Inserido na colecção da Imprensa Nacional – Casa Da Moeda (INCM), de que já falei anteriormente, O Essencial Sobre a Imprensa em Portugal, de João L.de Moraes Rocha, pretende fornecer ao leitor a “concreta fixação do sentido” (Rocha, p. 4) da definição, história e evolução do conceito de imprensa.
Composta como uma entrada alargada do Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão (1963-71), a obra começa pela definição da imprensa nos seus múltiplos significados: a arte de imprimissão; os impressores que a tornaram possível; a tipografia e os livros por ela produzidos; a longa história da protecção régia à impressão, que culminaria na criação da Impressão Régia (1768), antecessora da INCM; as livrarias, bibliotecas e arquivos que se desenvolveram enormemente com a invenção da prensa por Gutenberg; e, por último, a criação da imprensa periódica, a prática jornalística e a censura de que cedo foi alvo.
Enquanto a primeira metade do O Essencial é inteiramente dedicada a uma fixação, objectiva e factual, da “amplitude polissémica do termo imprensa” (Rocha, p. 4), significativamente intitulada Lectio; a segunda parte, Reflectus, dedicar-se-á a pensá-la. João Rocha questiona qual o lugar e o papel dos meios de comunicação social, bem como do livro, na actual sociedade da informação. Bem assim, aflora questões essenciais como as ligações entre imprensa e o poder, e os respectivos limites da liberdade de expressão. Por fim, estas cogitações terminam com uma entrada dedicada à manipulação da opinião pública por parte de grandes grupos económicos e dos poderes políticos; um apontamento curioso tendo em conta a data da sua publicação (1998) e o quão actual se mantêm.
Pese embora o seu parco tamanho (58 páginas), e os vários anos com que conta, O Essencial Sobre a Imprensa em Portugal permanece um bom ponto de partida para o estudo desta temática. O manancial de informação pertinente que fornece apela tanto ao estudante como ao académico em início de investigação. A abrangência de conceitos em análise satisfaz as necessidades de contextualização do leitor não-especializado. A lista bibliográfica, apesar de breve, direcciona para o lugar certo o investigador, sobretudo para a área de história. Por último, várias das reflexões do autor têm continuidade noutras obras posteriores, da sua lavra, nomeadamente em Cidadãos, Tribunais, Comunicação Social: Que Relações no Caminho da Justiça (1997), Justiça e Comunicação Social (1999) e Nova Lei de Imprensa (1999).