Jump to ratings and reviews
Rate this book

Prosadores brasileiros #1

Muita Retórica, Pouca Literatura

Rate this book
Este livro reúne vinte ensaios publicados, entre 2010 e 2012, no jornal Rascunho, numa série, ainda não terminada, cuja proposta é reler os prosadores da literatura brasileira. A leitura segue, de maneira proposital, parâmetros em grande parte desprezados na atualidade, quando a crítica literária não só difunde, mas também sofre dos três males apontados por Tzvetan Todorov: formalismo, niilismo e solipsismo. Trata-se, logo, de uma leitura à contracorrente.

Os ensaios estão dispostos cronologicamente, como convém a um trabalho que, embora crítico e analítico, também se apresenta sob a perspectiva da história. Cada autor eleito comparece com uma obra no tribunal do júri, que o crítico escolheu por seu caráter paradigmático, sua capacidade de representar o conjunto da produção de cada escritor. O movimento interno de cada ensaio é, portanto, de alternância, sempre ágil, entre análise particular da obra escolhida e a perspectiva global do autor focalizado.

Entre os autores analisados encontram-se os nomes clássicos de José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida, Raul Pompéia e Machado de Assis, mas Rodrigo Gurgel também relê grandes prosadores esquecidos, como João Francisco Lisboa, Joaquim Felício dos Santos, Eduardo Prado e vários outros.

153 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2012

7 people are currently reading
81 people want to read

About the author

Rodrigo Gurgel

11 books25 followers
Ensaísta e crítico literário do jornal Rascunho desde 2006, Rodrigo Gurgel também é professor de literatura e escrita criativa. Colaborador da Folha de S. Paulo, publicou dois livros: Esquecidos & Superestimados e Muita retórica - Pouca literatura (de Alencar a Graça Aranha). Jurado do Prêmio Jabuti de 2009 a 2012, Gurgel ganhou notoriedade em 2004, quando foi escolhido como um dos dez vencedores do Concurso de Contos “Caderno 2”, do jornal O Estado de S. Paulo, dedicado aos 450 anos da cidade de São Paulo.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
19 (55%)
4 stars
8 (23%)
3 stars
6 (17%)
2 stars
0 (0%)
1 star
1 (2%)
Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Rodolfo Borges.
252 reviews3 followers
January 6, 2013
Resenhei:

A literatura brasileira bate em retirada

Rodrigo Gurgel reuniu a tropa e deu início à retirada. Começou por José de Alencar, Aluísio Azevedo e Graça Aranha, entre outros, que, sem víveres para se bater com Goethe, Dostoievski e Flaubert, voltam para casa em clima de A retirada da Laguna, a crônica do Visconde de Taunay sobre o fracasso na Guerra do Paraguai. Publicado no segundo semestre de 2012, Muita retórica – pouca literatura (Vide Editorial, 228 páginas) reúne os textos inaugurais do projeto em que o crítico se propõe a passar a limpo o cânone literário brasileiro. O recuo é estratégico e contribui para reforçar as trincheiras literárias nacionais.

Gurgel ficou mais conhecido depois de interpretar o papel de ‘jurado C‘ no último Prêmio Jabuti. Valendo-se do novo sistema de pontuação (até então, as notas eram de 8 a 10), ele pontuou entre zero e 1,5 metade dos dez finalistas, entre eles a presidente da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado. A estratégia definiu o premiado de melhor romance, Nihonjin (Benvirá), de Oscar Nakasato. Barulho no mundo literário, condenações e elogios, e, após muita polêmica, um sentido, tanto nas explicações de Gurgel sobre as notas quanto no livro em questão.

Muita retórica – pouca literatura reúne ensaios publicados no literário Rascunho de 2010 a 2012, em que Gurgel se propõe a julgar sem patriotismos a qualidade literária da prosa nacional. E, como o autor alerta, a tarefa nem sempre é agradável. O que mais me doeu foi a crítica feita a Aluísio Azevedo e seu O Cortiço. Gurgel não suporta o naturalismo reforçado pelo maranhense em todo e qualquer personagem (e até em seres inanimados) – mas eu cairia de novo, numa boa, no molejo da Rita Baiana.

Ao mesmo tempo em que rebaixa medalhões como José de Alencar e Raul Pompéia, apontando uma retórica vazia e enredos inconsistentes ou melosamente rebuscados, Gurgel eleva nomes pouco celebrados, como João Francisco Lisboa e Eduardo Prado. Mas o autor também reforça o prestígio de clássicos, como Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e destaca o “épico às avessas” de Taunay que deu mote a esta resenha.

