A Sabedoria dos Idiotas contém histórias usadas pelos grandes mestres do sufismo, resgatadas de manuscritos antigos e contos da literatura oral das tradições culturais persa, afegã, turca e árabe. Os mestres sufis apresentavam-se como «idiotas de Deus». Em árabe, esta expressão descreve alguém que tem a mente no céu e o corpo na terra. Em termos espirituais, poderia considerar-se um idiota aquele que afirma a sua ignorância perante a verdade, pois entende a sua transitoriedade neste mundo.
Nasrudin Hodja é o personagem central destas histórias, e aparece aqui e ali a desempenhar os mais variados papéis: às vezes, é um sábio; outras, um cortesão; outras ainda, um mendigo, um juiz, um professor, um tolo… É múltiplo e indefinível. As histórias de Nasrudin correm o mundo e são muito conhecidas em todo o Médio Oriente. No Ocidente, são-no menos.
Uma das grandes vantagens das histórias é que penetram na consciência sem oferecer muita resistência e, sendo plásticas, podem ser aplicadas a diferentes situações e momentos. A lógica sábia, e por vezes absurda, destes contos é um dos métodos mais engenhosos para quebrar a nossa maneira habitual de pensar e as barreiras da mente.
Histórias absurdas e mais heréticas do que eu estava à espera...
Gostei especialmente desta história (talvez a única que de facto me ficará na memória, ou antes, que poderei consultar aqui, uma vez que a vou transcrever):
«Nasrudin reuniu numa festa todos os seus discípulos. Depois de jantar, restava um prato de doces em cima da mesa. Ele convidou-os a comê-los. - Mestre, estás a testar-nos, para ver se conseguimos controlar os nossos desejos - disseram eles. - Nem pensar - contrapôs o mulá. - A melhor maneira de dominar um desejo é vê-lo satisfeito. Prefiro que fiquem com os doces no estômago do que no pensamento, que deve ser usado para coisas mais nobres.»
Contos orientais que utilizam parábolas com humor para transmitir ensinamentos. A personagem "idiota" do Mulah Nasrudin traz sabedoria através das histórias contadas, levando às vezes ao estremo do absurdo, para nos fazer reflectir.
É um livro curioso e original. E Nasrudin Hodja (não é o autor mas o personagem) é uma figura extraordinária do folclore muçulmano, que tanto é juiz como acusado, como queixoso, vendedor como comprador, vigarista como enganado, etc. Aparece nas mais diferentes situações e a maior parte das vezes tem reações absurdas, fazendo-nos por vezes questionar o nosso próprio senso comum. Algumas histórias (dez por cento?) são excelentes e muito engraçadas, mas na maioria são desenxabidas. Há que ter paciÊncia para encontrar as melhores.
Um compêndio de parábolas e histórias antigas, supostamente com alguma moral. Poucas delas têm alguma graça, a maioria é profundamente desinteressante.
Estou desiludida com este livro. Tenho-o como concluído mas não consegui lê-lo até ao fim. Não sei bem o que esperava ler mas certamente não era este tipo de "sabedoria". Arrumado na estante.