Asfixia – capitalismo financeiro e a insurreição da linguagem reúne dois textos de Franco Insurreição (2011) e Respiração (2018). Em Insurreição, o autor de Depois do Futuro, realiza uma espécie de manifesto para tempos precários, um chamado para a ação diante da crise catastrófica que o capitalismo financeiro impõe a todos. Para Berardi, a sociedade ou pode seguir as prescrições e “resgates” exigidos pelos setores econômico e financeiro às custas da felicidade pública, da cultura e do bem comum; ou pode arriscar formular uma alternativa. Mais do que entender a crise atual como uma crise econômica, Bifo propõe que o que está em jogo é uma crise da imaginação social, que exige uma nova linguagem para enfrentá-la. Em Respiração, o autor retoma a metáfora da poesia como rota de fuga contra os fluxos que paralisam o corpo social. Segundo Berardi, trata-se de reaprender a respirar em tempos de “Como podemos lidar com a falta de ar que a abstração produziu na história da humanidade? Como podemos nos desvencilhar do cadáver do capitalismo financeirizado?”. Para ele, a resposta pode estar na potência infinita de uma linguagem não coagida pelos limites do significado ou, em outras palavras, na poesia como invenção coletiva.
Franco "Bifo" Berardi (born 2 November 1948 in Bologna, Italy) is an Italian Marxist theorist and activist in the autonomist tradition, whose work mainly focuses on the role of the media and information technology within post-industrial capitalism. Berardi has written over two dozen published books, as well as a more extensive number of essays and speeches.
Unlike orthodox Marxists, Berardi's autonomist theories draw on psychoanalysis, schizoanalysis and communication theory to show how subjectivity and desire are bound up with the functioning of the capitalism system, rather than portraying events such as the financial crisis of 2008 merely as an example of the inherently contradictory logic of capitalist accumulation. Thus, he argues against privileging labour in critique and says that "the solution to the economic difficulty of the situation cannot be solved with economic means: the solution is not economic." Human emotions and embodied communication becomes increasingly central to the production and consumption patterns that sustain capital flows in post-industrial society, and as such Berardi uses the concepts of "cognitariat" and "info labour" to analyze this psycho-social process. Among Berardi's other concerns are cultural representations and expectations about the future — from proto-Fascist Futurism to post-modern cyberpunk (1993). This represents a greater concern with ideas and cultural expectations than the determinist-materialist expression of a Marxism which is often confined to purely economic or systemic analysis.
Esse é o segundo livro do Bifo que leio, e, como o primeiro (Depois do Futuro), é muito bom. Em alguns trechos, ele mobiliza conceitos abstratos demais e o raciocínio fica difícil de acompanhar para quem não compartilha das mesmas referências acadêmicas e culturais. Entretanto, o fio condutor da obra é bastante claro, mesmo com esses devaneios: o mundo contemporâneo é financeirizado, automatizado e pré-formatado. Assim, limita-se a linguagem humana e, portanto, a capacidade de imaginar saídas e futuros. A poesia, que consegue criar novos sentidos linguísticos a partir de combinações imprevisíveis, é uma solução para reconquistar a linguagem, a imaginação e a esperança.
Eis aqui um pós-anarquista legítimo. De leitura ágil e igualmente profunda, os dois textos deste livro não "facilitam o orgasmo", como disse Cortázar, mas entregam generosamente análises límpidas e acertam os ponteiros do leitor angustiado com o "realismo capitalista". Livro prático, coerente, aberto e fluído, pode e deve ser lido não apenas como um manifesto como um manual também. Em certa medida, o Bifo reinventa a Contracultura e as promessas do Maio de 68 sem um pingo de nostalgia.
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