Bem bacana esse livro. Um achado. Um dos melhores indies que leio em tempo. É terror, do tipo que deixa tenso, mas nunca cai pro lado do gore. Tem uma prosa precisa, direta ao ponto, e todo um cuidado de criar a ambientação de subúrbio do Rio de Janeiro enquanto vai conduzindo as histórias. A do cão do morador de rua foi a minha favorita, mas tem várias interessantes. A do copo quebrado na casa da velhinha rezadeira é outro que dava fácil uma adaptação pro audiovisual.
Recomendo pra quem gostou de:
As coisas que perdemos no fogo, da Mariana Enríquez Agouro, do Márcio Benjamim. Rio Negro 50, do Nei Lopes. Porco de Raça, do Bruno Ribeiro.
A ideia é muito boa: contos de terror e sobrenatural ambientados no subúrbio, com forte presença da cultura popular e do cotidiano da classe trabalhadora. Nasci e cresci na Zona Norte do Rio, então já me pegou pelo lado afetivo das histórias se passarem em regiões que eu conheço.
Acho que o livro sofre com problemas de revisão, inconsistências na escrita e um design gráfico pouco convidativo.
Um dos pontos altos é a ambientação. A forma como o autor trabalha elementos comuns do dia a dia, como transporte público, bares, cachorros de rua, simpatias e bate-bolas, dá uma identidade forte aos contos.
A primeira metade me prendeu mais. Os primeiros contos trazem narradores variados, desde crianças até um grupo de cães de rua. Depois da metade, achei que algumas histórias começaram a seguir fórmulas previsíveis. Os diálogos, às vezes, soam formais demais, e alguns finais explicam em excesso o que poderia ter sido deixado no ar ou o que já poderia ter sido entendido de outra forma.
Os problemas de revisão aparecem desde o prefácio, com erros que confundem a leitura. Algumas frases parecem mal cortadas na diagramação, como a das citações iniciais de cada história e há incoerências dentro dos próprios contos.
No geral, o livro tem boas ideias e um universo rico para explorar, mas a execução poderia ser mais trabalhada.