Decepcionante. Esperei por meses, depois de fazer um perfil do Galera para uma disciplina do curso. Comprei, ainda por cima, uma edição com erros de impressão em que as primeiras 50 páginas se repetiam.
Assim, se em Mãos de Cavalo as coisas eram tão complexas que mencioná-las de fato era tentar resumir o que não era possível, em Cordilheira tudo é raso e simples. A protagonista, Anita, a primeira vez em que Galera tenta uma voz feminina, não é interessante. Ela é obcecada com a idéia de ter um filho. E só. A idéia não se desenvolve, mas é repetida incesssantemente, como se a repetição de fato convencesse. A história é um tanto absurda - o que em si não é um erro em um livro. Mas, de novo, não convence. O tempo todo se é apresentado a bizarrices, mas me parece que elas mais são uma forma de passar páginas do que discutir alguma coisa. E, desculpa, mas sem conteúdo, ainda que a história seja diferente, nada é interessante.
A questão obra x autor e ficção x realidade surge como um esboço. Mas não é como se Galera entendesse isso. Estranho, para quem acompanhou o blog Amores Expressos narrando a viagem em que ele pensou no argumento do livro, é ver trechos praticamente iguais ao que ele mesmo tinha escrito com a própria voz. Acontecimentos iguais aos que ele viveu. Primeiro, ali desmancha-se por completo a figura de Anita no livro. A voz não é de Anita, é de Galera. É como se fosse um ventríloquo e ao final do livro tenha decidido falar por si próprio. Depois, não vale que, no fim, a mistura ficção x realidade prejudique a primeira. Se nos livros de Clarah Averbuck aquela dor parece ainda mais real por que se sabe com certeza que há quem a sinta, alguém real, nos livros de Galera é como se ele mentisse sobre si mesmo.
Enfim, decepcionante. Quero esquecer que li. E esperar que Galera venha com um próximo livro à altura do que pode fazer.