"Hoje percebo que se apegar ao seu eu destruído é mais comum do que os outros pensam. A maioria das pessoas, quando consegue desenvolver alguma empatia pelos loucos, imagina que mentes doentes desejam a cura absoluta, a felicidade, os sorrisos aos domingos e a vida comum de quem constrói uma sociedade produtiva. Pois o verdadeiro desafio em aceitar amar os loucos está em enxergá-los amantes da vontade de ver tudo pegar fogo.
E eu sempre fui incendiária" .
Que livro, meus amigos! "Redemoinho em Dia Quente", antologia de contos da escritora Jarid Arraes, cearense de Juazeiro do Norte que em 30 narrativas nos apresenta personagens diferentes em situações difíceis e muitas vezes desesperadoras, convida o leitor a sentir e refletir junto às personagens sobre a sociedade doente, apática e preconceituosa em que vivemos, o machismo, a violência, o desespero mesmo, a ignorância, tudo debaixo de um sol quente de lascar, de uma quentura, um mormaço de confundir a cabeça, de embaçar a vista, os contornos da vida.
Conhecemos aqui mulheres fortes; podia ser eu, você, nossas vizinhas. Representadas e eternizadas, nos melhores contos regionalistas que eu li até agora. Eu pelo menos me senti representada em uma grande parte dos contos, e acompanhar essas histórias me fez querer sair na rua aqui no meu interior reparando em tudo. Em como a luta ainda é grande, como a desinformação é perigosa, como a mulher precisa ser trezentas vezes mais forte pra viver nesse mundo violento.
Alguns dos contos que mais mexeram comigo: "Telhado quebrado com gente morando dentro" "Voz", "Amor com cabeça de oito", "Despedida de Juazeiro do Norte", "Nheim Nheim", "Os fatos dos gatos", "Cinco mil litros" e "Moto de Mulher". Não dá pra falar de todos eles aqui, mas por favor: leiam esse livro lindo. Já quero ler tudo dessa autora que, olhem só!, estará na Flip esse ano. Bora ler que dá tempo!
@mydearvangogh