Escrito de forma acessível e didática, este livro será de imenso interesse não apenas para estudiosos da linguagem, mas todos os que querem entender melhor a complexidade da desigualdade racial no Brasil. Com sua análise original da relação entre língua e racismo, Gabriel Nascimento aborda um tema quase totalmente ausente da linguística brasileira, se posicionando de forma lúcida e engajada nos debates de intelectuais negros, muitas vezes esquecidos, e mostrando suas contribuições para uma visão mais inclusiva da linguagem dentro da sociedade brasileira. De fato, a grande novidade da obra de Nascimento é de mostrar tanto as ausências da linguística tradicional quanto as pistas para uma renovação dessa área, dando continuidade ao projeto anticolonial de autores clássicos como Franz Fanon e à crítica decolonial contemporânea, que está transformando debates acadêmicos e políticos ao redor do mundo. Assim, este livro se insere numa virada importante na ciência e sociedade brasileira, que somente agora está começando a encarar a força estruturante de categorias raciais. Joel Windle (Monash University, Austrália/Universidade Federal Fluminense).
Ótimo livro! Bem fluido, e apesar de ter uma narrativa um tanto quanto científica na maior parte do tempo, é de fàcil entendimento. Me propôs boas reflexões, e me fez querer me aprofundar mais no tema tratado.
Esse livro é claramente voltado para a área de pesquisa acadêmica mais do que para uma leitura casual. Por isso, ele acaba sendo um pouco complicado e com termos especializados demais para ter uma leitura fluída e leve. No entanto, ele permanece sendo muito interessante e educativo. Demorei para completar a leitura, mas saí com páginas e páginas grifadas e mil e uma anotações. Recomendo com um toque de perseverança!
As opiniões de Nascimento são realmente claras em relação ao racismo linguístico e como o mesmo afeta as estruturas socialmente construídas em cima disso. Gabriel Nascimento trás junto a ele a pesquisa e o conhecimento de vários estudiosos, alguns deles sendo Djamila Ribeiro, Lélia Gonzalez, Frantz Fanon e Bakhtin. Discute, apresenta e defende suas ideias e opiniões tendo estes autores como exemplo. Apesar de eu ter discordado pouquíssimas vezes das opiniões de Nascimento (ou ao menos da maneira como foram apresentadas), acredito que seu livro seja de imensa importância para a conscientização do que é o racismo linguístico e de que ele de fato acontece e como acontece. Para mim, foi um bom começo para a minha pesquisa sobre o assunto.
Uma construção bem rápida mas ao mesmo tempo fulcral no assunto. Aprendi muito em poucas páginas, vou ter um novo olhar a partir da leitura que tive. Gerei quase 10 páginas de notas no kindle, se fosse livro físico o livro ia tá todo riscado! Fiquei muito impactada com o documento gerado por Portugal em 1757 que explicava palavra por palavra do que hoje é entendido como extermínio linguístico ou linguicído. Enfim, muito esclarecedor.
Livro traz reflexões importantíssimas para a discussão sobre racismo linguístico com embasamentos histórico e linguístico-científicos extremamente pertinentes.
Apesar de o livro ser descrito como "acessível e didático", vale destacar que se trata de um estilo de escrita acadêmico, que pode desmotivar algumas pessoas a seguirem com sua leitura. Recomendo que essa barreira seja ultrapassada, pois seu conteúdo é realmente relevante.
Seja no dia a dia, seja na execução acadêmica, nosso idioma não faz reparação com os povos originários e é retrógrado em aceitar novos caminhos. Nossa língua é também um caminho desfavorável de opressão. É um recurso do apagamento e do embranquecimento. Fico grata por descobrir tamanha consideração sobre a nossa língua e sobre como a linguística trabalhou por tempos em desfavor de igualdade. Espero conseguir contribuir para o inverso dessa realidade.
É um livro curto, porém denso, com uma escrita acadêmica, não é acessível e didático como escrito na descrição. Mesmo assim é muito interessante e traz um panorama geral da importância da língua no racismo, da criação do negro pela branquitude, do racismo contido na fala e nas políticas públicas. Nos faz questionar e refletir e tem uma boa bibliografia para posterior aprofundamento no tema.
Eu gostei muito do livro mas esperava algo menos complicado de ler, não querendo soar ignorante claro. Parece um livro mais para estudos por assim dizer, ainda assim aprendi muito, gostei e recomendo muito.
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