O mais agradável desse livro, aliás, é perceber, a cada ensaio, como Gurgel se preocupa em elogiar o que considera bom e criticar aquilo de que não gosta, mas sem se furtar a deixar claro o resultado do somatório das virtudes e defeitos do livro em questão. Sua crítica a Machado de Assis e Dom Casmurro é uma prova de que, diante de grandes obras, a honestidade intelectual, ainda que rígida, pode (e vai) soar mais elogiosa que a mera bajulação, principalmente quando acompanhada por alguma categoria.

Gurgel se declara conservador, algo considerado pecado hoje em dia, e que, na ocasião do Jabuti, contribuiu para alimentar críticas a ele. Antes de sair correndo assustado, contudo, considere que, diante de uma intelectualidade historicamente dominada pelo pensamento de esquerda (e responsável por consagrar o cânone), essa posição não apenas é essencial para viabilizar os contrapontos propostos, como inevitavelmente destaca a obra. Entre mortos e feridos, que retorne o resto da tropa.
Profile Image for Leandro Dutra.
Author 4 books48 followers
January 8, 2014
Quisera eu ter tido alguém tão lúcido a orientar as leituras escolares! Teria evitado muita frustração…

Leitura tão lúcida é um pouco de consolo num país — não, num mundo! — tão rude.
Profile Image for Marcos Junior.
353 reviews11 followers
November 3, 2014
Rodrigo Gurgel constata algo que deveria ser óbvio para nós brasileiros, mas que fica escondido sobre um ufanismo tolo: nossa literatura é formada por alguns bons escritores. E só. A grande maioria das obras colocadas no panteão nacional por gerações de críticos que deixaram de fazer seu papel é pura retórica. São livros sem profundidade, com excesso de rebuscamentos, teorias filosóficas furadas, esquemáticos, ou seja, tudo que um bom crítico teria obrigação de apontar e explicar.

É o que Gurgel faz no conjunto de pequenos ensaios críticos sobre as obras de vários autores brasileiros do fim do século XIX. Sobra para todo mundo. Mesmo Dom Casmurro de Machado tem seus reparos apontados; assim como seus evidentes méritos. Aliás, mesmo nas obras que Gurgel considera piores, como O Cortiço, ainda consegue pescar seus poucos, mas existentes, valores.

Quanto a José de Alencar, ao invés de descascar o que considera verdadeiras bombas como O Guarani, prefere destacar um dos seus poucos bons romances como Lucíola. Outros são simplesmente devassados como Graça Aranha, Afonso Arinos, Raul Pompéia, Aluísio Azevedo. Vejam um exemplo analisando a obra O Crioulo de Adolfo Caminha:

Há adjetivos às pencas. Nem José de Alencar conseguiu usar tantos (…)Tal maçante retórica irá perseguir o leitor até a última linha desse conto à força estendido.

Mas Gurgel não é só críticas negativas e chovem elogios para livros como Minha Formação (Joaquim Nabuco), Faustos da ditadura militar no Brasil (Eduardo Prado), Contos Amazônicos (Inglês de Sousa) e o citado A Retirada da Laguna (Taunay).

Um livro que tem o mérito de não só colocar uma perspectiva mais real sobre algumas obras de nossa literatura como apresentar alguns autores que ficaram esquecidos na história e que merecem ser resgatados. É alvissareiro saber que ainda existem críticos de verdade no Brasil e não apenas aquela cambada de puxa sacos que escrevem todos os dias nos suplementos culturais de nossos grandes jornais.
Profile Image for Marcel.
7 reviews
May 10, 2020
Rodrigo Gurgel é o melhor crítico literário brasileiro vivo e estará entre os melhores de língua portuguesa quando partir, simples assim. Essa é uma obra fundamental e indispensável para quem quer conhecer a literatura brasileira. O que aprendi com ela é que não devemos aceitar como alta literatura determinadas obras apenas por serem nacionais ou por marcarem determinados períodos literários, tivemos autores medianos que não pareiam com os grandes russos e alemães, pois, a literatura deles se perdeu em meio à retórica. Mas não se trata em jogar essas obras fora, apenas de colocá-las em seu devido lugar, dando a devida importância a quem merece: outros autores nacionais ora negligenciados ora esquecidos.
Profile Image for Marcelo Centenaro.
29 reviews25 followers
February 3, 2015
Um dos melhores livros que li no ano passado é Muita Retórica — Pouca Literatura, de Rodrigo Gurgel. É um painel da prosa brasileira da segunda metade do século 19. Em cada capítulo, Rodrigo analisa uma obra de um autor diferente. O único escritor que aparece em dois capítulos é o Visconde de Taunay, com Inocência e A Retirada da Laguna.

