Se há uma acusação que frequentemente cai sobre os reformados confessionais é a de legalismo. Há uma tendência de, sempre que enfatizamos a obediência à Palavra de Deus e, de uma forma, normatizada, aos nossos padrões doutrinários, sermos rotulados como legalistas farisaicos e até mesmo neonomistas. Inegavelmente, o legalismo é um pecado a respeito do qual nós precisamos estar atentos. É verdade que no nosso coração há combustível suficiente para nos colocarmos em oposição à graça de Deus em Jesus Cristo, e confiarmos em nossa própria justiça, em nossas boas obras tanto para sermos aceitos por Deus e perdoados dos nossos pecados, como também para podermos continuar desfrutando do seu amor.
Exatamente por essa razão é relativamente fácil encontrarmos publicações a respeito do perigo do legalismo, enquanto não encontramos quase nada sobre o antinomianismo. Alguns livros foram publicados recentemente em inglês, mas não temos nada em português, com exceção de um livro publicado recentemente, de autoria do Pr. Sinclair Ferguson.
Mas algo que tem chamado a atenção é de quem, normalmente vêm essas acusações. Quem é que faz esse tipo de acusação? Normalmente elas partem de pessoas que acreditam firmemente que, em virtude da obra redentiva de Jesus, os cristãos não possuem mais qualquer obrigação em relação à lei moral. Normalmente a acusação de legalismo flui de lábios e corações antinomianos. Também é interessante que tais queixas são feitas sempre no contexto da discussão e da afirmação da perpetuidade do dever de guardarmos o dia do Senhor como o nosso sábado cristão, como um santo repouso.
"Ah, como necessitamos da lei do Senhor! Sim, fomos salvos. Sim, fomos justificados gratuitamente com base no sangue puríssimo de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, ah, como pecamos! Quantas vezes deixamos de olhar para a luz e preferimos nos embrenhar nas trevas! O pecado é comparado na Palavra de Deus às trevas. Paulo se refere aos diversos tipos de pecado como “as obras infrutíferas das trevas” (Efésios 5.11). Ele também exorta os cristãos romanos a deixarem as obras das trevas e a se revestirem das armas da luz (Romanos 13.12). Fugir de coisas como orgias e embriaguez, impudicícias e dissoluções, contendas e ciúmes é, de acordo com o apóstolo, andar dignamente, como em pleno dia (Romanos 13.13). O evangelista João diz que os homens amaram mais as trevas do que a luz (João 3.19). A lei do Senhor, sem qualquer compromisso com a nossa loucura, mas toda ela pura, declara a maldade de nossas obras, adverte-nos acerca das desastrosas consequências da desobediência, mostra-nos aquele a quem traspassamos, e nos faz correr para ele, a fim de termos os nossos olhos iluminados. Quão perfeita, então, é a lei do Senhor! E como ela deve ser estimada por nós!"
Livro breve, mas profundo. Nos mostra como Lei de Deus é boa e como ela é o padrão de santificação de todos que foram salvos.
Guardar a lei é um dos frutos daqueles que amam a Deus. Daqueles que foram tirados das trevas.
Graça não se opõe a Lei. A Lei nos leva a Graça do evangelho e a Graça nos leva à amar a Lei.