"Margarida Espantada é sobre família. Sobre irmãos. É sobre violência doméstica e doença mental.É um efeito dominó sobre a dor. A literatura é um jogo do avesso.Os bons romances são sempre sobre amor, e os melhores são os que fingem que não são. Não devemos recear livros duros. As histórias que mais nos prendem trazem uma catarse que nos carrega as mágoas, personagens que apresentam as suas semelhanças connosco.Gosto da ficção que é número arriscado de circo, com fogo e espadas, que nos faz chegar muito perto da queimadura que não vamos realmente sentir. Mas reconhecemos." (Rodrigo Guedes de Carvalho)
RODRIGO GUEDES DE CARVALHO nasceu no Porto, a 14 de Novembro de 1963. Licenciado em Comunicação Social, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, profissionalizou-se na RTP. Actualmente é subdirector de Informação da SIC. Em 1997 recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival FIGRA, em França, pela reportagem A condição humana, sobre as urgências hospitalares. Em 1992 estreou-se na escrita, com o romance Daqui a Nada, vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU, conhecendo uma reedição pela Publicações Dom Quixote, em 2005. Nesse ano lançou o best-seller A Casa Quieta e assinou o argumento da longa-metragem Coisa Ruim, co-realizada pelo seu irmão Tiago Guedes. É ainda autor de A Mulher em Branco (2006), Canário (2007), O Pianista de Hotel (2017), Jogos de Raiva (2018) e Margarida Espantada (2020).
Já Tolstoi escreveu, a abrir o seu aclamado romance "Anna Karenina", que “As famílias felizes são todas iguais, as infelizes são-no cada uma à sua maneira.” Devo confessar duas coisas: primeiro, que este é o primeiro romance que leio da autoria do Rodrigo Guedes de Carvalho, segundo que o primeiro ponto se deve apenas ao meu enorme receio de, admirando-o tanto como profissional, me decepcionar amargamente com a literatura que lhe sai das mãos.
Avanço com uma terceira confissão: até meio da leitura, estava convencida que lhe daria um quatro, na melhor das hipóteses. E apenas porque, entre uma escrita que não aprecio por aí além, por quebrar com aquilo que diria ser "a escrita clássica", aquela mais polida onde certos vocábulos e maneirismos não têm lugar, surgem relances de pensamentos admiráveis. De vez em quando parava para digerir um ou outro trecho do livro. As temáticas ali contidas foram-se enredando mais e mais numa narrativa que, de início, prometia alguma simplicidade (até porque se trata de um livro relativamente pequeno). No final, fiquei com a sensação de ter conseguido acompanhar a premissa que o autor se propôs a defender ao escrever esta obra, que acredito que lhe tenha vindo dos recantos mais obscuros da sensibilidade.
"Margarida Espantada" é uma história de família, daquelas que sempre me fascinam. Uma das minhas temáticas favoritas na arte (e, sobretudo, na literatura) é essa evidência de que as famílias são um fluxo orgânico vindo lá de trás, não se sabe bem de onde, com uma carga em parte exposta, em parte oculta, e que se dirige sabe-se lá aonde. Mexendo apenas com duas gerações de uma família que parece amaldiçoada (os Duval), o autor fez um retrato intimista daquilo que terá sido a infância dos quatro irmãos num casarão em Colares, e de como esses acontecimentos os moldaram na relação uns com os outros, na relação com os pais, nas perspectivas de futuro e no modo como eles mesmos se jogaram à vida.
O romance aborda questões delicadas, como violência doméstica, alcoolismo e doenças mentais. Pode parecer uma carga demasiado pesada para um livro tão pequeno, e é-o, mas é nisso que o livro se supera: faz com que tudo isto seja uma só coisa - a maldição das famílias infelizes, em que o sofrimento e as frustrações levam a vícios, que por sua vez levam a violência, que por sua vez molda carácteres, causa psicoses, destrói gerações.
