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Diaeresis

The Desire of Psychoanalysis: Exercises in Lacanian Thinking

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The Desire of Psychoanalysis proposes that recognizing how certain theoretical and institutional problems in Lacanian psychoanalysis are grounded in the historical conditions of Lacan’s own thinking might allow us to overcome these impasses. In order to accomplish this, Gabriel Tupinambá analyzes the socioeconomic practices that underlie the current institutional existence of the Lacanian community—its political position as well as its institutional history—in relation to theoretical production. By focusing on the underlying dynamic that binds clinical practice, theoretical work, and institutional security in Lacanian psychoanalysis today, Tupinambá is able to locate sites for conceptual innovation that have been ignored by the discipline, such as the understanding of the role of money in clinical practice, the place of analysands in the transformation of psychoanalytic theory, and ideological dead-ends that have become common sense in the Lacanian field. The Desire of Psychoanalysis thus suggests ways of opening up psychoanalysis to new concepts and clinical practices and calls for a transformation of how psychoanalysis is understood as an institution.

280 pages, Paperback

Published February 15, 2021

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Gabriel Tupinamba

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Profile Image for Jayu Eleuthéria.
54 reviews
March 20, 2021
Este é um livro que veio até calado, mas caso não seja ignorado (e espero que não seja!), pode causar um estrondo bem positivo na psicanálise contemporânea.

A investigação empreendida por Tupinambá centra-se em propor uma solução a um dilema do pensamento lacaniano. Por mais produtivas que tenham sido as reformulações e expansões da psicanálise empreendidas por Lacan, os novos modelos construídos por este, e que permitiram tais feitos, também puseram limites desnecessários - e, em outras situações, retiraram limites necessários - às possibilidades clínicas, teóricas e institucionais do campo.

A expressão dessas deficiências está no que Tupinambá batiza de "ideologia lacaniana". Por "ideologia lacaniana", o autor refere-se ao fenômeno da elevação do pensamento lacaniano (e de instituições que almejam fidelidade a esse pensamento) à "última palavra" sobre, se possível, tudo: política, ciência, filosofia, economia, antropologia? Em algum lugar nos Escritos ou nos Seminários, lá já está a resposta. Se uma falha aparece em seu aspecto clínico, ela é rapidamente suplantada por uma solução metapsicológica; se nesta última também surge uma deficiência, logo se propõe uma saída institucional; e quando a instituição parece falhar, tudo é explicado por meio de algum recurso clínico. Como exemplo concreto dessa ideologia, Tupinambá escolhe a Association mondiale de psychanalyse e figuras associadas à instituição, como Jacques-Allain Miller.

Aqui já se revela um dos aspectos mais produtivos do trabalho de Tupinambá: ao criticar uma porção hegemônica do pensamento lacaniano (o "millerianismo"), a solução proposta não é um retorno a um "Lacan purificado", muito menos uma rejeição do pensamento deste. Até formas de rejeitar a "ideologia lacaniana" e uma de suas encarnações mais visíveis podem cair nos mesmos impasses, caso não proponham-se a resolver questões insolutas e deficiências do pensamento lacaniano.

A falha central do que foi legado por Lacan é a não-regionalidade da psicanálise sob seu modelo: estruturalmente incapaz de delimitar-se como um dentre outros campos de pensamento compossíveis a um mesmo mundo (graças ao curto-circuito entre a linguagem em geral e a linguagem no espaço analítico empreendida pela lógica do significante). Ela passa a simultaneamente tratar aquilo que não pode responder como aquilo que nada poderia responder, e todas as respostas que pode dar como as melhores respostas, ou mesmo as únicas.

Como explicação para esta causa, é proposta uma hipótese: falta uma dimensão genérica (no sentido badiouniano) que, ao mesmo tempo, regionalize a psicanálise e formalize sua capacidade de evoluir historicamente. Essa dimensão é o que Tupinambá conceitua como o desejo da psicanálise - um processo genérico que implique todas as dimensões da psicanálise (clínica, metapsicologia e instituição) e conte-como-um (Badiou é uma forte e inegável influência nesse trabalho) todos os participantes da inscrição da hipótese do inconsciente no mundo.

