Neste thriller satírico e recheado de humor ácido e brutalidade, acompanhamos o Departamento, um grupo de assassinos que parecem ter saído de um livro de piadas escrito pelo Ian Fleming. Eles seguem as ordens da Indústria, uma empresa nacional comandada por homens de negócios gananciosos, entre eles o Irmão Mais Velho, maior acionista e herdeiro deste empreendimento, que está se candidatando à Presidência do Brasil.
Para evitar polêmicas na época da eleição, o Irmão Mais Velho quer fazer algumas mudanças na Indústria e para isso vai precisar da ajuda do principal membro do Departamento: Bartolomeu, um assassino que considera o seu ofício uma forma de arte. Ele é o eixo desta obra alucinada envolvendo política, bolsa de valores, racismo, capitalismo, cadáveres, negociações, sangue e o futuro do nosso país.
Bruno Ribeiro (1989), nasceu em Pouso Alegre/MG e é radicado em Campina Grande/PB. Escritor, tradutor e roteirista. Autor do livro de contos Arranhando Paredes (Bartlebee, 2014), traduzido para o espanhol pela editora argentina Outsider, e dos romances Febre de Enxofre (Penalux, 2016), Glitter (Moinhos, 2018 / Finalista da 1° edição do Prêmio Kindle e Menção Honrosa do 1° Prêmio Mix Literário de Literatura LGBTQI+), Zumbis (Enclave, 2019) e Bartolomeu (Autopublicação, 2019). Mestre em Escrita Criativa pela Universidad Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), venceu o Prêmio Todavia de Não Ficção com o projeto de um livro-reportagem sobre um feminicídio no agreste paraibano. Foi também semifinalista do 3º prêmio Aberst de Literatura e um dos vencedores do concurso Brasil em Prosa, promovido pelo jornal O Globo e pela Amazon, com o conto “A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero”. Edita o blogue: brunoribeiroblog.wordpress.com
“[Bruno Ribeiro é] um Nelson Rodrigues contemporâneo, com mais virulência e menos pudor para o macabro.” (Marcus Lima Martins)
“Tinha jurado para mim mesmo nunca mais ler uma narrativa sobre um escritor em conflito com o mundo ou com bloqueio criativo, mas não contava com Bruno Ribeiro, o príncipe da prosa sulfúrica, pornográfica e ultrajante.” (Alfredo Monte)
“(…) Glitter deixa o leitor atônito, por fim, porque junta tudo isso em uma narrativa fluida, inteligente e muito crítica. Não é fácil achar um romance assim por aí.” (Ricardo Lísias)
"(...) Bruno Ribeiro se consolida como importante nome do meio literário por sua percepção crítica e pela capacidade de apurar a banalização da morte e a mercantilização dos corpos que, infelizmente, caracterizam o comportamento da sociedade pós-moderna, transformando-as em matéria para sua literatura tóxica, denunciativa e potente.” (Literatamy)
“Bruno sabe como deixar o leitor desconfortável, mas também sabe fazê-lo rir (ou de nervoso, ou de alívio). Eu mesmo ri até ficar com dor nas costelas (de nervoso e de alívio). Quem gosta de humor negro não pode deixar passar.” (Roberto Denser)
"A literatura de Bruno Ribeiro vem para nos dizer isso mesmo: escrever será impossível, mas também inevitável. Essa é a magia. Sem essa batalha, não haverá literatura." (Mariana Travacio)
‘Bartolomeu’ é uma sátira burocrática e violenta em que os assassinatos, encomendados à organização conhecida como Indústria, parecem ficar em segundo plano. Mais importantes do que o trabalho exercido por seus profissionais são as maquinações empregadas pela organização para jogar um Peão contra o outro, num movimento autodestrutivo chamado progresso. No centro de tudo, Bartolomeu, um homem-enigma, homem-lenda, um ninja preto que se recusa a manusear armas de fogo. Através desse personagem (e de muitos outros que narram a história, porém sempre interessados na figura central) acompanhamos uma estranhíssima saga corporativa conduzida com firmeza por Bruno Ribeiro. O estilo do autor, inconfundível, às vezes se apresenta como um enigma: Como é possível uma escrita tão brutal comportar tanta sutileza? De qualquer forma, Bruno aqui se mostra mais afiado do que nunca. ‘Bartolomeu’, o livro, é como seu protagonista: rápido, certeiro, mortal.
Bastou uma madrugada insone para que devorasse o novo romance de Bruno Ribeiro. Não consegui pregar os olhos face a tensão constante na narrativa estonteante de Bartolomeu, um lendário assassino profissional, que trabalha para a Indústria, uma misteriosa empresa de matadores.
Cada capítulo tem um narrador próprio a revelar fragmentos da história digna de um roteiro de Tarantino. Digo isso sem medo algum. A plasticidade, velocidade e descaramento com que Bruno concebe as cenas, cenários e personagens impressiona. Uma linguagem pop (talvez essa não seja a melhor expressão para sua escrita sem firulas ou bom mocismo) permeia todo o livro.
Não conseguia tirar o Chuck Palahniuk da cabeça. Há algo de Clube da Luta e Sobrevivente em Bartolomeu. Digo isso sem desmerecer ao autor, há ironia, humor e acidez nas palavras, nas caricaturas de políticos populistas, fascistas e pseudopatrióticos, numa certa esquizofrenia social tão peculiar a nossos dias.
Chego ao fim com a sensação de que me diverti bastante na leitura de Bartolomeu. Vida longa ao talentoso Bruno Ribeiro!