Um dos maiores desafios que experiencio ao ler livros de autores nacionais, é o de me abster do facto de aquilo se tratar de um livro - isto é, o trabalho de alguém, e de me concentrar na história que me proponho viver ao escolher lê-lo.. Até meio do romance, tinha muito presente que aquilo era tudo saído da mente do RGC, chegava a ouvir entoação da sua voz a recitar-mo - cheguei a irritar-me com os nomes das personagens - Margarida Rosa, Maria do Carmo, Ana Teresa, Manuel Afonso, António Carlos, Isabel Rita, Sara Lúcia, Aida Vanda e tantos outros com primeiro e segundo nome, todos eles desencontrados, que a cada novo nome me vinha a irritação de pensar que este narrador podia ter escolhido uns nomes mais aleatórios, só para eu acreditar que estas pessoas existem mesmo.
O livro ganha alento no último quartel: foi aí que se encerrou abruptamente, atrevendo-se a deixar pontas soltas para o leitor unir (como leitora, adoro que um autor me considere capaz de somar 2 + 2), e tornou-se muito sensitivo, muito angustiante. Acredito até que funcionaria bem na prateleira dos thrillers: para mim isto seria um thriller bem escrito. Prefiro mistérios em torno de famílias com sumo em torno das vítimas e dos criminosos do que aqueles episódios do CSI por escrito em que a génese do romance é a vida privada (tantas vezes até romântica) dos investigadores. Aqui, o autor deu-se ao trabalho de criar bons retratos psicológicos das vozes que povoam o seu romance, e de torná-las tanto vítimas quanto perpetuadores; em suma - humanos. De salientar ainda que é assim que, pessoalmente, distingo os bons romancistas: a pertinência dos espaços imaginados pelo autor, a escolha do local onde a história se desenrola, influenciada pelas características do ambiente onde se vê inserida... Pronto, é isto. "Margarida Espantada" só poderia passar-se em Sintra, e em nenhum outro lugar.
Um livro que explica bem esse dominó que é a vida das pessoas. Chamemos-lhe karma, Samsara, tudo o que vai, volta. Toda a dor infringida paga-se, e todas as famílias onde há maus fígados acabam por se precipitar para a própria extinção. ------------- Revisto para 4
Este livro marca a minha estreia com a escrita de RGC. Gostei da história que me prendeu desde o início e me fez ler o livro em menos de 24h. Não esperava o final, mas acho que foi uma boa maneira de terminar este drama familiar. Não posso deixar de referir que fiquei cheia de vontade de rever o filme aqui mencionado, e que representa tão bem a complexidade da mente humana.
Este livro tem uma história surpreendente. Nada me preparou para o desfecho. Inesperado sem dúvida! Este livro começou ameno e foi crescendo a cada página. Com várias surpresas emocionantes, tocando em temas tão atuais e pesados. É um livro sobre pessoas, e de como as pessoas têm reações diferentes perante vários acontecimentos ao longo da vida. É um drama familiar que nunca irei esquecer!
Depois da leitura de "O pianista de hotel" tinha as expectativas tão em alta que pensei que uma desilusão era inevitável...Mas, na verdade, este novo romance do autor é "tão bom ou melhor do que". Debruçando-se sobre a temática da violência doméstica, acaba por ser também um livro sobre famílias disfuncionais ("cortas as correntes e libertas-te, cortas as raízes e morres"), sobre a maneira como os acontecimentos marcam de forma tão díspar os diferentes membros da família, como cada um lida com a dor:
"Percebeu muito cedo que, na sua maioria, as pessoas são um mistério até para si próprias. Debatem-se com fantasmas, têm medos e guardam rancores, deixam-se cair naquilo a que depois chamam de gesto irreflectido, por vezes tão inesperado e violento que uma ou mais vidas podem mudar de forma drástica."
