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas”. Já foi traduzida nos USA, na França, na Itália e na China.
“Maria Altamira”, publicado em 2020, é considerado, como muita justiça como um dos seus melhores trabalhos. O livro prende a atenção do início ao fim e nos emociona e nos envolve narrando sem subterfúgios e, ou eufemismos a tragédia provocada pela Usina de Belo Monte no cotidiano de indígenas e ribeirinhos que revoltados, engajados, mas, ao mesmo tempo, impotentes, observam a destruição da floresta, a morte de animais, a decadência da pesca e a transformação desastrosa das populações outrora auto-suficientes e sustentáveis em precários dependentes de baixos salários pagos por empresas que se instalam na região que ainda sofre com a invasão do crime organizado e do tráfico.
Luciana Villas-Boas, Doutora em Germanística e Literatura Comparada pela Columbia University e professora do Departamento de Letras Anglo-Germânicas da UFRJ escreveu o seguinte na seção “Sobre o Livro” da edição deste livro a cargo do clube de leitura TAG:

“ ‘Maria Altamira’ relata a história imensa e aterradora de duas mulheres fortes, duas indígenas, mãe e filha, e pelo fio do drama que as une revela os meandros da tragédia amazônica. Costumo dizer que depois que li “Maria Altamira” passei a chorar a perda do rio Xingu para a Usina de Belo Monte como um indígena a chora, o romance oferece a percepção da aniquilação e humilhação primordiais da floresta, um sentimento que não é natural à população branca do Sudeste. Amazônia é o grande assunto brasileiro no cenário internacional, e o romance de Maria José revela e explica, expõe e sensibiliza sobre a questão ambiental e indígena como nenhum outro livro”.

Belas, sábias e precisas palavras sobre um excelente livro que precisa ser lido, absorvido e discutido por todos nós brasileiros.
Profile Image for Pedro Pacifico Book.ster.
391 reviews5,955 followers
November 4, 2022
O livro já começa com uma tragédia: um terremoto no Peru soterra a cidade de Yungay e mata os familiares de Aelí. Sua filha está entre as vítimas fatais. E é a partir de tantas perdas que a autora goiana nos leva por um caminho dolorido, na tentativa de deixar a tristeza para trás. Como se uma tristeza dessa proporção fosse passível de esquecimento.

Alelí parte sem rumo, encontrando toda uma América do Sul em seus pés. Se o sofrimento não pode sumir, ela parece descansar um pouco quando conhece a personagem Manuel Juruna. O homem leva Alelí para uma aldeia onde vive no Xingu. O que poderia ser o início de um novo capítulo na vida de Alelí, termina bruscamente com uma nova perda. De lá, ela parte mais uma vez sem rumo e abandona sua nova filha, ainda recém-nascida, com uma enfermeira que conhece. Maria Altamira é o nome da menina.

Alternando com a vida de Alelí, a autora apresenta o futuro de Altamira. Uma jovem que ainda busca seu passado e, por suas mudanças de vida, abraça causas sociais. Da destruição do meio ambiente com a construção da Usina de Belo Monte à triste realidade dos sem-teto em São Paulo. A parte de Maria Altamira não me cativou tanto, senti uma menor profundidade e, por isso, me envolvi menos com a sua narrativa.

A escrita de Maria José é cativante e toca em temas muito atuais. Desastres naturais, relação destrutiva do homem com o meio ambiente, proteção dos povos originários e a desigualdade social em grandes centros urbanos. É nesses cenário que a autora insere personagens bem construídos que carregam dores individuais. Destaque para a construção de Adelí.

Mais um lido para o Desafio Bookster 2022 que nos mostra a riqueza da literatura nacional contemporânea.

Nota 8,5/10
Profile Image for Lú Rigobello.
36 reviews
February 15, 2026
O livro nos apresenta dois eventos históricos trágicos; no primeiro, Aleli vivencia a catástrofe que dizimou a população de Yungay, cidade peruana massacrada por um terremoto na década de 70.
Ela perde sua família, sua identidade e se torna uma peregrina que passa por alguns países da América Latina e evita aportar num lugar e estabelecer vínculos que poderia novamente perder ou destruir; foge da maldição que teme carregar.
Mas, apesar de tudo, a vida ainda pulsa e “pessoas boas as vezes aparecem”; isso é representado pela beleza da música que emana da voz de Aleli , pelo seu encontro com Manu, que faz a vida brotar em si, quando engravida e, no seu encontro com mãe Chica, a quem entrega sua filha, desejando livrar a criança do mal que acredita carregar.
Anos depois, sua filha Maria Altamira também vivencia um grande desastre, agora causado pela mão humana.
Sofre as consequências dramáticas da construção da barragem de Belo Monte que desalojou inúmeras famílias, inundou e atingiu várias terras indígenas do Xingu, aniquilando a floresta.
E, novamente, acompanhamos a vida que ainda pulsa na luta dos indígenas pela capacidade de resistência e busca de preservação da sua cultura contra as manobras que atentam contra a sua integridade.
Penso que essa história aponta para um desafio universal. Precisamos todos nós resgatar o índio da nossa alma mutilada e buscar o essencial. Metaforicamente, resgatar um canto de aleli capaz de entonar um lamento, apaziguar o coração, estabelecer elos de afeto, fortalecer o pertencimento e fomentar nossa capacidade de combater monstros à espreita. Belíssima leitura!
73 reviews
March 19, 2025
Alguns livros nos tocam não apenas pela história que contam, mas pela força da voz que os conduz. Maria Altamira, de Maria José Silveira, é uma dessas narrativas que ecoam muito além da última página, trazendo à tona temas urgentes como pertencimento, injustiça e luta.

