O mais novo thriller de Shiko, considerado um dos maiores nomes do quadrinho nacional por títulos como Lavagem e O Azul Indiferente do Céu. A história se passa no sertão paraibano, num garimpo abandonado existente na cidade fantasma de Três Buracos. Shiko usa da sua familiaridade, tanto com o ambiente como com o imaginário sertanejo, para compor uma narrativa que mistura terror com western. O quadrinho tem como protagonista Tania, que vive no garimpo extinto, assombrada por uma enorme turmalina azul escondida por seu pai antes de morrer. Dividindo a casa com sua companheira Cleonice, Tania é surpreendida pela visita de Canhoto, seu irmão bandido que acabou de fugir da cadeia.
Shiko é um dos meu quadrinistas preferidos, suas histórias trazem personagens cotidianos, mas complexos, e sua narrativa faz a gente "engolir" as HQs. Três buracos é fácil de digerir, tudo está ali exposto (ou quase tudo), mas não deixa de ser excelente. A inserção da música de Luiz Gonzaga é uma baita homenagem, e ambienta o clima da história. Viva o nordeste!
Elogiar a qualidade de qualquer obra do Shiko é chover no molhado (basta ler as demais resenhas de Três Buracos ou de Lavagem, entre outras), mas ainda assim não dá pra ficar quieto ao se deparar com páginas tão bizarramente bem desenhadas. Shiko atualmente é um dos poucos artistas nos quais eu confio o bastante para ler qualquer coisa que leve seu nome, independente do tema que aborde.
Uma leitura que te põe dentro do garimpo . O desenho do Shiko te faz pensar que tudo está em permanente construção em meio ao caos . Não , não é um quadrinho perfeito , mas sim , vale muito a pena
Como pode? Narrativa fluente, excelente desenvolvimento simbólico, plot twist bem amarrado, desenhos impecáveis... A vontade de conhecer o trabalho de Shiko só aumenta.
Ele fez de novo! Shiko trouxe para seus leitores mais uma história com um profundo impacto que marca depois de deixarmos o livro descansando em nossa mente por um tempo. Como no premiado Lavagem, Shiko explora mais uma vez a sensualidade, a pobreza e a esperança. Essas três palavras às vezes podem ser confundidas com revelações, urgência e ilusão, ao menos nas obras de Shiko. A sensualidade não é nada mais que a técnica que o autor usa para desnudas as coisas, de forma líquida, escorrendo até uma revelação sobre esses personagens. A urgência pontuada pela pobreza desses personagens que estão dispostos a qualquer salvaguarda para sair da situação desesperadora e apressada em que se encontram e que a pobreza proporciona. A esperança se encontra em cada virada de página e na ilusão daqueles personagens de que as pessoas pobres, sensuais e iludidas algum dia se deram bem neste mundo que devora todos aqueles que crêem, que se revelam e que buscam trazer mais tesão para essa existência. Esses são os três buracos de Shiko: o garimpo (esperança), o puteiro (sensualidade) e o cemitério (a pobreza). Isso tudo renderia uma análise ainda mais extensa, mas por enquanto fico por aqui e super recomendo Três Buracos.