Ou ainda:
"o seu primeiro mandamento é pensar sempre que cada pessoa, uma qualquer, pode estar a viver um inferno do qual nada sabemos."
Em todo o livro, apenas poderei apontar o "pormenor" que ficou por resolver relativamente a Joana Ofélia, mas mesmo assim foi dos melhores que livros que li este ano.
Premissa: o meu primeiro romance de Rodrigo Guedes de Carvalho.
Encontrei um enredo com uma enorme carga trágico-dramática de uma família e todas as suas imperfeições. Uma família, a meu ver, que aqui surge como um exercício de representação da sociedade. Uma verdadeira crítica à sociedade moderna, com um forte apelo aos que viram a cara, aos que diligentemente ignoram o sofrimento dos outros e seguem os seus rumos. Uma cobardia social.
Trata-se de uma família próspera, que aparentemente tinha tudo para viver feliz, em harmonia e sucesso familiar, pessoal e profissional. Um casal a viver numa mansão, com os seus 4 filhos e a empregada. Um pai empresário de enorme sucesso, uma mãe doméstica, e os respetivos quatro rebentos - o ator/encenador (mais por provocação do que por vocação), a fotógrafa (uma necessidade face o que padecia), o técnico TiC (o na infância gordinho, na idade adulta atleta de canoagem e Judo) e a psicóloga (crescer no seio desta família compreende-se), com as suas mais díspares personalidades, razões de viver.
Um livro empolgante, mas duro, sem receios de abordar temas duros.
Na família Duval, em apenas duas gerações, podemos encontrar: - quem, de forma reiterada, recorra e sofra de uma esmerada e “injusta absurda violência” doméstica. Haverá violência doméstica justa e que não seja violenta? - quem padeça de um caprichado alcoolismo. Porventura (sem sombra de dúvida) associado ao acima indicado; - quem sofra de doenças mentais complexas, limitativas, destorcedoras da realidade; - quem seja visto como um verdadeiros touro cobridor; - quem se ache um touro cobridor; - a mais nova da família que, como se todos estes predicados não chegassem, resolveu formar-se em psicologia. Haverão psicólogos sem uma ligeira dose de loucura? (Ui, está vai doer!!!)
Um livro envolvente, com as diferentes perspetivas dos acontecimentos que me agarrou da primeira à última página.
O que inicialmente antecipei como uma leitura rápida e fluída, assim o foi. No entanto, não foram poucas as vezes que reli expressões, excertos, que reli parágrafos, que dado o seu cariz mais profundo, implicavam uma mais demorada atenção.
Não esperem um conto de fadas, pois é um livro sobre a vida e a vida não é um conto de fadas, é dura. Este livro é sobre a dor, sobre mágoas, sobre trapezistas que acrobaticamente vivem, sobre equilibristas que tentam manter o equilíbrio, nem sempre fácil, da vida. (Perdoem-me os termos circenses).
Estou com uma certa dificuldade em qualificar este livro, primeiro, porque não quero se injusta, segundo, porque acho que não o li na altura certa, engraçado, sem saber quase nada acerca do livro, dou por escolher esta leitura numa semana em que me foi confirmado (aquilo que já desconfiava) que sofro de síndrome de ansiedade , fiquei bastante angustiada e senti muita ligação sentimental com os personagens, mas não gostei do final, para quem está numa situação meio que depressiva não foi muito benéfica... ;)
"Ela e os irmãos, nascidos com pouco intervalo, desenvolveram técnicas de sobrevivência ao desamparo. Só que este caminho leva ao cada um por si. Aprenderam de tal forma a solidão por necessidade, que cavaram, sem o perceberem, trincheiras que os manteriam para sempre estranhos."
Que livro!!! Um murro no estômago em forma de beijo na face. Uma escrita fluida e leve que é inversamente proporcional a tudo aquilo que este livro nos traz. Um livro enorme sobre aquilo que poderia ser a história de qualquer um de nós, onde caberia a história de qualquer um de nós. Um livro que podiam ser dez, e todos eles belíssimos. A ler!