O romance acompanha Maria Altamira, uma mulher cuja vida é marcada pela destruição de sua terra natal devido à construção da Usina de Belo Monte. Filha de um seringueiro assassinado, ela cresce em meio ao desamparo e à violência imposta pelo progresso, mas também se torna símbolo de resistência. Sua trajetória atravessa fronteiras, levando-a do Brasil à Cidade do México, onde novas descobertas e desafios a esperam.

O que mais me encantou no livro foi a escrita envolvente de Maria José Silveira, que equilibra emoção e crítica social de forma magistral. A história de Maria Altamira não é apenas uma ficção bem construída, mas um espelho de muitas realidades vividas por comunidades ribeirinhas e indígenas no Brasil. A autora dá voz a personagens que raramente têm espaço na literatura, tornando a leitura não apenas emocionante, mas necessária.

Eu adorei Maria Altamira! É um romance forte, sensível e profundamente atual, que nos faz refletir sobre memória, resistência e a força das mulheres diante da destruição e do esquecimento.

📖 Uma leitura impactante e essencial!
Profile Image for Alan Henrique.
136 reviews2 followers
January 11, 2023
"Ajoelhou-se e rezou. Por Leide, pelos dois meninos órfãos de mãe e por todas as mulheres assassinadas na cidade e as crianças que deixavam. Pelas dores de todas elas. Pelas vidades perdidas. E pelos próprios filhos, Avelino e Avenor: 'Que jamais levantem a mão para uma mulher, minhas Santinhas! E por Maria e seu Jurandir, que ele continue um bom homem e trate minha filha com amor, é só o que lhe peço Senhora Poderosa, que também foi mãe, adorada pelo esposo e pelo filho, e por todos os anjos do céu louvando sua glória, e que jamais sofreu nunca nenhuma violência apenas por ser mulher. Amém.'" p. 247

essa oração de mãe Chica é um bom resumo do livro: a dor do feminicídio tratada aqui engloba também as dores do etnocídio, da destruição da natureza, da omissão do estado, da pobreza e tantas outras que, nessa história, tem como pano de fundo Altamira sob a sombra de Belo Monte, mas que representa muito do Brasil e da América Latina como um todo.

Maria José Silveira tem uma escrita fluida e bonita, mas que em nenhum momento tenta enfeitar a feiura dos problemas sociais retratados no livro. Esse final (triste, já aviso) me surpreendeu demais e com certeza vou atrás de outros livros da autora
Profile Image for Ricardo Martini Kato.
195 reviews3 followers
February 18, 2026
Nota: 3.4/5.0

O destino pode ser implacável — mesmo quando a vida parece absolutamente comum.
Em “Maria Altamira”, de Maria José Silveira, acompanhamos Alelí, sobrevivente da tragédia de Yungay, que perde tudo e recomeça no Pará. Marcada pelo trauma, foge novamente quando acredita que o passado pode se repetir — mas dessa vez abandona a própria filha.
Enquanto a mãe escapa da força devastadora da natureza, a filha cresce em Altamira e presencia outro tipo de “dilúvio”: a transformação brutal causada pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Se antes a tragédia vinha da terra, agora vem do homem — em nome do progresso.
O romance constrói um paralelo potente entre essas duas mulheres e dois tipos de destruição. Fala de pertencimento, identidade e do que se perde quando o “desenvolvimento” atropela histórias e raízes.
Mas, na parte final, a narrativa se dispersa ao tentar abraçar muitas pautas sociais e acaba escorregando para um tom mais novelesco, apostando no reencontro e no drama como catalisadores da trama.
Poderia ter sido mais contundente. Ainda assim, é um retrato importante de uma realidade que muitos brasileiros preferem não ver.
Uma história sobre perdas — naturais, políticas e afetivas.
Profile Image for Maria Thereza.
4 reviews
May 15, 2023
uma das minhas melhores leituras de 2022

o romance de maria josé silveira trata de questões sociais e ambientais latino-americanas a partir da história de uma mãe (Alelí) e sua filha (Maria Altamira), com trajetórias completamente apartadas

o livro começa nos anos 70 e vem até os dias de hoje, tendo como marcos tragédias reais como um terremoto no Peru e a instalação da usina de Belo Monte em Altamira, cidade no Pará. a partir desta perspectiva histórica, a autora descreve histórias de luta, injustiça e amor

Maria Altamira se diz filha do Rio Xingu e luta pelos povos indígenas e comunidades ribeirinhas contra o desastre social e ambiental causado pela construção da usina

o livro é lindo demais e merece ser lido!


🌻📚 gostou da resenha? siga meu instagram literário: @tt.leituras
Profile Image for Débora Sander.
7 reviews
January 28, 2026
Romance brasileiro magistral, sensação de estar lendo algo grandioso, onde nada está fora do lugar. As protagonistas são mãe e filha afetadas por desastres ambientais em diferentes tempos e territórios da América Latina: um terremoto no Peru e a construção de Belo Monte, no Pará. Pra conhecer a história do nosso continente através da literatura. Bonito, forte, capaz de nos desacomodar e abrir horizontes.
Displaying 1 - 30 of 55 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.