“Saiba, ó príncipe, que entre os anos em que os oceanos beberam a Atlântida e suas cidades reluzentes, e os anos da ascensão dos Filhos de Aryas, houve uma era inimaginável, na qual reinos brilhantes se espalhavam pelo mundo como estrelas sob mantos azuis... Nemédia, Ophir, Britúnia, Hiperbórea, Zamora, com suas mulheres de cabelos negros e torres misteriosas assombradas por aranhas, Zingara, com sua cavalaria, Koth, que fazia fronteira com as terras pastorais de Shem, Stygia, com suas tumbas guardadas pelas sombras, e a Hirkânia, cujos cavaleiros vestiam aço, seda e ouro. Mas o reino mais orgulhoso do mundo era a Aquilônia, soberana suprema do ocidente. Para lá foi Conan, o cimério, de cabelos escuros, olhos sombrios e espada na mão; um ladrão, um salteador, um assassino, possuidor de melancolia gigantesca e contentamento titânico, para pisotear com seus pés calçados com sandálias os tronos adornados de joias em todo o mundo”.
Texto retirado das “Crônicas da Nemédia”, escritas no final da “Era Hiboriana”.
Conan, o bárbaro, é um herói do popular segmento “espada e feitiçaria” criado pelo norte-americano Robert E. Howard em 1932. Originalmente, suas histórias eram publicadas em revistas do gênero pulp destinadas a um público restrito de aficionados por universos repletos de ação, terror, horror, feitiçaria, monstros e quetais. O criador do personagem, inclusive, não viveu para ver a fama do personagem pois cometeu suicídio em 1936 deixando apenas 21 histórias completas e vários fragmentos. Seria o fim da história não? Pois não foi isso o que aconteceu.
O potencial mercadológico do personagem foi sendo notado gradativamente e Conan começou a ganhar fama com a escrita de novas histórias e extensão das histórias originais. A migração para os quadrinhos na década de 1970 foi fundamental e o personagem ganhou legiões de fãs “quadrinhófilos”. Um dos títulos mais vendidos tendo como base o personagem foi “A espada selvagem de Conan” que teve 205 números publicados entre 1984 e 2001.
Por iniciativa da Panini Comics, que detêm atualmente os direitos de publicação do personagem no Brasil, este clássico título está sendo republicado no formato “comic book” em que cada livro traz de três a quatro edições da “Espada Selvagem”. Os livros são um primor de edição com o “classic black and white” característico da coleção mantido e aprimorado, capa dura e textos que explicam a cronologia do personagem, trazem curiosidades e muitas informações sobre as histórias originais, adaptações e breves biografias de autores como Roy Thomas e Frank Brunner e dos desenhistas responsáveis pela aparência clássica do personagem como o “mestre dos mestres” John Buscema e os ótimos Ernie Chan e Tony DeZuñiga.
Hoje em dia, em tempos de “Avengers” e “Justice League”, o personagem perdeu um pouco do apelo mas, graças à persistência dos fãs a “conanmania” sobrevive e o cimério está vivo e forte já tendo migrado para o cinema, séries de televisão, animações, videogames, RPG etc.
Este volume 3 da coleção traz 4 clássicas histórias: “A maldição da lua crescente”, “O terror dorme sob a areia”, “O povo da escuridão” e “A cidadela no centro do tempo”.
Se você gosta de quadrinhos clássicos, como eu, trata-se de uma ótima pedida.