Existem livros que dão que pensar e que são verdadeiros murros no estômago. Margarida Espantada é um exemplo disso, por vezes temos de fechar os olhos e interiorizar o que estamos a ler. O livro fala de família, violência doméstica e doença mental e de como estes elementos determinam a dinâmica da família Duval.
Li este livro numa tarde. Esta narrativa é tão intensa que sinto que não deveria ser de outra forma.
Foi o primeiro livro do Rodrigo Guedes de Carvalho que li e a experiência não poderia ter sido melhor. O autor aborda temas como a família, violência doméstica, relações abusivas, alcoolismo, doenças mentais em menos de 100 páginas e faz-lo com a dose certa para provocar no leitor as reações necessárias. É um livro que nos diz para pararmos e olharmos o outro, para percebermos que muitas vezes podemos ser a salvação de alguém e não percebemos isso. Podemos ser a peça de dominó que cessa o efeito. Numa era em que nunca se falou tanto em doenças mentais este é um livro que pode e deve chegar a muita gente, pela escrita simples e pela narrativa viciante acredito que sim.
“Margarida Espantada” foi a minha estreia com o autor Rodrigo Guedes de Carvalho. Não podia ter corrido melhor! Senti que esta história era tão nossa, tão portuguesa. E o que dizer do local escolhido, a serra de Sintra, um local que me é tão querido e próximo? Totalmente adequado a esta família que também vive de microclimas como a bela Serra de Sintra…
Margarida Espantada, foi uma dupla nova experiência para mim, o meu primeiro audiobook e também o primeiro livro do autor Rodrigo Guedes de Carvalho, e posso dizer que foi uma excelente escolha.
O autor diz “Margarida espantada é sobre família. Sobre irmãos. É sobre violência doméstica e doença mental. É um efeito dominó sobre a dor.” e com isto em mente iniciei este livro.
No início parecia se tratar de uma família normal, mas que na realidade não é. Margarida é a personagem principal desta história. Mas o que é que sabemos da Margarida? O que sabemos é o que a família diz sobre ela.
Conforme os capítulos passam, vamos viajando entre duas épocas distintas e ficamos a conhecer melhor os quatro irmãos e os seus pais e a forma como eles se relacionam entre si, a forma como a sua infância e todo o seu passado influencia o seu presente e as suas ações. Aos poucos vamos ligando os pontos a todas as pistas que são dadas ao longo desta historia.
Este é um livro pesado, duro, real, cru que aborda temas como a violência doméstica, abuso sexual, perda, doenças mentais. O autor tenta com esta obra, mostrar aquilo que esta presente na nossa sociedade e muitas vezes não vemos ou não queremos ver.
“Não gostar de ouvir uma palavra, significa que lhe damos importância.”
Quanto a minha experiência com o audiobook, o que posso dizer é que achei estranho e não consegui criar muita empatia com as personagens. Penso que isto se deve ao facto de não ter estado apenas a ouvir o livro e sim a fazer outras coisas ao mesmo tempo (dar a ferro) e de ter a capacidade de me abstrair do ruido quando estou a fazer outra coisa, mas gostei da experiência apesar de tudo. Talvez tenha que experimentar outros géneros literários para perceber
É realmente muito interessante a forma como é construída esta narrativa familiar. O final de alguns capítulos tornam a história empolgante e simultaneamente dramática. Não é o melhor livro deste autor mas a sua escrita continua um processo de aprimoramento que nos faz desejar ler sempre mais e mais e ansiar por um próximo livro, por uma boa história.
Já li há alguns anos A Casa Quieta do Rodrigo Guedes de Carvalho e como não foi leitura que me agradasse, fiquei sem vontade de ler algo mais. No entanto, esta novidade despertou a minha atenção e vi várias opiniões muito positivas que me levaram a pegar no livro.