Confesso que só li quatro dos livros analisados: Memórias de um Sargento de Milícias, O Cortiço, O Ateneu e Dom Casmurro. Quase todos quando estava no colegial, há mais de 25 anos. Encontrei muitos reflexos da impressão que me ficou dessas obras na crítica de Rodrigo Gurgel.

Memórias de um Sargento de Milícias é um livro muito bom. Despretensioso, leve, bem-escrito, narra o cotidiano de pessoas comuns. Suas personagens são verossímeis e perfeitamente humanas com suas pequenas mesquinharias e seus pequenos gestos de heroísmo. O Cortiço é uma obra forte, com momentos marcantes. Porém, sua visão naturalista, totalmente pessimista sobre a capacidade moral do ser humano, o faz um romance mediano. O Ateneu é um livro muito ruim, tanto pelo excesso de retórica como pelo sarcasmo destrutivo que o narrador dirige contra tudo e contra todos.

E fiquei muito satisfeito por Rodrigo Gurgel não gostar de Dom Casmurro. Ele ressalta o quanto Machado de Assis deve ao autor de Memórias de um Sargento de Milícias, dívida nunca reconhecida por Machado. Rodrigo diz que Bentinho constrói uma narrativa que só conduz o leitor a becos sem saída. Não é possível dizer se Capitu traiu Bentinho ou não. E não é possível dizer mais quase nada. Bentinho simplesmente nos confunde e para nada.

Muita Retórica — Pouca Literatura resgata diversos escritores esquecidos, como João Francisco Lisboa, Joaquim Felício dos Santos, Inglês de Souza e Xavier Marques. Dá umas boas pauladas em autores incensados como Adolfo Caminha, Afonso Arinos e Graça Aranha, além das unanimidades José de Alencar, Machado de Assis e Raul Pompéia. Fiquei com muita vontade de ler A Retirada da Laguna e os livros de Joaquim Nabuco e Eduardo Prado. E estou ansioso para começar o próximo do Rodrigo, Esquecidos e Superestimados, que continua analisando a prosa brasileira, agora no início do século 20.

A crítica de Rodrigo Gurgel é muito bem fundamentada. É divertida e equilibrada. Os pontos fortes de uma obra ruim ou os defeitos de um livro excelente não são deixados de lado, mas explicados pacientemente ao leitor.
Para dar uma noção do que é o livro, publico o nome dos capítulos e o autor e a obra a que se referem. Boas leituras!

1. Romantismo autodestrutivo
José de Alencar e Lucíola

2. Talento para recriar a vida
Manuel Antônio de Almeida e Memórias de um Sargento de Milícias

3. O ironista macambúzio
João Francisco Lisboa e Jornal de Timon

4. O contestador liberal
Joaquim Felício dos Santos e Memórias do Distrito Diamantino

5. Valioso, mas desigual
Visconde de Taunay e Inocência

6. Ecos do ultra-romantismo
Bernardo Guimarães e O Seminarista

7. Épico às avessas
Visconde de Taunay e A Retirada da Laguna

8. Lenga-lenga maçante
Franklin Távora e Um casamento no arrabalde

9. O preço do naturalismo
Aluísio Azevedo e O Cortiço

10. Acima do naturalismo
Inglês de Souza e Contos amazônicos

11. Subliteratura e vingança
Adolfo Caminha e Bom Crioulo

12. Encoberto pela retórica
Domingos Olímpio e Luzia-Homem

13. Em busca do realismo
Manuel de Oliveira Paiva e Dona Guidinha do Poço

14. Enfermo de retórica
Raul Pompéia e O Ateneu

15. A pior das respostas
Machado de Assis e Dom Casmurro

16. O antifilisteu
Joaquim Nabuco e Minha formação

17. O anti-revolucionário
Eduardo Prado e Fastos da ditadura militar no Brasil

18. Arenga sertanista
Afonso Arinos e Pelo sertão

19. Retorno ao paraíso
Xavier Marques e Jana e Joel

20. Puro pedantismo
Graça Aranha e Canaã
Profile Image for Mario Sergio.
Author 8 books2 followers
November 21, 2019
Rodrigo Gurgel é sem dúvidas um dos grandes nomes de nossa crítica literária. Com um a prosa agradável e um estilo direto, que não deixa passar nada, seu trabalho não comporta a emissão de elogios baratos sem substância sobre as obras dos autores brasileiros canonizados e sim promover uma verdadeira dissecação de suas obras, mostrando o belo e o tosco e inútil.

Gostei particularmente de suas analises de Manuel Antônio de Almeida no Memórias de um Sargento de Milícias, Visconde de Taunay na Retirada da Laguna e de Machado de Assis no Dom Casmurro.

Gurgel coloca o cânone literário brasileiro em seu devido lugar.
Displaying 1 - 7 of 7 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.