falar para não estar tão só, quando estar só parece ser o pior. falar da maneira que conseguimos, que conhecemos. talvez uma equação simples. e ainda assim topamos com o velho questionamento: poesia, numa hora dessas? sim, poesia, falar, em todas as horas. falar sobre o além da janela, sobre a secura das ruas, sobre traumas que não respeitam isolamento, sobre dívidas a pagar assim que o toque de recolher for suspenso, sobre estar dentro de uma caixa azul. mesmo durante o intervalo as notícias continuam correndo. 25 poetas falam sobre a vida na quarentena. Leia em: https://bit.ly/3ak7JRy
Gostei das primeiras poesias. Até a do Felipe Silva. Pareceram-me compor o que se pretendia com a coletânea, falar da vida na quarentena, uma experiência única, mas que também pode ter efeitos bastante negativos na maioria das sociedades contemporâneas em que as pessoas parecerem precisar estar no mundo, mesmo que por meio de uma tela de computador ou de celular, esquecendo-se do que é recolher-se, estar em si mesmas. Medo? Talvez.
Gostei muito da ilustração que encerra a obra "Possíveis fins de mundo # 1: Acidente nucelar", e que compõe a capa.