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João Urso

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A vida do escritor alagoano Breno Accioly (1921-1966) foi quase tão breve, intensa e perturbadora quanto alguns dos seus contos. Talvez por isso, o nome do escritor sertanejo nascido em Santana do Ipanema permaneça quase desconhecido entre os próprios alagoanos. O lançamento de “João Urso e Outros Contos Incríveis de Breno Accioly”, publicados em bela edição pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, ajuda a corrigir essa lacuna. Ainda como estudante universitário de Medicina, em 1944, a estreia do santanense na literatura com os contos reunidos em João Urso conquistou logo dois dos mais importantes prêmios à época: o Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, e Graça Aranha, da Fundação Graça Aranha. Breno conquistou também o reconhecimento da crítica e de grandes escritores, como Vinícius de Moraes e Mário de Andrade. “Com um grande talento para o gênero, Breno Accioly veio abrir sobre as águas claras do conto brasileiro as comportas de sua alma tumultuosa, que habita nas trevas mais fundas e sórdidas do ser”, disse o poeta Vinicius de Moraes. “Breno Accioly de um nada fazia um conto e acendia numa vela a chama da angústia humana”, disse Mário de Andrade. “Alma tumultuosa” e “angústia humana” expressam bem a atmosfera sombria dos contos de Accioly, dotados de uma força narrativa e efeitos dramáticos que já foram comparados ao estilo dos autores russos do século 19 – ainda que tenham por cenário a paisagem sertaneja.

165 pages, Paperback

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About the author

Natural da cidade alagoana Santana do Ipanema, nasceu em 21 de março de 1921. Filho do juiz Manuel Xavier Accioly[1] e Maria de Lourdes Rocha Accioly, Breno Rocha Accioly[2] foi um dos maiores contistas brasileiros, demonstrando em sua escrita uma grande habilidade e desenvoltura para o gênero, além de escritor ele ainda foi jornalista e formou-se em Medicina pela Escola de Medicina do Recife em 1938.

Ainda em sua adolescência Breno Accioly demonstrou características e atitudes que apontavam para um quadro de Esquizofrenia, o que lhe acarretou problemas com as relações sociais e depressão.

Embora optando pela carreira de médico, Breno enquanto cursava medicina, passava maior parte do tempo envolvido com o meio literário, convivendo com grandes escritores como: Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto e Lêdo Ivo, seu conterrâneo.

Formou-se em medicina e em 1942 mudou-se para o Rio de Janeiro. Ainda que tenha vivenciado momentos de adversidade devido a sua doença e a crises que lhe acompanhavam, sua escrita revela o grande escritor que ele representa na literatura nacional. Em 1944, com os contos reunidos em João Urso, Breno ganhou dois dos maiores prêmios da literatura brasileira, o Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, e Graça Aranha, da Fundação Graça Aranha.

Faleceu no Rio de Janeiro em 13 de março de 1966 aos 44 anos.

Breno Accioly foi e será conhecido como um escritor denso, que escrevia com a mesma intensidade que as quedas d'água de uma cachoeira. Tratava principalmente de dois temas: a violência e a angustia humana. Não poucos de seus contos afligem os leitores com uma reflexão sobre a humanidade e suas fragilidades. Vinicius de Moraes tratando de Breno disse certa vez: “Breno Accioly veio abrir sobre as águas claras do conto brasileiro as comportas de sua alma tumultuosa, que habita nas trevas mais fundas e sórdidas do ser”. Já Mário de Andrade brevemente declarou: “Accioly de um nada fazia um conto e acendia numa vela a chama da angústia humana”

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38 reviews
December 30, 2025
Esse ano foi um pouco conturbado e acabei lendo pouco e desses poucos, demorei muito pra terminá-los, tendo os abandonado por algumas semanas (e até meses). Esse foi mais um que ficou abandonado por um tempo e talvez isso tenha afetado um pouco a leitura (não tanto, já que são contos e as histórias são independentes), mas, honestamente, não me senti tão instigada a concluí-lo.
Fico muito feliz de ler um conterrâneo, mas esperava que a ambientação da cidade (Santana do Ipanema) fosse mais detalhada, já que João Urso se inicia com a descrição da cidade e eu gostaria que isso tivesse se mantido ao longo do livro. Também sinto um falta de um pouco mais de aprofundamento nos personagens.
De todo jeito, a leitura valeu a pena e eu gostei, apesar dessas ressalvas. Algumas passagens são muito bem escritas e poéticas, por exemplo, no conto As Agulhas: "E se Poni caminha depressa é por temer ficar pertencendo àquele mundo." ou em Açougue (meu favorito, provavelmente, ainda que meio perturbador):
"E dentro daqueles olhos enevoados, longínquos, estão desfilando aquelas antigas imagens, estão a caminhar vagarosamente em perfeita reprodução todas as sensações que abriram sulcos, envelheceram-lhe precocemente o rosto, fizeram de Frederico um outro. Um outro! Positivamente, depois daquilo tudo Frederico tornara-se um outro!";
"Frederico não consegue se libertar da oculta e misteriosa força que o prende defronte ao espelho.
Seu desejo seria de estrangular todos os outros Fredericos que desfilam com todas as suas características expressões, esbofetear cada face que o espelho devolvesse."
Gosto muito da ideia de existirem várias pessoas dentro de uma só, da personificação das versões passadas (e futuras) de alguém e gostei muito desse início de Açougue em que há essa separação de Frederico entre os vários Fredericos que já existiram e o que se tornou.
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