Ana Cristina César was a poet and translator from Rio de Janeiro. She came from a middle-class Protestant background and was usually known as "Ana C." She had written since childhood and developed a strong interest in English literature. She spent some time in England in 1968 and, on returning to Brazil, she became a published author of note. The 1970s and early 1980s were the peak of her poetic career. She returned to England in 1983. One of the authors she admired was Sylvia Plath. She shared some commonalities with her in temperament and fate. She died in 1983 by jumping out of a window at her parents´ apartment, in Rio de Janeiro
Não sei desenhar gato. Não sei escrever gato. Não sei gatografia Nem a linguagem felina das suas artimanhas Nem as artimanhas felinas da sua não-linguagem Nem o que o dito gato pensa do hipopótamo (não o de Eliot) Eliot e os gatos de Eliot (“Practical Cats”) Os que não sei e nunca escreverei na tua cama. O hipopótamo e suas hipopotas ameaçam gato (que não é hopogato) Antes hiponímico. Coisa com peso e forma de peso e o nome do gato? J. Alfred Prufrock? J. Pinto Fernandes? o nome do gato é nome de estação de trem o inverno dentro dos bares a necessidade quente de tê-lo onde vamos diariamente fingindo nomear eu – o gato – e a grafia de minhas garras: toma: lê o que eu escrevo em teu rosto a parte que em ti é minha – é gato leio onde te tenho gato e a gatografia que nunca sei aprendi na marca no meu rosto aprendi nas garras que tomei e me tornei parte e tua – gata – a saltar sobre montanhas como um gato e deixar arco-irisado esse meu salto saltar nem ao menos sabendo que desenho e escrita esperam gato saltar felinamente sobre o nome de gato ameaçado ameaçado o nome de GATO ameaçado o nome de GASTO ameaçado de morrer na gastura de meu nome repito e me auto-ameaço: não sei desenhar gato não sei escrever gato não sei gatografia Nem…
"No ano 2001 terei (2001 - 1952) = 49 anos e serei uma rainha." Palavras De criança. De adulta. De duas semanas antes de morrer. "Que importa a má fama depois que estamos mortos?"