Por mais que Tupinambá afirme, em mais de um momento, as pretensões "modestas" de seu trabalho, o caminho para formalizar o desejo da psicanálise é longo, complexo, e muito bem defendido.

Baseando-se no conceito de paralaxe de Karatani e em contribuições feitas por Žižek, Tupinambá delimita três dimensões paraláticas da psicanálise - a clínica, a metapsicológica e a institucional - que não conseguem, por si mesmas, subsumir todo o campo do pensamento psicanalítico. Por si só, esta formulação já sintetiza e aplica bem contribuições de outros pensadores a um problema comum no meio: a saber, a luta entre defensores de uma redução da psicanálise à primazia da técnica e da clínica, e outros que defendem a redução à primazia da teoria e da capacidade crítica. Se há uma paralaxe, a antinomia que a funda não pode ser reduzida a apenas um de seus elementos, que só existem graças à sustentação da antinomia. Mas o caminho para o desenvolvimento do conceito de desejo da psicanálise advém quando, ao associar o aspecto genérico da psicanálise com uma outra dimensão não tão pensada - a institucional Tupinambá abre o espaço para construir um modelo daquilo que, na psicanálise, não concerne nem ao analista, nem ao analisando, mas ao que funda externamente (conta-como-um) as duas posições.

E é aqui que encontramos o núcleo da investigação. Apontando o caráter artificial do espaço analítico, que só pode existir quando um conjunto de regras (a mais fundamental sendo a da associação livre) impõe uma fala sem referência, Tupinambá mostra como a lógica do significante elide esse aspecto, igualando a fala artificial da clínica à fala em geral, e criando em Lacan uma leitura de mundo (chamada pelo autor de "dialética estrutural") que esbarra na alteridade como fundamento e limite intransponível e inoperacionalizável de todo pensamento. Contra isso, Tupinambá propõe substituir a fundamentação na alteridade por uma fundamentação na infinitude.

O que não pode ser lido do ponto de vista do significante é aquilo que fundamenta o espaço artificial no qual ele pode existir - não só o espaço, mas a historicidade - a historicidade da própria hipótese do inconsciente e do desejo (da psicanálise) que o sustenta. Não se pode operar "de dentro" da finitude essa infinitude, da mesma maneira que não é possível derivar números transfinitos a partir de números finitos. Mas a imposição axiomática, na teoria dos conjuntos, de uma leitura operacionalizável da infinitude não só abriu um novo espaço ao pensamento matemático, como trouxe consequências retroativas para as operações com números finitos. É possível usar tal perspectiva como uma nova formalização - um novo modelo - dos aspectos mais fundamentais da psicanálise.

Se o trabalho parasse aqui, já teria se posto como uma contribuição inestimável. Mas o brilhantismo da investigação de Tupinambá revela-se ainda mais na última proposta do livro: a de começar (sem pretensões de concluir nessa obra) uma reconstrução do pensamento lacaniano a partir do novo modelo proposto. As fórmulas da sexuação são reconstruídas como a função interna ao espaço analítico (a função fálica) e a função externa a esse espaço (a fórmula feminina da sexuação), e como duas formas diferentes de infinitude; a proposição do passe é reconstruída como a própria organização formal da dimensão institucional e do desejo da psicanálise na seção que, ao meu ver, é a mais impressionante de toda a obra.

Fico ansiosa para ver quais serão os desenvolvimentos dessa reconstrução em trabalhos futuros do Gabriel Tupinambá. Mas para além disso, este trabalho conseguiu me instigar pessoalmente, abrindo uma forma de pensar a psicanálise que por certo me marcou e marcará meus estudos.
Profile Image for Dans.
22 reviews5 followers
Read
December 12, 2025
I only read the first 40 pages which are excellent and then someone told me the author is so fake macho so I couldn't carry on reading, I recommend this book though it's very interesting
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