Margarida Espantada é um livro sobre família, nomeadamente os 4 irmãos Durval: António Carlos, Manuel Afonso, Margarida Rosa e Joana Ofélia. A história inicia-se num tempo mais presente mas, à medida que vamos evoluindo, vamos alternando entre passado e presente, e conhecendo melhor cada um dos 4 irmãos, bem como os seus pais. Confesso que, este alternar entre tempos, e apesar de ser algo que costumo gostar muito, neste caso, não foi muito fácil de identificar cada um. O livro aborda também temas muito importantes como violência doméstica, problemas de álcool, relações abusivas, doenças mentais e tragédias inesperadas. Um livro pequeno com um carga emocional muito pesada mas que nos passa todo o sofrimento e frustrações das personagens. Personagens que me pareceram (apesar dos nomes) muito reais. Mas sim, os nomes foram algo que me fizeram muita confusão, sempre dois nomes e nomes que não conjugam. Um drama familiar intenso, sobre vidas aparentemente felizes mas que têm camadas e são mais do que aparentam. No entanto, senti que o final merecida um pouco mais de desenvolvimento.
Este livro aborda temas muito importantes e fortes, entre eles, violência doméstica, saúde mental, suicídio. Rodrigo Guedes de Carvalho, destaca-se com "Margarida Espantada" pelo seu estilo de narrativa que difere um pouco do dito "normal" relativamente à pontuação. Isso não torna, de todo, a leitura dificil, aliás este livro é pequeno, lê-se muito rápido e facilmente. A história é profunda, no entanto, não conseguiu comover-me, senti muita frieza ao longo do livro, não consegui sentir empatia para com as personagens, talvez por não estar habituada à escrita do jornalista. Lendo a sinopse que cita "Não devemos recear livros duros. As histórias que mais nos prendem trazem uma catarse que nos carrega as mágoas, personagens que apresentam as suas semelhanças connosco." estava à espera de algo que me tocasse, que me fizesse parar para pensar, a cima de tudo que me fizesse sentir alguma coisa e isso não aconteceu. Ainda assim, recomendo este livro pelo seu estilo de narrativa, porque o autor conseguiu trazer-nos uma obra diferente, original e tirar-nos da rotina daquilo a que estamos habituados a ler todos os dias.
Este foi o meu primeiro romance de Rodrigo Guedes de Carvalho. E o meu primeiro audiolivro. E que bom que foi!! É uma história que vai crescendo, em que o autor nos mostra devagarinho as personagens mas que pouco a pouco vai se enraizando cada vez mais dentro de nós. Aborda uma família respeitada aos olhos da sociedade, mas que no interior do lar impera a violência doméstica, as relações abusivas, o alcoolismo e as doenças mentais. O fim é surpreendente e leva-nos a refletir sobre como os abusos podem destruir uma família. E que tudo se desmorona como um castelo de cartas. Como audiolivro foi fabuloso, ouvir da voz do autor aquilo que sente. Todos os sentimentos das palavras estão refletidos na voz. Na voz do próprio autor.
Review Margarida Espantada, de Rodrigo Guedes de Carvalho. 4⭐️
Outro murro no estômago, muitos murros no estômago! Que livro pesado, que ainda assim quer parecer leve na narrativa, mas que nos sufoca constantemente.
Este é um livro sobre dor, sobre violência, sobre o amor que não conseguiu ser. Sobre famílias tão quebradas que o único ponto de contacto que encontram é a dor.
Muito importantes reflexões sobre violência doméstica, nas formas mais perversas.
É também um livro sobre a lógica dos media que o autor descarrega aqui, notando-se que não pode deixar de afectar o mensageiro da notícia de forma profunda. Que testemunho importante!
