Na sequência de Watchers, com dois finais distintos, Luís Louro apresenta-nos agora Sentinel, também em duas versões, desta feita com dois inícios e apenas um final.
Após o desaparecimento do Sentinel, na última história, assiste-se aqui ao surgimento de uma legião de seguidores, os Discípulos, cujo objetivo é preservar o legado do seu herói e manter bem viva a luta pelo maior número de visualizações.
Mas, como em tudo na vida, há sempre duas faces para a mesma moeda… Neste caso, uma das faces são os Discípulos; a outra, algo bem pior! Sim, porque desta vez a questão é pessoal!!!!
Uma nova história em torno do universo da comunidade de Watchers, desta feita com dois inícios possíveis à escolha do leitor!
O Sentinel é a sequela do Watchers e é igualzinho: tem desenhos giros de uma Lisboa realista, no sentido de ter prédios, lojas e ruas idênticos à cidade verdadeira, mas também irrealista com elétricos voadores, e "bichinhos" (mini-girafas, hipopótamos pequeninos, elefantes de bolso) por todo o lado e árvores a irromper pelos telhados. Esteticamente, lembra-me de mais uma BD, a "Dog Mendonça e Pizzaboy", que tem a mesma mistura de realismo, magia e humor.
O artista também tem o seu lado galhofa, como pequenos pormenores engraçados escondidos nos cantos dos quadrinhos. É claro que Luís Louro nasceu para desenhar BDs. Tem um jeito incontornável.
Então, que pena que a história não tenha pés nem cabeça.
Encontramo-nos num mundo futurista, em Lisboa, algum tempo depois dos eventos do primeiro livro. Os discípulos do "Sentinel" querem continuar a sua interpretação da sua missão por... Ora bem, não me lembro bem o primeiro livro, mas mexem nas vidas das pessoas com os seus drones de espiam-nas com as suas câmaras em prole da sua ideologia patética. Em suma, é uma chatice.
Certo dia a esposa de um homem morto no primeiro livro decide consertar o seu coração despedaçado por vingando-se da memória do Sentinel. Saca uma arma (De onde? Como? Sabe-se lá!), calça um fato de girafa (De onde? Como? Sabe-se lá!) e aprende as competências de um espião ou um agente do Serviço de Informações de Segurança (DO? C? S-SL!). Em breve, mete-se em sarilhos mas conta com a ajuda de um bandido ucraniano que ela encontra durante um assassínio de um discípulo. Basicamente dá por ele porque está a tentar dar cabo de uns criminosos. Salva-lhe a vida. Ele quer retribuir o favor. A sua deformação profissional é exatamente o que ela precisa para continuar a matar os pilotos dos drones. Durante este tempo todo há uma espécie de coro grego na forma de mensagens numa rede social qualquer. Adoro isto. Não devia funcionar mas funciona mesmo contrariando todas as leis de Deus e do Diabo.
Infelizmente, a vingança é um beco sem saída. Por fim, ela assassina um inocente a tiro e pinta o símbolo dela na parede com o seu sangue. Os dois ficam presos e temos de enfrentar a reviravolta mais rebuscada e mais parva de sempre.
Quando sair o terceiro tomo, espero que o autor largue as citações cinemáticas (bué cringe) e adicione mais uma semana de reflexão sobre o enredo e o diálogo, porque com mais investimento de tempo pode criar algo verdadeiramente impressionante.
It's super fun to read through these pages and find all the hidden references.
This one follows basically the same story and quality as "Watchers". This time, instead of 2 editions with 2 different ends, we get 2 editions with 2 different starting chapters.
You don't need to get both to get the full experience. But you should still get them to enjoy the extra pages of the fantastic art from Luís Louro.
Depois de Watchers, Luís Louro publicou Sentinel, um livro que decorre no mesmo Universo e que é tão, ou mais, mirabolante que o anterior. Ainda assim, sendo o segundo livro no mesmo Universo, perde o efeito de novidade que se sentiu em Watchers.
Lisboa continua como o palco deste livro, cruzando elementos familiares da cidade, com tecnologia futurista: os eléctricos tradicionais cruzam os ares, e os polícias de farda retrógrada andam em lambretas voadoras, correndo as ruas mais antigas da cidade.
Se, em Watchers, Luís Louro nos apresenta, neste Universo, um grupo de jovens anónimos que deambulam pela cidade com o intuito de gravar situações mirabolantes (em busca de visualizações e seguidores), em Sentinel a história centra-se numa senhora que se fartou dos observadores (os seguidores do desaparecido Sentinel) que perturbam o quotidiano de toda a gente.
Mas se no volume anterior os observadores eram os caçadores, aqui são as presas e as armadilhas em que caem tornam-se o motivo das visualizações. Claro que o que se segue é uma intensa investigação policial que irá terminar da pior forma possível.
Tal como no livro anterior, a narrativa é acompanhada pelos possíveis comentários dos que seguem os canais dos observadores. Novamente, alguns dos comentários têm nicks alusivos a personalidades da banda desenhada, desde editora a autores – uma componente que tem piada adicional para quem conhece as pessoas e pesquisa, por entre os falsos diálogos as referências.
Visualmente, este volume apresenta-se tão fabuloso quanto Watchers, com o desenho de uma cidade de Lisboa futurista mas que mantém as ruas que conhecemos. Os desenhos são expressivos, até caricaturescos, tanto nas posturas como nas expressões – um exagero controlado que torna a história ainda mais mirabolante.
Em termos narrativos, Sentinel é uma história movimentada, uma sucessão de episódios movimentados, que vai opondo a investigação aos observadores que caem que nem tordos, enquanto explora, em pano de fundo, a (i)moralidade dos habitantes da cidade e os seus valores relativos (o dinheiro primeiro… ou o número de seguidores).
Fantástico e divertido, Sentinel apresenta uma realidade futurista, paralela à nossa, exagerando alguns elementos para melhor apresentar a sua história. Uma fórmula que funcionou em Watchers e que funciona, também aqui.
Sentinel foi publicado pela Asa, existindo duas versões, uma vermelha e uma branca, com inícios diferentes.