Estreei-me na leitura de Rodrigo Guedes de Carvalho com Margarida Espantada, que foi uma obra recomendada, e o que posso dizer numa rápida análise é que a montanha pariu um rato do início ao fim. Abordando temas importantes e tão atuais da sociedade, como é o caso da saúde mental, da violência doméstica, o suicídio e as guerrilhas familiares, tudo pareceu muito frágil e sensível pelas palavras descritivas que vão sendo transmitidas a um leitor que se espera comover e que percorre toda a história sem se conseguir aproximar de qualquer personagem. Poderei ter sido frio com cada peão desta narrativa, mas o facto é que do início ao final, a história Margarida Espantada não me conseguiu prender vez alguma, muito porque fui sentindo a necessidade de criar uma maior profundidade em cada cena descrita, o que não aconteceu vez alguma coisa, sendo este ciclo contado de forma bastante rápida, muito superficialmente. Na apresentação do livro o autor afirma que "Não devemos recear livros duros. As histórias que mais nos prendem trazem uma catarse que nos carrega as mágoas, personagens que apresentam as suas semelhanças connosco" e por isso mesmo acreditei que esta leitura se iria chegar, tocar e poder refletir uma parte do que muitos de nós sentimos. Pode tocar e chegar a muitos leitores, o que em mim não aconteceu, deixando-me mesmo numa obra pequena e de rápida leitura cansado deste núcleo familiar tão disperso e que não me ficará na memória. Contra várias expetativas não consigo ver uma grande narrativa em Margarida Espantada de Rodrigo Guedes de Carvalho, sendo um pequeno romance que me causou cansaço pelo arrasto que sofreu ao longo da leitura por não me conseguir cativar minimamente desde o primeiro encontro por faltar profundidade em toda a história.
Um livro que me surpreendeu. Foi a minha estreia com a escrita do RGC e gostei muito. Uma história em crescendo, em que o autor nos vai apresentando as personagens e desvendando aos poucos a história. Daqueles livros que não apetece largar.
Mais um livro intenso do autor. Este aborda várias vivências das quais se fala na actualidade: conceito de família e o quanto esta vai definir o que somos; violência doméstica como algo que faz parte do quotidiano e da história de algumas famílias; a ignorância e preconceito em relação à doença mental; a dificuldade de integração e de aceitação do que é a sociedade e a vida humana... Quando este "espírito" de não aceitação se instala o sofrimento é atroz: "Foi um excesso de entendimento, que magoa como o ferro, como a brasa que não esfria, um excesso de tudo, uma carne sem pele que a proteja." No fundo o autor fala da inadaptação à sociedade actual, daqueles que têm pureza de sentimentos e que acima de tudo acreditam na bondade do ser humano.
Mais um lido, quer dizer, ouvido. Simmmmm, finalmente temos um audiobook narrado em português de Portugal (ao tempão que ansiava por ouvir um audiobook na minha língua materna)!! E o que é melhor do que ser narrado pelo próprio autor, quando, ainda por cima, a sua voz é tão reconhecível e me acalma?!? Logo à partida tinha tudo para ser uma grande experiência de leitura e me elevar as expectativas ao máximo. Não sabia ao que ia. Comprei o livro em pré-venda e comecei-o logo no dia em que saiu, pelo que não havia qualquer opinião que pudesse toldar a minha percepção da história. O Rodrigo Guedes de Carvalho apenas nos deu um vislumbre muito ténue do que iríamos ler nas suas redes sociais. Para não estragar a ninguém a experiência agradável, surpreendente e original desta leitura, não vou desvendar nada da história. Apenas digo que envolve uma família, igual a tantas famílias, que nos faz identificar com pelo menos alguma daquelas personagens e que ricas personagens!!! Adorava que o autor pudesse escrever um livro independente para cada membro desta família (pelo menos sobre cada um dos filhos). Sinto que iria adorar ler mais sobre cada um deles. Acho que a classificação de Romance é super redutor. Tem um bocadinho de romance, de policial, suspense e mistério. E a forma como nos é dado a conhecer os factos, é tão cativante. Acho que foi, precisamente, a forma como os acontecimentos nos são apresentados que enriquece a nossa experiência de leitura. Ainda é um daqueles livros que nos faz querer voltar a lê-lo de início, porque temos a sensação que na 2ª leitura vamos tropeçar em detalhes que nos escaparam antes. E, claro, não posso deixar de enaltecer a narração do livro. A voz do Rodrigo Guedes de Carvalho encaixa na perfeição, até nos diálogos (feitos a uma só voz, pelo próprio) se consegue distinguir, sem dúvida, que personagem estamos a ouvir. E a sua entoação de voz, enquadrada em cada parte da narrativa, é exemplar e ajuda-nos na envolvência da história. Por tudo isto, só peço que, mais autores portugueses, sigam as pegadas do RGC e que editem as suas obras em audiobook, porque se o fizerem tão bem assim, vou preferir ouvir os livros (já que a leitura é muito mais envolvente). Parabéns a toda a equipa que editou este livro maravilhoso!
Parei por diversas vezes a leitura angustiada com o que ia acontecer aquelas personagens . Liguei me a elas como se as conhecesse desde sempre! Não estava à espera daquele final, estava a torcer por aquela família . Foi a minha estreia com o autor e não estava à espera de um livro que me remexesse com as entranhas!
Quem diria que o primeiro livro de 2022 seria um de 5 ⭐️! Este livro é um soco no estômago. É tudo tão trágico e escrito desta forma (tão bem) ainda mais trágico se torna. Deixou-me a pensar o tempo todo, a cada linha. Eu pedi este livro emprestado porque me foi recomendado e sinceramente ainda bem que o li. Claro que adoro ler livros que não me “doam”, mas também preciso destes socos de realidade. Para crescer. E de facto há mesmo livros tristes que são muito bons. Gostava de ter passado o tempo todo a sublinhar frases deste livro de tão inteligentes que são. E bonitas. Vou ter de comprá-lo para mim e relê-lo. Deu-me muita vontade de ler mais livros de autores portugueses, e espero cumprir esta meta em 2022.
Ouvi falar deste livro através de alguns canais de booktube. Confesso que, logo no início, mal consegui lembrar quem era quem, mas por acaso, vi um vídeo do canal "A Mulher que Ama Livros" que explicou tudo, e depois não tinha mais problemas! O livro lê-se bem, com capítulos curtos, e sem frases compridas nem gramática torta (por esse razão, recomendei o livro para um estudante da língua portuguesa, nível intermédio, no CaraLivro). Trata de uma família com os seus segredos, as suas trevas. Deste mistura de personagens pouco simpáticas, surge um tipo de thriller psicológico com muitos desvios para vários tópicos interessantes. Li o livro e ouvi o Audiolivro em paralelo e gostei muito.
Este é um livro que se destaca pelas temáticas abordadas (violência doméstica, relações familiares e doenças mentais) e, embora o enredo seja ficcionado, estas são tratadas realisticamente. Se o tivesse que definir numa palavra, talvez optaria por "choque", já que começa precisamente dessa forma e, ao longo do livro, são alternados momentos mais ligeiros com momentos de mistério que me chocaram verdadeiramente.
À medida em que fui avançando na leitura, fui gostando cada vez mais. No entanto, o final pareceu-me meio incompleto. Sinto que precisava de mais algum desenvolvimento para saber o que aconteceu com algumas personagens.
4,5* Primeiro livro que leio do autor e que boa estreia. Um livro que remexe com as entranhas. Um livro sobre pessoas e relações. Uma história familiar, tão tipicamente portuguesa, uma abordagem à violência doméstica, ao alcoolismo e às doenças mentais. Uma critica à sociedade moderna em que se ignora o sofrimento dos outros olhando para nós próprios e seguindo em frente como se nada fosse.